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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP XII - S. PAULO

12
Uma experiência extraordinária
1É preciso gabar-se? Embora não convenha, vou mencionar as visões e revelações do Senhor. 2Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu. Se estava em seu corpo, não sei; se fora do corpo, não sei, Deus o sabe. 3Sei apenas que esse homem — se no corpo ou fora do corpo não sei; Deus o sabe! — 4foi arrebatado até ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, que não são permitidas ao homem repetir. 5Quanto a esse homem, eu gabar-me-ei; mas quanto a mim, só vou gabar-me das minhas fraquezas. 6Se eu quisesse gabar-me, não seria louco, pois estaria a dizer a verdade. Mas não o faço, a fim de que ninguém tenha de mim conceito superior àquilo que vê em mim ou me ouve dizer.
Na fraqueza manifesta-se a força
7Para que eu não me inchasse de soberba por causa dessas revelações extraordinárias, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me espancar, a fim de que eu não me encha de soberba. 8Por esse motivo, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. 9Ele, porém, respondeu-me: «Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder». Portanto, com muito gosto, prefiro gabar-me das minhas fraquezas, para que a força de Cristo habite em mim. 10E é por isso que eu me alegro nas fraquezas, humilhações, necessidades, perseguições e angústias, por causa de Cristo. Pois, quando sou fraco, então é que sou forte.
Características de um Apóstolo
11Procedi como louco! Mas vós é que me forçastes a isso. Mas vós é que me devíeis recomendar. Pois, embora eu não seja coisa alguma, em nada esses «superapóstolos» são superiores a mim. 12De facto, realizaram-se entre vós os sinais do verdadeiro Apóstolo: paciência a toda a prova, sinais, milagres e prodígios. 13O que é que tivestes menos do que as outras Igrejas, se não o facto de que eu não fui pesado para vós? Perdoai-me esta injustiça! 14Estou pronto para ir ter convosco pela terceira vez. E não vos serei pesado, pois o que procuro não são os bens que possuís, mas vós mesmos. Não são os filhos que devem acumular bens para os pais, mas sim os pais para os filhos. 15Quanto a mim, de boa vontade me gastarei e me desgastarei totalmente em vosso favor. Será que dedicando-vos mais amor, serei por causa disso menos amado? 16«Tudo bem», dirão alguns. Eu não vos fui pesado, mas, esperto como sou, conquistei-vos com fraude! 17Acaso vos explorei através de algum daqueles que .... (*)
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12,1-6: Esta experiência talvez seja a base de toda a vida missionária de Paulo. Deve ter acontecido no ano 42, na Síria ou na Cilícia (cf. Act 11,25), cinco anos depois da conversão. Trata-se duma experiência espiritual, em que o Apóstolo contemplou a transcendência divina, que nenhuma palavra humana jamais poderá descrever.
7-10: Não se sabe ao certo ao que Paulo se refere quando fala de «espinho na carne». Trata-se talvez de alguma doença que multiplica as dificuldades da sua vida apostólica. Ele experimenta um paradoxo: é na sua fraqueza que se manifesta a força de Deus.
11-18: As características do verdadeiro apóstolo são: paciência a toda a prova, testemunho dado pela Palavra que se traduz em testemunho prático, acção desinteressada e gratuita, sinceridade e veracidade, dedicação total.
12,19-13,4: As agitações na comunidade agravaram o relaxamento que Paulo já lamentara na primeira carta. Agora está decidido a punir os culpados aplicando as medidas que são comuns em outras Igrejas (cf. Mt 18,16).
13,5-10: O essencial é que os Coríntios se convertam. Depois disso, a ameaça de intervenção com autoridade será apenas uma vaga lembrança. Se eles se converterem, Paulo não terá de usar o seu poder. Os Coríntios parecerão fortes, e Paulo fraco e derrotado, porque os adversários continuarão a dizer que as suas ameaças são puramente verbais. No entanto, ele não busca vitória nem sucesso pessoal; prefere a última hipótese, humilhante para ele, mas gloriosa para os fiéis.
ver http://diocese-porto.pt/ ver http://ecclesia.pt/anopaulino
(*) NOTA: Ao copiar a Carta aos Coríntios do site de http://ecclesia.pt/anopaulino e quando efectuava a sua transcrição para esta minha página, constatei que o último Capítulo ali indicado era o nº 12 relativo à 2ª carta, acima referida (que não está completa, como se verifica pelas (...) que ali coloco). Também no que se refere à "reflexão" verifica-se que vem descrita a referência 13,5.10 que igualmente copiei. O Capítulo XIII realmente não está publicado, pelo que peço as minhas desculpas. Possivelmente estará publicado por lapso noutra Carta. Verei posteriormente quando resolver transcrevê-las.
LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E SUA MÃE MARIA SANTÍSSIMA
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP XI - S. PAULO

