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sábado, 27 de dezembro de 2008

Regra da Confederação Internacional da SSVP

Regra da Confederação Internacional da SSVP Escrito por Gilberto Custódio 1. Origens da Sociedade e do serviço aos pobres 1.1 Origens A Sociedade de São Vicente de Paulo é uma comunidade Cristã espalhada pelo mundo inteiro, fundada em Paris, França, em 1833, por um grupo de jovens leigos católicos, e um outro mais velho que se reuniram para criar a primeira Conferência. A Sociedade quer lembrar com gratidão todos aqueles que nos deram exemplo de dedicação aos pobres e à Igreja. Desde Lê Taillandier que recebeu a primeira inspiração, até ao Bem-Aventurado Frédéric Ozanam, Paul Lamache, François Lallier, Jules Devaux e Félix Clave, que souberam, com humildade e realismo, buscar e seguir o sábio conselho e o apoio daquele que viria a ser o primeiro Presidente Geral da recém-criada Sociedade: Emmanuel Bailly. A todos eles, reforçando o carisma de cada um, o Espírito Santo inspirou e esteve sem dúvida presente quando da fundação da Sociedade de São Vicente de Paulo. Entre os fundadores, o Bem-Aventurado Frédéric Ozanam foi uma fonte radiosa de inspiração. A Sociedade é católica desde as suas origens. É uma organização católica de leigos de boa vontade, homens e mulheres. O objectivo e o alcance do nosso serviço. 1.2 A vocação vicentina A vocação dos membros da Sociedade, chamados Vicentinos é seguir Jesus Cristo servindo aqueles que precisam e, desta forma, dar testemunho do seu amor libertador, cheio de ternura e compaixão. Os confrades mostram a sua entrega mediante o contacto pessoa-a-pessoa. O Vicentino serve com Esperança. 1.3 Qualquer forma de ajuda pessoal... Nenhuma forma de caridade é estranha à Sociedade. A sua acção abrange qualquer forma de ajuda, tendo em vista aliviar o sofrimento ou a miséria e promover a dignidade e integridade do homem em todas as suas dimensões. 1.4 ... levada a qualquer pessoa necessitada A Sociedade serve aqueles que estão em necessidade, qualquer que seja a sua religião, o seu meio social ou étnico, o seu estado de saúde, o sexo e particularidades culturais ou opiniões políticas. 1.5 A tomada de iniciativas para ir ao encontro dos pobres Os Vicentinos dedicam-se a procurar e encontrar as pessoas que são vítimas do esquecimento, da exclusão e da adversidade. 1.6 Adaptação às mudanças do mundo Fiel ao espírito dos seus fundadores, a Sociedade esforça-se por se renovar sem cessar e por se adaptar às condições de mudança dos tempos. Ela quer estar sempre aberta às mutações da humanidade e às novas formas de pobreza que se possa identificar ou pressentir. Dá prioridade aos mais desfavorecidos e especialmente aos rejeitados pela sociedade. Os nossos encontros com os pobres 1.7 Oração antes dos encontros ou das visitas Os Vicentinos rogam ao Espírito Santo que os guie durante as visitas e para que faça deles instrumentos da paz e da alegria de Cristo. 1.8 Deferência e estima pelos pobres Os Vicentinos servem os pobres com alegria, escutando-os e prestando respeitosa atenção aos seus desejos, ajudando-os a tomar consciência da sua dignidade e recuperar, pois somos todos feitos à imagem de Deus. Eles visitam Cristo sofredor na pessoa do pobre. Quando prestam ajuda material e apoio, os Vicentinos praticam sempre a confidencialidade. 1.9 Confiança e amizade Os Vicentinos esforçam-se por estabelecer relações de confiança e amizade. Conhecendo bem as suas fraquezas e a sua fragilidade, o seu coração bate em uníssono com o do outro. Eles não julgam aqueles que servem. Ao contrário, tentam compreendê-los como a um irmão. 1.10 A promoção da independência da pessoa Os Vicentinos tentam ajudar os pobres a ser independentes, na medida do possível, e a dar-se conta que, de maneira prática, podem forjar e mudar o seu destino e o dos que estão à sua volta. 1.11 O interesse pelas necessidades mais profundas e pela espiritualidade Os Vicentinos têm também o cuidado fundamental da vida interior e das exigências espirituais daqueles a quem dão ajuda, tendo sempre profundo respeito pela sua consciência e pela sua fé. Escutando e compreendendo com o coração, para lá das palavras e das aparências. Os Vicentinos servem com Esperança. Alegram-se por ver que um espírito de oração anima também os pobres, porque em silêncio, são capazes de apreender os Desígnios que Deus reserva a cada ser humano. A aceitação do Desígnio de Deus em cada um deles, condu-los a acreditar nas sementes do amor, na generosidade, na reconciliação e na paz interior, para eles próprios, para as suas famílias e para todos aqueles que os rodeiam. Os Vicentinos têm o privilégio de animar estes sinais da presença de Cristo Ressuscitado nos pobres e entre eles. 1.12 A gratidão em relação àqueles que visitam Os Vicentinos não esquecerão as múltiplas graças que recebem daqueles que visitam. Reconhecem que o fruto do seu trabalho não vem unicamente da sua pessoa, mas especialmente de Deus e dos pobres que servem. 2. A espiritualidade vicentina, a vocação A em Cristo e vida de Graça « Justificados, pois pela fé, tenhamos paz com Deus, por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo pelo qual temos acesso, pela fé, a esta graça, na qual permanecemos e também nos gloriamos, apoiados na esperança da glória de Deus» (Romanos, 5, 2) 2.1 O Amor em união com Cristo Os Vicentinos, convencidos da verdade do que foi anunciado pelo Apóstolo São Paulo, desejam imitar Cristo. Eles esperam que um dia, não sejam eles que amam, mas Cristo que ama através deles - («... Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus...» - Gaiatas 2,20) - e que desde agora na atenção e entrega aos pobres possam vislumbrar um clarão do Amor infinito de Deus para com os homens. 2.2 Caminhemos juntos para a santificação Os Vicentinos são chamados a caminhar em conjunto para a Santidade, porque a verdadeira santidade é a aspiração à união em amor com Cristo, o que representa a essência da sua vocação e a fonte da sua inspiração. Aspiram a arder no amor de Deus como ensinou Jesus Cristo e a aprofundar a sua própria fé e a sua fidelidade. Os Vicentinos estão conscientes das suas próprias fraquezas e da sua vulnerabilidade, e da necessidade da graça de Deus. Procuram a Sua glória e não a sua própria. O seu ideal é ajudar a aliviar o sofrimento somente por amor, sem pensar em nenhuma recompensa ou alguma vantagem para si próprios. Agarram-se a Deus, servindo-O através do pobre e através deles próprios. Crescem ainda mais perfeitos no amor, exprimindo um amor compadecido e terno em relação ao pobre e de uns em relação aos outros. É por isso que o seu caminho para a santidade se faz principalmente: Visitando e dedicando-se pessoalmente aos pobres, cuja fé e coragem ensinam os Vicentinos a viver. Os Vicentinos assumem as necessidades dos pobres como suas. Participando nas reuniões das Conferências ou dos Conselhos, onde a espiritualidade partilhada e fraterna deve ser fonte de inspiração. Encorajando a vida de oração e de reflexão, individual e comunitária, que partilham com os seus confrades. A meditação sobre as suas experiências vicentinas junto dos que sofrem, pode oferecer-lhes experiências espirituais sobre eles próprios, sobre os outros e sobre a bondade de Deus. Transformando a sua preocupação em acção e a sua compaixão em amor prático e efectivo. A caminhada que fazem em conjunto para a Santidade dará mais fruto se a vida pessoal dos seus membros se desenrolar num ambiente de oração, de meditação da Sagrada Escritura e de outros textos enriquecedores, na prática da Eucaristia, na devoção à Virgem Maria, sob a protecção da qual nós nos colocámos desde as nossas origens, e no reconhecimento e respeito dos ensinamentos da Igreja. 2.3 A oração em união com Cristo Em todas as Conferências do mundo inteiro e nas suas vidas pessoais, os Vicentinos elevam as suas orações a Deus, desejando unir-se à oração de Cristo e da Igreja, pelos seus confrades e pelos pobres, que são os seus "mestres" e com quem desejam partilhar o sofrimento. 2.4 A espiritualidade do Bem-aventurado Frederico Ozanam A espiritualidade de um dos seus fundadores, o Bem-aventurado Frederico Ozanam, inspira profundamente os Vicentinos. O Bem-aventurado: Lutou pela renovação da para todos, em Jesus Cristo e na influência civilizadora dos ensinamentos da Igreja ao longo dos tempos. Sonhou estabelecer uma rede de caridade e de justiça social que envolvesse o mundo inteiro. Santificou-se ele mesmo, como leigo, vivendo plenamente o Evangelho em todos os aspectos da sua vida, especialmente no combate pela verdade, a democracia e a educação. 2.5 Espiritualidade de São Vicente Tendo os fundadores colocado a Sociedade sob o padroado de São Vicente de Paulo, os seus membros seguem o seu exemplo e inspiram-se na sua espiritualidade que molda o seu pensamento, a sua linha de conduta e a sua maneira de se dirigir aos outros. Os elementos-chave da espiritualidade de São Vicente de Paulo são, para os Vicentinos: Amar a Deus, nosso Pai, com o suor do nosso rosto e a força dos nossos braços. Ver Cristo nos pobres e os pobres em Cristo. Partilhar o amor "afectivo" e "libertador" de Cristo, o Evangelizador e o Servidor dos pobres. Ser receptivo à inspiração do Espírito Santo. 