OS MEUS DESEJOS PARA TODOS

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sábado, 17 de janeiro de 2009

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO XV

CAP. XV - RM - 1-13 - CONCLUSÃO - 14-33 e reflexão sobre os versículos 15 Colocar-se ao serviço do outro
1Nós, que somos os fortes, devemos suportar a fraqueza dos fracos, e não procurarmos o que nos agrada. 2Cada um de nós procure agradar ao seu próximo. 3Cristo não procurou agradar a Si mesmo; pelo contrário, como diz a Escritura: «Os insultos daqueles que Te insultam caíram sobre Mim». 4Ora, tudo isto que foi escrito antes de nós, foi escrito para nossa instrução, para que, em virtude da perseverança e consolação que as Escrituras nos dão, conservemos a esperança. 5O Deus da perseverança e da consolação conceda que tenhais os mesmos sentimentos uns com os outros, a exemplo de Jesus Cristo. 6E assim vós, juntos e a uma só voz, dai glória ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
Acolhimento mútuo 7Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. 8Digo-vos que Cristo Se tornou servidor dos judeus em vista da fidelidade de Deus, a fim de cumprir as promessas feitas aos patriarcas. 9As nações pagãs, porém, dão glória a Deus por causa da misericórdia d’Ele, conforme diz a Escritura: «Por isso eu Te celebrarei entre as nações pagãs e cantarei hinos ao teu Nome». 10A Escritura também diz: «Nações pagãs, alegrai-vos com o povo de Deus». 11E diz ainda: «Nações pagãs todas, louvai ao Senhor, e todos os povos O celebrem». 12E Isaías também diz: «Aparecerá o rebento de Jessé, Aquele que Se levanta para governar as nações pagãs. N’Ele as nações pagãs colocarão a sua esperança». 13Que o Deus da esperança vos encha de completa alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança, pela força do Espírito Santo.
CONCLUSÃO
O sacerdócio de Paulo 14Meus irmãos, também eu estou pessoalmente convencido de que estais cheios de bondade e repletos de todo o conhecimento, para vos corrigirdes uns aos outros. 15Todavia, escrevi-vos, em parte com certa ousadia, para vos reavivar a memória, em vista da graça que me foi concedida por Deus. 16Sou ministro de Jesus Cristo entre os pagãos, e a minha função sagrada é anunciar o Evangelho de Deus, a fim de que os pagãos se tornem oferta aceite e santificada pelo Espírito Santo. 17Tenho, portanto, motivo para me orgulhar em Jesus Cristo a propósito da obra de Deus. 18Eu não ousaria mencionar nada, a não ser o que Cristo fez, através de mim, para levar os pagãos à obediência pela palavra e pela acção, 19mediante o poder dos sinais e prodígios, pelo poder do Espírito de Deus. Assim, desde Jerusalém e seus arredores até à Ilíria, levei a cabo o anúncio do Evangelho de Cristo. 20Fiz questão de anunciar o Evangelho onde o Nome de Cristo ainda não havia sido anunciado, a fim de não construir sobre alicerces que outro havia colocado. 21Deste modo, faço o que a Escritura diz: «Aqueles aos quais não tinha sido anunciado, verão; e os que não tinham ouvido, compreenderão».
Planos de Paulo 22Foi este o motivo que muitas vezes me impediu de vos visitar. 23Mas agora já não tenho tanto campo de acção nestas regiões. E porque há muitos anos tenho grande desejo de vos visitar, 24quando eu for para a Espanha, espero ver-vos por ocasião da minha passagem. Esperotambém receber a vossa ajuda para ir até lá, depois de ter desfrutado um pouco a vossa companhia. 25Agora vou a Jerusalém prestar um serviço aos cristãos. 26A Macedónia e a Acaia resolveram fazer uma colecta em favor dos cristãos pobres da comunidade de Jerusalém. 27Resolveram fazer isso, porque lhes são devedores. De facto, se os pagãos participaram nos bens espirituais dos judeus, têm obrigação de os ajudar nas suas necessidades materiais. 28Quando eu tiver concluído essa tarefa e tiver entregue oficialmente o fruto da colecta, irei para a Espanha, passando por aí. 29Sei que, indo até vós, irei com a plenitude da bênção de Cristo. 30Irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, peço que luteis comigo nas orações que dirigis a Deus em meu favor. 31Rezai para que eu escape dos infiéis que estão na Judeia e para que o meu serviço a favor de Jerusalém seja bem aceite por aquela comunidade. 32Assim, se Deus quiser, poderei visitar-vos com alegria e descansar um pouco aí entre vós. 33Que o Deus da paz esteja com todos vós.
Ámen.
-----------------------------------------reflexão--------------------------------------------- 15,1-6: Os cristãos mais conscientes não devem usar a sua força e prestígio para impor aos outros a própria opinião e conseguir poderes sobre a comunidade. Não foi esse o modo de proceder de Jesus Cristo, que veio para servir e dar a vida. O respeito e o bem do outro é o maior sinal do cristão consciente. 7-13: O acolhimento mútuo no amor é o caminho para que as mentalidades diferentes não quebrem a união da comunidade. Assim fez Cristo, que acolheu judeus e pagãos num só povo. Além disso, a comunidade não deve julgar que o facto de pertencer ao povo de Deus seja privilégio que a separa dos outros; antes, é fonte de responsabilidade, pois a vocação da comunidade é acolher a todos como irmãos, testemunhando assim o projecto divino de reunir todos os homens. 14-21: Paulo fala do seu ministério em termos de sacerdócio. Não um sacerdócio que se realiza junto do altar, mas através da evangelização, que reúne os homens na fé e na solidariedade com o mistério da morte e ressurreição de Cristo. 22-33: A comunidade de Jerusalém era formada por cristãos provenientes do judaísmo. Para Paulo, a colecta material feita pelos pagãos em favor dessa comunidade pobre é sinal visível da unidade da Igreja que reúne, ao mesmo tempo, cristãos vindos do judaísmo e cristãos vindos do paganismo. Além disso, a colecta é a resposta à obrigação assumida anteriormente (cf. Gl 2,10; notas em 2Cor 8-9). 16,1-24: As Igrejas estão unidas entre si, não por laços jurídicos, mas pelas relações entre pessoas que partilham a mesma fé. Há nomes gregos, romanos e judaicos, e até se percebem diferenças de condição social. Deste modo, a lista testemunha a diversidade interna das pessoas reunidas na comunidade cristã de Roma. Ao mesmo tempo, pode-se perceber a diversidade de trabalhos e funções que mantêm viva a comunidade. Note-se a menção de Febe, mulher que é diaconisa. 25-27: O louvor exprime a alegria da Igreja que já vive o tempo em que se realiza o mistério da salvação (cf. nota em Ef 3,1-13). __________________________________________________________________ Meus Caros Amigos e IRMÃOS em CRISTO. Apesar do esforço que fiz, em efectuar a transcrição dos 15 Capítulos da CARTA AOS ROMANOS, de S. PAULO, na medida em que encontro limitado a só escrever com um dedo, da mão direita, devido a ter partido o braço esquerdo no passado Domingo, estou satisfeito e feliz por ter conseguido levar a cabo esta tarefa. Tentarei em seguida, não já hoje, mas dentro de dias, proceder à passagem dos textos relativos às restantes Cartas de S. Paulo, assim Deus me ajude, graças a Deus para sempre. Amén. António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO XIV

