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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

VIDA DE S. PAULO - O CENTRO DE PREGAÇÃO DE PAULO

O CENTRO DE PREGAÇÃO DE PAULO
Jesus Cristo estava sempre diante dos seus olhos e no seu coração. Aplica a Jesus Cristo tudo o que São João, no início do seu Evangelho, aplica ao Logos. Transfere para Cristo todas as qualificações fundamentais do Pentateuco. Assim, para Paulo, Jesus Cristo é vida, luz, sabedoria, salvação, norma de vida, água viva, fonte de graça e de justificação, Criador do Universo, Filho de Deus, que encarnou por obra do Espírito Santo. Passou a ter com Cristo a relação que tinha com o Pentateuco. O credo de Paulo é estar com Cristo, viver com Cristo, entrar em comunhão com Cristo, participar no mistério da sua morte e ressurreição, receber o Espírito Santo, conformar-se a Jesus (cristificar-se), unir-se a Jesus e seguir os seus passos até ao ponto de dar a vida, crer na sua Ressurreição. Nas suas cartas, Paulo afirma que Jesus Cristo está vivo e reconcilia os homens através do Espírito Santo. Cristo traz a salvação ao mundo. A reconciliação dos homens com Deus e entre si é possível e já começou. É através da Igreja que se realiza esta reconciliação.
Pe. João Gomes Filipe, ssp

NOTA:

Como podem verificar efectuei a transcrição completa do texto sobre a Vida de S. Paulo, publicada no site http://ecclesia.pt/anopaulino, texto esse que foi escrito na íntegra por Pde João Gomes Filipe. ssp, atrás mencionado a quem agradeço a sua compreensão. Obrigado e bem haja.

António Fonseca

VIDA DE S. PAULO - JESUS CRISTO PARA PAULO

JESUS CRISTO PARA PAULO

Para Paulo Jesus Cristo veio ocupar o lugar que o Pentateuco (Lei) ocupava na sua mente e coração dos judeus. A Lei Nova substitui a Lei Antiga.
Jesus é para ele o fim da Lei, é a Nova Aliança, a nova criação, é o único mediador da justificação e salvação do homem.
Em 2Cor 5,18-19, Paulo escreve: «Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação.»
Em Rm 1,4 Paulo afirma: «A promessa a Abraão concretizou-se em Cristo, constituído Filho de Deus com o poder do Espírito de santificação, através da ressurreição dos mortos». Jesus Cristo é a sua vida, a sua esperança, o seu apoio, o seu modelo de vida, o seu Senhor e meta. (cf. Gl 2, 19-20)
Jesus Cristo é o seu ponto de referência; é com Ele que relaciona todo o seu ser.
Tudo sacrificou por Cristo. Para ele o viver é imitar Cristo, cristificar-se, anunciá-l’O e servi-l’O. Em Ef 1,10 Paulo escreve: «Deus estabeleceu reunir todas as coisas em Cristo, uni-las a Ele como Cabeça da qual recebem orientação e força».
Jesus Cristo aparece como a razão profunda da história e do futuro do homem: «Cristo, a glória esperada, está em vós.» (Cl 1,27)
Jesus Cristo é o fundamento em que se apoia, é o sangue que o faz viver, o modelo que ele procura imitar, é a meta que procura alcançar.
Jesus faz nascer nele o ser novo, a «nova criatura» e o «homem interior». (2Cor 4,16)
SEGUE-SE
António Fonseca

VIDA DE S. PAULO - A SALVAÇÃO VEM DE DEUS

A SALVAÇÃO VEM DE DEUS
Anuncia Jesus Cristo, partindo de Abraão, e mostra os desígnios de Deus através de Moisés e dos Profetas. Parte da contemplação das maravilhas do cosmo para chegar a Deus, seu princípio e inteligência ordenadora.
Paulo afirma que a salvação não é conquistada pelo esforço e empenho do homem, mas é dom gratuito de Deus. O Espírito de Deus e de Cristo é que se apodera do homem e se torna o seu guia interior e inspirador, no caminho indicado por Jesus. No concílio dos Apóstolos, em Jerusalém, reconhece-se que a salvação só vem de Jesus e do seu Espírito, e que não é necessário impor aos convertidos do paganismo a circuncisão e a observância de outras práticas hebraicas da lei de Moisés. (Gl 2,7-9)
Para Paulo a salvação vem de Deus, através de Jesus Cristo, e não através da lei de Moisés.
SEGUE-SE
JESUS CRISTO PARA PAULO
António Fonseca