2.5.1 Virtudes essenciais O Vicentino procura imitar São Vicente nas cinco virtudes essenciais a um autêntico amor e respeito pelos mais desfavorecidos: A simplicidadefranqueza, integridade, sinceridade; A humildade – aceitação da Verdade, tanto no que diz respeito às nossas fraquezas como aos nossos dons, talentos e carismas, sabendo que só Deus tudo nos deu para benefício dos outros e que, sem a Sua Graça, nós não podemos realizar nada válido nem duradouro; A doçura - firmeza cheia de amabilidade e incansável benevolência; O desinteresse - renúncia de si próprio. Por uma vida de Sacrifício, os membros oferecem o seu tempo, os seus bens, os seus dons e a sua pessoa, com espírito de generosidade; O zelo - empenho fervoroso pelo pleno desenvolvimento dos homens e pela realização da sua felicidade eterna. 2.6 Uma vocação para cada momento da nossa vida A vocação vicentina envolve todos os aspectos da vida quotidiana dos seus membros tornando-os mais atentos e sensíveis no seu quadro familiar, profissional e social. Os Vicentinos estão disponíveis para as actividades no seio das Conferências, depois de terem cumprido as suas obrigações profissionais e familiares. 3. Membros, Conferências e Conselhos - comunidades de fé e de amor 3.1 Membros A Sociedade está aberta a todos aqueles que queiram viver a sua fé através do amor ao próximo em necessidade. (Ver Artigo 6.4 desta Regra) 3.2 Igualdade A Sociedade não faz distinção de sexo, condição, situação social ou origem étnica no seio das suas Conferências (princípio de base da Sociedade de São Vicente de Paulo). 3.3 As reuniões de membros Vicentinos Os Vicentinos reúnem-se como irmãos e irmãs na presença de Cristo no seio das Conferências, verdadeiras comunidades de fé e de amor, de oração e acção. É essencial que haja um laço espiritual e uma amizade efectiva entre os membros bem como uma missão comum ao serviço dos desprovidos e dos marginalizados. A Sociedade representa realmente uma só e única Comunidade de companheiros Vicentinos através do mundo. 3.3.1 Frequência das reuniões As Conferências reúnem-se regularmente e normalmente uma vez por semana, mas pelo menos uma vez de quinze em quinze dias. 3.4 Da fraternidade e da simplicidade As reuniões desenrolam-se em espírito de fraternidade, simplicidade e de alegria Cristã. 3.5 Preservação do espírito Qualquer que seja a sua idade, os membros empenham-se em conservar um espírito jovem, que se caracteriza pelo entusiasmo, adaptação e imaginação criadora. Estão prontos a assumir sacrifícios e a correr riscos para o bem dos pobres, onde quer que se encontrem: partilhando o seu desconforto, as suas carências, a sua dor e defendendo os seus direitos. 3.6 Conselhos As Conferências agrupam-se segundo diferentes níveis de Conselhos. Os Conselhos existem para servir todas as Conferências que coordenam, ajudando-as a desenvolver a vida espiritual, a intensificar o seu serviço e a diversificar as suas actividades para que possam estar constantemente conscientes das necessidades dos que sofrem. Os Conselhos, não importa a que nível, são especialmente chamados a criar novas conferências, ajudar a expansão das já existentes, encorajar obras especiais, preparar e encorajar os Vicentinos para assistir a cursos de formação, acentuar o interesse da colaboração com a Família Vicentina, favorecer a cooperação com outras organizações ou instituições, desenvolver a amizade entre os Vicentinos da mesma zona, fornecer comunicação nos dois sentidos entre as Conferências e os Conselhos imediatamente superiores. Finalmente, encorajar o sentido de pertença a uma Sociedade que se estende pelo mundo. 3.7 Membros jovens Os Vicentinos jovens permitem à Sociedade conservar permanentemente um espírito jovem. Voltados para o futuro, eles lançam um novo olhar sobre o mundo e muitas vezes vêem para lá das aparências. A Sociedade tem cuidado permanente de formar Conferências de Jovens e de favorecer o seu acolhimento em todas as Conferências. A experiência de uma comunidade de fé e amor, a sua confrontação com o mundo da pobreza aprofunda a sua espiritualidade, incita-os à acção e favorece a sua realização enquanto pessoas. Os Confrades mais antigos assumem a responsabilidade de os ajudar no caminho da sua formação, respeitando sempre as suas escolhas pessoais e as suas aspirações de serviço Vicentino. 3.8 Agregação e Instituição das Conferências e dos Conselhos O laço visível da unidade da Sociedade é a Agregação das Conferências e a Instituição dos Conselhos, pelo Conselho Geral. 3.9 Subsidiariedade e liberdade de acção A Sociedade assume o princípio de subsidiariedade como regra essencial para o seu funcionamento. As decisões são tomadas o mais perto possível do local de acção para assegurar que se respeitem o ambiente local e as circunstâncias (culturais, sociais, políticas, etc.). Assim, a Sociedade desenvolve iniciativas locais adequadas ao seu espírito. Esta liberdade de acção das Conferências e dos Conselhos, que foi observada fielmente desde as origens da Sociedade, permite-lhes ajudar os pobres, espontaneamente e de modo mais eficaz, porque estão livres de uma burocracia excessiva. Exercendo esta liberdade de acção para fazer face ao desafio da pobreza nas suas regiões, os Vicentinos sentem a necessidade da oração comum que os guiará e lhes dará força para dar livre curso à imaginação criadora que é uma das promessas do Espírito Santo: «Os vossos anciãos terão sonhos. E os vossos jovens terão visões» (Joel 3,1). 3.10 Democracia Todas as decisões são tomadas por consenso, a seguir à oração, reflexão e consulta necessárias. O espírito democrático prevalece no seio da Sociedade a todos os níveis e, se necessário for, pode-se recorrer ao voto. 3.11 Os Presidentes, enquanto Dirigentes-Servidores Seguindo o exemplo de Cristo, os Presidentes a todos os Níveis da Sociedade, têm a missão de ser Dirigentes embora sendo Servidores. Eles proporcionam um ambiente encorajador no qual os talentos, as capacidades e o carisma espiritual dos confrades são identificados, utilizados, desenvolvidos e postos ao serviço dos pobres e da Sociedade de São Vicente de Paulo. Os Presidentes têm uma responsabilidade especial na Conferência ou no Conselho, como seja a de promover a espiritualidade vicentina. 3.12 Formação dos membros É essencial que a Sociedade não pare de encorajar a formação dos seus membros e dos responsáveis, para desenvolver o conhecimento da Sociedade, a sua espiritualidade, melhorar a sua sensibilidade, a qualidade e eficácia do seu serviço do ponto de vista dos pobres e de os ajudar a tomar consciência das vantagens, dos recursos e das possibilidades que são oferecidas aos pobres. A Sociedade oferece também aos seus membros a oportunidade de aprofundar a sua formação com a intenção de melhor os ajudar a desenvolver o nível cultural e social daqueles a quem se dedicam e que solicitam esta ajuda. 3.13 Espírito de pobreza e de encorajamento Os membros da Sociedade estão unidos num mesmo espírito de pobreza e de partilha. Eles encorajam-se mutuamente para aprofundar sem cessar a sua vida espiritual e de oração. Por isso, o papel do Conselheiro Espiritual é muito importante. 3.14 O uso do dinheiro e dos bens no serviço aos pobres Os Vicentinos não devem esquecer nunca que fazer dádiva do seu amor, das suas capacidades e do seu tempo é mais importante que a dádiva em dinheiro. No entanto, a Sociedade consagra meios financeiros e materiais para aliviar as dificuldades dos que estão em necessidade. Na gestão dos fundos da Sociedade são necessários grande cuidado e extrema prudência e outro tanto é necessário de generosidade. A acumulação de dinheiro é contrária à tradição vicentina. As decisões, quanto ao emprego dos fundos e dos bens, são tomadas colegialmente, depois de madura reflexão, à luz do Evangelho e dos princípios vicentinos. São dadas contas de todas as contas recebidas e gastas. A Sociedade não deve destinar os seus fundos a outras associações, salvo ocasionalmente, a outros ramos da Família Vicentina ou em casos muito excepcionais. 3.15 Da Comunicação A vitalidade da rede de caridade da Sociedade depende de uma troca regular e rápida de informações. A qualidade das comunicações abre o horizonte e aumenta o interesse dos Vicentinos pelas experiências vividas e pelos desafios levantados pelos irmãos e irmãs de todo o mundo. A resposta vicentina a esta comunicação é mostrar-se pronto a aprender e sempre desejoso de ajudar o próximo. 4 Relações no seio da rede de caridade vicentina e católica 4.1 Geminagens As Conferências e os Conselhos ajudam-se mutuamente, tanto no interior dos países como com o resto do mundo, sendo esta actividade uma das mais queridas à Sociedade e aos Vicentinos. A tomada de consciência da pobreza extrema num grande número de países e a escolha preferencial da Sociedade pelos pobres, incitam as Conferências e os Conselhos a ajudar os outros, com menos recursos ou que se encontram em situações muito particulares. A ligação directa entre duas Conferências ou Conselhos, partilhando a oração, uma profunda amizade e recursos materiais, é chamada geminagem. Esta actividade contribui para a paz no mundo, para o entendimento e a troca cultural entre os povos. 4.1.1 A oração, base da fraternidade A geminagem reforça, portanto, a espiritualidade, a amizade profunda, a solidariedade e a assistência mútua. Fundos e outros recursos materiais podem ser fornecidos para permitir a uma Conferência ou a um Conselho ajudar famílias localmente. Uma assistência financeira, técnica, educativa e sanitária pode ser acordada para projectos que são sugeridos pela Sociedade local e que fomentam a auto-suficiência. Mais importante ainda é a assistência dada por meio da oração bem como pela comunicação mútua sobre as realizações e sobre a situação dos Vicentinos em todo o mundo dando notícia sobre os membros e as suas famílias. 