CAP. XIV - RM - 1-23 e reflexão sobre os versículos 14 Não litigar por coisas secundárias
1Acolhei o fraco na fé sem lhe criticar os escrúpulos. 2Um acredita que pode comer de tudo; outro, sendo fraco, só come legumes. 3Quem come de tudo, não despreze quem não come. E quem não come, não julgue aquele que come, porque Deus acolhe-o assim mesmo. 4Quem és tu para julgar um servo alheio? Se ele fica de pé ou cai, isso é lá com o patrão dele; mas ele ficará de pé, pois o Senhor é poderoso para o sustentar. 5Há quem faça diferença entre um dia e outro, enquanto outro acha que todos os dias são iguais.
Cada qual siga a sua convicção.
6Quem distingue o dia, faz isso em honra do Senhor. Quem come de tudo, fá-lo em honra do Senhor, porque agradece a Deus. E quem não come, não come em honra do Senhor, e também agradece a Deus. 7Porque nenhum de vós vive para si mesmo, e ninguém morre para si mesmo. 8Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. 9Cristo morreu e voltou à vida para ser o Senhor dos mortos e dos vivos.
Só Deus pode julgar 10Quanto a ti, porque julgas o teu irmão? E porque desprezas o teu irmão? Todos nós devemos comparecer diante do tribunal de Deus.11Porque a Escritura diz: «Por minha vida, diz o Senhor, diante de Mim se dobrará todo o joelho, e toda a língua dará glória a Deus». 12Portanto, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus. 13Deixemos, portanto, de nos julgar uns aos outros. Pelo contrário, preocupai-vos em não ser causa de tropeço ou escândalo para o irmão. 14Sei e estou convencido no Senhor Jesus: nada é impuro por si mesmo. Mas, se alguém acha que alguma coisa é impura, essa coisa torna-se impura para ele.
Não escandalizar o irmão
15Se, por questão de alimento, entristeces o teu irmão, não estás a agir com amor. Portanto, o alimento que comes não seja causa de perdição para aquele por quem Cristo morreu. 16Não deis motivo a que outros falem mal daquilo que para vós é bom. 17O Reino de Deus não é questão de comida ou bebida; é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. 18Quem serve a Cristo nessas coisas agrada a Deus e é estimado pelos homens. 19Portanto, busquemos sempre as coisas que trazem paz e edificação mútua. 20Não destruas a obra de Deus por uma questão de comida! Todas as coisas são puras. Mas é mau que um homem coma provocando escândalo. 21É melhor não comer carne, nem beber vinho ou qualquer outra coisa, quando isso é ocasião de tropeço, escândalo e queda para o irmão. 22Guarda para ti, diante de Deus, a convicção que tens. Feliz aquele que não se condena a si mesmo na decisão que toma.. 23Mas quem duvida e assim mesmo toma o alimento é condenado, pois o seu comportamento não provém de uma convicção. E tudo o que não provém de uma convicção é pecado.
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14,1-9: A comunidade cristã, que verdadeiramente tem um objectivo e procura realizá-lo com convicção, não se perde em questões secundárias; estas podem provocar desunião e dispersar as forças necessárias para se atingir a meta proposta. E o principal na vida cristã é viver para Deus, dando testemunho de Jesus Cristo. Nas coisas secundárias, cada um deve agir segundo a sua própria convicção. 10-14: O julgamento humano é parcial e corre sempre o risco de ser injusto. Só Deus pode julgar objectivamente, porque só Ele conhece o íntimo do homem e os seus actos. Diante de Deus, cada um deverá responder por si mesmo. Cada um, portanto, deve aprofundar e esclarecer a própria consciência, vivendo segundo as convicções que tem. 15-23: Cada um deve viver a fé com autenticidade, seguindo a própria consciência e agindo conforme as próprias convicções. O cristão, porém, está inserido no contexto maior da convivência fraterna, onde o amor preside a todos os relacionamentos e impede que um irmão seja motivo de escândalo ou ofensa para o outro. Até as coisas mais lícitas devem ser deixadas de lado, quando entra em jogo o crescimento mútuo em vista do Reino de Deus, Reino que é «justiça, paz e alegria no Espírito Santo» (cf. nota em 1Cor 10,23-11,1)
segue-se o CAPÍTULO XV António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO XIII

CAP. XIII - RM - 1-14 e reflexão sobre os versículos 13 A comunidade e a autoridade política
1Submetei-vos todos às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram instituídas por Deus. 2Quem se opõe à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus. Aqueles que se opõem, atraem sobre si a condenação. 3Na verdade, os que governam não devem ser temidos quando se faz o bem, mas quando se faz o mal. Se não queres ter medo da autoridade, faz o bem, e ela te elogiará. 4A autoridade é o instrumento de Deus para teu bem, mas, se praticas o mal, teme, pois não é à toa que a autoridade usa a espada: quando castiga, ela está ao serviço de Deus, para manifestar a sua ira contra o malfeitor. 5Por isso, é preciso submeterse, não só por medo do castigo, mas também por dever de consciência. 6É também por isso que pagais impostos, pois os que têm esse encargo são funcionários de Deus. 7Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto e a taxa, a quem deveis imposto e taxa; o temor, a quem deveis temor; a honra, a quem deveis honra.
O amor é o pleno cumprimento da Lei
8Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser o amor mútuo. Pois, quem ama o próximo cumpriu plenamente a Lei. 9De facto, os mandamentos: não cometerás adultério, não matarás, não roubarás, não cobiçarás, e todos os outros, resumem-se nesta sentença: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». 10O amor não pratica o mal contra o próximo, pois o amor é o pleno cumprimento da Lei.
A madrugada de um tempo novo 11Comportai- vos desta maneira, principalmente porque conheceis o tempo, e já é hora de acordardes: a nossa salvação está agora mais próxima do que quando começámos a acreditar. 12A noite vai avançada e o dia está próximo. Deixemos, portanto, as obras das trevas e vistamos as armas da luz. 13Vivamos honestamente, como em pleno dia: não em orgias e bebedeiras, prostituição e libertinagem, brigas e ciúmes. 14Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não sigais os desejos dos instintos egoístas.
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13,1-7: Paulo escreve a uma comunidade perseguida pelo poder político, tentada por isso a negar radicalmente a função da autoridade política. O que Paulo diz não deve ser tomado como legitimação de qualquer autoridade política ou forma de sociedade; ele apenas mostra o fundamento, a função e, ao mesmo tempo, o limite de uma autoridade política. A autoridade, por direito, só pertence à natureza de Deus. Só Ele é Senhor e juiz absoluto sobre os homens. A autoridade política encontra o seu fundamento numa participação funcional na autoridade de Deus, em vista do bem comum. A sua função é servir o povo, promovendo a justiça, zelando pelo direito e impedindo os abusos. Os seus limites dependem do seu próprio fundamento e função: a autoridade não pode usurpar o lugar de Deus, pretendendo-se absoluta ou divina; nem pode servir-se a si mesma, oprimindo e explorando o povo. 8-10: Na vida cristã a única tarefa que não tem limites é o amor, espírito com que tudo deve ser feito. Como nos evangelhos, Paulo também vê o amor como a expressão perfeita de toda a Lei. 11-14: Liberto do egoísmo que corrompe a pessoa e a sociedade, o cristão já vive a madrugada de um tempo novo. A vinda de Jesus Cristo dissipa a longa noite da injustiça e do pecado. O cristão deve acordar, preparado para viver e testemunhar o dia da libertação inaugurado por Jesus
SEGUE-SE CAPÍTULO XIV
António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO XII

CAP. XII - RM - 1-21 e reflexão sobre os versículos A VIDA CRISTÃ 12 O culto autêntico
1Irmãos, pela misericórdia de Deus, peço que ofereçais os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o vosso culto autêntico. 2Não vos amoldeis às estruturas deste mundo, mas transformai-vos pela renovação da mente, a fim de distinguir qual é a vontade de Deus: o que é bom, o que Lhe é agradável, o que é perfeito.
A comunidade é um corpo vivo 3Em nome da graça que me foi concedida, eu digo a cada um de vós: não tenhais de vós mesmos conceito maior do que convém, mas um conceito justo, de acordo com a fé, na medida que Deus concedeu a cada um. 4Num só corpo há muitos membros, e esses membros não têm todos a mesma função. 5O mesmo acontece connosco: embora sendo muitos, formamos um só corpo em Cristo, e, cada um por sua vez, é membro dos outros. 6Mas temos dons diferentes, conforme a graça concedida a cada um de nós. Quem tem o dom da profecia, deve exercê-lo de acordo com a fé; 7se tem o dom do serviço, que o exerça servindo; se do ensino, que ensine; 8se é de aconselhar, aconselhe; se é de distribuir donativos, faça-o com simplicidade; se é de presidir à comunidade, faça-o com zelo; se é de exercer misericórdia, faça-o com alegria.
As relações dentro e fora da comunidade 9Que o vosso amor seja sem hipocrisia: detestai o mal e apegai-vos ao bem; 10no amor fraterno, sede carinhosos uns com os outros, rivalizando na mútua estima. 11Quanto ao zelo, não sejais preguiçosos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor. 12Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração. 13Sede solidários com os cristãos nas suas necessidades e aperfeiçoai-vos na prática da hospitalidade. 14Abençoai os que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. 15Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram. 16Vivei em harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pela mania de grandeza, mas afeiçoai-vos às coisas modestas. Não vos considereis sábios. 17Não pagueis a ninguém o mal com o mal; a vossa preocupação seja fazer o bem a todos os homens. 18Se for possível, no que depende de vós, vivei em paz com todos. 19Amados, não façais justiça por própria conta, mas deixai a ira de Deus agir, pois o Senhor diz na Escritura: «A Mim pertence a vingança; Eu mesmo vou retribuir». 20Mas, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; desse modo, farás o outro corar de vergonha. 21Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.
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12,1-2: A vida cristã é resposta à misericórdia de Deus e abrange toda a existência concreta do homem, representada pelo corpo como centro de vida e acção e de relação com Deus, com os homens e com o mundo. Cada cristão oferece-se a si mesmo, sendo ele próprio o sacerdote e o sacrifício vivo. Tal sacerdócio é exercido de modo prático através do não-conformismo, que critica as estruturas corrompidas pela injustiça, e através de um discernimento novo que sabe distinguir a vontade de Deus que leva à justiça e à vida. 3-8: A vida na comunidade cristã tem como exigência básica o abandono da pretensão de ser o maior ou o mais importante, para se colocar com simplicidade ao serviço dos outros. Todos precisam de cada um, e cada um precisa de todos. A graça que Deus concede a cada um é o próprio modo de ser de cada pessoa. E esse modo de ser, que é iluminado pela fé, coloca-se à disposição das necessidades dos cada um (cf. nota em 1Cor 12,12-31).
9-21: Paulo expõe as linhas mestras do comportamento cristão, principalmente no que se refere à vida comunitária. A vida cristã deve ser inteiramente penetrada de sincero amor fraterno que, sem fraquezas ou simulações, enfrente todas as situações, sem excluir ninguém, nem os inimigos. Os vv. 9-13.15-16 referem-se ao amor entre os irmãos da comunidade; os vv. 14.17-21 falam do amor para com os que não pertencem à comunidade. 13,1-7: Paulo escreve a uma comunidade perseguida pelo poder político, tentada por isso a negar radicalmente a função da autoridade política. O que Paulo diz não deve ser tomado como legitimação de qualquer autoridade política ou forma de sociedade; ele apenas mostra o fundamento, a função e, ao mesmo tempo, o limite de uma autoridade política. A autoridade, por direito, só pertence à natureza de Deus. Só Ele é Senhor e juiz absoluto sobre os homens. A autoridade política encontra o seu fundamento numa participação funcional na autoridade de Deus, em vista do bem comum. A sua função é servir o povo, promovendo a justiça, zelando pelo direito e impedindo os abusos. Os seus limites dependem do seu próprio fundamento e função: a autoridade não pode usurpar o lugar de Deus, pretendendo-se absoluta ou divina; nem pode servir-se a si mesma, oprimindo e explorando o povo. 8-10: Na vida cristã a única tarefa que não tem limites é o amor, espírito com que tudo deve ser feito. Como nos evangelhos, Paulo também vê o amor como a expressão perfeita de toda a Lei.
------------------------------------------------------------------------------------------- ver em seguida CAPÍTULO XIII António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO XI

