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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Leitura nº 29 - UM ANO A CAMINHAR COM SÃO PAULO

TERCEIRA PARTE PAULO FALA-NOS DA IGREJA DE DEUS 29 “É ELE QUE É A CABEÇA DO CORPO, QUE É A IGREJA Há cristãos que facilmente procuram a salvação por meios e em lugares estranhos à Igreja, que o mesmo é dizer, a Cristo. Já era assim nos primórdios do Cristianismo, nomeadamente entre os cristãos de Colossos Na carta que lhes escreveu, Paulo fala de uma certa filosofia (2, 8), possivelmente uma corrente religiosa sincretista que atribuía aos anjos um papel decisivo no conhecimento e realização dos desígnios e castigos divinos. Perante tal poder, havia que unir-se a eles, participando no culto que prestavam a Deus. Para isso propunham-se práticas ascéticas e rituais (2, 16-18.20s), para além do culto especificamente cristão. Mas, que era isso, senão uma negação, pelo menos implícita, do domínio absoluto de Cristo sobre a Igreja e o mundo? Daí que Paulo, para sua defesa, se sirva de um hino a Cristo, provavelmente já conhecido dos cristãos e que ele, pela sua importância, insere logo na parte inicial da carta (1, 15-20). Vamos lê-lo no seu contexto de Cl 1, 9-23, para mais facilmente, não só compreendê-lo, como, sobretudo sermos compreendidos po aquele que nele veneramos, e assim nos mantermos na sua Igreja. CL 1 , 9-23 Por isso, quanto a nós, desde o dia em que ouvimos falar disso, não cessamos de orar por vós e de pedir a Deus que vos encha do conhecimento da sua vontade, com toda a sabedoria e inteligência espiritual, a fim de caminhardes de modo digno do Senhor, para seu total agrado, deixando-nos fortalecer plenamente pelo poder da sua glória, para chegardes a uma total constância e paciência, com alegria dando graças ao Pai, que vos tornou capazes de tomar parte na herança dos santos na luz, Ele que nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu amado Filho, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Ele que é a imagem do Deus invisível, primogénito de toda a criatura; porque foi nele que todas as coisas foram cridas, nos Céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, os tronos e as dominações, os poderes e as autoridades, todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. É Ele que é anterior a todas as coisas e todas elas subsistem nele, e é Ele que é a cabeça do corpo, que é a Igreja: Ele que é princípio, primogénito de entre os mortos, para ser Ele o primeiro em tudo; porque foi nele que aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e por Ele reconciliar todas as coisas para Ele, pacificando, pelo sangue da sua cruz, tanto as que estão na terra como as que estão nos Céus. Também a vós, que outrora andáveis afastados e éreis inimigos, com sentimentos expressos em acções perversas, eis que agora Cristo vos reconciliou no seu corpo carnal, pela sua morte, para vos apresentar santos, imaculados e irrepreensíveis diante dele, desde que permaneçais sólidos e firmes na fé, sem vos deixardes afastar da esperança do Evangelho que ouvistes, o qual foi anunciado a toda a criatura que há debaixo do Céu, e foi dele que eu, Paulo, me tornei servidor. No hino, tudo converge para as duas proclamações centrais: : 1. Só Cristo é anterior a todas as coisas, e todas elas subsistem nele (v. 17), devido ao seu lugar único de mediador divino na criação do mundo (v. 16), que realizou por ser imagem do Deus invisível, primogénito de toda a criatura (v. 15). 2. Só Cristo é a cabeça do corpo, que é a Igreja (v.18a), por ser princípio, primogénito de entre os mortos, para ser Ele o primeiro em tudo (v. 18b), devido ao seu lugar único de mediador divino na reconciliação do mundo (vv. 19s). No centro está, pois, aquele que tem um lugar central também na vida de todas as criaturas e de todos os cristãos: Cristo na sua relação única com Deus. Mas porquê a junção, no meio do hino, da dupla proclamação do reinado de Cristo? Que têm a ver um com o outro, o seu domínio sobre o cosmos e sobre a Igreja? Será o mesmo? Sim, e não. É o mesmo, no que toca à universalidade da criação e da redenção por Ele operadas: ambas atingem todos os seres, terrestres e celestes (vv. 16.20). Por isso Ele é a cabeça de todo o poder e autoridade (2, 10), como o é também da Igreja, mas com esta diferença: só a Igreja é seu corpo (1, 18; 2, 19). Porquê e em que sentido? Porque só nela é reconhecido como Senhor, e, em parte, pelas mesmas razões expostas em 1 Cor 12, 3.13. Lá, como aqui, se diz que a Igreja é corpo de Cristo, devido à redenção por Ele realizada e à adesão a Ele pela fé e o Baptismo. Só os aspectos focados diferem. Em 1 Cor, é acentuado o efeito da adesão de fé: a colaboração orgânica de todos membros do mesmo corpo, de tal modo que todo o corpo, e não só a cabeça, é identificado com Cristo. Em C1, é acentuada e alargada a confissão de fé em Cristo: é proclamado Senhor do universo, devido também a ter sido criado por meio dele, com base na sua preexistência em Deus. E qual a relação entre a sua condição de primogénito de entre os mortos (v. 18b) e a de primogénito de toda a criatura (v. 15)? – A primeira está na base da segunda: porque Cristo é a imagem do Deus invisível (v. 15), por isso Ele ressuscitou, para ser Ele o primeiro em tudo (v.1 18b). Isto é, a vitória definitiva sobre a morte só seria possível a alguém que partilhasse totalmente do poder de Deus: alguém, no qual, desde o início da sua existência terrena, habitou toda a plenitude da divindade (v. 19); alguém, no qual pelo qual para o qual Deus tudo criou e consigo reconciliou (vv. 16.20). É a este Cristo que nos entregamos. Os resultados são expostos antes e depois do hino: foi então que Deus nos concedeu a comunhão na herança dos Santos na luz, através da libertação do poder das trevas e da transferência para o Reino do seu amado Filho, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados (vv. 12-14); e foi então, através da reconciliação, obtida por Cristo no dom do seu corpo na cruz, que Ele nos libertou de uma total inimizade com, Deus, para nos apresentar santos, imaculados e irrepreensíveis diante dele, já no presente da sua Igreja (vv. 21s). E é assim que ela se torna seu corpo: o lugar onde já se experimenta o seu Reino de senhor do universo. Daí a posição da Igreja perante o mundo e perante si própria. Em relação ao mundo, qualquer atitude de triunfalismo e altivez, separação e desprezo estaria em radical contradição com Aquele que o criou e redimiu. Mas a Igreja só pode apresentar Cristo ao mundo, se nela se aprofundar a total dependência de Cristo. Coimo em concreto? Se não pudermos ler toda a carta, atendamos, ao menos, ao que Paulo nos convida a fazer nos vv. 9-12.23, particularmente à acção de graças da qual faz parte o hino a Cristo (vv. 12-20). Que melhor caminho para nos mantermos no corpo de que Ele é a cabeça, senão darmo-nos a Ele, como Ele se deu por nós? A graça, se agradecida, é sempre fonte de novas graças ... para nós e tantos outros, na Igreja e no mundo.