4.1.2 Empenho pessoal dos Vicentinos A Sociedade encoraja os Vicentinos a ter em consideração o seu empenho pessoal por um período de tempo determinado, para trabalhar com os Vicentinos de outros países e a desenvolver as Conferências. 4.2 Assistência de urgência Em caso de catástrofes naturais, de guerras e de acidentes maiores, a Sociedade lança iniciativas de urgência no terreno e fornece fundos para ajudar as vítimas geralmente por meio da Sociedade local. 4.3 A Família Vicentina Os Vicentinos do mundo inteiro formam, com outras comunidades, todos unidos na espiritualidade de São Vicente de Paulo e com aqueles que desejam ajudar, uma família. Lembrando-se com gratidão do apoio e da inspiração que a primeira Conferência recebeu da Bem-Aventurada Rosalie Rendue, a Sociedade mantém e desenvolve estreitas relações com os outros ramos da Família Vicentina. Embora preservando a sua identidade, ela coopera com estes para o desenvolvimento espiritual e no quadro de projectos comuns, como com as pastorais caritativas da Igreja. Ela fá-lo igualmente com outras organizações por todo o lado onde isso implique um enriquecimento mútuo e talvez útil àqueles que sofrem. 5. Relações com a hierarquia da Igreja 5.1 Uma estreita relação Fiel à clara intenção do Bem-Aventuado Frederico Ozanam e aos seus companheiros, a Sociedade e cada Vicentino, mantêm laços estreitos com a hierarquia da Igreja Católica. É o livre respeito pela hierarquia que dá lugar a uma cooperação fluida, mútua e harmoniosa. 5.2 Da sua autonomia A Sociedade é juridicamente autónoma no que diz respeito à sua existência, a sua constituição, a sua organização, as suas regras, as suas actividades e o seu governo interno. Os Vicentinos escolhem livremente os seus responsáveis e a Sociedade gere o seu património de modo autónomo, de acordo com os seus próprios Estatutos e a Legislação de cada país. 5.2 Reconhecimento moral A Sociedade reconhece o direito e o dever do bispo Católico de, na sua diocese, confirmar que nada nas suas actividades seja contrário à fé ou à moral. A Sociedade, sempre que isso for possível, informa anualmente os seus bispos diocesanos sobre as actividades da mesma em testemunho de Comunhão eclesial. 6. Outras relações Relações ecuménicas e com outras religiões 6.1 Cabe a cada membro promover o ecumenismo Cada Vicentino deve esforçar-se por reforçar o seu próprio empenho pelo ecumenismo e pela cooperação, e este empenho é exercido no quadro de obras de caridade e de justiça como instrumento da instauração da completa e visível unidade plenária da Igreja; para esta unidade Cristo rogou « ... que todos sejam um só; como Tu, o Pai, estás em Mim e eu em Ti, que também eles estejam em Nós para que o mundo creia que Tu Me enviaste.» {João 17, 21). 6.2 A Sociedade está empenhada na cooperação ecuménica e entre as diferentes religiões De acordo com o Magistério da Igreja Católica, a Sociedade de São Vicente de Paulo reconhece, aceita e encoraja o apelo à cooperação ecuménica e ao diálogo entre as diferentes religiões no quadro das suas actividades caritativas. Ela toma parte nas iniciativas da Igreja no domínio do ecumenismo e da colaboração com as outras crenças de cada país, mas permanecendo em harmonia com o bispo de cada diocese. 6.3 A tomada de iniciativas práticas As Conferências e os Conselhos estabelecem um diálogo sobre a cooperação no quadro de actividades caritativas com os seus homólogos de outras igrejas e de comunidades eclesiais cristãs e de outras religiões, quando isso mesmo seja reconhecido como possível. 6.4 Associação ecuménica e entre diferentes religiões Em certos países as circunstâncias podem tornar desejável o acolhimento de membros mesmo que eles sejam cristãos de outras confissões ou fiéis com crenças que respeitam a identidade da Sociedade e aceitam sinceramente os seus princípios, na medida em que as diferenças de crença o permitem. A Conferência Episcopal deve ser consultada. 6.5 Salvaguardar a f é e a filosofia católicas O carácter e a filosofia católicos da Sociedade de São Vicente de Paulo devem ser conservados. O Presidente, o Vice-Presidente e o Conselheiro Espiritual devem, por isso, ser católicos. Eles podem, em certas situações, dependendo das circunstâncias nacionais particulares, após consulta do bispo diocesano do lugar, ser membros de igrejas e de comunidades eclesiais que aceitam a fé católica nomeadamente no que diz respeito à presença real de Cristo na Eucaristia, os sete Sacramentos e a devoção mariana. 6.6 Os grupos associados podem trabalhar em estreita colaboração com a Sociedade A Sociedade aceita o princípio de grupos associados. Estes compõem-se principalmente de pessoas pertencentes a outras igrejas e comunidades eclesiais cristãs, que são atraídas pelas realizações da Sociedade bem como pela sua espiritualidade. São bem-vindos à participação nas obras de caridade da Sociedade, às discussões dos Conselhos correspondentes e à vida fraterna da Sociedade mas não são elegíveis para nenhuma função no seio da Sociedade. Grupos de pessoas, de religiões não cristãs, podem igualmente ser associadas da mesma maneira. 6.7 Relações com os organismos do Estado e outras obras de beneficência Quando os problemas com os quais se confrontam ultrapassam as suas competências ou as suas capacidades, e desde que isso ajude a Sociedade no seu empenho em combater a injustiça, os Vicentinos têm todo o interesse em estabelecer laços constantes de cooperação com os organismos oficiais respectivos, bem como com outras organizações privadas que ajam em domínios semelhantes, prontos a trabalhar com eles, na condição de que o espírito da Sociedade seja sempre respeitado. 7. Relações com a sociedade civil /Trabalhar para a justiça 7.1 A Sociedade presta uma ajuda imediata mas busca igualmente soluções a médio e a longo prazo A Sociedade procura não só aliviar a miséria, mas também identificar as estruturas injustas que são a sua causa. Os Vicentinos empenham-se em identificar as causas de pobreza e em contribuir para a sua eliminação. Em todas as suas acções de caridade, deve haver uma busca e luta pela justiça, tendo em conta as exigências da caridade. 7.2 Uma visão de civilização de amor Afirmando a dignidade e o valor do homem, reflexo de Deus, e identificando o rosto de Cristo no dos excluídos, os Vicentinos sonham com um mundo mais justo no qual seriam mais bem reconhecidos os direitos, as responsabilidades e o desenvolvimento de todos e de cada um. Cidadãos do mesmo mundo, atentos à voz da Igreja, os Vicentinos são chamados a participar na criação de uma ordem social mais justa e equitativa, conducente a uma "cultura de vida" e a uma "civilização de amor". Deste modo, a Sociedade está associada à missão evangelizadora da Igreja pelo seu testemunho visível em acções e em palavras. 7.3 Visão de futuro Passando ao futuro próximo, à Sociedade diz respeito o desenvolvimento contínuo e a protecção do ambiente para o bem-estar das gerações futuras. 7.4 O método Vicentino de abordar a justiça social de um modo prático A aproximação particular dos Vicentinos sobre as questões de justiça consiste em tratá-las e partilhá-las sob o ponto de vista daqueles a quem visitam e que sofrem por causa das suas carências. 7.5 A voz dos sem-voz A Sociedade ajuda os pobres e os desfavorecidos a exprimirem-se por si próprios e, se for caso disso, deve fazer-se voz dos sem-voz. 7.6 Face às estruturas sociais e políticas com falhas Quando a injustiça, a desigualdade, a pobreza ou a exclusão resultam de estruturas sociais, económicas ou políticas injustas ou de legislações insuficientes ou mal pensadas, a Sociedade, por seu lado, deve sempre, de maneira caritativa, falar clara e francamente sobre esse estado de coisas, a fim de trazer e de reclamar melhoramentos. 7.7 Esforçar-se por mudar as atitudes Os Vicentinos opõem-se a todos os tipos de discriminação e esforçam-se por vencer as atitudes de medo, de egoísmo e de desprezo para com aqueles que são fracos ou diferentes e que são atingidos gravemente na sua dignidade. Esforçam-se por encorajar uma atitude nova que comporte respeito e benevolência acrescida para com o próximo, bem como reconhecer e defender o direito de cada um a forjar o seu próprio destino. A Sociedade encoraja a compreensão, a cooperação e o amor mútuos entre as pessoas de culturas, religiões, origens étnicas e grupos sociais diferentes e contribui assim para a paz e para a unidade dos povos. 7.8 A independência política da Sociedade A Sociedade não se identifica com qualquer partido político e opta sempre por uma atitude que exclua toda a violência. É bom que certos confrades respondam à sua vocação política e nela participem plenamente de tal modo que levem os valores cristãos à política. Exige-se / Pede-se, sempre com caridade, aos confrades com funções políticas que não aceitem qualquer missão de representação ao serviço da Sociedade durante esse período. 7.9 Trabalhar em comunidade A Sociedade deve trabalhar não só com as pessoas necessitadas, mas também com as famílias e comunidades. É bom promover, no seio das comunidades locais deserdadas, um sentido de solidariedade que favoreça um melhor "bem-estar" económico, social e ambiental, sem nunca perder de vista a prioridade do contacto pessoa-a-pessoa com aqueles que sofrem. Actualizado em ( 19-Jun-2008 ) António Fonseca