VIDA DE S. PAULO - O PENTATEUCO - LEI DE DEUS

O PENTATEUCO - LEI DE DEUS

Para todo o israelita e para Paulo, a Lei era Luz, sabedoria, justificação e salvação, o seu orgulho e sustentáculo. Para Paulo a Lei foi apenas um mestre que formava e educava com os seus preceitos. Inicialmente esculpida por Moisés em pedras, era exterior ao homem, que depois a interiorizava através do estudo e observância rigorosa.
Na Nova Aliança estabelecida por Cristo, com a sua morte e ressurreição, é o próprio Deus que infunde uma «lei nova» no coração do homem, dando-lhe o seu Espírito. (Jr 31-33; Ez 36,26)
A Lei Nova, que substitui a Lei Antiga, é um dom de Deus que o homem deve acolher através da fé.
É a acção de Deus no homem que O acolhe e a Ele se abre.
SEGUE-SE
António Fonseca

VIDA DE S. PAULO - CHAMADO POR DEUS

CHAMADO POR DEUS
Ananias, sacerdote hebreu-cristão, faz a iniciação cristã de Paulo e administra-lhe o Baptismo (Act 9,18). Jesus, falando de Paulo, disse a Ananias: «Esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o meu Nome aos pagãos, os reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do meu Nome.» (Act 9,15-17)
Paulo, sempre atento à voz de Deus, é conquistado por Cristo. Reconhece que está no caminho errado e decide pronta e corajosamente mudar de rumo.
Depois de catequizado por Ananias, Paulo fez algumas tentativas missionárias entre os judeus que viviam em Damasco, mas passado pouco tempo teve de fugir e retirar-se durante algum tempo para o deserto da Arábia, situado entre o rio Jordão e o Eufrates. Paulo terá dedicado este tempo à sua formação, a interpretar em sentido cristão a leitura rabínica da Bíblia e as tradições religiosas de Israel.
Depois encontramo-lo novamente em Damasco «durante muitos dias» (Act 9,23) a pregar aos hebreus; mas as hostilidades, que vão aumentando contra ele, obrigam-no a fugir de noite, às escondidas.
Paulo decide então ir a Jerusalém para se encontrar com Pedro (Gl 1,19) e segundo esta mesma carta este primeiro tempo de actividade cristã de Paulo durará 3 anos, ou seja, até ao ano 38 d. C.
Em Jerusalém, não obstante a amizade de Pedro e de Barnabé, Paulo sofre a contínua hostilidade dos hebreus gregos e é aconselhado a regressar a Tarso, sua cidade natal (Act 9,29s; Gl 1,21). Uma aparição de Jesus no Templo de Jerusalém fez-lhe compreender claramente, naqueles dias, que deveria ser o Apóstolo das gentes. (cf. Act 22,17s)
No Concílio de Jerusalém recebe a missão de anunciar Jesus Cristo ao mundo pagão, a todos os povos (cf. Gl 2,7-9). É a esta missão que ele vai dedicar toda a sua vida, animado por um apaixonado amor a Cristo. Vai anunciar o Evangelho nas grandes cidades do Mediterrâneo, e fundar Igrejas, comunidades de homens e mulheres, livres ou escravos, judeus, gregos ou gentios que crêem em Cristo, que O amam e observam os seus mandamentos. A sua missão não é fácil. O seu passado de perseguidor da Igreja não lhe permite eliminar todas as suspeitas sobre a sua sinceridade e idoneidade. A sua vontade de procurar sempre o essencial da fé, choca com aqueles que querem misturar todas as religiões e criar novas exigências da Lei.
Perseguido pelos seus antigos colegas, tem de fugir para o deserto da Arábia para se encontrar com Deus e amadurecer a sua vocação.
SEGUE-SE
António Fonseca