CAP. XI - RM - 1-36 e reflexão sobre os versículos 11 Deus não rejeitou Israel
1Pergunto então: Será que Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum! Eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. 2Deus não rejeitou o seu povo, que Ele conheceu desde o princípio. Ou não sabeis o que a Escritura diz na passagem em que Elias acusa Israel diante de Deus? 3«Senhor, mataram os teus profetas, arrasaram os teus altares; fiquei apenas eu, e ainda procuram tirar-me a vida». 4O que é que a voz divina lhe respondeu? «Reservei para Mim sete mil homens que não dobraram o joelho diante de Baal». 5É o que continua a acontecer hoje: sobrou um resto, conforme a livre escolha da graça. 6E isso acontece pela graça, e não pelas obras; de contrário, a graça já não seria graça. 7Que dizer então? Israel não conseguiu aquilo que procurava, mas os escolhidos conseguiram. Os demais ficaram endurecidos, 8como diz a Escritura: «Deus deu-lhes um espírito de torpor, olhos para não verem e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje». 9E David diz: «Que a mesa deles se transforme em cilada, em armadilha, em motivo de tropeço e justo castigo. 10Que os seus olhos fiquem escuros para não verem, e faz com que as suas costas fiquem sempre encurvadas».
Israel e a salvação dos pagãos 11Agora pergunto: Será que tropeçaram para ficarem caídos? De modo nenhum! Mas assim aconteceu para que a queda de Israel tornasse possível a salvação para os pagãos, e para que Israel ficasse com ciúme. 12Ora, se a queda de Israel se tornou riqueza para o mundo e se a sua decadência se tornou riqueza para os pagãos, o que não será a total participação de Israel na salvação! 13Portanto, digo-vos a vós, pagãos: como Apóstolo dos pagãos, honro o meu ministério, 14para ver se provoco o ciúme dos que pertencem à minha raça e se consigo salvar alguns deles. 15Pois se o facto de serem rejeitados trouxe a reconciliação do mundo, o efeito da sua reintegração será a ressurreição dos mortos.
A raiz sustenta a árvore 16Se os primeiros frutos são santos, toda a massa também será santa; se a raiz é santa, os ramos também serão santos. 17Se alguns ramos foram cortados, e tu, oliveira bravia, foste enxertada no lugar deles e agora recebes a seiva das raízes, 18não te envaideças nem desprezes os ramos. Se te orgulhas, deves saber que não és tu que sustentas a raiz, mas é a raiz que te sustenta. 19Poderás dizer: «Os ramos foram cortados para eu ser enxertada». 20Certamente! Mas eles foram cortados por causa da sua falta de fé, enquanto tu permaneces firme pela fé. Não fiques cheia de soberba, mas de temor, 21porque, se Deus não poupou os ramos naturais, também não te poupará a ti. 22Considera, portanto, a bondade e severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, mas bondade de Deus para contigo, com a condição, porém, de que sejas fiel a essa bondade. De outro modo, também serás cortada. 23Quanto a eles, se não permanecerem na falta de fé, serão enxertados, pois Deus é capaz de os enxertar de novo. 24Pois, se tu foste cortada de uma oliveira bravia e contra a natureza foste enxertada numa oliveira boa, tanto mais eles poderão ser enxertados na própria oliveira boa à qual pertencem.Deus não volta atrás 25Irmãos, não quero que ignoreis este mistério, para que não vos torneis convencidos: o endurecimento de uma parte de Israel vai durar até que chegue a plenitude das nações. 26Então, todo o Israel será salvo, como diz a Escritura: «De Sião sairá o Libertador, Ele vai tirar as impiedades de Jacob; 27essa será a minha aliança com eles, quando Eu perdoar os seus pecados». 28Quanto ao Evangelho, eles são inimigos, para vossa vantagem; mas, quanto à eleição, eles são amados, por causa dos patriarcas, 29porque os dons e o chamamento de Deus são irrevogáveis. 30Vós fostes desobedientes a Deus, e agora, pela desobediência deles, conseguistes misericórdia. 31Do mesmo modo, também eles agora desobedeceram, a fim de que, pela misericórdia feita a vós, eles também obtenham misericórdia para eles. 32Deus encerrou todos na desobediência, para ser misericordioso com todos.As decisões de Deus são insondáveis 33Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! Como são insondáveis as suas decisões, e como são impenetráveis os seus caminhos! 34Quem poderá compreender o pensamento do Senhor? Quem foi o seu conselheiro? 35Quem Lhe emprestou alguma coisa, para que Ele tenha algo a devolver? 36Porque todas as coisas vêm d’Ele, por meio d’Ele e vão para Ele. A Ele pertence a glória para sempre. Ámen.
---------------------------------------------reflexão------------------------------------------ 11,1-10: Ao contrário do que se poderia crer, Deus não rejeitou Israel. Assim como um «resto» permaneceu fiel no tempo de Elias, agora também há israelitas que acreditam no Evangelho, garantindo deste modo a continuidade do projecto de Deus na História. 11-15: Mal acolhido por grande parte de Israel, o Evangelho pode ser anunciado aos pagãos, e assim a Igreja liberta-se do regime judaico. Este facto deveria provocar o ciúme de Israel e chamar a sua atenção para Cristo. Paulo espera e entrevê a conversão de Israel como uma ressurreição. 16-24: Os pagãos convertidos seriam tentados a desprezar os judeus. Paulo, então, lembra que o cristianismo nasceu do povo judaico e que os pagãos convertidos são como que um enxerto no povo de Deus. E ainda mostra, pela mesma comparação, que os judeus podem aderir ao Evangelho e produzir frutos com maior facilidade, pois pertencem à raiz original. Por outro lado, também os pagãos convertidos correm o perigo de perder a fé e ser cortados do tronco em que foram enxertados. 25-32: O povo de Israel não foi rejeitado para sempre, porque Deus não volta atrás na sua escolha. O futuro da salvação permanece aberto ao povo da promessa. Através de uma História misteriosa, o Senhor continua a guiá-lo, para mostrar a todos que Ele salva porque ama, pois a sua misericórdia é dirigida a todos. 33-36: Contemplando o final da História, quando a Humanidade toda se reúne, salva por Deus, Paulo tem exclamações de admiração e de adoração. 12,1-2: A vida cristã é resposta à misericórdia de Deus e abrange toda a existência concreta do homem, representada pelo corpo como centro de vida e acção e de relação com Deus, com os homens e com o mundo. Cada cristão oferece-se a si mesmo, sendo ele próprio o sacerdote e o sacrifício vivo. Tal sacerdócio é exercido de modo prático através do não-conformismo, que critica as estruturas corrompidas pela injustiça, e através de um discernimento novo que sabe distinguir a vontade de Deus que leva à justiça e à vida.