Princípios Fundamentais da SSVP

Princípios Fundamentais da SSVP Escrito por Gilberto Custódio
I - A SOCIEDADE DE S. VICENTE DE PAULO

1. A Sociedade de S. Vicente de Paulo é uma organização católica internacional de leigos fundada em Paris, em 1833, por Frederico Ozanam e seus companheiros. Posta sob o patrocínio de S. Vicente de Paulo, inspira-se no seu pensamento e na sua obra, esforçando-se por avaliar aqueles que sofrem, em espírito de justiça e de caridade e por um compromisso pessoal. 2. Fiel aos seus fundadores, tem a preocupação constante de se renovar e de se adaptar às condições mutáveis do mundo. 3. De carácter católico, está aberta àqueles que querem vicer a sua fé no amor e no serviço dos seus irmãos. Em alguns países, as circunstâncias podem levá-la a acolher cristãos de outras confissões (religiões) que adiram aos seus princípios. 4. Nenhuma obra de caridade é estranha à Sociedade. A sua acção compreende todas as formas de ajuda por meio de um contacto pessoal, para alívio do sofrimento e promoção da dignidade e da integridade do homem. A Sociedade procura não só aliviar a miséria, mas também descobrir e solucionar as suas causas. A sua ajuda visa todos os homens, sem distinção de religião, opinião, cor, origem e casta. 5. Os membros da Sociedade estão unidos entre si por um mesmo espírito de pobreza e de partilha. Formam no mundo, em conjunto com aqueles que são ajudados, uma única e mesma família.
II - A ESPIRITUALIDADE VICENTINA

Os vicentinos, pela oração, pela meditação da Escritura, e pela fidelidade ao ensinamento da Igreja, esforçam-se por ser testemunhas do amor de Cristo nas suas relações com os mais desfavorecidos, nos diversos aspectos da vida quotidiana.
III - A POBREZA E O VICENTINO
«Pobres, sempre os haveis de ter convosco» (Mat. 26, 11). O Vicentino está ao serviço dos Pobres. Não julga, está disponível.
IV - ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE DE S. VICENTE DE PAULO

1. Os vicentinos organizam-se em grupos tradicionalmente chamados «conferências» 2. As conferências estão unidas entre si por Conselhos a nível, regional, nacional e mundial. 3. O sinal de unidade da Sociedade é a agregação das conferências e a instituição dos Conselhos, pronunciadas pelo Conselho Geral (Mundial).
V - REUNIÕES DAS CONFERÊNCIAS
1. As reuniões decorrem num espírito de fraternidade, de simplicidade e de alegria cristã. 2. Permitem a partilha das experiências de cada um e dos problemas encontrados, com vista a alcançar a maneira de oferecer um melhor serviço. 3. Este serviço de caridade insere-se na vida da Igreja e solicita a participação - o mais frequente possível - de um membro do Clero.
www.ssvp-portugal.org António Fonseca

Regra da Sociedade de S. Vicente de Paulo

Preliminares A partir do primeiro ano da era consecutiva ao Concílio Ecuménico Vaticano II, a Sociedade de S. Vicente de Paulo quis analisar-se a si mesma através de um exame leal da sua própria vida. É seu desejo permanecer fiel ao sentido de um regulamento e de uma tradição que são conjuntamente veneráveis e muito vivos e ao mesmo tempo explicitar a sua adaptação ao mundo moderno. Um "Regulamento" é necessário conciso: exprime em resumo a vida de cada dia, mas deve também prever todos os casos e modalidades de funcionamento. Até agora «o Regulamento» era acompanhado, a seguir a cada artigo imutavelmente conservado, de um «comentário» universal, mas revisto com frequência, e era esclarecido por largos extractos de cartas e de circulares das diversas épocas da Sociedade. Agora, pareceu mais claro fazer preceder a nova «formulação» do regulamento, simplificada e harmonizada, de uma «declaração» em que ressalte o que é e quer ser a Sociedade de S. Vicente de Paulo
no mundo movediço em que vivemos. É no espírito desta "declaração" que o regulamento deve ser compreendido e interpretado em todos os lugares e em qualquer época: as palavras poderão mudar, mas o espírito permanece. As suas modalidades de aplicação, porém, devem necessariamente adaptar-se aos países e às circunstâncias. Essas modalidades são expressas por «comentários nacionais» propostos pelos Conselhos Superiores e aprovados pela Mesa do Conselho Geral da Sociedade. Como esta Declaração é consagrada a definir de novo, em linguagem actual, a vocação e o espírito da Sociedade de S. Vicente de Paulo, tem que abranger as modalidades de acção. Destinam-se estas a «comentários ou directórios nacionais». A acção concreta é, com efeito, o trabalho quotidiano de todos os membros da Sociedade junto dos «pobres» a quem assistem. É um trabalho a que os vicentinos se voltam de todo o coração. Muda com o tempo e os lugares, mas tem sempre o mesmo significado porque é a mesma espiritualidade que o anima.

I - EVOCAÇÃO DAS FONTES Regresso às origens da Sociedade de S. Vicente de Paulo: Intenções iniciais, intenções de sempre
Em 1833, Frederico Ozanam, que estudava em Paris e tinha 20 anos, e alguns amigos igualmente jovens tiveram, com Bailly, a inspiração de se unirem para o serviço dos «pobres» da maneira mais humilde e discreta, no enquadramento da sua vida profissional e familiar de leigos. Sentiam em primeiro lugar a necessidade de «dar testemunho» da sua fé cristã mais por actos do que por palavras. Consideravam seus irmãos os infelizes, quem quer que fossem e qualquer que fosse a espécie do seu sofrimento. Viam neles Cristo sofredor. Amavam-os ao mesmo tempo como homens e como filhos de Deus; e reconheciam neles não só a sua dignidade de homens confrontados com o mundo e as suas misérias, mas também a dignidade correspondente àqueles a quem é dado, em primeiro lugar, o Reino de Deus. Logo que entraram em contacto pessoal com os «pobres» viram que a caridade é inseparável das exigências da Justiça. E, tanto quanto puderam, reivindicaram justiça para os «pobres». Mas se nem sempre é possível a justiça neste mundo, quiseram ao menos fazer o que deles, simples estudantes, dependia: dar, pessoalmente, o que o mais pobre pode dar, a partilha do seu tempo, dos seus módicos recursos, da sua presença, do seu diálogo, com o vivo desejo de fazer tudo o que fosse possível para levar um alívio eficaz. Partindo deste diálogo, aperceberam-se de que, para compreender os pobres,
é preciso em primeiro lugar ser pobre com eles. Desta maneira, o que viria a ser a Sociedade de S. Vicente de Paulo não podia senão chamá-los a um aprofundamento da sua vida espiritual. Viver desse contacto pessoal com os que sofrem, vivê-lo unidos em comum e com aquele espírito, é a própria essência, o carácter original da Sociedade de S. Vicente de Paulo. Para a época e da parte de leigos, Ozanam e os seus amigos exprimiam assim uma antecipação profética, haurida nas próprias fontes da Palavra de Deus e da Tradição cristã.

Fundamento das intenções da Sociedade de S. Vicente de Paulo na mensagem evangélica
Basta reler o Evangelho para encontrar a inspiração que animou a Sociedade de S. Vicente de Paulo a partir da sua fundação: O Reino de Deus já chegou: estão nele os pobres, os pequeninos, que a ele foram chamados em primeiro lugar - O Reino de Deus é a lei do amor, o coração da mensagem evangélica. O testamento de Cristo é o amor fraterno vivido conjuntamente através do amor de Deus, e começa pelo serviço do «próximo». - A caridade é universal e recíproca: os pobres servem os pobres e dão esmola e o seu testemunho é o mais alto - O serviço dos pobres é o serviço do próprio Cristo, esses pobres com os quais seremos sempre confrontados e que serviremos ao mesmo tempo com amor e com justiça. - Na vida de pobreza (isto é, de partilha) está a verdadeira fecundidade da nossa vida de homens e de cristãos. Os textos apostólicos desenvolvem esta mensagem: nós, e os pobres em primeiro lugar, somos filhos adoptivos e herdeiros de Deus, este estado introduz-nos na esperança pela lei universal do amor e esta atitude abre caminho ao diálogo e à reciprocidade da partilha entre irmãos, na caridade e na justiça inseparavelmente. A história da cristandade ilustra o cuidado da dignidade e do serviço dos «pobres»: compreende-se, por isso, na obra universitária e literária de Ozanam, o lugar ocupado pela mensagem de pobreza vivida com os pobres por S. Francisco de Assis, e o exemplo de incansável dedicação e de eficácia de S. Vicente de Paulo, erigido padroeiro da Sociedade que acabava de surgir.
II - A «VOCAÇÃO VICENTINA», CORAÇÃO DA UNIDADE DA
SOCIEDADE DE S. VICENTE DE PAULO

A palavra «vocação», empregada diversas vezes pelo Papa Paulo VI ao dirigir-se à Sociedade de S. Vicente de Paulo, exprime claramente a significação profunda da unidade tão concretamente sentida por todos os seus membros.

Uma vocação, um apelo: o serviço directo dos «pobres»

Uma «vocação", no sentido lato, é um «apelo» da consciência esclarecida pela graça do Espírito Santo. Quem quer que um dia tenha desejado ser «vicentino» traduziu em acto o que é uma consequência da nossa fé cristã: não é somente o apelo absolutamente universal de Cristo ao espírito da caridade, pois é ainda uma nota particular desse apelo: o último desejo de participar «pessoal e directamente» no «serviço dos pobres» por um «contacto de homem para homem», pelo «dom pessoal do próprio coração com a sua amizade» - e de o fazer numa comunidade fraternal de leigos animados da mesma vocação». Há uma infinidade de matizes e de diversidades para exprimir esta vocação: traduzi-la, concretamente em actos, «medi-la», adaptá-la ao mundo variado e mutável, é toda a vida do vicentino, toda a vida da Sociedade de S. Vicente de Paulo. Na origem desta, na época de Ozanam, ela exprimiu-se pela «visita aos pobres nos seus domicílios», que se considerava o protótipo das actividades vicentinas. Numa linguagem mais moderna, diríamos que não nos contentamos com a simples distribuição de «esmolas» mas devemos procurar o diálogo pessoal com os que sofrem (seja qual for o sofrimento), sem o menor sinal de paternalismo, numa atitude de confiança mútua, de respeito pelas pessoas e pelo lugar sagrado que é o seu lar, de partilha da amizade e de reciprocidade de serviços, de todas as delicadezas do amor. Toda a actividade caritativa que seja vivificada por tal atitude pode ser uma obra da
Sociedade de S. Vicente de Paulo. É certo que esta vocação pode viver-se isoladamente, mas não é menos certo que ela só pode ser plenamente sentida e apoiada numa certa comunidade, onde se encontra a alegria de participar fraternalmente no mesmo ideal, além de um respeito mais rigoroso pela dignidade dos pobres, anonimamente ajudados pelo grupo, do qual pode ser mandatário tanto o mais pobre como o mais rico.