VIDA DE S. PAULO - CONVERSÃO

A CONVERSÃO

Ainda adolescente, sem idade para poder apedrejar, assistiu ao martírio do diácono Estêvão, o primeiro mártir da Igreja. (Act 8,1).
Paulo, hebreu convicto, perseguia os cristãos porque os considerava como hereges, como uma seita contrária à verdadeira fé, que ameaçava a autoridade religiosa do judaísmo.
No ano 35, quando Saulo tinha cerca de 30 anos, na sua luta contra os cristãos chefia um grupo que vai galopando para Damasco, com autorização dos sumos sacerdotes, para eliminar um grupo de cristãos e levar os seus chefes algemados para Jerusalém.
Paulo diz que no caminho, já próximo de Damasco, se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do Céu e lhe apareceu Cristo Ressuscitado, que lhe disse:
«Saulo, Saulo, porque Me persegues?»
Saulo perguntou:
«Quem és Tu, Senhor
A voz respondeu:
«Eu sou Jesus a quem tu persegues.
Agora levanta-te, entra na cidade e e aí te dirão o que deves fazer»
(Act 9,1-7). Perseguindo os membros da Igreja, Paulo estava a perseguir Cristo que é a sua Cabeça.
Após o diálogo com Cristo Ressuscitado, Paulo, de perseguidor dos cristãos torna-se um homem novo, o mais ardente missionário do Evangelho, que irá dedicar o resto da sua vida a Cristo, numa contínua identificação com Ele ao ponto de poder dizer: «Para mim viver é Cristo» (Fl 1-21); «Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.» (Gl 2,20)
Desde aquele momento começa para Paulo uma nova etapa da vida, uma grande aventura que o levará por montes, desertos, mares, aldeias e cidades do Mediterrâneo Oriental, e que terminará em Roma com o martírio.
A SEGUIR: Chamado por Deus António Fonseca

VIDA DE S. PAULO

Mais uma transcrição que eu me permito fazer através do site de http://ecclesia.pr, agora sobre a Vida de S. Paulo. Com licença. António Fonseca
VIDA DE SÃO PAULO

Paulo nasceu entre o ano 5 e 10 da era cristã, em Tarso, capital da Cilícia, na Ásia Menor, cidade aberta às influências culturais e às trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Descende de uma família de judeus da diáspora, pertencente à tribo de Benjamim, que observava rigorosamente a religião dos seus pais, sem recusar os contactos com a vida e a cultura do Império Romano.

Os pais deram-lhe o nome de Saul (nome do primeiro rei dos judeus) e o apelido Paulo. O nome Saul passou para Saulo porque assim era este nome em grego. Mais tarde, a partir da sua primeira viagem missionária no mundo greco-romano, Paulo usa exclusivamente o sobrenome latino Paulus.

Recebeu a sua primeira educação religiosa em Tarso tendo por base o Pentateuco e a lei de Moisés. A partir do ano 25 d.C. vai para Jerusalém onde frequenta as aulas de Gamaliel, mestre de grande prestígio, aprofundando com ele o conhecimento do Pentateuco escrito e oral.

Aprende a falar e a escrever aramaico, hebraico, grego e latim. Pode falar publicamente em grego ao tribuno romano, em hebraico à multidão em Jerusalém (Act 21,37.40) e catequizar hebreus, gregos e romanos.

Paulo é chamado “o Apóstolo” por ter sido o maior anunciador do cristianismo depois de Cristo. Entre as grandes figuras do cristianismo nascente, a seguir a Cristo, Paulo é de facto a personalidade mais importante que conhecemos. É uma das pessoas mais interessantes e modernas de toda a literatura grega, e a sua Carta aos Coríntios é das obras mais significativas da humanidade.

Escreveu 13 cartas às igrejas por ele fundadas: cartas grandes: duas aos tessalonicenses; duas aos coríntios; aos gálatas; aos romanos. Da prisão: aos filipenses; bilhete a Filémon; aos colossenses; aos efésios. Pastorais: duas a Timóteo e uma a Tito.

Quando estava preso em Cesareia, Paulo apela para César e o governador Festo envia-o para Roma, aonde chegou na Primavera do ano 61. Viveu dois anos em Roma em prisão domiciliária. Sofreu o martírio no ano 67, no final do reinado de Nero, na Via Ostiense, a 5 quilómetros dos muros de Roma.