11
Fidelidade ao único Senhor
1Oxalá pudésseis suportar um pouco da minha loucura! É claro que me suportais! 2Sinto por vós um ciúme semelhante ao ciúme de Deus. Eu entregueivos a um único esposo, a Cristo, a quem devo apresentar-vos como virgem pura. 3Receio, porém, que assim como a serpente, com a sua astúcia, seduziu Eva, os vossos pensamentos se corrompam, desviando-se da simplicidade devida a Cristo. 4De facto, se chega alguém e vos prega um Jesus diferente d’Aquele que vos pregámos, ou se vós acolheis um espírito diferente d’Aquele que recebestes, ou um evangelho diverso daquele que abraçastes, vós o suportais de bom grado. 5Todavia, não me considero inferior em coisa alguma a esses «superapóstolos!» 6Ainda que eu não seja hábil no falar, eu sou-o no saber. Em tudo e de todos os modos, já demonstrámos isso.
Acção pastoral desinteressada
7Será que foi um erro meu humilhar-me para vos exaltar, porque vos anunciei gratuitamente o Evangelho de Deus? 8Despojei outras Igrejas, recebendo delas o necessário para viver, a fim de vos servir. 9E quando passei necessidade entre vós, não fui pesado a ninguém, porque os irmãos que vieram da Macedónia supriram às minhas necessidades. Em tudo evitei ser-vos pesado e continuarei a evitá-lo. 10Pela verdade de Cristo que está em mim, declaro que esse título de glória não me será tirado nas regiões da Acaia. 11E porquê? Será porque não vos amo? Deus o sabe!
12O que faço, continuarei a fazê-lo, a fim de tirar qualquer pretexto àqueles que procuram algum para se gabarem dos mesmos títulos que nós temos. 13Esses tais são falsos apóstolos, operários fraudulentos, disfarçados de apóstolos de Cristo. 14E não é de estranhar! O próprio Satanás se disfarça em anjo de luz! 15Por isso, não me surpreendo de que os ministros de Satanás se disfarcem como servidores da justiça. Mas o fim deles corresponderá às suas obras.
Títulos que testemunham
16Repito: que ninguém me considere louco, ou então: que me suportem como louco, a fim de que também eu possa gabar-me um pouco. 17O que vou dizer, não o direi conforme o Senhor, mas como louco, certo de que tenho motivos para me gabar. 18Visto que muitos se gabam dos seus títulos humanos, também eu vou gabar-me. 19Vós, assim tão sensatos, suportais de boa vontade os loucos. 20E suportais que vos escravizem, que vos devorem, que vos despojem, que vos tratem com soberba, que vos esbofeteiem. 21Digo isto para vossa vergonha: até parece que nós é que somos fracos...
Aquilo que outros têm a ousadia de apresentarfalo como loucoeu também tenho.
22São hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São descendentes de Abraão? Eu também. 23São ministros de Cristo? Falo como louco: eu sou-o muito mais. Muito mais pelas fadigas; muito mais pelas prisões; infinitamente mais pelos açoites; frequentemente em perigo de morte; 24dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. 25Fui flagelado três vezes; uma vez fui apedrejado; três vezes naufraguei; passei um dia e uma noite no alto mar. 26Fiz muitas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos por parte dos meus irmãos de raça, perigos por parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos por parte dos falsos irmãos. 27Mais ainda: morto de cansaço, muitas noites sem dormir, fome e sede, muitos jejuns, com frio e sem agasalho. 28E isto para não contar o resto: a minha preocupação quotidiana, a atenção que tenho por todas as Igrejas. 29Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco? Quem cai, sem que eu me sinta com febre?
30Se é preciso gabar-se, é da minha fraqueza que vou gabar-me. 31O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito para sempre, sabe que não minto. 32Em Damasco, o governador do rei Aretas guardava a cidade dos damascenos com a intenção de me prender; 33mas fizeram-me descer de uma janela, ao longo da muralha, dentro de um cesto; e assim eu escapei das mãos dele.
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11,1-6: Como um pai conduz a filha ao noivo para o casamento, Paulo conduziu a comunidade de Corinto a Cristo. Agora ele teme que essa Igreja se deixe seduzir por falsos apóstolos, que apresentam evangelhos diferentes. A imagem do matrimónio exprime intimidade e pertença. Para o Apóstolo, cada comunidade está profundamente ligada a Jesus, seu Senhor único e exclusivo; e ninguém tem o direito de se apoderar de uma comunidade cristã.
7-15: O auxílio financeiro que Paulo recebe destina-se à evangelização e não a ele próprio. Além disso, frequentemente ele prefere exercer o ministério de maneira gratuita, para que não haja críticas ou objecções ao seu único interesse: servir as comunidades sob a sua coordenação. Em Corinto, provia ao seu sustento fabricando tendas (cf. Act 18,3).
16-33: Paulo não abusa da sua autoridade de Apóstolo para se impor às comunidades. Os títulos que apresenta de si próprio, mais do que diplomas que possam dar prestígio pessoal, são as suas lutas, sofrimentos, preocupações e perseguições, pelas quais passou no incansável trabalho de evangelização. A sua compaixão pelos mais fracos recomenda-o acima de todos os «super-apóstolos» que usam os seus títulos para explorar as comunidades por onde passam.
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2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP X - S. PAULO

V. DEFESA DE PAULO
10
Recomendado pelos homens ou por Deus?
1Sou eu mesmo, Paulo, quem vos suplica com a mansidão e a bondade de Cristo. Eu que sou «tão humilde quando estou no meio de vós e tão prepotente quando estou longe». 2Rogo-vos que não me obrigueis, quando eu estiver aí em pessoa, a mostrar-me prepotente, recorrendo à audácia com que pretendo agir contra aqueles que nos julgam, como se nos comportássemos com interesses humanos. 3Embora seja homem, não luto por interesses humanos. 4De facto, as armas da nossa luta não são humanas; o seu poder vem de Deus e são capazes de destruir fortalezas. Nós destruímos os raciocínios presunçosos 5e qualquer poder altivo que se levante contra o conhecimento de Deus. Obrigamos toda a inteligência a obedecer a Cristo, 6e estamos dispostos a punir qualquer desobediência, desde que a vossa obediência seja perfeita. 7Olhai as coisas de frente. Se alguém está convencido de pertencer a Cristo, tome consciência, de uma vez por todas, de que assim como ele pertence a Cristo, também nós pertencemos a Cristo. 8E ainda que eu me orgulhasse um pouco mais do poder que Deus nos deu para edificar e não para vos destruir, eu não me envergonharia disso. 9Não quero dar a impressão de vos estar a ameaçar com as minhas cartas, 10pois, como dizem alguns, «as cartas são duras e fortes, mas a presença dele é fraca e a sua palavra é desprezível». 11Aquele que diz isso fique sabendo que, assim como somos pela linguagem e por carta quando estamos ausentes, tais seremos por nossos actos quando estivermos presentes. 12É verdade que não temos a ousadia de nos igualar ou de nos comparar a alguns que fazem recomendação de si mesmos, que se tornam insensatos, porque se medem de acordo com a sua própria medida e se comparam a si mesmos. 13Quanto a nós, não nos orgulharemos além da justa medida; ao contrário, tomaremos como medida a própria regra que Deus nos assinalou: a de termos chegado até vós. 14Não nos gloriaremos indevidamente, como seria o caso se não tivéssemos chegado até vós, pois na verdade fomos até vós anunciando o Evangelho de Cristo. 15Não nos orgulhamos desmedidamente, apoiados em trabalhos alheios. E temos a esperança de que, com o progresso da vossa fé, cresceremos mais e mais segundo a nossa regra. 16Desse modo, levaremos o Evangelho para além das fronteiras da vossa região, sem contudo entrarmos em campo alheio, para não nos orgulharmos de trabalhos realizados por outros, como se fossem feitos por nós. 17Quem se orgulha, que se orgulhe no Senhor. 18Pois é aprovado não aquele que faz recomendação de si próprio, mas aquele que Deus recomenda.
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10-13: Nestes capítulos o tom torna-se severo e violento. Como a vida cristã e a autenticidade do Evangelho se acham ameaçadas, Paulo enfrenta alguns missionários que procuram desacreditá-lo e repreende os cristãos que deram ouvidos a calúnias. É provável que estes capítulos pertençam à carta severa, da qual se fala em 2Cor 2,3 (cf. Introdução).
10,1-18: Paulo conhece a imagem que dele fazem os novos e pretensos missionários: de longe, cheio de severidade; de perto, fraco e tímido; numa palavra, alguém que não possui qualificações para ser Apóstolo. Contudo, ele vive uma convicção diferente: a sua missão não é dominar os homens, mas ganhá-los para Cristo unicamente com a força da Palavra de Deus, que é capaz de «destruir fortalezas». Paulo mostra que esses «super-apóstolos» se aproveitam do trabalho que ele realiza; ao mesmo tempo, critica os Coríntios por lhes darem atenção, preocupando-o e impedindo de evangelizar outros lugares. Com isso, os Coríntios acabam por se tornar um obstáculo e não um auxílio para a propagação do Evangelho. A comunidade precisa de saber distinguir entre o verdadeiro e o falso evangelizador.
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2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP IX - S. PAULO

9
Deus ama a quem dá com alegria
1Quanto ao serviço a ser prestado aos cristãos, é inútil que vos escreva. 2Conheço a vossa boa vontade e elogiei-a junto dos macedónios, dizendo-lhes: «A Acaia está preparada desde o ano passado.» E o vosso zelo tem servido de estímulo para a maioria das Igrejas. 3Entretanto, enviei-vos os nossos irmãos, a fim de que o elogio que fiz de vós não seja desmentido nesse ponto e para que — como eu dizia antes — estejais realmente preparados. 4Se alguns macedónios fossem comigo e não vos encontrassem preparados, essa plena confiança seria motivo de nos envergonharmos, para não dizer que seria motivo de vos envergonhardes. 5Julguei, portanto, necessário pedir aos irmãos que fossem à nossa frente ter convosco e organizassem as ofertas já prometidas; uma vez recolhidas, tais ofertas seriam sinal de autêntica generosidade e não demonstração de avareza.
6Lembrai-vos disto: quem semeia com mesquinhez, com mesquinhez há-de colher; quem semeia com generosidade, com generosidade há-de colher. 7Cada um dê conforme decidir em seu coração, sem pena ou constrangimento, porque Deus ama a quem dá com alegria. 8Deus pode enriquecer-vos com toda a espécie de graças, para que tenhais sempre o necessário em tudo e ainda sobre alguma coisa para poderdes colaborar em qualquer boa obra, 9conforme diz a Escritura: «Ele distribuiu e deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre».