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO X

CAP. X - RM - 1-21 e reflexão sobre os versículos 10 Um zelo pouco esclarecido
1Irmãos, o desejo do meu coração e a súplica que faço a Deus, em favor deles, é que se salvem. 2Pois eu dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, mas um zelo poucoesclarecido. 3Desconhecem a justiça de Deus e procuram afirmar a própria justiça e, assim, não se submetem à justiça de Deus. 4Pois o fim da Lei é Cristo, para que todo aquele que acredita se torne justo. O Evangelho é acessível a todos 5Moisés assim descreve a justiça que vem da Lei: «Quem praticar os preceitos da Lei, viverá por meio deles». 6Mas a justiça que vem da fé diz o seguinte: «Não perguntes a ti mesmo: “Quem subirá ao Céu?’’ Isto é: para fazer Cristo descer. 7Ou: “Quem descerá ao abismo?’’ Isto é: para fazer Cristo subir dos mortos». 8Mas, afinal, o que diz a Escritura? «A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração». Isto é: a palavra da fé que nós pregamos. 9Pois seconfessas com a boca que Jesus é o Senhor, e acreditas com o coração que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo. 10É acreditando de coração que se obtém a justiça, e é confessando com a boca que se chega à salvação. 11De facto, a Escritura diz: «Todo aquele que acredita n’Ele não será confundido». 12Não há distinção entre judeu e grego, pois Ele é o Senhor de todos, rico para com todos aqueles que O invocam. 13Porque todo aquele que invoca o Nome do Senhor será salvo. Israel não acolheu o Evangelho 14Ora, como poderão invocar Aquele em quem não acreditaram? Como poderão acreditar, se não ouviram falar d’Ele? E como poderão ouvir, se não houver quem O anuncie? 15Como poderão anunciar se ninguém for enviado? Como diz a Escritura: «Como são belos os pés daqueles que anunciam boas notícias!» 16Mas nem todos obedeceram ao Evangelho. Isaías diz: «Senhor, quem acreditou na nossa pregação?» 17A fé depende, portanto, da pregação, e a pregação é o anúncio da palavra de Cristo. 18Agora, pergunto: Será que eles não ouviram? Ao contrário: pela Terra inteira correu a voz deles e as suas palavras foram até aos confins do mundo. 19Pergunto ainda: Será que Israel não entendeu? Moisés já dizia: «Farei com que tenhais ciúmes de um povo que não é povo; provocarei a vossa ira contra um povo insensato». 20Isaías até ousa dizer: «Fui encontrado por aqueles que não Me procuravam; manifestei-Me àqueles que não perguntavam por Mim». 21Enquanto que, sobre Israel, Isaías diz: «Todos os dias estendi as minhas mãos a um povo desobediente e rebelde».
------------------------------------------reflexão--------------------------------------------
10,5-13: Não é preciso fazer grandes esforços (subir ao Céu ou descer aos abismos) para conhecer a vontade de Deus, porque Deus veio ao nosso encontro em Jesus Cristo. O Evangelho da salvação é acessível a todos sem distinção, e está pronto para ser acolhido, a fim de libertar o homem e o conduzir a uma vida nova. O seu conteúdo fundamental é este: Jesus é o Senhor da vida, porque Deus O ressuscitou dos mortos. E esse anúncio supõe apenas que o homem acredite em Jesus, Lhe dê a sua adesão e O testemunhe na vida prática.
14-21: Deus preparou tudo para conduzir Israel à salvação. Faltou apenas o último elo da corrente, precisamente aquele que dependia da disposição de Israel: a fé. Este povo, preparado para o encontro com Deus, não compreendeu a sua palavra. Deus, então, foi encontrado por aqueles que não O procuravam, os pagãos
ver em seguida CAPÍTULO XI António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO IX

CAP. IX - 1-31 e reflexão sobre os versículos FIDELIDADE DE DEUS E INCREDULIDADE DE ISRAEL 9 Os privilégios de Israel
1Digo a verdade em Cristo, não minto, e disso me dá testemunho a minha consciência pelo Espírito Santo: 2tenho uma grande dor e um contínuo sofrimento no coração. 3Sim, eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmãos de raça e sangue. 4Eles são israelitas e possuem a adopção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; 5deles são os patriarcas e deles nasceu Cristo segundo a condição humana, o qual está acima de tudo. Deus seja bendito para sempre. Ámen.
O verdadeiro Israel 6A palavra de Deus, porém, não falhou, pois nem todos os nascidos de Israel são Israel, 7e nem todos os descendentes de Abraão são filhos de Abraão. Não: «É de Isaac que sairá a descendência de Abraão». 8Isto é, não é a geração natural que torna filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendentes. 9De facto, as palavras da promessa são estas: «Por essa época voltarei, e Sara terá um filho». 10E isto não é tudo. Também Rebeca concebeu de um só homem, de Isaac, nosso pai. 11Quando os filhos dela ainda não haviam nascido e nada tinham feito de bem ou de mal — isto para que ficasse confirmada a liberdade da escolha de Deus, 12dependendo não das obras, mas d’Aquele que chama — então foi dito a Rebeca: «O mais velho será servo do mais novo», 13como diz a Escritura: «Amei mais a Jacob do que a Esaú». A soberana liberdade de Deus — 14Que diremos então? Que Deus é injusto? De modo nenhum! 15Ele mesmo disse a Moisés: «Farei misericórdia a quem entendo usar de misericórdia, e terei piedade de quem entendo ter piedade». 16Portanto, a escolha não depende da vontade ou do esforço do homem, mas da misericórdia de Deus. 17Por isso a Escritura diz ao Faraó: «Eu fiz-te nascer precisamente para em ti mostrar o meu poder e para que o meu Nome seja celebrado em toda a Terra». 18Portanto, Deus usa de misericórdia com quem quer e endurece a quem quer.19Dir-me-ás então: «Porque é que Deus ainda Se queixa? Quem pode resistir à sua vontade?» 20Mas, quem és tu, homem, para discutires com Deus? Porventura o vaso de barro diz ao oleiro:«Porque me fizeste assim?» 21Acaso o oleiro não é dono da argila, para fazer com a mesma massa dois vasos, um para uso nobre e outro para uso comum? 22Ora, Deus quis manifestar a sua ira e mostrar o seu poder, suportando com muita paciência os vasos da ira, já prontos para a perdição. 23Deus assim fez para mostrar a riqueza da sua glória para com os vasos de misericórdia, que Ele havia preparado para a glória, 24isto é, para connosco, a quem Deus chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os pagãos... 25Como Ele diz em Oseias: «Chamarei Meu-Povo àquele que não é meu povo, e Amada àquela que não é amada. 26E acontecerá que, no mesmo lugar onde lhes foi dito: “Vós não sois o meu povo’’, aí mesmo serão chamados filhos do Deus vivo». 27E quanto a Israel, Isaías proclama: «Mesmo que o número dos israelitas seja como a areia do mar, o resto é que será salvo; 28porque Deus cumprirá a sua palavra sobre a Terra com plenitude e rapidez». 29E ainda como Isaías havia predito: «Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado uma descendência, ficaríamos como Sodoma e tornar-nos-íamos como Gomorra».
O erro de Israel 30O que diremos então? Os pagãos, que não procuravam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé; 31ao passo que Israel procurava uma lei que lhe trouxesse a justiça, mas não conseguiu essa lei. 32Porquê? Porque não a procurou através da fé, mas através das obras. Esbarraram na pedra de tropeço, 33conforme diz a Escritura: «Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, uma pedra de escândalo; mas quem acreditar nela não será confundido».
-------------------------------------------reflexão-------------------------------------------- 9,1-5: Nos capítulos 9-11, Paulo analisa a situação do povo de Israel, procurando responder à difícil questão: «Não é uma contradição o facto de o próprio povo escolhido, portador da História da salvação, ter rejeitado Jesus e se ter excluído da salvação?» Este problema escandalizava judeus e pagãos e comprometia o êxito do Evangelho. 6-13: Os privilégios ou promessas de Deus a Israel não falharam. O verdadeiro Israel, herdeiro das promessas, não são os filhos carnais de Abraão, mas aqueles que têm fé, como ele teve. Além disso, Deus escolhe quem Ele quer para o colocar ao seu serviço, a fim de assegurar a realização do seu projecto na História.
14-29: Neste texto não devemos procurar uma doutrina fatalista sobre a predestinação. Paulo apenas salienta os imprevisíveis chamamentos de Deus, que age soberanamente, escolhendo homens e povos como instrumentos do seu projecto. Ao escolher, Deus é soberanamente livre; não é obrigado nem a ter misericórdia nem a punir. Isto não quer dizer que Deus seja injusto. Um vaso reclama contra o oleiro? Pode o homem pedir contas a Deus? Os profetas anunciaram tanto a salvação dos pagãos como a eleição de Israel. 9,30-10,4: Ao procurar a salvação numa Lei, os judeus entraram num beco sem saída: não foram capazes de observar nem de compreender que a finalidade e realização dessa Lei era Jesus Cristo. Os pagãos, sem o instrumento da Lei, passaram directamente para a fé em Jesus Cristo; Ele é a finalidade e realização da Lei: Ele é o único apoio seguro para se alcançar a salvação.
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António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO VIII