Uma motivação, uma finalidade
A fonte da vocação vicentina é ao mesmo tempo humana e divina: é a angústia causada pelo espectáculo do sofrimento do outro ser humano, a espontânea reacção de simpatia e até de revolta perante as injustiças de que são vítimas os nossos irmãos em humanidade. Mas é também a atitude do cristão impregnado da palavra de Deus, que vive da esperança do mistério pascal da Ressurreição, portador dessa mensagem de esperança que contém toda a fraternidade humana pelos que sofrem e suportam a sua cruz pela fé nesse mistério da presença de Cristo nos pobres e nos atribulados. O objectivo é igualmente duplo: o humano socorro dos infelizes, tanto quanto possível a salvação dos seus destinos de homens; e pelos canais interiores da graça e do testemunho, a salvação comum pela participação no Reino de Deus.

III - O «COMPROMISSO» VICENTINO: A REGRA «VICENTINA»
Toda a vocação leva a um «compromisso», isto é, a uma adesão absolutamente livre a um certo género de vida definido por uma «Regra», escrita ou não. Para quem sentiu a vocação para o serviço pessoal dos pobres prestado em comum com os outros, mas sem perder o firme sentimento do seu estado de leigo envolvido nas questões do mundo, entrar na Sociedade de S. Vicente de Paulo é o «compromisso» que dá corpo a essa vocação. Uma vocação que não leva a um compromisso é uma vocação sem efeito, uma vocação perdida. O compromisso vicentino não tem nada de um voto compulsivo, pois não há nada mais livre nem mais reversível. Mas é um acto sério e quem o pratica aprende a conhecer-se, a verificar se o encontro com os «pobres» e com os vicentinos que se entregam ao serviço deles é ou não enriquecedor. Em geral, o que responde à vocação vicentina e a vive lealmente por esse compromisso numa «Conferência de S. Vicente de Paulo», mesmo que um dia se afaste, ficará mudado pelo que viveu, dedicado ao serviço dos homens que sofrem e preocupado em humanizar as relações que no mundo actual estão ameaçadas de anonimato. Todo o «compromisso» comporta a adopção de uma «Regra». A «Regra», aqui é o antigo «Regulamento» mas rejuvenescido, simplificado; é a expressão densa e concisa do espírito que a anima. A «Regra» não é nada sem esse espírito, mas o próprio espírito tem necessidade da Regra para garantir a unidade no mesmo espírito.
IV - A «SOCIEDADE DE S. VICENTE DE PAULO»: CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS
Uma associação profundamente fraternal
A partir das suas primeiras reuniões, os fundadores da Sociedade de S. Vicente de Paulo encontraram tanto conforto nesta experiência de vida comum que se sentiram verdadeiramente «irmãos» e instituíram o uso de se darem à alegria de se reunirem uma vez por semana. Também no nosso tempo é essencial um mínimo de «regularidade das reuniões» e de assiduidade. A afeição mútua, a igualdade fraternal dentro de uma «Conferência» como entre todas as Conferências do mundo, fazem da Sociedade de S. Vicente de Paulo uma verdadeira «família» humana e espiritual, aberta a todos os que aspiram à vocação que lhe é própria.
Uma família de leigos cristãos

É uma associação de leigos (embora não exclua os seminaristas ou sacerdotes que desejam participar na vida vicentina) que vivem no mundo, com as suas funções e responsabilidades, recrutados nos meios mais diversos, jovens ou idosos, sem a menor distinção quanto à riqueza ou carência de meios, de qualquer condição social, étnica ou nacional: basta-lhes que se entendam para o mesmo fim, que partilhem a sua experiência e que tenham a mesma preocupação de servir os pobres. São homens ou mulheres, celibatários, casados ou viúvos, ou mesmo casais, que confundem a unidade do seu lar na participação na
Sociedade de S. Vicente de Paulo. As características jurídicas deste estatuto de sociedade de leigos foram reconhecidas no passado pelos Pontífices romanos como, ultimamente, pelos decretos e constituições conciliares do Vaticano II: a Sociedade de S. Vicente de Paulo estabelece as suas próprias regras e não as recebe do Magistério, elege os seus responsáveis com toda a independência e administra livremente os seus fundos. Mas trata-se de leigos cristãos: a estrutura da Sociedade harmoniza-se com a sua unidade na fé cristã: baptizados, filhos adoptivos de Deus pela redenção por Cristo, membros do seu Corpo Místico que é a Igreja universal, está aí o sentido profundo da sua fraternidade, do seu amor comum aos pobres, da sua dedicação à Hierarquia da Igreja. Embora sejam, na qualidade de membros de uma sociedade de leigos, independentes da administração dos eclesiásticos, é pela liberdade do seu respeito à Hierarquia que lhe são mais profundamente deferentes do que se fossem adstritos juridicamente. Neste clima de liberdade, é tradicional dar conta da actividade vicentina ao Papa, ao bispo, ao pároco..., estar pronto a associar a acção da Sociedade a todas as organizações eclesiais que o desejem. Nunca a intimidade de tais relações se desmentiu, pois, mais do que na «lei» é no «espírito» que ela está inscrita. A Igreja Romana, na sua autoridade suprema, sentiu-o de tal modo, que não cessou de renovar a sua confiança na Sociedade de S. Vicente de Paulo, até ao ponto de delegar no Conselho Geral desta Sociedade o direito de fazer participar os membros das Conferências por ele agregadas nas graças de numerosas «indulgências» (no sentido cada vez mais puro que se lhes dá).