10Deus, que dá semente ao semeador, também dará o pão em alimento; multiplicar-vos-á a semente, e ainda fará crescer o fruto da vossa justiça. 11E sereis enriquecidos de todos os modos para praticardes toda a espécie de generosidade, que provocará a acção de graças a Deus por meio de nós. 12De facto, o serviço desta colecta não deve apenas remediar as necessidades dos cristãos, mas há-de ser ocasião de dar efusivas acções de graças a Deus. 13Tal serviço será para eles uma prova; e eles agradecerão a Deus pela obediência que professais ao Evangelho de Cristo e pela generosidade com que repartis os bens com eles e com todos. 14Manifestarão a sua ternura, rezando por vós por causa da graça extraordinária que Deus vos concedeu. 15Graças sejam dadas a Deus pelo seu dom extraordinário.
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9,1-15: Volta o tema da colecta, como se nada tivesse sido dito no capítulo anterior. Na opinião de alguns estudiosos, Paulo escreveu também um bilhete dirigido às Igrejas da região de Corinto. É possível que 2Cor 9 seja esse bilhete, colocado aqui por tratar o mesmo assunto do cap. 8 (cf. Introdução). Toda esta preocupação pela colecta em favor dos necessitados da comunidade de Jerusalém demonstra que, desde o início, a questão económica também fazia parte do testemunho cristão. A partilha e a solidariedade em favor dos mais pobres não se manifestava só na própria comunidade, mas era sinal de unidade entre as diversas comunidades. Este intercâmbio material não era questão periférica da fé, mas autêntico veículo de comunicação do «dom extraordinário» de Deus (v. 15) e obediência ao Evangelho de Cristo (v. 13).
ver http://diocese-porto.pt ver http://ecclesia.pt/anopaulino A seguir Capítulo X - 2ª carta António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP VIII - S. PAULO

IV. COLECTA PARA OS CRISTÃOS DE JERUSALÉM

8
O exemplo dos cristãos da Macedónia
1Irmãos, agora damo-vos a conhecer a graça que Deus concedeu às Igrejas da Macedónia. 2No meio de muitas tribulações que puseram à prova essas Igrejas, com grande alegria, apesar da sua extrema pobreza, transbordaram em riquezas de generosidade. 3Eu sou testemunha de que eles, conforme os seus meios e até além dos seus meios, com toda a espontaneidade 4e com muita insistência, nos rogaram a graça de tomarem parte nesse serviço em favor dos cristãos. 5Ultrapassando as nossas expectativas, eles entregaram-se primeiramente ao Senhor, e pela vontade de Deus, também a nós. 6Por isso, rogámos a Tito que termine essa obra de generosidade, que ele já havia começado entre vós.
O exemplo de Cristo
7Em tudo vós sobressaís: na fé, no dom da palavra, no conhecimento e entusiasmo, além do amor que tendes por nós. Pois então, procurai também distinguir-vos nessa obra de generosidade. 8Não digo isto para vos impor uma ordem. Se vos falo do exemplo de outros, é para vos dar ocasião de provar a sinceridade do amor que tendes. 9De facto, conheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo; Ele, embora fosse rico, tornou-Se pobre por vossa causa, para com a sua pobreza vos enriquecer. 10A propósito, vou dar-vos uma sugestão, e é o que vos convém, já que fostes os primeiros, desde o ano passado, não só a realizar, mas também a querer realizar essa obra. 11Agora, portanto, executai-a até ao fim, de modo que a essa boa disposição da vontade corresponda a realização, segundo os vossos meios. 12Quando existe boa vontade, somos bem aceites com os recursos que temos; pouco importa o que não temos. 13Não queremos que o alívio para os outros seja causa de aflição para vós; mas que haja igualdade. 14Neste momento, o que vos sobra vai compensar a carência deles, a fim de que o supérfluo deles venha um dia compensar a vossa carência. Assim haverá igualdade, 15como está na Escritura: «A quem recolhia muito, nada lhe sobrava; e a quem recolhia pouco, nada lhe faltava».
Recomendações
16Graças sejam dadas a Deus, que colocou no coração de Tito o mesmo zelo por vós. 17Ele acolheu o meu pedido e, mais apressado que nunca, vai espontaneamente ter convosco. 18Enviámos, juntamente com ele, esse irmão que é elogiado em todas as Igrejas, pela pregação do Evangelho. 19Mais ainda: foi escolhido pelas Igrejas para ser nosso companheiro de viagem nesta obra de generosidade, serviço que empreendemos para dar glória ao Senhor e realizar as nossas boas intenções.
20Tomámos esta precaução para evitar qualquer crítica na administração da grande quantia que nos confiaram. 21De facto, estamos preocupados com o bem, não somente aos olhos de Deus, mas também diante dos homens. 22Junto com os representantes, enviámos também o nosso irmão, cuja dedicação muitas vezes e de muitos modos temos experimentado e que agora se mostra muito mais disposto, já que deposita plena confiança em vós. 23Quanto a Tito, ele é meu companheiro e colaborador junto de vós, ao passo que os nossos irmãos são os enviados das Igrejas, as quais são a glória de Cristo. 24Portanto, diante das Igrejas, dai-lhes provas do vosso amor, e fazei que eles vejam como é justo o motivo do nosso orgulho a respeito de vós.
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8,1-24: No ano 48, houve grande fome na Judeia e em Jerusalém (Act 11,28), por causa da colheita fraca do ano precedente, que tinha sido sabático, no qual os judeus não semeiam, para que a terra possa descansar. Para atender à situação, organizou-se uma ajuda económica Jerusalém, Paulo prometeu que, nas suas missões entre os pagãos, daria atenção aos irmãos de Jerusalém (cf. Gl 2,10). Aqui ele aconselha as Igrejas de Corinto e da sua província a realizarem a colecta que já haviam decidido fazer (cf. 1Cor 16,1). Salienta que essa ajuda material é uma graça de Deus, muito maior para quem oferece do que para quem recebe. Além disso, como se tratava de somas elevadas, Paulo preocupa-se que a colecta seja administrada por pessoas de confiança.
A seguir Capítulo IX - 2ª Carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP VII - S. PAULO