CAP. VIII - RM - 1-39 e reflexão sobre os versículos 8 A vida no Espírito
1Agora, porém, já não existe nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. 2A lei do Espírito, que dá a vida em Jesus Cristo, libertou-nos da lei do pecado e da morte. 3Deus tornou possível aquilo que para a Lei era impossível, porque os instintos egoístas tornaram-na impotente. Ele enviou o seu próprio Filho numa condição semelhante à do pecado, em vista do pecado, e assim condenou o pecado na sua carne mortal. 4Deus fez isto para que a justiça exigida pela Lei se realizasse em nós, que vivemos segundo o Espírito e não sob o domínio dos instintos egoístas. 5Os que vivem segundo os instintos egoístas inclinam-se para os instintos egoístas; mas os que vivem segundo o Espírito inclinam-se para aquilo que é próprio do Espírito. 6Os desejos dos instintos egoístas levam à morte; enquanto os desejos do Espírito levam à vida e à paz. 7De facto, os desejos dos instintos egoístas estão em revolta contra Deus, porque não se submetem à Lei de Deus; e nem podem, 8porque os que vivem segundo os instintos egoístas não podem agradar a Deus. 9Uma vez que o Espírito de Deus habita em vós, já não estais sob o domínio dos instintos egoístas, mas sob o Espírito, pois quem não tem o Espírito de Cristo não Lhe pertence. 10Se Cristo está em vós, o corpo está morto por causa do pecado, e o Espírito é vida por causa da justiça. 11Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Aquele que ressuscitou Cristo dos mortos também dará a vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que habita em vós. 12Portanto, irmãos, nós somos devedores, mas não dos instintos egoístas para vivermos de acordo comeles. 13Se viveis segundo os instintos egoístas, morrereis; mas se com a ajuda do Espírito fazeis morrer as obras do corpo, vivereis.
Filhos e herdeiros 14Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15Vós não recebestes um Espírito de escravos para recair no medo, mas recebestes um Espírito de filhos adoptivos, por meio do qual clamamos: Abbá! Pai! 16O próprio Espírito assegura ao nosso espírito que somos filhos de Deus. 17E, se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus, herdeiros com Cristo, uma vez que, tendo participado nos seus sofrimentos, também participaremos da sua glória. Esperando um mundo novo — 18Penso que os sofrimentos do momento presente não se comparam com a glória futura que deverá ser revelada em nós. 19A própria Criação espera com impaciência a manifestação dos filhos de Deus. 20Entregue ao poder do nada — não por sua própria vontade, mas por vontade d’Aquele que a submeteu — a Criação abriga a esperança, 21pois ela também será liberta da escravidão da corrupção, para participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. 22Sabemos que toda a Criação tem gemido e sofrido dores de parto até agora. 23E não somente ela, mas também nós, que possuímos os primeiros frutos do Espírito, gememos no íntimo, esperando a adopção, a libertação do nosso corpo. 24Na esperança, já fomos salvos. Ver o que se espera, já não é esperar: como se pode esperar o que já se vê? 25Mas, se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos. 26Do mesmo modo, também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois nem sabemos o que nos convém pedir; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E Aquele que sonda os corações sabe quais são os desejos do Espírito, pois o Espírito intercede pelos cristãos de acordo com a vontade de Deus.
O projecto de Deus 28Sabemos que todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu projecto. 29Aqueles que Deus antecipadamente conheceu, também os predestinou a serem conformes à imagem do seu Filho, para que Este fosse o primogénito entre muitos irmãos. 30E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos. E aos que tornou justos, também os glorificou.
Ninguém pode impedir o projecto de Deus 31O que nos resta dizer? Se Deus está a nosso favor, quem estará contra nós? 32Ele não poupou o seu próprio Filho, mas entregou-O por todos nós. Como não havia de nos dar também todas as coisas com o seu Filho? 33Quem acusará os escolhidos de Deus? É Deus quem torna justo! 34Quem condenará? Jesus Cristo? Ele que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à direita de Deus e intercede por nós? 35Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? 36Como diz a Escritura: «Por tua causa somos entregues à morte o dia inteiro, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro». 37Mas, em todas estas coisas somos mais do que vencedores por meio d’Aquele que nos amou. 38Estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes 39nem as forças das alturas ou das profundidades, nem qualquer outra criatura, nada nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor. -----------------------------------------------reflexão----------------------------------------8,1-13: A libertação do homem foi realizada por Cristo não como acto vindo de fora, mas como obra que se realiza a partir de dentro. Cristo encarnou, trazendo o Espírito de Deus para dentro da própria condição humana, que é dominada pelo egoísmo. Deste modo, o homem pode seguir a Cristo que passou da morte para a ressurreição, passando do egoísmo para a doação de si aos outros. A entrada do Espírito de Deus no homem, através de Cristo, determina uma renovação, pela qual o homem sente, pensa e age conforme a vontade de Deus. Em lugar da lei dos instintos egoístas, surge a «lei do Espírito que dá a vida». Trata-se de um novo dinamismo interior que, com a própria força de Deus, liberta o homem da tirânica «lei do pecado e da morte». Em lugar do pecado ou egoísmo, que determina o ser e o agir do homem, existe agora o Espírito ou Amor; em lugar da morte, existe a vida. A unidade entre querer o bem e realizá-lo é recomposta. A situação desesperadora do homem é superada. Com isso, as relações sociais podem ser refeitas e a estrutura social injusta e opressora pode ser vencida. 14-17: Contrapondo-se ao egoísmo, a acção do Espírito cria um novo tipo de relacionamento dos homens entre si e com Deus: a relação de família. Agora podemos chamar Pai a Deus, pois somos seus filhos. E isto é a base para as relações sociais recompostas: o clima de família alastra-se, porque todos são irmãos. A herança prometida por Deus aos «que são guiados pelo Espírito» consiste em participar no Reino. Mas isto implica a seriedade de um testemunho, como o de Jesus Cristo. 18-27: A luta contra o egoísmo é possível para aqueles que entraram no âmbito do Espírito. Esta luta não terminou, mas está em contínuo processo: vivemos na esperança de conseguir a vitória final. Este anseio é universal e expressa-se nos clamores da Natureza e do homem. A Natureza espera ser libertada do uso egoísta, para ser partilhada e colocada ao serviço de todos. Os homens esperam ser libertos de toda a exploração e opressão que escravizam os seus corpos, a fim de sempre mais se colocarem gratuitamente ao serviço dos irmãos. Entretanto, a salvação plena é uma realidade futura e inimaginável. Cegos pelo sistema egoísta, muitas vezes não conseguimos ver o caminho. É o clamor do Espírito que nos dirige então, orientando-nos conforme a vontade de Deus. 28-30: O projecto eterno de Deus é predestinar, chamar, tornar justo e glorificar a cada um e a todos os homens, fazendo com que todos se tornem imagem de seu Filho e se reúnam como a grande família de Deus. O projecto não exclui ninguém. Mas o homem é livre: pode aceitar ou recusar tal projecto, pode escolher a vida ou a morte, salvar-se ou condenar-se. 31-39: Como o amor de Deus, manifestado em seu Filho, nada mais temos a temer: nem dificuldades, nem perseguições, nem martírio, nem qualquer forma de dominação. Nada poderá desfazer oque Deus já realizou. Nada poderá impedir o testemunho dos cristãos. E nada poderá opor-se à plena realização do projecto de Deus.
segue-se Capítulo IX António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO VII