Uma Sociedade de espírito jovem
Fundada por jovens e para jovens, o «espírito de juventude» é uma tendência original e permanente da Sociedade de S. Vicente de Paulo. Essa tendência, inscrita no regulamento da Sociedade logo no seu início, nele permanecerá. Mas é também neste ponto que há mais necessidade de estar vigilante, visto que a juventude física se vai perdendo em cada um e se temos que a renovar pelo recrutamento de novos membros, cabe-nos ao mesmo tempo conservar a juventude de espírito. O espírito de juventude é o dinamismo, o entusiasmo, a projecção no futuro. É a generosa aceitação dos riscos, é a imaginação criadora, isto é, acima de tudo, a adaptabilidade, propriedade essencial da juventude, muito mais importante que a adaptação, que se torna esclerose para quem já não consegue readaptar-se. No sentido deste espírito de juventude, a Sociedade de S. Vicente de Paulo pode chamar-se um «movimento de caridade e de apostolado». Pode a juventude da idade não garantir sempre as qualidades profundas do espírito de juventude, mas sem dúvida predispõe para que se tenham essas qualidades. Dar amplo lugar aos jovens, compreendê-los, dialogar com uma paciência recíproca, confiar-lhes cargos, ser jovem com eles, se corresponde a uma necessidade de recrutamento, é também uma exigência de fidelidade às origens da tradição vicentina de Ozanam.
Uma sociedade universal
Sabe-se como a primeira «Conferência de caridade» porque estava a crescer desmedidamente, se dividiu em duas «Conferências de S. Vicente de Paulo» e depois proliferou em todo o mundo, quer disseminada pelos confrades que iam residir para outras localidades, quer por geração espontânea. A dor da separação foi compensada com esta alegria e este mistério: em qualquer lugar em que um confrade encontre uma Conferência, vê nela uma e a mesma família, apesar da extrema diversidade dos respectivos trabalhos e das particularidades nacionais. Entre os cinco continentes, entre mais de uma centena de nações e as centenas de milhares de vicentinos e vicentinas, sente-se a unidade na fidelidade à mesma vocação, na adopção da mesma «Regra», no mesmo Conselho Geral Internacional do qual as Conferências» recebem a sua agregação, de harmonia com o regulamento comum, na permuta de informações entre o Conselho Geral, os Conselhos Superiores e outros e as próprias Conferências. A partir de 1947, a possibilidade técnica de efectuar regularmente em Paris, lugar da fundação primitiva, reuniões plenárias do Conselho Geral (presidentes dos Conselhos Superiores e Secção Permanente) reforçou e modernizou esta unidade: a colegialidade é a regra e o presidente exprime as decisões como representante da colegialidade do Conselho.
Unidade na diversidade das adaptações às condições variáveis do mundo
A universalidade implica ao mesmo tempo a unidade e a diversidade: as formas de pobreza evoluem como o mundo e as suas diversas partes. Em todos os lugares e a todos os momentos é preciso imaginar uma «prospectiva de miséria» e das possibilidades de a mitigar. A unidade fundamental da vocação vicentina está aberta a todas as disparidades de acções readaptadas constantemente para o mesmo fim. A Sociedade permanece «una» num «pluralismo de acções».
Uma família «católica» aberta ao ecumenismo dentro da Igreja universal
Esta unidade na universalidade estende-se naturalmente à abertura ecuménica da era pós-conciliar. É um sinal providencial que já na primeira metade do século XIX se tenha inscrito na regra apenas a palavra «cristão» para definir a comunidade essencial dos vicentinos. No entanto, a Sociedade de S. Vicente de Paulo ia desenvolver-se durante mais de um século com uma «fisionomia» estritamente «católica». Pela sua extensão e carácter universais, pela sua autonomia e o seu carácter leigo, pela sua pré-adaptação a cooperar com todas as espécies de acção caritativa dos cristãos e de todos os homens de boa vontade, pela própria natureza da «caridade contra a qual não há lei», por um apostolado de testemunho e não de propaganda a Sociedade de S. Vicente de Paulo esta predisposta para as experiências ecuménicas. Considera-as ao mesmo tempo com prudência e esperança. Ora, pela unidade, os cristãos têm sede desta unidade e sentem-se chamados a contribuir para ela.
V - CARIDADE, POBREZA E APOSTOLADO
Aspiração a uma vida «mais evangélica»
Dentro da «Sociedade de S. Vicente de Paulo», cujas características constitutivas foram evocadas, os membros desta Sociedade aspiram, tanto quanto permite a sua fraqueza, a responder à sua vocação por uma vida «caritativa e apostólica, quer dizer, a testemunhar a sua fé pelo amor pessoal aos que sofrem». À luz dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, pela reflexão sobre o regresso às fontes evangélicas, bem como às origens da sua fundação, em presença deste mundo de hoje, do qual assumem o encargo como leigos nele comprometidos, os vicentinos voltam a definir a sua missão e as suas aspirações. Vamos resumi-las.
Pobreza da Sociedade de S. Vicente de Paulo
Como grupo, ela é tradicionalmente pobre, o que significa que não entesoura, que dá em cada dia o que recebe dos seus membros e dos seus benfeitores, pouco ou muito, segundo as circunstâncias. As despesas de funcionamento são reduzidas ao mínimo compatível com a eficácia; ela não acumula capitais mobiliários ou imobiliários a investir, nem a sua administração vai além do estritamente necessário para evitar a desordem.
O espírito de pobreza dos membros da Sociedade de S. Vicente de Paulo
A palavra «pobre» tem um significado complexo e ambíguo. Pode dizer-se que a pobreza é uma condição económica, mas é também uma disposição interior. As traduções da Bíblia empregam-na em ambos os sentidos, que se compenetram mutuamente. Aqui trata-se principalmente de fazer uma resumida análise da virtude da pobreza, que está a par da virtude da caridade. Quem não for pobre, de algum modo não pode entrar em diálogo com os pobres. Senti-lo é uma das graças mais profundas que pode receber o «visitador dos pobres». Cada um segundo a sua vocação própria, dá testemunho da primeira das Bem-Aventuranças vivendo o espírito de pobreza, inseparável de qualquer carência voluntária ou acidentalmente sentida ou aceite de maneira concreta, existencial. O espírito de pobreza é, primeiro que tudo, um espírito de partilha: a vontade de não reter riquezas sem o bom uso delas. Salvo casos excepcionais, o «voto de pobreza» (no sentido dos religiosos) mal se coaduna com as responsabilidades de um leigo, mas é também uma forma de pobreza sentir as nossas riquezas, os nossos talentos, incondicionalmente afectos ao serviço do bem comum e em primeiro lugar ao serviço do nosso próximo, os «pobres». O «espírito de partilha» exprime-se ao menos na vontade de partilhar completamente alguma coisa: um dá o seu tempo e pratica a virtude da «disponibilidade», outro dá o seu dinheiro, este dá o seu saber, aquela gasta a sua saúde, outro ainda oferece o conforto moral que irradia da sua pessoa... Todo o cristão, mesmo o mais indigente, pode, sem heroísmo excepcional, participar em tais partilhas, em tais permutas a «dar-se a si mesmo», no sentido que lhe é revelado pelas graças pessoais que recebe. A «partilha» não é o mesmo que a dádiva ou a esmola, visto não existir sem reciprocidade e permuta.
Modéstia e eficiência
Esta caridade vai muito além da «esmola», pois implica um estado constante de humildade simples e de modéstia. O contacto directo com os infelizes afasta de toda a publicidade e demonstra ao que o exerce que não é mais do que um «instrumento inútil», somente valorizado pela graça de Deus. No entanto é preciso ir, tanto quanto possível, às raízes da miséria. Muitas vezes nada se conseguirá sem dispor de meios poderosos. Não particularizam os vicentinos as grandes obras de beneficência ou de actividade social. A sua missão na luta contra a miséria é mais discreta. Mas se as circunstâncias os levam a ocupar-se delas, não as afastam, e procuram impregná-las de alguma coisa do contacto humano em que foram formados pelo exercício da caridade vicentina. Quanto à publicidade, situa-se entre o dever de informação («não se acende uma lâmpada para se pôr debaixo do alqueire») e o dever de anonimato, e de sincera modéstia.
Preocupação de justiça e dever quanto ao «desenvolvimento solidário» da humanidade
Se é necessário ser modesto, importa igualmente ser lúcido. Ora o excesso de modéstia tem o risco de ocultar a extensão das responsabilidades de uma sociedade que providencialmente se tornou universal através de tantos países do mundo: a constituição conciliar «Gaudium et Spes», as encíclicas «Mater et Magistra» e «Populorum Progressio» são elementos fundamentais de lucidez para todas as vocações de caridade, até e sobretudo as que se pretendem mais discretas. Assim, a Sociedade de S. Vicente de Paulo, no seu conjunto, e cada um dos seus membros, sentem-se mais claramente atingidos pelas novas dimensões da solidariedade planetária dos homens. Os entraves à justiça social, as misérias da fome, os sofrimentos de subdesenvolvimento, dizem respeito a todos os vicentinos, mesmo quando ocorram a grandes distâncias. Não podem esquivar-se: a imaginação criadora deve conduzi-los a conferir as virtudes do diálogo directo e pessoal a todos estes problemas mundiais que não são reservados exclusivamente à política internacional. Cresceram as dimensões do que é hoje «o nosso próximo»: não podemos deixar de lhes corresponder. O Terceiro Mundo, pelos seus estudantes, os seus trabalhadores, os seus emigrantes, está presente nas comunidades políticas tecnicamente avançadas. A participação em obras de cooperação pode ser considerada uma expressão da vocação vicentina. Nas jovens comunidades cristãs dos «países do Terceiro Mundo» o ideal vicentino induz os mais pobres a socorrer, eficazmente, outros pobres e a viver as dimensões do amor cristão. Está tudo por construir nesta fase do mundo moderno.
Extensão e características da presença no mundo da vocação vicentina
Para ter encontros eficazes com os que sofrem das misérias mais diversas, não basta a meditação, é preciso também passar por uma aprendizagem que proporcione o conhecimento «técnico» dos problemas sociais e da psicologia dos que sofrem de qualquer frustração, a par da experiência do contacto directo com os que sofrem. A Sociedade de S. Vicente de Paulo tem a missão de fazer progredir esta «técnica» e, como todas as partes da Igreja, ela permanece disponível, no seu conjunto e através de cada um dos seus membros, para estar presente onde quer que possa servir. Qualquer unidade social pode ser domínio de recrutamento e de actividade de uma Conferência de S. Vicente de Paulo: escola, universidade, fábrica, hospital ou sanatório, até prisão, etc..., mas tradicionalmente a Conferência está presente em primeiro lugar na «paróquia», a mais comum das cristandades. Os vicentinos sabem que não têm o monopólio da caridade, que não são mais do que uma modesta família cristã com uma experiência caritativa humilde e fecunda e que estão prontos a fazê-la partilhar por todos e para todos. A sua disponibilidade deve exprimir-se em primeiro lugar pelo serviço comum da pastoral de conjunto da paróquia! Estão igualmente disponíveis para o serviço das grandes organizações como as «Caritas» nacionais e a internacional, dotadas de meios poderosos, às quais podem dar a sua experiência do contacto individual. Esta abertura ao diálogo, esta disponibilidade individual, deve exprimir-se também nas suas famílias, nas suas profissões, na sua vida cívica, porque ela impregna toda a vida pessoal dos vicentinos.
Aspiração à vida evangélica, testemunho de espiritualidade e de apostolado
A vocação vicentina não consiste somente em servir os pobres mas também em prestar este serviço em comum dentro de um grupo, a «Conferência de S. Vicente de Paulo». É aí e a partir daí que, na maior parte das vezes com o auxílio de um conselheiro eclesiástico, é explicitada, meditada, aprofundada toda esta parte da espiritualidade, concernente às relações entre a pobreza e a caridade, da qual viveu S. Vicente de Paulo e legada por ele aos seus filhos em religião. Diz-se actualmente que há no serviço do próximo, e sobretudo dos mais «pobres», uma espécie de «sacramento» que é a aproximação de Cristo sofredor presente nos pobres. Está aí o centro da espiritualidade vicentina: ela experimenta ao mesmo tempo o que pode significar a presença de Cristo na Eucaristia e a sua presença nos pobres. Esta comporta em si valor de salvação, isto é, de acesso ao Reino dos Céus. A espiritualidade vicentina sente como um escândalo que se seja indiferente à segunda quando se tem tanta piedade pela primeira. Cada um aproveita dessa espiritualidade segundo a graça que recebe e o acolhimento interior que lhe reserva. A esperança de todo o vicentino, se ele corresponde à graça, está na realização do desejo expresso numa das orações tradicionais do fim das sessões «... a fim de que, tendo dado com a melhor vontade aos pobres o que possuem, se dêem si mesmos»; linguagem antiga que exprime a mesma aspiração à vida das Bem-Aventuranças, isto é, à vida conforme o Evangelho. Será um ideal excessivo e abusivamente constrangedor? Nada disso. A regra vicentina não obriga em consciência, e isto pode tranquilizar os mais escrupulosos. A experiência secular mostra que a aspiração a este ideal de vida evangélica se encontra na maior parte das vezes em cristãos muito simples, sem qualquer sentimento de heroicidade: pobres camponeses de um país tropical, estudantes ocupados com os seus estudos, operários vergados ao peso da fadiga, «responsáveis» esmagados de preocupações. É de entre os «cristãos médios» que o sopro do espírito chama a maioria dos membros da Sociedade de S. Vicente de Paulo e os incita, conforme as suas possibilidades e, por vezes, para além destas, ao serviço dos mais infelizes. Este ideal de solidariedade no acesso ao Reino de Deus é o que há de mais antigo e de mais novo como testemunho apostólico.