7
1Caríssimos, já que temos tais promessas, vamos purificar-nos de toda a mancha do corpo e do espírito. E levemos a cabo a nossa santificação no temor de Deus.
A tristeza que produz transformação
2Acolhei-nos nos vossos corações. Não fizemos injustiça a ninguém, a ninguém causámos dano, a ninguém explorámos. 3Não digo isto para vos condenar, porque já vos disse: «Vós estais no nosso coração para a vida e para a morte». 4A minha confiança em vós é grande; e eu orgulho-me muito de vós. Estou cheio de consolação, transbordando de alegria no meio de todas as nossas tribulações.
5Na verdade, quando chegámos à Macedónia, a nossa pobre pessoa não teve um momento de sossego; sofremos toda a espécie de tribulação: por fora, lutas; por dentro, temores. 6Deus, porém, que consola os humildes, confortou-nos com a chegada de Tito. 7E não somente com a chegada dele, mas também pelo conforto que ele tinha recebido de vós. Contou-nos que tínheis profundo carinho, que estáveis sentidos com o que acontecera e que vos preocupáveis comigo. E eu fiquei muito contente.
8Se vos causei tristeza com a minha carta, não me arrependo. E se a princípio me arrependi — pois vejo que essa carta vos entristeceu, embora por pouco tempo — 9agora alegro-me, não por vos haver entristecido, mas porque a tristeza fez que vos arrependêsseis. Entristecestes-vos segundo Deus, e assim não sofrestes nenhum dano da nossa parte. 10De facto, a tristeza que vem de Deus produz arrependimento que leva à salvação e não volta atrás; a tristeza segundo este mundo produz a morte. 11Vede antes o que produziu em vós a tristeza que vem de Deus: quantas desculpas, quanta indignação, que temor, que desejo ardente, que afecto, que punição! Demonstrastes, de todos os modos, que estáveis inocentes naquela questão. 12Numa palavra: se vos escrevo, não foi por causa daquele que me injuriou, nem por do ofendido, mas para que ficasse bem claro entre vós, diante de Deus, quanto vos sentis preocupados por nós. 13Foi por isso que nos sentimos confortados.
Mas, além desse conforto pessoal, alegrei-me muito ao ver que Tito estava contente devido à maneira como o recebestes e tranquilizastes. 14Se diante dele me gloriei de vós, não tive de que me envergonhar. Assim como sempre vos dissemos a verdade, ficou igualmente comprovado que era verdadeiro o elogio que de vós fizemos a Tito. 15Ele sente por vós afecto ainda maior, ao lembrar-se da vossa obediência e de como o acolhestes com temor e tremor. 16Alegro-me, portanto, de poder confiar em vós, aconteça o que acontecer.
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7,2-16: Paulo recorda o problema que havia surgido e a carta anterior, e que deve ter sido bastante enérgica (cf. 2,1-11), tanto que fez com que os Coríntios se arrependessem, aderissem a Paulo e se indignassem contra os inimigos. Aqui revela-se a profunda afectividade deste missionário, que se entrega de corpo e alma à evangelização.
segue Capítulo VIII - 2ª carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP VI - S. PAULO

6
1Visto que somos colaboradores de Deus, nós vos exortamos para que não recebais a graça de Deus em vão. 2Pois Deus diz na Escritura: «Eu escutei-te no tempo favorável, e no dia da salvação vim em teu auxílio». É agora o momento favorável. É agora o dia da salvação.
Sustentado pela força de Deus
3Da nossa parte, evitamos dar qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja criticado. 4Pelo contrário, em tudo nos recomendamos como ministros de Deus: pela grande perseverança nas tribulações, necessidades, angústias, 5açoites, prisões, desordens, fadigas, vigílias e jejuns; 6pela pureza, ciência, paciência e bondade, pela actuação do Espírito Santo, pelo amor sem fingimento, 7pela palavra da verdade, pelo poder de Deus, pelas armas ofensivas e defensivas da justiça; 8na glória e no desprezo, na boa e na má fama; tidos como impostores e, no entanto, dizendo a verdade; 9como desconhecidos e, no entanto, conhecidos; como agonizantes e, no entanto, estamos vivos; como castigados e, no entanto, livres da morte; 10como tristes e, no entanto, sempre alegres; como indigentes e, no entanto, enriquecendo a muitos; nada tendo, mas tudo possuindo.
III. RESTABELECIMENTO DAS RELAÇÕES De coração aberto 11Coríntios, digo-vos com franqueza: o meu coração está aberto para vós. 12Em mim, não falta lugar para vos acolher, mas em troca tendes o coração estreito. 13Pagai-nos com a mesma moeda. Falo-vos como a filhos; abri também o vosso coração! Não volteis atrás
14Não vos submetais ao mesmo jugo com os infiéis. Que relação pode haver entre justiça e iniquidade? Que união pode haver entre luz e trevas? 15Que harmonia pode haver entre Cristo e Belial? Que relação entre quem acredita e quem não acredita? 16Que há de comum entre o templo de Deus e os ídolos? Ora, nós somos o templo do Deus vivo, como disse o próprio Deus: «Habitarei no meio deles e com eles caminharei. Serei o seu Deus e eles serão o meu povo. 17Portanto, saí do meio dessa gente e afastai-vos dela, diz o Senhor. Não toqueis naquilo que é impuro e Eu vos acolherei. 18Serei para vós um Pai e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso».
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6,3-10: A veracidade de um Apóstolo está no seu empenho total pela obra de Deus. Aquilo que o distingue é o contraste entre as riquezas da sua alma apaixonada e os modestos recursos humanos de que dispõe. É por isso que o Apóstolo se apresenta sempre como sinal de contradição dentro da sociedade.
11-13: Após o longo parêntese formado por 2,14-6,10, Paulo volta a reflectir sobre a situação da comunidade.
6,14-7,1: O trecho seria mais compreensível em 1Cor 5,9, onde Paulo fala de recado anterior: os fiéis não se misturem com aqueles que se comportam mal, isto é, com os irmãos que voltaram aos costumes pagãos (cf. Introdução).
a seguir Capítulo 7 - 2ª carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP V - S. PAULO

