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sábado, 6 de dezembro de 2008

33ª leitura de UM ANO A CAMINHAR COM SÃO PAULO

33 “BENDITO SEJA O DEUS E PAI DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO” À excepção de Gl, 1 Tm e Tt, todas as cartas de Paulo começam, após o endereço e a saudação, com uma referência à oração de acção de graças e, nalguns casos, de prece que ele diz fazer continuamente pelos destinatários. Em 2 Cor e Ef dirige-se mesmo a Deus, no momento em que escreve, para o bendizer. Deste modo, a comunidade tem o Apóstolo a rezar por ela, no acto preciso em que a carta é lida.
De todas essas orações, destaca-se, pela extensão, solenidade e temas, a de Ef 1, 3-14. Sendo da carta em que mais fala da Igreja, isto mostra-nos, antes de mais, que nenhuma comunidade cristã pode viver sem a oração. É nela que se manifesta mais ao vivo a fé de que nasce e se alimenta a comunhão que não só nos une em Igreja, mas é o testemunho mais convincente que podemos dar a Deus.
Procuremos, por isso, fazer das palavras de Paulo também a nossa oração. Só rezando, se aprende a rezar e se descobre o insubstituível valor da oração. Sobretudo a de louvor, como é o caso presente. Ef 1, 3-14 Bendito seja o Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos altos Céus nos abençoa com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo. Foi assim que nele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis na sua presença pelo amor.
Predestinou-nos para sermos adoptados como filhos seus por meio de Jesus Cristo e para Ele, de acordo com o beneplácito da sua vontade, para louvor da glória da sua graça que gratuitamente derramou sobre nós naquele que Ele tanto ama.
É nele que temos a redenção pelo seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com a riqueza da sua graça que abundantemente derramou sobre nós com toda a sabedoria e inteligência:
Manifestou-nos o mistério da sua vontade, de acordo com o beneplácito que nele de antemão estabelecera, para conduzir os tempos à sua plenitude; submeter tudo a Cristo, reunir nele o que há no Céu e na terra. Foi nele também que recebemos a nossa parte como herança, predestinados de acordo com o desígnio daquele que tudo opera, de acordo com a decisão da sua vontade , para nos entregarmos ao louvor da sua glória, nós que previamente pomos a nossa esperança em Cristo.
Foi nele que também vós – tendo ouvido a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, e nele acreditado – fostes marcados com o selo do Espírito prometido, o penhor da nossa herança, para que dela tomemos posse na redenção, para louvor da sua glória. A sensação que Paulo, certamente, quer provocar em nós é a de plenitude e segurança: este Deus, a quem, nos entregamos pelo louvor, dá-nos tudo o que pode proporcionar-nos uma vida que ultrapassa todas as limitações e até expectativas humanas. De que mais precisamos ... senão de o bendizer, mais e mais?
Bendizemo-lO, isto é, dizemos bem dele, por toda a espécie de bênçãos ou bens espirituais em Cristo, com que nos altos Céus nos abençoou, para nosso bem. São as suas bênçãos que nos levam a abençoá-lo ... para nele, Pai, Filho e Espírito Santo, vivermos dos bens que Ele nos deu (v. 3).
E que bens!
Estão assim introduzidas todas as componentes do louvor que se prolonga por seis estrofes, agrupadas duas a duas (vv. 3s e 5s; 7s e 9-10; 11s e 13s):
1. Bendizemos Deus na sua plenitude de Trindade Santíssima, porque foi assim que Ele nos abençoou. Ele é o Pai que, desde a eternidade, nos escolheu e nos predestinou para sermos adoptados como filhos seus (vv. 4s). Aqui, como noutras páginas da Bíblia, a intemporalidade é indicativa de radicalidade. Deus Pai, porque nos dá a sua vida, e nós tornamo-nos filhos seus, pela vida que nos dá, como nós somos impensáveis sem Deus, Ele é impensável sem nós. Tão radical é o seu amor.
Manifestou-o como nunca, ao dar-nos o seu amado Filho Jesus Cristo que fez da sua morte o maior acto de amor. Por isso, é nele que temos a redenção pelo seu sangue, o perdão dos pecados (v. 7). Mais: pela sua morte e ressurreição, não fomos apenas nós os reconciliados com Deus, mas todo o universo: foi então que Deus, na sua sabedoria e inteligência, realizou o seu plano: para conduzir os tempos à sua plenitude, submeter tudo a Cristo, reunir nele o que há no Céu e na terra (vv. 8-10). Um mistério que Ele manifestou através do Evangelho, anunciado por Paulo e outros (3, 1-5) e do qual vive a Igreja,
na sua dimensão cósmica. Foi nela que, na dependência de Cristo, recebemos a nossa parte como herança, depois de, pelo Baptismo, termos sido marcados pelo selo do Espírito prometido. Como selo, santifica-nos. Por isso, sendo propriedade de Deus, o seu Espírito é também o penhor da nossa herança, na consumação eterna da redenção já obtida. Daí a esperança em que vivemos (vv. 11-14) ,,, e a benção que proferimos.
2. Bendizemos a Deus pela plenitude das bênçãos. Que, em quantidade e qualidade, dele recebemos. Vão da eleição, em ordem à filiação, obtida pela redenção e o perdão dos pecados, até à integração na Igreja, onde recebemos herança da vida eterna. Um leque de bens que vão de eternidade a eternidade.
Quererá isto dizer que temos, sem mais, garantida a nossa salvação? Não. É fundamental mantermo-nos em permanente comunhão com Deus, bendizendo-O.
3. Bendizemos a Deus pela plenitude da gratuitidade que se manifesta nas suas bênçãos. Em todas elas foi dele a iniciativa: predestinou-nos para sermos adoptados como filhos seus (...), de acordo com o beneplácito da sua vontade (v. 5); obtivemos dele o perdão dos pecados, de acordo com a riqueza da sua graça que abundantemente derramou sobre nós (vv. 7s); manifestou-nos o mistério da sua vontade, de acordo com o beneplácito que nele (Cristo) de antemão estabelecera (v. 9); recebemos em herança a nossa parte no mundo a Ele submetido, de acordo com o desígnio daquele que tudo opera,
de acordo com a decisão da sua vontade (v. 11).
Como reagir perante tão inesgotável amor, senão pelo louvor!? Tanto mais que até o nosso louvor se deve a tão abundante graça. De facto, tudo o que Ele nos concede tem como finalidade: o louvor da glória da sua graça que gratuitamente derramou sobre nós (v. 6); ou entregarmo-nos ao louvor da sua glória (v. 11); ou, simplesmente , o louvor da sua glória (v. 14). Quer dizer que o louvor com que a Ele totalmente nos entregamos é parte integrante do plano salvífico em que Ele se entrega a nós, na plenitude do seu ser,
da sua glória. Só assim a Igreja está em condições de levar o mundo a acolher o que Deus já fez por ele, na plenitude dos tempos em que já vivemos: a sua reconciliação em Cristo que é visível na sua Igreja, se esta viver no louvor. Daí que Paulo, quase no final da sua oração (v. 13), se dirija directamente a nós, para que, sabendo o que Deus fez por nós, jamais deixemos de O bendizer.
Cristo triunfante