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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

32ª leitura "UM ANO A CAMINHAR COM SÃO PAULO"

TERCEIRA PARTE PAULO FALA-NOS DA IGREJA DE DEUS 32 “TODA A ESCRITURA E INSPIRADA POR DEUS” Não deve haver celebração alguma na Igreja, sem uma ou mais leituras da Bíblia. Se a isso juntarmos tantos cristãos que, em particular e em grupos, a ela recorrem, por vezes diariamente, pode concluir-se que nem eles nem a Igreja podem viver sem ela. Porquê?
Que tem este livro de especial? Procuremos a resposta em, onde Paulo exorta Timóteo e, na pessoa dele, cada dirigente de comunidades cristãs, a permanecer fiel às tradições recebidas, das quais faz parte a Sagrada Escritura. A recomendação devia-se a heresias que ameaçavam a identidade da Igreja, na ligação existencial às suas origens. Um perigo que se repetiu ao longa da história. Mas, quer nessas situações, quer noutras mais pacíficas, a Igreja sempre procurou na escritura a vida que Deus nela e por ela lhe oferece.
Vejamos como ... através da própria Bíblia, onde – não o esqueçamos – é Deus quem nos fala. 2 Tm 3, 10-17 Tu, porém, seguiste-me de perto no ensinamento, no modo de vida, nos planos, na fé, na paciência, na caridade, na firmeza, nas perseguições e nos sofrimentos que me infligiram em Antioquia, Icónio e Listra. Que +perseguições tive de suportar! E de todas elas me libertou o Senhor. E todos os que quiserem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens perversos e enganadores irão de mal a pior, extraviando os outros e extraviando-se a si próprios. Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste e em que confiaste, sabendo de quem o aprendeste e que desde a infância conheces os Escritos Sagrados, que têm poder para te instruir, em ordem à salvação pela fé. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus esteja preparado, bem equipado para toda a boa obra. Os Escritos Sagrados a que Paulo se refere (v. 15), são o AT. Na altura ainda não existiam alguns dos livros do NT, e os que havia não estavam ordenados em cânon, pelo menos na forma definitiva actual. Mas, como veremos, o que Paulo diz sobre o Antigo, pode aplicar-se ao Novo. Aliás, nem este se compreende sem aquele, nem vice-versa. Como o AT é comum aos judeus, iremos usar, em vez da Igreja, a expressão comunidade crente.
No que se refere mais directamente à Bíblia,
podemos agrupar as suas palavras por três temas:
1. A Bíblia nasceu da vida da comunidade crente. Repare-se como Paulo relaciona os Escritos Sagrados com o que Timóteo aprendeu dele e de outras pessoas, entre elas a avó e a mãe (1, 5). É verdade que uns e outros se inspiravam na Escritura para aquilo que faziam e ensinavam. Mas, mesmo nesse caso, a palavras bíblicas eram adaptadas a circunstâncias concretas da vida, diferentes de geração para geração. E elas próprias por sua vez, eram parte de uma transmissão anterior.
Transmissão de quê? Primariamente daquilo a que se chama o acontecimento fundador do povo de Deus; para os israelitas, o êxodo do Egipto; para os cristãos, a morte e ressurreição de Cristo. Um e outro se realizaram por intervenção divina. E, se foi assim que Deus criou o seu povo, era fundamental para este que as intervenções divinas fossem comunicadas às gerações seguintes. Mas de um modo em que se respeitasse tanto a originalidade do acontecimento fundador como as diferentes situações das sucessivas gerações. E foi assim que, aos poucos, se foram formando novas tradições. Inicialmente eram comunicadas de um modo predominantemente oral. Depois, foram sendo escritas, para se não perderem nem serem mal interpretadas.
A sua junção em livros e a destes num só livro foram feitos em momentos críticos da vida das comunidades crentes, nos quais era necessária a sua união com Deus;
no AT, sobretudo nos tempos a seguir ao exílio na Babilónia;
no NT, depois do desaparecimento da geração apostólica e quando os cristãos, por diversos motivos, corriam perigo de dela se afastarem No mesmo dinamismo da tradição insere-se a ligação do Antigo Testamento ao Novo. Em Jesus Cristo cumpriram-se as expectativas de um a intervenção definitiva de Deus que foram crescendo ao longo da história de Israel. Daí o frequente recurso a passagens do AT nos escritos do NT, indicativas do lugar central de Cristo na história da salvação e no conjunto dos livros que a documentam. Mas, se a Bíblia, por um lado, é assim um elo na cadeira da tradição que a antecede e a segue, por outro lado, ela ocupa nessa tradição um lugar privilegiado e incontornável.
Porquê?
De onde lhe vem o poder que lhe é atribuído por Paulo no v. 15:
o de instruir, em ordem à salvação da fé? 2. A Bíblia foi escrita sob a acção do Espírito de que vive a comunidade crente. (vv. 14-18).Dito por Paulo: Toda a Escritura é inspirada por Deus. Do termo inspirada faz parte o Espírito; o hálito divino que fez dos profetas boca de Deus (Jr 15, 19) e que, após a sua acção única em Cristo, foi por Ele transmitido aos discípulos (Jo 20, 22) e por estes à Igreja (Act 2, Iss). Nela se cumpre a profecia de J1 3, 1:
Nos últimos dias (...) derramarei o meu Espírito sobre toda a criatura. Os vossos filhos e as vossas filhas hão-de profetizar (Act 2, 25).
Nos cristãos era o Espírito que falava.
De que modo? Na expressão dos seus actos de fé.
Ninguém pode dizer: “Jesus é Senhor”, senão pelo Espírito Santo (1 Cor 12, 3), Trata-se da resposta de fé ao anúncio de que a Jesus, Deus o ressuscitou de entre os mortos (Rm 10, 9). Um anúncio feito, também ele, pela acção do Espírito Santo (1 Ts 1, 5). Portanto, quer as palavras do Evangelho quer as da fé eram inspiradas. Uma inspiração que se estendeu a todas as tradições formadas a partir delas. Tanto mais que as comunidades crentes em que se formaram, também elas viviam do Espírito. Tanto as do NT como as do AT. Esta tradição inspirada foi depois completada pela redacção dos livros, também ela sob a acção do Espírito. Por duas razões: porque o seu conteúdo tinha directa ou indirectamente a ver com a fé e porque os autores recebiam um especial dom do Espírito, como membros da comunidade crente que deles precisava para viver. Isto é: 3. A Bíblia é um especial dom do Espírito para a vida da comunidade crente. Ou então, dito por quem escreveu inspirado por Deus: Toda a Escritura é (...) útil para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça (v. 16). São tarefas específicas de qualquer responsável por comunidades crentes, para que seja um homem de Deus. Mas não são exaustivas nem dele exclusivas. De resto, ele cumpri-las-á, quanto mais encontrar uma comunidade que, com ele crie todo um ambiente de fé que leve a ler a Escritura como o livro que não apenas contém, mas, por ser inspirado, é verdadeiramente a palavra de Deus (DV, n.º 24).
Por isso, ele é o único a que chamamos Sagrado.

Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo

António Fonseca