5
1Nós sabemos: quando a nossa morada terrestre, a nossa tenda for desfeita, receberemos de Deus uma habitação no Céu, uma casa eterna não construída por mãos humanas. 2Por isso, suspiramos neste nosso estado, desejosos de vestir o nosso corpo celeste; 3e isso será possível se formos encontrados vestidos, e não nus. 4Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos acabrunhados, porque não queremos ser despojados da nossa veste, mas revestir a outra por cima desta, e, assim, aquilo que é mortal seja absorvido pela vida. 5E quem para isso nos preparou foi Deus, o qual nos deu a garantia do Espírito.
6Por esta razão, estamos sempre confiantes, sabendo que enquanto habitamos neste corpo, estamos fora de casa, isto é, longe do Senhor, 7pois caminhamos pela fé e não pela visão... 8Sim, estamos cheios de confiança e preferimos deixar a mansão deste corpo, para irmos morar junto do Senhor. 9Em todo o caso, quer fiquemos na nossa morada, quer a deixemos, esforçamo-nos por agradar ao Senhor. 10De facto, todos deveremos comparecer diante do tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a recompensa daquilo que tiver feito durante a sua vida no corpo, tanto para o bem, como para o mal.
Ao serviço do Evangelho
11Portanto, compenetrados do temor do Senhor, procuramos convencer os homens. Somos plenamente conhecidos por Deus; espero que também sejamos plenamente conhecidos pela vossa consciência. 12Não nos recomendamos novamente a vós, mas queremos apenas dar-vos ocasião de vos orgulhardes de nós, a fim de que possais dar uma resposta àqueles que se gloriam somente pelas aparências e não pelo que está no coração. 13Se perdemos o bom senso, foi por causa de Deus; se nos comportámos com sensatez, foi por vossa causa.
O ministério da reconciliação
14O amor de Cristo é que nos impulsiona, quando consideramos que um só morreu por todos, e consequentemente todos morreram. 15Ora, Cristo morreu por todos, e assim, aqueles que vivem, já não vivem para si, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou. 16Por isso, doravante não conhecemos mais ninguém pelas aparências. Mesmo que tenhamos conhecido Cristo segundo as aparências, agora já não O conhecemos assim. 17Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que uma realidade nova apareceu. 18Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação. 19Pois era Deus quem reconciliava consigo mesmo o mundo por meio de Cristo, não levando em conta os pecados dos homens e colocando em nós a Palavra da reconciliação. 20Sendo assim exercemos a função de embaixadores em nome de Cristo, e é por meio de nós que o próprio Deus vos exorta. Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliai-vos com Deus. 21Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus fê-l’O pecado por causa de nós, a fim de que por meio d’Ele sejamos reabilitados por Deus.
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5,11-13: Os Coríntios estão divididos: uns reprovam os excessos de Paulo; outros acham-no prudente de mais. De facto, ele sabe tomar propositadamente atitudes contraditórias: entrega-se totalmente ao serviço do Evangelho; e, ao mesmo tempo, sabe agir com moderação em favor dos Coríntios. Na realidade, ele é guiado por uma só convicção: anunciar e testemunhar o Evangelho.
5,14-6,2: Os inimigos de Paulo dizem que ele não é Apóstolo porque não foi testemunha ocular da vida terrestre de Jesus, nem Lhe conheceu as palavras e actos. Por isso, não pode ser testemunha do Evangelho. No entanto, o Apóstolo mostra que o Evangelho não é a simples história de Jesus, mas o anúncio da sua morte e ressurreição, que restaura a condição humana, vence a alienação causada pelo pecado e inaugura uma nova era. A cruz de Jesus anuncia o fim da inimizade com Deus e inaugura uma nova era de reconciliação universal. Enquanto esperamos o dia da ressurreição, Deus escolheu Apóstolos para exercer o ministério da reconciliação. Por meio deles, o Senhor Jesus continua a sua actividade na Terra e convoca todos os homens: «reconciliai-vos com Deus».
segue Capítulo VI - 2ª carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP IV - S. PAULO

4
O Apóstolo é testemunha de Cristo
1É este o nosso ministério que nos foi concedido pela misericórdia de Deus; por isso, não perdemos a coragem. 2Dissemos «não» aos procedimentos secretos e vergonhosos, não agimos com astúcia, nem falsificámos a Palavra de Deus. Ao contrário, manifestando a verdade, recomendamo-nos diante de Deus à consciência de cada homem. 3Portanto, se o nosso Evangelho continua obscuro, está obscuro para aqueles que se perdem, 4para os incrédulos, cuja inteligência o deus deste mundo obscureceu a fim de que não vejam brilhar a luz do Evangelho da glória de Cristo, de Cristo que é a imagem de Deus. 5Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, Senhor. Quanto a nós mesmos é como vos-sos servos que nos apresentamos, por causa de Jesus. 6Pois o Deus que disse: «Do meio das trevas brilhe a luz!», foi Ele mesmo que reluziu em nossos corações para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo.
Fraqueza do Apóstolo e força de Deus
7Todavia, esse tesouro trazemo-lo em vasos de barro, para que todos reconheçam que esse incomparável poder pertence a Deus e não é propriedade nossa. 8Somos atribulados por todos os lados, mas não desanimamos; somos postos em extrema dificuldade, mas não somos vencidos por nenhum obstáculo; 9somos perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados. 10Sem cessar e por toda a parte levamos no nosso corpo a morte de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus se manifeste no nosso corpo. 11De facto, embora estejamos vivos, somos a toda a hora entregues à morte por causa de Jesus, a fim de que também a vida de Jesus se manifeste na nossa carne mortal. 12Deste modo, em nós opera a morte; e, em vós, a vida.
13Animados pelo mesmo espírito de fé, sobre o qual está escrito: «Acreditei, por isso falei», também nós acreditamos e por isso falamos. 14Pois sabemos que Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos colocará ao lado d’Ele juntamente convosco. 15E tudo isto se realiza em vosso favor, para que a graça, multiplicando-se entre muitos, faça transbordar a acção de graças para a glória de Deus.
A morte é passagem para a vida definitiva
16É por isso que nós não perdemos a coragem. Pelo contrário: embora o nosso físico se vá desfazendo, o nosso homem interior vai-se renovando a cada dia. 17Pois a nossa tribulação momentânea é leve, em relação ao peso extraordinário da glória eterna que ela nos prepara. 18Não procuramos as coisas visíveis, mas as invisíveis; porque as coisas visíveis duram apenas um momento, enquanto as invisíveis duram para sempre.
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4,1-6: Escolhido para o ministério da nova aliança, o Apóstolo não pode falsificar o Evangelho em busca de uma glória pessoal. Iluminado por Cristo, ele torna-se, pelo testemunho, luz para iluminar toda a consciência que não se deixa seduzir pelos deuses deste mundo, isto é, pelas forças que pervertem a vida humana.
7-15: A vida de Paulo parece frustração e fracasso diante do êxitoque os novos mestres de doutrina conseguem. O prestígio fácil, porém, não é sinal de Evangelho autêntico. Este provoca sempre conflitos e perseguições, fazendo que a testemunha participe do caminho de Jesus em direcção à morte e à ressurreição. E um primeiro aspecto dessa ressurreição já se manifesta no testemunho vivo da comunidade, que foi gerada pelo testemunho do Apóstolo, cuja fraqueza humana se torna instrumento da força de Deus.
4,16-5,10: Para quem não tem fé, a morte é o fim de tudo. Mas, para quem está comprometido na fé e segue a Jesus, a morte é uma passagem para a dimensão definitiva da vida. O nosso corpo mortal desgasta-se e desfaz-se na vida terrestre; mas, através da ressurreição, Deus leva o nosso ser à vida plena. Paulo emprega uma imagem muito familiar no Oriente: quando retomam a caminhada, os nómadas do deserto desmontam a tenda do acampamento porque o deserto não é a sua moradia estável. O mesmo acontece connosco: este mundo é o lugar onde vivemos e construímos a nossa história, cujo fim é a comunhão e participação na própria vida divina.
A seguir Capítulo V - 2ª carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP III - S. PAULO