NOTA: Todo este texto foi recolhido através do site http://www.ssvp-portugal.org/ tendo sido respeitada a composição dos seus parágrafos. Apenas as palavras ou frases que foram salientadas por mim, em negrito e itálico, são da minha exclusiva responsabilidade. No entanto, sei que isto não irá ser publicado exactamente da forma como está no site, pelo que endereço desde já a todos os meus eventuais leitores, as minhas desculpas, pois não consigo entender o "esquema" ou "formatação" que o "Blogger" aplica aos meus escritos, porque o texto fica todo seguido, sem parágrafos, nem subtítulos.

Ao menos, o texto está completo, graças a Deus.

LOUVADO SEJA DEUS E SUA MÃE MARIA SANTÍSSIMA,

POR TODOS OS SÉCULOS DOS SÉCULOS. ÁMEN.

António Fonseca

Textos do site da Associação SSVP-Portugal

Não fiquei nada satisfeito com a formatação que ficou colocada na mensagem anterior, pois não foi nada daquilo que eu publiquei - está tudo empastelado, os títulos não estão todos do mesmo tamanho - e pode até dar a ideia de que eu não tenho qualquer gosto "artístico" para fazer as coisas, o que não é completamente verdade. Mas, enfim, como realmente não percebo nada de técnica de informática, de agora em diante, vou escrever tudo de seguida e não me vou preocupar mais com formatações, esquemas, etc., pois já vi que "não pesco" nada e portanto, cingir-me-ei apenas a debitar textos. Posto isto vou continuar a descrição dos temas insertos no site da SSVP. Aliás, vou voltar ao princípio da página do site e com a devida vénia, transcrevo a cópia da Mensagem de Entrada,e assim sucessivamente: Esclareço que os realces são da minha exclusiva responsabilidade. António Fonseca =========================================================================== Bem-vindo Escrito por Gilberto Custódio Bem-vindo ao site Oficial da Associação SSVP - Sociedade de São Vicente de Paulo de Portugal. Neste site vai encontrar "tudo" sobre esta obra sócio-caritativa. O site "ssvp-portugal.org" foi lançado para favorecer e divulgar, formar e informar, todos os interessados sobre esta obra sócio-caritativa a nível mundial, nacional, regional e até mesmo local. O site "ssvp-portugal.org" é um projecto fundado em Abril de 2008. O visitante registado / autenticado terá acesso a documentos e informação privilegiada, bem como submeter artigos de imprensa ou redigir sobre aquilo que lhe desperta interesse, dentro dos temas abordados. Após recepção as notícias validadas são publicadas. Aceitamos sugestões, para isso faça o seu registo. Este site ainda se encontra na fase de construção, contudo poderá já consultar alguma informação. Actualizado em ( 12-Jun-2008 ) Quem somos? Escrito por Gilberto Custódio Desde a simples oferta de «umas achas de lenha» - oferta inicial de Ozanam às famílias que primeiro visitou em Paris - às ofertas de roupa, livros, medicamentos, ajuda na procura de empregos e internamentos, visitas a lares, hospitais, cadeias, ou à fundação das chamadas «obras especiais» (obras de acção especializada e individualizada, lares de 3ª idade, centros de dia, casas de trabalho, salas de estudo, cantinas, lares para jovens, creches, infantários, jardins de infância, colónias de férias, etc.), a acção vicentina procura ser a resposta oportuna para cada situação de sofrimento ou pobreza que se detecta - resposta mais ou menos imediata, ou de simples encaminhamento das situações mais difíceis para as vias possíveis de resolução, inquietando consciências indiferentes, apesar de responsáveis, mas com possiblidade de resposta às situações de pobreza e sofrimento. A acção vicentina preocupa-se com a promoção do homem na sociedade através de um sentimento de afecto e respeito pela dignidade de cada pessoa, da oferta de amor, a que todos têm direito, da compreensão e receptividade a uma confidência ou a um desabafo, um conselho com uma palavra amiga, um olhar carinhoso, motivos de fé e de esperança. O que é ser Vicentino Escrito por Gilberto Custódio O Vicentino: VIVE o Evangelho através de uma aspiração de vida mais evangélica. DETECTA e serve directamente as várias situações de pobreza, vivendo uma espiritualidade Cristã, à maneira de Vicente de Paulo e de Frederico Ozanam. REVELA Cristo. O Cristo que serviu e amou a todos, principalmente os mais pobres. OFERECE um testemunho de fé, mais por obras que por palavras em todo o contacto pessoal, numa mútua santificação. COMPROMETE-SE a cumprir a Regra da S.S.V.P., que define a vocação e missão de Sociedade de São Vicente de Paulo. COM HUMILDADE E ESPÍRITO DE POBREZA, JUVENTUDE E ALEGRIA; CRIATIVIDADE, DINAMISMO E OUSADIA CENTRANDO A SUA ACÇÃO NA TRADICIONAL VISITA DOMICILIÁRIA NUNCA ESQUECENDO QUE A SEU LADO PODE ESTAR O "SEU PRÓXIMO" (AQUELE QUE MAIS PRECISA DE NÓS). A Espiritualidade Vicentina Escrito por Gilberto Custódio A espiritualidade cristã revelada por Cristo como evangelizador dos pobres, é a espiritualidade cristã vivida por São Vicente de Paulo que nos faz entender e conhecer o «Cristo Vicentino», aquele Cristo que «caminhou e trabalhou como nós». Aquele Cristo sem ceptro e sem coroa, que não está sentado sobre o globo, que suportou o peso da cruz de todos os que sofrem, de todos que pecam, de todos que são pobres... e ressuscitou para nos oferecer a Esperança. Espiritualide vicentina é a espiritualidade que levou Ozanam a criar as Conferências de São Vicente de Paulo que colocam cristãos-leigos em permanente disponibilidade para aliviar o sofrimento e a pobreza, despertando a vocação e missão da Sociedade de São Vicente de Paulo. AMAR E SERVIR A DEUS, AMANDO E SERVINDO DIRECTAMENTE OS POBRES A Regra Vicentina Orações Escrito por Gilberto Custódio Para os vicentinos a oração como manifestação da sua vida espiritual pessoal e comunitária é inseparável da acção. A oração ilumina e inspira o compromisso cristão e social do vicentino na procura constante duma harmonia entre a consciência e a existência, entre a convicção e o testemunho. Reproduzem-se aqui as orações tradicionais da Sociedade publicadas nas edições das últimas Regras, com a redacção literária do Missal Romano definitivo, recentemente publicado, sob orientação da Comissão Episcopal Nacional de Liturgia e utilizando obrigatoriamente nas celebrações litúrgicas. O Regulamento Nacional, no entanto, deixa uma certa liberdade na sua adopção caso a caso, pelo que, para além dos limites nele referidos, se deve entender que a oração, quer tradicional quer espontânea, é agradável a Deus na medida em que brotar do mais íntimo do coração. l - Orações das Reuniões. No começo das sessões Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen. V. Vinde, Espírito Santo R. Enchei os corações dos Vosso fiéis, e acendei neles o fogo do Vosso amor. V. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito e tudo será criado. R. E renovareis a face da terra. OREMOS Deus de bondade, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às suas inspirações para apreciarmos rectamente todas as coisas e gozarmos sempre da sua consolação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen. Pai Nosso, etc Ave Maria, etc V. Sagrado Coração de Jesus: R. Tende piedade de nós. V. Ó Maria concebida sem pecado: R. Rogai por nós que recorremos a Vós. V. S. José: R. Rogai por nós. V. S. Vicente de Paulo: R. Rogai por nós. V. Beato Contardo Ferrini: R. Rogai por nós. V. Beato Frederico Ozanam: R. Rogai por nós. No fim das sessões: a) Fórmula completa Em nome do Pai, etc., etc. V. S. José: R. Rogai por nós V. S. Vicente de Paulo R. Rogai por nós. OREMOS Clementíssimo Jesus, que suscitastes na Vossa Igreja, em S. Vicente de Paulo, um apóstolo da Vossa ardentíssima Caridade: infundi o mesmo ardor de Caridade sobre Vossos servos, para que, por Vosso amor, dêem com a melhor vontade aos pobres o que possuem e de dêem a si mesmos. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Ámen. Pelos Benfeitores Dignai-vos, piedosíssimo Jesus, conceder a Vossa graça aos benfeitores dos pobres, Vós que àqueles que em Vosso nome praticassem as Obras de Misericórdia prometestes cem por um e o Reino do Céu. Ámen. A Nossa Senhora À Vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas que em nossas necessidades Vos dirigimos, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Ámen. Pela Sociedade de S. Vicente de Paulo Graças Vos damos, Senhor, por tantas e tão valiosas bênçãos com que, até ao dia de hoje, tendes cumulado a Sociedade de S. Vicente de Paulo. Suplicamo-Vos, Senhor, continueis protegendo esta Sociedade que tão querida nos é, cada uma das suas Conferências, em particular esta de que fazemos parte (1): que ela se fortaleça, se propague e confirme no seu primitivo espírito de piedade, simplicidade e união fraternal, a fim de que as suas obras, inteiramente despojadas dos interesses vãos e mesquinhos do mundo, se tornem cada vez mais fecundas para o Céu. Conheceis, ó Deus de bondade, as misérias espirituais e temporais das famílias pobres, que em tão pouco podemos aliviar, e sabeis, igualmente, de quanto nós próprios, aqui presentes, carecemos: tende misericórdia delas e de todos nós, e que sintamos sempre os efeitos da Vossa clemência sem limites. Imploramos ainda, Pai amantíssimo - e muito especialmente - o Vosso auxílio para aqueles dos nossos irmãos vicentinos que, neste momento, estiverem oprimidos com provações: que a força, a luz, a paz e a confiança que de Vós procedem não faltem a nenhum deles, e que as suas e nossas penas, paciente e resignadamente suportadas, se Vos tornem agradáveis e produzam frutos de salvação. Finalmente, Senhor, pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela intercessão especial da Santíssima Virgem e de S. Vicente de Paulo, Vos rogamos que um dia, quebrados os vínculos da nossa mortalidade, deis um lugar no Vosso Reino aos pobres que nos confiastes, aos nossos amigos, parentes e irmãos vicentinos, e a nós mesmos. Pela Canonização de Frederico Ozanam Senhor Deus, que pusestes no coração de Frederico Ozanam e de seus companheiros o amor dos pobres, e lhe inspirastes a fundação de uma sociedade para alívio das misérias espirituais e corporais dos indigentes, dignai-Vos abençoar esta Obra de Caridade e de Apostolado, e pedimo-Vos Senhor pela canonização de Frederico Ozanam tornando patente por ela ao mundo os efeitos da Vossa caridade nos homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen. Clementíssimo Jesus, que suscitastes na Vossa Igreja, em S. Vicente de Paulo, um apóstolo da vossa ardentíssima Caridade: infundi o mesmo ardor de Caridade sobre Vossos servos, para que, por Vosso amor, dêem com a melhor vontade aos pobres o que possuem e se dêem a si mesmos. Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Ámen. Pelas vocações sacerdotais e religiosas (2) Ave-Maria, etc. E, pela misericórdia de Deus, descansem em paz as almas dos fiéis. R. Ámen. Em nome do Pai, etc. b) Fórmula reduzida Em nome do Pai, etc. etc. V. S. José R. Rogai por nós V. S. Vicente de Paulo R. Rogai por nós. OREMOS Pelos Benfeitores Dignai-Vos, piedosíssimo Jesus, conceder a Vossa graça aos benfeitores dos pobres, Vós que àqueles que em vosso nome praticassem as Obras de Misericórdia prometestes cem por um e o Reino do Céu. Ámen. A Nossa Senhora À Vossa protecção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as súplicas que em nossas necessidades Vos dirigimos, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Ámen. Pedimo-Vos Senhor Pela nossa Sociedade espalhada pelo mundo inteiro, para que a Vossa caridade se afirme cada vez mais; pelos que nos ajudam e pelos que procuramos ajudar; pelos que nesta hora sofrem de qualquer modo; pela canonização de Frederico Ozanam, tornando patente por ela ao mundo os efeitos da Vossa caridade nos homens; pelas vocações ao Vosso serviço especialmente no sacerdócio ministerial, consagração religiosa e acção missionária e vicentina. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen. Ave-Maria, etc. II - OUTRAS ORAÇÕES 1 - Orações pela Unidade (3) a) Jo. 17,21-14 «Que todos sejam um. Como Tu, Pai, estás em mim e Eu em Ti, Que eles também sejam um connosco, A fim de que o mundo creia que Tu me enviaste Dei-lhes a glória que Tu me deste, Para que sejam um como nós somos um: Eu neles e Tu em mim, Para chegarem à perfeita unidade, E o mundo saiba que Tu me enviaste E que Eu os amei como Tu me amaste». b) Oração Ecuménica pela Unidade «Senhor Jesus, que na véspera de morreres por nós oraste para que todos os teus discípulos chegassem à perfeita unidade, como Tu no Teu Pai e o Teu Pai em Ti, faz-nos sentir dolorosamente a infidelidade da nossa desunião. Dá-nos a lealdade de reconhecer e a coragem de rejeitar o que em nós se oculta de indiferença, desconfiança e mesmo (3) Recomendadas pela reunião Plenária do Conselho Geral, de Outubro de 1967 hostilidades mútuas. Concede-nos que nos encontremos todos em Ti, a fim de que, das nossas almas e dos nossos lábios, suba sem cessar a Tua prece pela Unidade dos cristãos, tal como Tu a queres e pelos meios que Tu queres. Em Ti, que és a Caridade perfeita, faz-nos encontrar o Caminho que conduz à Unidade na obediência ao Teu Amor e à Tua Verdade. Ámen». 2 - Oração para implorar as luzes do Espírito Santo Vinde Espírito Criador, Visitai as almas que vos pertencem E enchei com a graça divina Os corações que criastes, Vós sois chamado o Consolador, A dádiva do Deus Altíssimo, A fonte viva, o fogo, o amor, E a unção espiritual. Vós que sois o dedo de Deus, Que fostes prometido pelo Pai E sois a fonte de inspiração, Dai-nos os Vossos sete dons. Iluminai as nossas inteligências. Infundi em nós o Vosso amor. Que a fraqueza dos nossos corpos Se apoie no Vosso eterno vigor. Afastai de nós o inimigo E guardai-nos sempre em paz; Sob a Vossa segura direcção, Saibamos evitar todo o mal. Fazei-nos conhecer o Pai E acreditar também no Filho: E dai-nos uma grande fé em Vós, Que sois o Espírito de ambos. Glória ao Pai e ao Filho, Que ressuscitou dos mortos, E ao Espírito Consolador. Por todos os séculos dos séculos. Ámen. V. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito e tudo será criado. R. E renovareis a face da terra. OREMOS Deus de bondade, que iluminastes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, tornai-nos dóceis às Suas inspirações para apreciarmos rectamente todas as coisas e gozarmos sempre da Sua consolação. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Ámen. 3 - Acto de Consagração das Conferências da Sociedade de S. Vicente de Paulo, em Portugal, ao Sagrado Coração de Jesus (4) Clementíssimo Jesus, que por misericordioso desígnio Vos dignastes abrir o Vosso Dulcíssimo Coração aos homens para os salvardes e enriquecerdes com os inefáveis tesouros de amor que encerra; a Vossos pés vêm hoje os membros das Conferências de S. Vicente de Paulo consagrar-se inteiramente a esse Divino e amantíssimo Coração. Reconhecemos que este oceano infinito de Caridade é a origem e fonte de todas as graças e todos os benefícios que a nossa Sociedade tem operado no mundo. (") Este Acto de consagração foi redigido pelo Rev. Dr. Santos Abranches, a pedido do Conselho Superior de Portugal, e recitado pela primeira vez na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1926, data em que se reuniu na mesma cidade a Assembleia Nacional das Conferências de S. Vicente de Paulo. E, querendo agora que tudo volte ao seu princípio, nós vos consagramos, com pleníssima e irrevogável doação, as nossas pessoas com todas as faculdades e com todas as operações da sua actividade. Não só reconhecemos, acatamos e adoramos o Vosso Supremo domínio e os inauferíveis direitos que tendes sobre os indivíduos e as nações, mas queremos viver para dilatar na terra o Vosso reinado de caridade, união e paz. Por isso Vos consagramos também as nossas famílias com todos os seus membros, os nossos trabalhos, obras, bens e empreendimentos. Reinai em nossos corações com a Vossa graça, em nossas famílias com a Vossa paz e amor, e no seio das sociedades com a Vossa autoridade soberana e com a observância plena dos Vossos mandamentos. Nós Vos consagramos, de modo muito especial, os pobres que visitamos e constituem para nós outra família adoptiva que Vós nos doastes. Abençoai-os a eles, Senhor, dando-lhes resignação, fé, confiança e amor nos sofrimentos; e abençoai-nos a nós, concedendo-nos entranhas de fraterna caridade para com eles. Para cumprir a Vossa lei e imitar o vosso exemplo, nós só procuraremos amá-los como a nós mesmos, mas veremos sempre neles, com os olhos da fé, a Vossa Adorável Pessoa, pois num excesso de misericórdia, tomais como feito a Vós quanto por eles fizermos. Dignai-Vos, dulcíssimo Jesus, aceitar benigno esta nossa oblação e resolução e recebei-nos dentro do Vosso amantíssimo e divino Coração, que será sempre a nossa perpétua morada, a fim de que, vivendo sempre em perfeita união convosco na terra, mereçamos à hora do passamento ouvir de Vossos lábios divinos: "Vinde, benditos do meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo. Ámen. Acção de graças a Maria Em acção de graças pelo dom da fé recebido, animados por uma grande alegria, voltamo-nos rumo ao futuro que se apresenta no horizonte. Estamos cheios de esperança e decididos a partilhar com todo o homem a Boa Nova da Salvação em Jesus Cristo. Por essa razão, colocamo-nos em oração e convidamos toda a Família de Deus a rezar connosco e com Maria, a figura pessoal da Igreja, por um novo Pentecostes. Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja, graças a Ti, na manhã da Anunciação, toda a raça humana, com as suas culturas, alegrou-se por se saber capaz do Evangelho. Juntamente com todos os irmãos e em comunhão com o Santo Padre, estamos a Ti unidos, para que a efusão do Espírito Santo faça das nossas Conferências lugares de comunhão na diferença, e de nós, a Igreja-Família do Pai, Fraternidade do Filho, Imagem da Trindade, Antecipadora e Cooperadora Com todos, do Reino de Deus na Cidade que tem Deus como Construtor: Cidade de Justiça e de Paz. Ámen. ===================================================================
LOUVADO SEJA DEUS NOSSO SENHOR E SUA MÃE MARIA SANTÍSSIMA POR TODOS OS SÉCULOS DOS SÉCULOS. ÁMEN.
António Fonseca Conferência Vicentina de S. Paulo do Viso