CAP. VII - RM - 1-25 e reflexão sobre os versículos 7 O cristão liberto da Lei
1Ou não sabeis, irmãos, — falo a pessoas competentes em matéria de lei — que a lei tem domínio sobre alguém só enquanto ele vive? 2Por exemplo: a mulher casada está ligada por lei ao marido enquanto este vive; mas, se ele morre, ela fica livre da lei conjugal. 3Por isso, enquanto o marido está vivo, se ela se tornar mulher de outro homem, será chamada adúltera. Mas, se o marido morre, está livre em relação à lei, de modo que não será adúltera se casar com outro homem. 4Meus irmãos, o mesmo acontece convosco: pelo corpo de Cristo, morrestes para a Lei, a fim de pertencerdes a outro, que ressuscitou dos mortos, e assim produzirdes frutos para Deus. 5De facto, quando vivíamos submetidos a instintos egoístas, as paixões pecaminosas serviam-se da Lei para agir em nossos membros, a fim de que produzíssemos frutos para a morte. 6Mas agora, morrendo para aquilo que nos aprisionava, fomos libertos da Lei, a fim de servirmos sob oregime novo do Espírito, e não sob o velho regime da letra.A lei e o pecado 7Que diremos então? Que a Lei é pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado se não existisse a Lei, nem teria conhecido a cobiça se a Lei não tivesse dito: «Não cobiçarás». 8Mas o pecado aproveitou a ocasião desse mandamento e despertou em mim toda a espécie de cobiça, porque, sem a Lei, o pecado está morto. 9Antes eu vivia sem a Lei; mas, quando veio o mandamento, o pecado reviveu, 10e eu morri. O mandamento que devia dar a vida tornou-se para mim motivo de morte. 11Porque o pecado aproveitou a ocasião do mandamento, seduziu-me e, através dele, matou-me. 12A Lei é santa e o mandamento é santo, justo e bom. 13Então uma coisa boa transformou-se em morte para mim? De modo nenhum! Foi o pecado que fez isso. Pois o pecado, através do que é bom, produziu em mim a morte, a fim de que o pecado, por meio do mandamento, aparecesse em toda a sua gravidade.
A força do pecado
14Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou humano e fraco, vendido como escravo ao pecado. 15Não consigo entender nem mesmo o que faço; pois não faço aquilo que quero, mas aquilo que mais detesto. 16Ora, se faço o que não quero, reconheço que a Lei é boa; 17portanto, não sou eu que faço, mas é o pecado que mora em mim. 18Sei que o bem não mora em mim, isto é, nos meus instintos egoístas. O querer o bem está em mim, mas não sou capaz de fazê-lo. 19Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero. 20Ora, se faço aquilo que não quero, não sou eu que o faço, mas é o pecado que mora em mim. 21Assim, encontro em mim esta lei: quando quero fazer o bem, acabo por encontrar o mal. 22No meu íntimo, eu amo a Lei de Deus; 23mas vejo nos meus membros outra lei que luta contra a lei da minha razão e que me torna escravo da lei do pecado que está nos meus membros. 24Infeliz de mim! Quem me libertará deste corpo de morte? 25Sejam dadas graças a Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, pela razão sirvo a Lei de Deus, mas pelos instintos egoístas sirvo a lei do pecado.
---------------------------reflexão------------------------------------------------------------1-6: Paulo repete o seu pensamento, usando agora uma comparação. Quando morre o marido, a mulher fica livre da lei que a unia a ele. Com o cristão sucede a mesma coisa: pelo baptismo fica livre da Lei, pois morreu com Cristo para o pecado e ressuscitou para uma vida nova. Os «instintos egoístas» (literalmente «carne») são os desejos e projectos do homem fechado no seu egoísmo, fonte de todos os pecados: é a vida do homem voltado para si mesmo, colocando tudo ao serviço dos próprios caprichos e interesses. Daí nasce a corrupção das relações humanas e a promoção de um sistema social que institucionaliza as relações injustas, nas quais um homem explora e oprime o outro. O regime novo do Espírito é precisamente o contrário: a exemplo de Jesus Cristo, o homem não vive já para si, mas para Deus e para o bem do outro. O projecto de Deus, que é justiça e fraternidade entre os homens, torna-se o projecto de uma nova ordem social, e esta supera o sistema injusto. 7-13: A Lei de Moisés é santa, justa e boa, porque a sua finalidade é corrigir os erros de uma sociedade injusta e, assim, construir uma sociedade nova. Como lei, porém, ela só pode prescrever isto e proibir aquilo, sem eliminar o egoísmo, o pecado que é a raiz da estrutura social injusta. Pelo contrário, ordenando e proibindo, a Lei dá a consciência dos erros e provoca ainda mais o egoísmo, fazendo com que o homem desobedeça conscientemente à Lei a que deveria obedecer. 14-25: Usando o artifício de falar em primeira pessoa, Paulo convida cada um de nós a olhar para si mesmo e para a sociedade, a fim de descobrir o drama que se desenrola dentro da condição humana. O homem está dividido entre o egoísmo e o amor, entre servir a si mesmo e servir os outros. Mas o egoísmo predomina e, através da presença e da acção de cada um, acaba por alastrar e perverter as relações sociais. A sociedade torna-se então desumana, injusta e perversa. Quem poderá libertar-nos deste «corpo de morte»?
segue-se Capítulo VIII António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO VI

CAP. VI - RM - 1-23 e reflexão sobre os versículos 6 Morte e vida com Jesus Cristo
1Que diremos então? Devemos permanecer no pecado para que haja abundância da graça? 2De modo nenhum! Uma vez que já morremos para o pecado, como poderíamos ainda viver no pecado? 3Ou não sabeis que todos nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte? 4Pelo baptismo fomos sepultados com Ele na morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos por meio da glória do Pai, assim também nós possamos caminhar numa vida nova. 5Se permanecermos completamente unidos a Cristo com morte semelhante à sua, também permaneceremos com ressurreição semelhante à d’Ele. 6Sabemos muito bem que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que o corpo de pecado fosse destruído e assim já não sejamos mais escravos do pecado. 7De facto, quem está morto está livre do pecado. 8Mas, se estamos mortos com Cristo, acreditamos que também viveremos com Ele, 9pois sabemos que Cristo, ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte já não tem poder sobre Ele. 10Porque, morrendo, Cristo morreu de uma vez por todas para o pecado; vivendo, Ele vive para Deus. 11Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo. Instrumentos da justiça e da vida 12Que o pecado não reine no vosso corpo mortal, submetendo-vos às suas paixões. 13Não ofereçais os membros como instrumento de injustiça para o pecado. Pelo contrário, oferecei-vos a Deus como pessoas vivas, que voltaram dos mortos; e oferecei os membros como instrumento da justiça para Deus. 14Pois o pecado não vos dominará nunca mais, porque já não estais debaixo da Lei, mas sob a graça. Escravos de Deus e da justiça 15E daí? Devemos cometer pecados, porque já não estamos debaixo da Lei, mas sob a graça? De modo nenhum!16Não sabeis que, oferecendo-vos a alguém como escravos para lhe obedecerdes, vos tornais escravos daquele a quem obedeceis, seja do pecado que leva à morte, seja da obediência que conduz à justiça? 17Damos graças a Deus, porque éreis escravos do pecado, mas obedecestes de coração ao ensinamento básico que vos foi transmitido. 18Assim, livres do pecado, tornastes-vos escravos da justiça. 19Falo com palavras simples por causa da vossa fraqueza. Assim como antes colocastes os vossos membros ao serviço da imoralidade e da desordem que conduzem à revolta contra Deus, agora ponde os vossos membros ao serviço da justiça para a vossa santificação. 20Quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação à justiça. 21Que frutos colhestes então? Frutos de que agora vos envergonhais, pois o seu fim é a morte. 22Mas agora, livres do pecado e tornados escravos de Deus, dais frutos que conduzem à santificação e o fim deles é a vida eterna. 23Pois a morte é o salário do pecado, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Jesus Cristo, nosso Senhor. ------------------------------------------------reflexão--------------------------------------- 6 ,1-11: Jesus foi morto por um sistema social injusto, pecaminoso e mortal. Mas Deus ressuscitou-O para sempre, condenando assim o sistema que matou Jesus. Pela fé e o baptismo, o cristão participa na morte e ressurreição de Jesus. Por outras palavras, cristão é aquele quepassa por uma transformação radical: rompe com o sistema pecaminoso, gerador de injustiça e morte, e ressuscita para viver uma vida nova, a fim de construir uma sociedade nova que promova a justiça e a vida. 12-14: Ressuscitando para viver sob o regime da graça concedida por Deus através de Jesus Cristo, os cristãos devem viver em clima de conversão, de contínua passagem da morte para a vida. Trata-se de não mais se prestarem como instrumentos de uma sociedade que produz injustiça e morte, mas de se entregarem ao serviço de Deus, oferecendo-se a si mesmos como instrumentos que realizem o projecto de Deus na História. Por outras palavras: entregar-se de corpo e alma à luta para implantar um sistema social, em que a justiça e a vida sejam o centro e o fundamento. Sobre os cristãos o pecado nunca mais terá voz nem poder. 15-23: Paulo radicaliza o que disse antes: o cristão não deve ser apenas instrumento, mas escravo de Deus e da justiça; deve ser alguém que se empenha total e exclusivamente na realização do projecto de Deus. E, nesse serviço, não existe relação comercial, como no pecado: a recompensa é dom gratuito de Deus, que é a própria vida.
segue-se capítulo 7
António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO V