3

A comunidade testemunha a autenticidade do Apóstolo
1Vamos começar de novo a fazer recomendação de nós mesmos? Ou precisamos de vos apresentar cartas de recomendação, como fazem alguns? Ou, então, pedir-vos essa carta? 2A nossa carta de recomendação sois vós mesmos, carta escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. 3De facto, é evidente que sois vós uma carta de Cristo, da qual nós fomos o instrumento; carta escrita, não com tinta, mas nas tábuas de carne do vosso coração.
4Esta é a convicção que temos diante de Deus, graças a Cristo. 5Não nos atreveríamos a pensar que esta obra é devida a algum mérito nosso; pelo contrário, é de Deus que vem a nossa capacidade. 6Foi Ele que nos tornou capazes de sermos ministros de uma aliança nova, não aliança da letra, mas do Espírito; pois a letra mata e o Espírito é que dá a vida.
A nova aliança liberta e transfigura
7O ministério da morte, gravado com letras sobre a pedra, ficou tão marcado pela glória, que os israelitas não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa do fulgor que nele havia — fulgor, aliás, passageiro. 8Quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito! 9Na verdade, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais glorioso será o ministério da justiça. 10Mesmo a glória que aí se verificou já não pode ser considerada glória, em comparação com a glória actual, que lhe é muito superior. 11De facto, se foi marcado pela glória o que é passageiro, com maior razão há-de ser glorioso o que é permanente.
12Fortalecidos por tal esperança, estamos plenamente confiantes: 13nós não fazemos como Moisés que colocava um véu sobre a face para que os filhos de Israel não percebessem o fim daquilo que era passageiro... 14No entanto, o seu entendimento ficou obscurecido. Sim, até hoje, quando eles lêem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece; não é retirado, porque é em Cristo que ele desaparece.
15Sim, até hoje, todas as vezes que lêem Moisés, há um véu sobre o seu coração. 16Somente pela conversão ao Senhor é que o véu cai, 17pois o Senhor é o Espírito; e onde se acha o Espírito do Senhor, aí existe a liberdade. 18E nós que, com a face descoberta, reflectimos como num espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem, cada vez mais resplandecente pela acção do Senhor, que é Espírito.
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3,1-6: O que confirma a autenticidade da missão de um Apóstolo não é uma simples carta de recomendação dada por autoridades externas, mas o testemunho vivo da comunidade, que foi reunida e evangelizada pelo Apóstolo. É assim que se constitui a nova aliança anunciada pelos profetas e escrita pelo Espírito na vida dos homens e dos povos (cf. Jr 31,31-33; Ez 11,19).
7-18: Paulo contrapõe a antiga e a nova aliança. A primeira, que foi concluída por Moisés, tinha valor passageiro e era aliança de morte; de facto, a Lei denuncia o pecado, mas não dá forças para o vencer. Comentando o véu de Moisés (cf. Êx 34,29-35), Paulo afirma que o mesmo véu cobre agora o rosto dos judeus, que absolutizam a aliança antiga e não compreendem ser Cristo a aliança nova e definitiva, que conduz à vida como força de libertação e fonte de liberdade. A luz do Ressuscitado reflecte-se na vida dos fiéis e transfigura-a de forma cada vez mais profunda.
a seguir Capítulo IV - 2ª carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP II - S. PAULO

2
1Por isso, preferi não ir visitar-vos, para não provocar tristeza. 2De facto, se vos causo tristeza, quem me dará alegria? Somente vós, a quem entristeci. 3A finalidade da minha carta era evitar que, ao chegar, eu experimentasse tristeza daqueles que me deveriam proporcionar alegria. Quanto a vós, estou convencido de que a minha alegria é também a alegria de todos vós. 4De facto, quando escrevi, estava tão preocupado e aflito que até chorava; não pretendia entristecer-vos, mas escrevi para que compreendais o imenso amor que vos tenho. 5Se alguém causou tristeza, não foi a mim, mas de certo modo (não vamos exagerar) a todos vós. 6Para tal pessoa, basta o castigo que a comunidade resolveu impor-lhe. 7Mas agora é melhor que lhe perdoeis e o consoleis, para que ele não fique sob o peso de tristeza excessiva. 8Peço-vos, portanto, que deis provas de amor a essa pessoa. 9Realmente, ao escrever-vos, eu queria pôr à prova a vossa obediência e verificar se era uma obediência total. 10A quem vós perdoais, eu também perdoo. Se perdoei — na medida que tinha de perdoar — fi-lo diante de Cristo em vosso favor. 11Deste modo, não seremos enganados por Satanás, pois não ignoramos as suas intenções. 12Cheguei então a Tróade para lá pregar o Evangelho de Cristo. Embora o Senhor me tivesse aberto uma grande porta, 13não tive paz de espírito, pois não encontrei o meu irmão Tito. Por isso despedi-me deles e parti para a Macedónia.
II. GRANDEZA E FRAQUEZA DOS APÓSTOLOS
Quem está à altura?
14Graças sejam dadas a Deus, que nos faz participar do seu triunfo em Cristo e que, através de nós, espalha o perfume do seu conhecimento no mundo inteiro. 15De facto, diante de Deus nós somos o bom perfume de Cristo entre aqueles que se salvam e entre aqueles que se perdem: 16para uns, perfume de morte para a morte; para outros, perfume de vida para a vida. E quem estaria à altura de tal missão? 17Nós não somos como aqueles que falsificam a Palavra de Deus; pelo contrário, é com sinceridade e como enviados de Deus que falamos a respeito de Cristo na vossa presença.
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2,14-17: O Apóstolo relembra o triunfo do Evangelho que se espalha através do testemunho vivo dos missionários. Esse Evangelho apresenta o testemunho de Jesus Cristo, para provocar uma opção decisiva: para a vida ou para a morte, para o verdadeiro sentido da vida ou para uma alienação completa. Quem poderia arrogar-se o direito de exercer tal missão sem ser chamado por Deus?
A seguir Capítulo III - 2ª Carta
António Fonseca

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP I - S. PAULO

SEGUNDA CARTA AOS CORÍNTIOS
A FORÇA MANIFESTA-SE NA FRAQUEZA
Introdução
É difícil dar uma visão ordenada da segunda carta aos Coríntios. Isto porque esta carta é composta, provavelmente, de vários escritos que Paulo enviou aos Coríntios em ocasiões diferentes. Um facto é certo: o Apóstolo remeteu mais de duas cartas aos Coríntios; pelo menos quatro e um bilhete. Alguns dados ajudam a descobri-lo. Em 1Cor 5,9, Paulo diz que tinha escrito uma carta anterior, admoestando os Coríntios para que não tivessem relações com gente imoral. Em 2Cor 2,4, fala de uma carta severa e que, ao escrevê-la, «estava tão preocupado e aflito que até chorava». Essas duas cartas, terão desaparecido ou podemos encontrá-las em algum lugar? Vamos por partes:
1. O trecho 2Cor 6,14 — 7,1 interrompe de certa maneira o contexto; se retirado, não faria falta e até a leitura correria melhor. Nesses versículos Paulo trata dos ídolos e da impiedade; por isso, alguns estudiosos pensam que se trata de um pedaço da carta mencionada em 1Cor 5,9.
2. Os capítulos 10-13 da segunda carta aos Coríntios têm tonalidade diferente dos capítulos anteriores. Paulo mostra-se severo e nota-se grande envolvimento emocional. Pode ser a carta de que ele fala em 2Cor 2,3.
3. No início de 2Cor 9, Paulo diz que é inútil escrever sobre o «serviço prestado aos cristãos», isto é, sobre a colecta. No entanto, o cap. 8 já tratara longamente sobre essa questão. Este cap. 9 seria então, um bilhete escrito posteriormente, que retoma o assunto da colecta.
Assim, temos em ordem cronológica:
A — 2Cor 6,14-7,1: fragmento da carta escrita antes da 1Cor.
B — Primeira carta aos Coríntios.
C2Cor 10-13: carta severa escrita entre lágrimas. Paulo defende ardorosamente a autenticidade do seu ministério, fazendo uma espécie de diário apaixonado da sua vida de Apóstolo. Os coríntios tinham-no pressionado, exigindo contas quanto à origem da sua vocação, à autenticidade do seu evangelho e à sinceridade do seu comportamento. Paulo reage magoado; mas, com firmeza e de coração aberto, expõe a sua vida. Deixa vir à tona a sua personalidade exuberante e contraditória: ele é forte e fraco, audaz e reservado, impetuoso e terno, mas sempre fiel à missão apostólica e plenamente convicto do evangelho que prega.
D2Cor 1-8: carta escrita depois da anterior (C). Recorda os incidentes entre o Apóstolo e a comunidade de Corinto, em particular o caso de alguém que o teria injuriado pessoalmente. Tito fora enviado para resolver essa questão e voltara trazendo boas notícias sobre a reconciliação. No final (cap. 8), dá instruções sobre uma colecta para ajudar a Igreja de Jerusalém, que se encontrava em sérios apuros financeiros.
E — 2Cor 9: bilhete escrito pelo próprio Paulo, retomando o assunto da colecta, talvez endereçado às Igrejas da região de Corinto.
A sequência pode parecer complicada, mas permite compreender melhor os acontecimentos e o modo como Paulo reagiu às dificuldades suscitadas pela turbulenta comunidade de Corinto.
SEGUNDA CARTA AOS CORÍNTIOS
Prólogo
1
Endereço e saudação
1Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto, e também a todos os cristãos que se encontram por toda a Acaia. 2A graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Solidariedade na perseguição
3Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação! 4Ele nos consola em todas as nossas tribulações, para que possamos consolar os que estão em qualquer tribulação, através da consolação que nós mesmos recebemos de Deus. 5Na verdade, assim como os sofrimentos de Cristo são numerosos para nós, assim também é grande a nossa consolação por meio de Cristo. 6Se somos atribulados é para vossa consolação e salvação. Se somos consolados, é para vossa consolação, para que possais suportar os mesmos sofrimentos que também nós padecemos. 7E a nossa esperança a vosso respeito é firme, pois sabemos que, se participais dos nossos sofrimentos, também haveis de participar da nossa consolação. 8Irmãos, não queremos que ignoreis isto: a tribulação que sofremos na Ásia fez-nos sofrer muito, para além das nossas forças, a ponto de perdermos a esperança de sobreviver. 9Sim, nós sentíamo-nos como condenados à morte: a nossa confiança já não podia estar apoiada em nós, mas em Deus que ressuscita os mortos. 10Foi Deus que nos libertou dessa morte e dela nos libertará; n’Ele colocamos a esperança de que ainda nos libertará da morte. 11Para isso vós ides colaborar através da oração. Deste modo, a graça que obteremos pela intercessão de muitas pessoas provocará a acção de graças de muitos em nosso favor.
I. A VISITA ADIADA
Consciência limpa
12Este é o nosso motivo de orgulho: o testemunho da consciência de que nos comportámos no mundo, e mais particularmente em relação a vós, com a santidade e sinceridade que vêm de Deus. Não foram razões humanas que nos moveram, mas a graça de Deus. 13De facto não há nada em nossas cartas além daquilo que ledes e compreendeis. E espero que compreendais plenamente, 14assim como em parte já nos compreendestes que somos para vós motivo de glória, assim como vós o sereis para nós, no Dia do Senhor Jesus.
Firme e fiel
15Animado por esta certeza, eu pretendia em primeiro lugar ir ter convosco, para que recebêsseis uma segunda graça; 16depois seguiria para a Macedónia; e, finalmente, da Macedónia iria outra vez ter convosco, a fim de que me preparásseis a viagem para a Judeia. 17Será que fui leviano ao fazer este projecto? Será que os meus planos foram inspirados por objectivos puramente humanos, de tal modo que em mim existe «sim e não» ao mesmo tempo? 18Deus é testemunha fiel de que a palavra que vos dirigimos não é «sim e não». 19De facto, Jesus Cristo, o Filho de Deus, que eu, Silvano e Timóteo vos anunciámos, não foi «sim e não», mas unicamente «sim». 20Todas as promessas de Deus encontraram n’Ele o seu sim; por isso, é por meio d’Ele que dizemos «Ámen» a Deus, para a glória de Deus.
21Quem nos fortalece juntamente convosco em Cristo e nos dá a unção, é Deus. 22Deus marcou-nos com um selo e colocou em nossos corações a garantia do Espírito.
Não dominar a fé
23Quanto a mim, invoco a Deus como testemunha da minha vida: foi para vos poupar que não voltei a Corinto. 24Não é nossa intenção dominar a fé que tendes, mas colaborar para que tenhais alegria. Quanto à fé, vós estais firmes.
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16,1-4: Cf. notas em 2Cor 8-9.
5-18: Timóteo teve papel importante nas relações entre Paulo e a comunidade de Corinto (4,17; Act 15,41-16,5; 19,21-22). Apolo não quer voltar logo a Corinto, para não reagrupar um partido em torno do seu nome e do seu prestígio (1,12; 3,5-6; 4,6; Act 18, 24-19,1).
19-24: Maranatá é expressão aramaica e significa «Vem, Senhor!» Entrou em uso na liturgia e exprime a espera da comunidade pela vinda gloriosa de Jesus.
1,1-2: Timóteo acompanha Paulo na segunda e na terceira viagem, participando na fundação da comunidade em Corinto (1,19; cf. Act 18,5). É Timóteo que mantém a ligação entre Paulo e essa comunidade (1Cor 4,17; 16,10-11).
3-11: Paulo conheceu a perseguição e sentiu o medo da morte próxima; teve a experiência da incompreensão e rejeição, até mesmo por parte das comunidades por ele fundadas. Nisso tudo, ele descobre aspectos da tribulação, que caracteriza a condição cristã (cf. nota em Rm 5,1-11). Todavia, ele firma-se numa convicção profunda: a alegria de estar nas mãos do Senhor e participar da própria condição de Jesus. A palavra consolação é repetida nove vezes, para significar a libertação interior, a força reencontrada, a mudança de situação, a experiência de ser sustentado por Deus. Nos momentos difíceis, confirma-se a solidariedade dos cristãos, porque todos pertencem ao mesmo corpo de Cristo.
12-14: Já houve muitos mal-entendidos entre a comunidade e Paulo. Este pede que ninguém procure subentendidos nas suas cartas, nem segundas intenções nos seus actos.
15-22: Paulo prometera voltar a Corinto, mas não fora possível, e por isso foi mal interpretado. Ele mostra, porém, que é firme e fiel, como verdadeiro discípulo de Jesus (cf. Mt 5,36). Se estivesse a enganar os Coríntios, estaria a trair a sua própria fidelidade a Jesus, que foi sempre fiel à vontade de Deus. A seguir, lembra o rito do baptismo, que incorpora os fiéis a Cristo, tornando-os participantes do mistério da Trindade.
1,23-2,13: Paulo explica porque escreveu uma carta, em vez de realizar a visita prometida. Nada sabemos sobre os pormenores do incidente. O Apóstolo foi contestado por alguém que se opôs aos seus colaboradores. Na sua opinião, uma visita poderia aumentar a problemática, enquanto uma carta levaria à reflexão e reconciliação. Foi o que aconteceu: a comunidade puniu o culpado e este reconheceu o próprio erro. Agora, deve prevalecer o amor. A referida carta (2,3)perdeu-se ou encontra-se nos caps. 10-13 da presente carta (cf. Introdução). A sequência dos acontecimentos será retomada em 7,5.
segue-se Capítulo II - 2ª carta
António Fonseca

CARTA AOS CORÍNTIOS - CAP XV - S. PAULO

4. A ressurreição dos mortos

15

Cristo ressuscitado, fundamento da nossa
1Irmãos, lembro-vos o Evangelho que vos anunciei, que recebestes e no qual permaneceis firmes. 2É pelo Evangelho que sereis salvos, contanto que o guardeis do modo como eu vo-lo anunciei; de contrário, tereis acreditado em vão. 3Transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo recebi, isto é: Cristo morreu pelos nossos pecados, conforme as Escrituras; 4foi sepultado, ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; 5apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez; a maioria deles ainda vive e alguns já morreram.

7Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos. 8Em último lugar apareceu-me também a mim, que sou um aborto. 9De facto eu sou o menor dos Apóstolos e não mereço ser chamado Apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus. 10Mas aquilo que sou devo-o à graça de Deus; e a graça que Ele me deu não foi estéril. Pelo contrário: trabalhei mais do que todos eles; não eu, mas a graça de Deus que está comigo. 11Portanto, aqui está o que nós pregamos, tanto eu como eles; aqui está aquilo em que vós acreditastes. Se os mortos não ressuscitam... — 12Ora, se nós pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de vós dizem que não há ressurreição dos mortos? 13Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo também não ressuscitou; 14e, se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que tendes. 15Se os mortos não ressuscitam, então somos testemunhas falsas de Deus, pois testemunhamos contra Deus, quando dizemos que Deus ressuscitou a Cristo. 16Pois, se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou. 17E, se Cristo não ressuscitou, a fé que tendes é ilusória e ainda permaneceis nos vossos pecados. 18E, desse modo, aqueles que morreram em Cristo estão perdidos. 19Se a nossa esperança em Cristo é somente para esta vida, nós somos os mais infelizes de todos os homens.
Deus será tudo em todos
20Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos como primeiro fruto dos que morreram. 21De facto, já que a morte veio através de um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos. 22Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos receberão a vida. 23Cada um, porém, na sua própria ordem: Cristo, como primeiro fruto; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24A seguir, chegará o fim, quando Cristo entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo o principado, toda a autoridade, todo o poder. 25Pois é preciso que Ele reine, até que tenha posto todos os seus inimigos debaixo dos seus pés. 26O último inimigo a ser destruído será a morte, 27pois Deus tudo colocou debaixo dos pés de Cristo. Mas, quando se diz que tudo Lhe será submetido, é claro que se deve excluir Deus, que tudo submeteu a Cristo. 28E quando todas as coisas Lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho Se submeterá Àquele que tudo Lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos.
O testemunho é prova da ressurreição
29Se não fosse assim, que ganhariam aqueles que se fazem baptizar em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, porquê fazer-se baptizar em favor deles? 30E nós mesmos, porque nos expomos ao perigo a todo o momento? 31Diariamente corro perigo de morte, tão certo, irmãos, quanto sois vós a minha glória em Jesus Cristo nosso Senhor. 32Para mim, de que teria adiantado lutar contra os animais em Éfeso, se eu tivesse apenas interesses humanos? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos, pois amanhã morreremos. 33Não vos deixeis iludir: as más companhias corrompem os bons costumes. 34Voltai a viver a vida séria e correcta; e não pequeis. Pois alguns de vós ignoram tudo a respeito de Deus. Digo isto para que sintais vergonha.
Seremos semelhantes a Cristo ressuscitado
35Todavia alguém dirá: «Como é que os mortos ressuscitam? Com que corpo voltarão?» 36Insensato! Aquilo que semeias não volta à vida, a não ser que morra. 37E o que semeias não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie. 38A seguir, Deus dá-lhe corpo como quer: Ele dá a cada uma das sementes o corpo que lhe é próprio. 39Nenhuma carne é igual às outras: a carne dos homens é de um tipo, a dos animais é de outro, e de outro a das aves e de outro ainda a dos peixes. 40Há corpos celestes e há corpos terrestres. O brilho dos celestes, porém, é diferente do brilho dos terrestres. 41Uma coisa é o brilho do Sol, outra o brilho da Lua, e outra o brilho das estrelas. E até de estrela para estrela.
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15,1-11: A certeza da fé cristã baseia-se num facto: a ressurreição de Cristo. Paulo recorda o ensinamento tradicional da Igreja, e confirma-o enumerando as testemunhas que viram Cristo ressuscitado. Encontramos aqui os traços principais do Credo e, ao mesmo tempo, o mais antigo testemunho escrito sobre o ensinamento primitivo da Igreja a respeito das aparições de Jesus Cristo.
12-19: Em Corinto, alguns pensavam que, depois da morte, a alma imortal continuava a viver sozinha, abandonando a matéria e o corpo, que são considerados coisas más e inferiores. Outros pensavam que tudo terminava com a morte e que era melhor aproveitar o momento presente. Paulo mostra que ambas as opiniões são contrárias ao núcleo da fé cristã, porque se os mortos não ressuscitam verdadeiramente, nem Cristo ressuscitou.
20-28: Dois estados da Humanidade se opõem: o pecado e a morte, dos quais Adão é o símbolo; a graça e a vida, realizadas em Cristo (cf. Rm 5,17-21). A partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto por essas estruturas, mas Deus ressuscitou-O e deu-Lhe poder para as destruir. Após vencer essas forças, também a morte será vencida; então, o triunfo será definitivo. Unida a Cristo, a Humanidade estará de novo submetida a Deus e o Reino de Deus manifestar-se-á completamente.
29-34: Dois argumentos apoiam a fé na ressurreição: o baptismo pelos mortos e o testemunho cristão que não teme a morte. Quanto ao baptismo pelos mortos, trata-se de um rito desconhecido com que os cristãos procuravam assegurar a salvação dos seus parentes falecidos.

35-49: Não se pode imaginar a ressurreição como simples reviver, ou simples regresso às condições da vida terrestre. O ser humano passará para uma condição inteiramente nova: este corpo «animal», mortal, que nos foi transmitido pelos nossos pais, torna-se «espiritual», isto é, recebe vida nova do Espírito que Cristo nos dá. Paulo usa diversas imagens para nos dar a ideia da transfiguração pela qual passaremos. Nenhuma delas, porém, é capaz de dar uma ideia completa da misteriosa e real transformação que nos tornará semelhantes ao próprio Cristo ressuscitado.
50-53: Paulo imagina que Cristo há-de voltar antes que a sua geração morra; os mortos ressuscitarão e os que estiverem vivos serão transformados. Deste modo, ele salienta que a ressurreição não é apenas retorno à vida.
54-58: Depois que Cristo ressuscitou, nenhum tipo de morte terá a vitória final. Esta vitória de Cristo sobre a morte é também vitória contra o pecado, que introduz e alimenta a morte no mundo, e contra a lei, que mostra o que é pecado, mas não dá forças para o vencer. Quem acredita em Jesus ressuscitado pode cantar desde já o triunfo da vida.
Segue-se a Introdução da 2ª Carta aos Corintíos e 1º Capítulo
António Fonseca