CAP. V - RM - 1-21 e reflexão sobre os versículos 5 O motivo da nossa esperança
1Assim, justificados pela fé, estamos em paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. 2Por meio d’Ele e através da fé, temos acesso à graça, em que nos mantemos e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. 3E não só isso. Nós gloriamo-nos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, 4a perseverança produz a fidelidade comprovada, e a fidelidade comprovada produz a esperança. 5E a esperança não engana, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6De facto, quando ainda éramos fracos, Cristo, no momento oportuno, morreu pelos ímpios. 7Dificilmente se encontra alguém disposto a morrer em favor de um justo; talvez haja alguém que tenha coragem de morrer por um homem de bem. 8Mas Deus demonstra o seu amor para connosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 9Assim, tornados justos pelo sangue de Cristo, com maior razão seremos salvos da ira por meio d’Ele. 10Se quando éramos inimigos fomos reconciliados com Deus por meio da morte do seu Filho, muito mais agora, já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. 11E não só isso. Também nos gloriamos em Deus obtivemos agora a reconciliação.A vida supera a morte 12Assim como o pecado entrou no mundo através de um só homem e com o pecado veio a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram. 13De facto, já antes da Lei existia pecado no mundo, embora o pecado não possa ser levado em conta quando não existe Lei. 14Ora, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não haviam pecado, cometendo uma transgressão igual à de Adão, que é figura d’Aquele que devia vir. 15O dom da graça, porém, não é como a falta. Se todos morreram devido à falta de um só, muito mais abundantemente se derramou sobre todos a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo. 16Também não acontece com o dom da graça, como aconteceu com o pecado de um só que pecou: a partir do pecado de um só, o julgamento levou à condenação, enquanto que, a partir de numerosas faltas, o dom da graça levou à justificação. 17Porque se através de um só homem reinou a morte por causa da falta de um só, com muito mais razão reinarão na vida aqueles que recebem a abundância da graça e do dom da justiça, por meio de um só: Jesus Cristo. 18Portanto, assim como pela falta de um só resultou a condenação para todos os homens, do mesmo modo foi pela justiça de um só que resultou para todos os homens a justificação que dá a vida. 19Assim como, pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores, do mesmo modo, pela obediência de um só, todos se tornarão justos. 20A Lei sobreveio para dar plena consciência da falta; mas, onde foi grande o pecado, foi bem maior a graça, 21para que, assim como o pecado havia reinado através da morte, do mesmo modo a graça reine através da justiça para a vida eterna, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. --------------------reflexão------------------------------------------------------------------- 5 ,1-11: Justificados pela fé em Jesus Cristo, estamos em paz com Deus; por isso, começamos a viver a esperança da salvação. Essa esperança é vivida no meio de uma luta perseverante, ancorada na certeza, garantida pelo Espírito Santo que nos foi dado (vv. 1-5). Deus manifestou o seu amor em Jesus Cristo, que morreu por nós quando ainda éramos pecadores (vv. 6-8). Agora que já fomos reconciliados podemos crer com maior razão e esperar que seremos salvos pela vida-ressurreição de Jesus (vv. 9-11). O termo «tribulação», que aparece muitas vezes no Novo Testamento, refere-se às opressões e repressões de que é vítima o povo de Deus. Opressões e repressões por parte dos poderes humanos, que procuram reduzir o alcance do testemunho cristão para que não abale a estrutura vigente na sociedade. 12-21: Paulo contrapõe duas figuras, dois reinos e duas consequências: Adão-Cristo, pecado-graça; morte-vida. Adão é o início e a personificação da humanidade mergulhada no reino do pecado e que caminha para a morte; Cristo, o novo Adão, é início e personificação da Humanidade introduzida no reino da graça e que caminha para a vida. Paulo não está interessado nas semelhanças entre Cristo e Adão. Ele contrapõe-os, apenas para mostrar a supremacia de Cristo e do reino da graça sobre Adão e o reino do pecado; pois o dom de Deus supera de longe o pecado dos homens.

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO 4

CAP. IV - RM - 1-31 e reflexão sobre os versículos 4 Abraão, pai dos que têm fé
1E m vista disto, que vantagem podemos dizer que obteve Abraão, pai da nossa raça? 2Se Abraão se tornou justo pelas suas obras, tem algo de que se gloriar, mas não diante de Deus. 3De facto, o que diz a Escritura? «Abraão teve fé em Deus, e isso foi-lhe creditado como justiça». 4Para quem trabalha, o salário não é considerado como gratificação, mas como dívida; 5para quem não trabalha, mas acredita n’Aquele que torna justo o ímpio, a sua fé é-lhe creditada como justiça. 6É desse modo que David proclama feliz o homem a quem Deus credita a justiça, independentemente das obras: 7«Felizes aqueles cujas ofensas foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos. 8Feliz o homem a quem o Senhor não leva em conta o pecado». 9Essa felicidade é só para os circuncidados ou é também para os não circuncidados? Nós dizemos que a fé foi creditada a Abraão como justiça. 10Mas, quando é que lhe foi creditada? Quando já era circuncidado, ou quando ainda não era? Certamente não depois da circuncisão, mas antes. 11De facto, ele recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça que vem da fé, que ele já tinha obtido quando ainda não era circuncidado. Assim é que ele se tornou pai de todos os não circuncidados que acreditam, para que a justiça fosse creditada também para estes; 12e tornou-se pai também dos circuncidados, daqueles que não só receberam a circuncisão, mas que também seguem o caminho da fé percorrido por Abraão, nosso pai, antes de ter sido circuncidado. Os herdeiros de Abraão 13Não foi por causa da Lei, mas por causa da justiça da fé que a promessa de receber o mundo em herança foi feita a Abraão ou à sua descendência. 14Se os herdeiros recebem a herança por causa da Lei, a fé não tem sentido e a promessa fica anulada. 15De facto, a Lei provoca a ira; mas, onde não há Lei, também não há transgressão. 16A herança, portanto, vem através da fé, para que seja gratuita e para que a promessa seja garantida a toda a descendência, não só à descendência segundo a Lei, mas também à descendência segundo a fé de Abraão, que é o pai de todos nós. 17De facto, a Escritura diz: «Constituí-te pai de muitas nações». Abraão é o nosso pai perante Aquele em quem acreditou, o Deus que dá vida aos mortos e que chama à existência aquilo que não existe. O que é ter fé 18Esperando contra toda a esperança, Abraão acreditou e tornou-se o pai de muitas nações, conforme lhe foi dito: «Assim será a tua descendência». 19Ele não fraquejou na fé, embora já visse o próprio corpo sem vigor — ele tinha quase cem anos — e o ventre de Sara já estivesse amortecido. 20Diante da promessa divina, não duvidou, mas foi fortalecido pela fé e deu glória a Deus. 21Ele estava plenamente convencido de que Deus podia realizar o que havia prometido. 22Eis o motivo pelo qual isso lhe foi creditado como justiça. 23Ora, não é para um só que está escrito: «Isso foi-lhe creditado»; 24mas também para nós. Será igualmente creditado para nós, pois acreditamos n’Aquele que ressuscitou dos mortos, Jesus nosso Senhor, 25o qual foi entregue à morte pelos nossos pecados e foi ressuscitado para nos tornar justos.
----------------------------------------------reflexão-----------------------------------------4 ,1-12: Abraão, antepassado dos judeus, é o exemplo da gratuidade da fé. Ele foi considerado justo, não por ter realizado obras, mas porque acreditou em Deus, como diz David no Salmo 32. Abraão foi justificado antes de ser circuncidado, e a circuncisão tornou-se um sinal externo da justiça que ele já tinha recebido através da fé. Portanto Abraão é pai de todos os que têm fé, tanto judeus como pagãos. 13-17: Em vista da justiça que vem da fé, Abraão recebeu gratuitamente de Deus a promessa de se tornar herdeiro do mundo. Ora, a promessa feita a Abraão permanece e é transmitida como herança aos seus descendentes. Todavia, os autênticos descendentes e herdeiros são aqueles que Deus justifica através da fé, como fez com Abraão, e não os que se limitam a observar a Lei. 18-25: Ter fé e entregar a própria vida a Deus é esperar contra toda a esperança. Abraão acreditou que ia ser pai quando a sua velhice e a esterilidade de Sara diziam o contrário. A justiça de Abraão é a fé confiante de que Deus pode realizar tudo o que promete. Nós também somos justificados por Deus quando acreditamos que Ele ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos, para nos livrar da morte do pecado e nos dar a vida nova. segue-se CAP 5
António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO II

CAP. II - 1-28
e reflexão sobre os versículos
2 A condição do povo judeu não é melhor
1Homem, tu julgas os outros? Quem quer que tu sejas, não tens desculpa. Pois, se julgas os outros e fazes o mesmo que eles fazem, condenas-te a ti próprio. 2Sabemos, porém, que Deus é justo quando condena os que praticam tais coisas. 3Mas tu, que fazes as mesmas coisas que condenas nos outros, pensas que escaparás ao julgamento de Deus? 4Ou será que desprezas a riqueza da bondade de Deus, da sua paciência e generosidade, desconhecendo que a sua bondade te convida à conversão? 5Pela teimosia e dureza de coração, estás amontoando ira contra ti mesmo para o dia da ira, quando o justo julgamento de Deus se vai revelar, 6retribuindo a cada um conforme as suas próprias acções: 7a vida eterna para aqueles que perseveram na prática do bem, buscando a glória, a honra e a imortalidade; 8pelo contrário, ira e indignação para aqueles que se revoltam e rejeitam a verdade, para obedecerem à injustiça. 9Haverá tribulação e angústia para todo aquele que pratica o mal, primeiro para o judeu, depois para o grego.10Mas haverá glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem, primeiro para o judeu, depois para o grego. 11Pois Deus não faz distinção de pessoas. A Lei não melhora a situação — 12Todos os que pecaram sem a Lei, sem a Lei também perecerão. Todos os que pecaram sob o regime da Lei, pela Lei serão julgados. 13Pois não são aqueles que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas aqueles que praticam o que a Lei manda. 14Os pagãos não têm a Lei. Mas, embora não a tenham, se fazem espontaneamente o que a Lei manda, eles próprios são Lei para si mesmos. 15Assim mostram que os preceitos da Lei estão escritos nos seus corações; a sua consciência também testemunha isso, assim como os julgamentos interiores, que ora os condenam, ora os aprovam. 16É o que vai acontecer no dia em que Deus, segundo o meu Evangelho, vai julgar, por meiode Jesus Cristo, o comportamento secreto dos homens. 17Tu que te dizes judeu, que te apoias sobre a Lei e que colocas o teu orgulho em Deus; 18tu, que conheces a vontade de Deus e que, instruído pela Lei, sabes distinguir o que é melhor; 19tu, que estás convencido de ser o guia dos cegos, a luz daqueles que estão nas trevas, 20o educador dos ignorantes, o mestre das pessoas simples, porque possuis na Lei a própria expressão do conhecimento e da verdade... 21Muito bem! Ensinas aos outros e não ensinas a ti próprio! Pregas que não se deve roubar, e tu mesmo roubas! 22Proíbes o adultério, e tu mesmo o cometes! Odeias os ídolos, mas roubas os objectos dos templos!23Glorias-te da Lei, mas desonras a Deus, transgredindo a Lei! 24Assim diz a Escritura: «Por vossa causa, o Nome de Deus é blasfemado entre os pagãos». Nem a circuncisão pode salvar 25A circuncisão é útil quando praticas a Lei; mas, se desobedeces à Lei, é como se não estivesses circuncidado. 26Se um pagão não circuncidado observa os preceitos da Lei, não será tido como circuncidado, ainda que não o seja? 27E o pagão que cumpre a Lei, embora não circuncidado fisicamente, julgar-te-á a ti que desobedeces à Lei, embora tenhas a Lei escrita e a circuncisão. 28De facto, aquilo que faz o judeu não é o que se vê, nem é a marca 3 ,1-8: Judeus e pagãos estão sob o domínio do pecado. Apesar disso, os judeus são privilegiados em relação aos pagãos, pois são portadores e guardiães da revelação do Deus verdadeiro e participam da aliança com Ele. A sua infidelidade revela mais ainda a fidelidade de visível na carne que faz a circuncisão. 29Pelo contrário, o que faz o judeu é aquilo que está escondido, e circuncisão é a do coração; e isso vem do espírito e não da letra da Lei. Tal homem recebe aprovação, não dos homens, mas de Deus. --------------------------------------------reflexão------------------------------------------- 2 ,1-11: Paulo analisa agora o sistema de vida dos judeus. Ele é mais severo ainda, e mostra que o judeu não tem força moral para julgar o pagão. De facto, os judeus receberam a revelação e conhecem a vontade de Deus. Apesar disso, vivem praticamente como os pagãos. Por isso, o julgamento torna-se para eles ainda mais rigoroso (vv. 1-5). De nada adianta professar a fé com palavras e ideias, porque Deus, ao julgar, leva em conta aquilo que o homem pratica, as suas acções concretas (vv. 6-10), sem fazer diferença entre as pessoas. 12-24: Os judeus orgulhosamente consideram-se superiores aos pagãos, por terem a Lei de Moisés, revelada pelo próprio Deus. No entanto, Paulo mostra que a situação de judeus e pagãos é igual: os judeus serão julgados pela Lei, porque a conhecem; os pagãos serão julgados de acordo com a própria consciência. Não basta conhecer a Lei. O importante é fazer o que a Lei manda. Por isso, diz Paulo, muitos pagãos não conhecem a Lei, mas, na vida prática, fazem o que a Lei exige; por isso, são melhores que os judeus, que conhecem a Lei mas não a praticam. Além do mais, com a sua hipocrisia, os judeus acabam por infamar o próprio Deus (v. 24). 25-29: A circuncisão, uma espécie de operação à fimose, era um sinal externo de pertença ao povo de Deus. Os judeus orgulhavam-se dessa marca física e desprezavam os pagãos, chamando-os «incircuncisos». Paulo mostra que a circuncisão, por si mesma, de nada vale; pois um pagão não circuncidado, que faz o que a Lei manda, é melhor do que o judeu, e até se torna juiz de um circuncidado que não observa a Lei. A circuncisão e a Lei só têm valor quando são de facto sinal de justiça e rectidão. O que importa é o sentido de justiça e de fidelidade a Deus; e isso exprime-se numa prática de vida.
a seguir 3º Capítulo António Fonseca

CARTA AOS ROMANOS - CAPÍTULO 3

CAP. III - RM - 1-31 e reflexão sobre os versículos
3
Privilégio e responsabilidade dos judeus
1Então, qual é a superioridade do judeu? Qual é a utilidade da circuncisão? 2Muita, sob todos os aspectos. Em primeiro lugar, porque as revelações de Deus foram confiadas aos judeus. 3E daí? Alguns deles negaram a fé. A sua incredulidade não anula a fidelidade de Deus? 4De modo nenhum! Antes, fica confirmado que Deus é verdadeiro, enquanto todo o homem é mentiroso, conforme diz a Escritura: «Para que sejas reconhecido como justo nas tuas palavras e triunfes quando fores julgado». 5Se a nossa injustiça realça a justiça de Deus, o que é que podemos dizer? Que Deus é injusto, quando descarrega sobre nós a sua ira? Falo como os homens costumam falar. 6De maneira alguma! Se assim fosse, como poderia Deus julgar o mundo? 7Mas se através da minha mentira resplandece mais a verdade de Deus para sua glória, então porque sou julgado como pecador? 8Porque não haveríamos de fazer o mal, para que venha o bem? Aliás, alguns caluniadores afirmam que nós ensinamos isso. Essas pessoas merecem condenação. Todos são pecadores 9E então? Nós, judeus, somos porventura superiores? De modo nenhum! Pois acabámos de provar que todos estão debaixo do império do pecado, tanto os judeus como os gregos, 10como diz a Escritura: 11Não há homem justo, não há um sequer. Não há homem sensato, não há quem busque a Deus.12Todos se desviaram, e juntos se corromperam; não há quem faça o bem, não há um sequer.13A sua garganta é um túmulo aberto, com a língua armam ciladas; em seus lábios há veneno de cobra. 14A sua boca está cheia de maldições e de amargor. 15Os seus pés são velozes para derramar sangue; 16ruína e desgraça enchem os seus caminhos. 17Não conhecem o caminho da paz, 18e não aprenderam a temer a Deus. 19Sabemos que tudo o que a Lei diz se aplica aos que vivem debaixo da Lei. Isso para que todos calem a boca e o mundo inteiro se reconheça culpado diante de Deus. 20Porque ninguém se tornará justo diante de Deus através da observância da Lei, pois a função da Lei é dar consciência do pecado. A justiça pela fé 21Agora, porém, independente da Lei, manifestou-se a justiça de Deus, testemunhada pela Lei e pelos Profetas. 22A justiça de Deus realiza-se através da fé em Jesus Cristo, para todos aqueles que acreditam. E não há distinção: 23todos pecaram e estão privados da glória de Deus, 24mas tornam-se justos gratuitamente pela sua graça, mediante a libertação realizada por meio de Jesus Cristo. 25Deus destinou-O a ser a vítima que, mediante o seu próprio sangue, nos consegue o perdão, contanto que acreditemos. Assim Deus manifestou a sua justiça, pois antes deixava pecar sem intervir: 26eram os tempos da paciência de Deus. Mas, no tempo presente, Ele manifesta a sua justiça para ser justo e para tornar justo quem tem fé em Jesus. Só a fé nos torna justos 27Então, onde está o motivo de se gloriar? Foi eliminado. Por qual lei? Pela lei das obras? Não, pela lei da fé. 28Pois esta é a nossa tese: o homem torna-se justo através da fé, sem a observância da Lei. 29Então, será que Deus só é Deus dos judeus? Não será também Deus dos pagãos? Sim, Ele é Deus também dos pagãos. 30De facto, há um só Deus que justifica, pela fé, tanto os circuncidados como os não circuncidados. 31Então, pela fé anulamos a Lei? De modo nenhum! Pelo contrário, nós confirmamo-la.
----------------------------------------------reflexão-----------------------------------------Deus (vv. 1-4). Contudo, os judeus são responsáveis pelos próprios pecados, e Deus tem o direito de os julgar (vv. 5-8). 9-20: Apesar de privilegiados, os judeus não podem orgulhar-se em relação aos pagãos, porque segundo a Escritura todos os homens são pecadores (vv. 9--19). Paulo afirma que a observância da Lei não torna ninguém justo, pois a função da Lei é apenas tornar o homem consciente do seu próprio pecado. De facto, as leis aparecem quando há exageros ou desvios; elas apresentam uma norma a ser observada, mas não dão nenhuma força nova para superar a origem dos exageros e desvios (v. 20). 21-26: A força nova para superar a origem dos exageros e desvios é o projecto de Deus, testemunhado pelo Antigo Testamento (Lei e Profetas) e realizado em Jesus Cristo. Pela sua misericórdia e fidelidade, Deus liberta do pecado todos os homens. E isso é dom gratuito, é amnistia geral que, para se concretizar na vida dos homens, espera apenas a resposta da fé.
A SEGUIR CAP. IV António Fonseca