SEGUEM-SE MENSAGENS SOBRE

A conversão Chamado por Deus O Pentateuco - Lei de Deus A salvação vem de Deus Jesus Cristo para Paulo O centro da pregação de Paulo

António Fonseca

CARTA AOS GÁLATAS - S. PAULO

Cartas de São Paulo
Carta aos Gálatas
DA ESCRAVIDÃO PARA A LIBERDADE
Introdução
A Galácia não era uma cidade, mas uma região da Ásia Menor. Na segunda viagem missionária, Paulo atravessou «a Frígia e a região da Galácia» (Act 16,6), e ali fundou comunidades, depois visitadas (Act 18,23) durante a terceira viagem (53-57 d.C.). O livro dos Actos mostra que Paulo permaneceu longo tempo em Éfeso (Act 19,1-21,1). Foi ali, provavelmente, que o Apóstolo teve notícias de um ataque contra ele e a sua doutrina nas comunidades da Galácia. Alguns judeo-cristãos, ligados a certos círculos de Jerusalém, queriam impor aos pagãos convertidos a circuncisão e a observância da Lei mosaica. Além disso, ridicularizavam Paulo, negando a sua autoridade de Apóstolo, porque ele não pertencia ao grupo dos Doze. Diziam também que a doutrina sobre a caducidade da Lei era invenção de Paulo e não correspondia ao pensamento da Igreja de Jerusalém.
A carta aos Gálatas foi escrita no fim da estada de Paulo em Éfeso, provavelmente no Inverno de 56- 57. É a única carta de Paulo que não começa com acção de graças e não termina com bênção, facto que testemunha a sua indignação. De facto, em tom agressivo, defende o seu apostolado e doutrina, reafirmando que o Evangelho nada tem a ver com a Lei mosaica nem com qualquer outro tipo de espiritualidade legalista.
A carta aos Gálatas foi definida como o manifesto da liberdade cristã e universalidade da Igreja. Daí a sua importância. Contudo, libertação de quê e para quê? Libertação de uma vida programada externamente por um minucioso código de regras e leis, que conservam o homem numa atitude infantil diante da vida. Libertação para uma vida adulta e consciente, graças ao uso responsável da liberdade. A vida do homem não deve ser determinada por um código de leis, mas por um compromisso pessoal e íntimo com Cristo, que está presente no profundo do ser humano (2,20). A liberdade é conduzida pelo amor a si mesmo e aos outros, amor que é compromisso activo com o crescimento do outro (5,6. 13-14).
Ao ler a carta aos Gálatas, nós, cristãos de hoje, somos convidados a uma séria revisão: onde está a motivação fundamental que dirige a nossa vida cristã? Numa série de observâncias mecânicas de leis e ritos? Ou no compromisso com Jesus Cristo, que se realiza através do amor responsável e criativo?
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Endereço e saudação
[1]Paulo, Apóstolo não da parte dos homens, nem por meio de um homem, mas da parte de Jesus Cristo e de Deus Pai, que O ressuscitou dos mortos. 2Eu e todos os irmãos que estão comigo, às Igrejas da Galácia. 3Que a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco. 4Cristo entregou-Se pelos nossos pecados para nos arrancar deste mundo mau, segundo a vontade do nosso Deus e Pai. 5A Deus seja dada glória para sempre. Ámen.
Não existe outro Evangelho
— 6Estou admirado por estardes a abandonar tão depressa Aquele que vos chamou por meio da graça de Cristo, para aceitardes outro Evangelho. 7Na realidade, porém, não existe outro Evangelho. Há somente pessoas que semeiam confusão entre vós e querem deturpar o Evangelho de Cristo. 8Maldito aquele que vos anunciar um evangelho diferente daquele que vos anunciámos, ainda que sejamos nós mesmos ou algum anjo do céu. 9Já vos dissemos antes e agora repetimos: Maldito seja quem vos anunciar um evangelho diferente daquele que recebestes. 10Porventura procuro a aprovação dos homens, ou a aprovação de Deus? Ou procuro agradar aos homens? Se procurasse agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
Paulo ensina o que recebeu de Deus
— 11Irmãos, eu vos declaro: o Evangelho por mim anunciado não é invenção humana. 12E, além disso, não o recebi nem aprendi através de um homem, mas por revelação de Jesus Cristo. 13Certamente ouvistes falar do que eu fazia quando estava no judaísmo. Sabeis como eu perseguia com violência a Igreja de Deus e fazia de tudo para a arrasar. 14Eu superava no judaísmo a maior parte dos compatriotas da minha idade e procurava seguir com todo o zelo as tradições dos meus antepassados. 15Deus, porém, escolheu-me antes de eu nascer e chamou-me por sua graça. Quando Ele resolveu 16revelar em mim o seu Filho, para que eu O anunciasse entre os pagãos, não consultei ninguém, 17nem subi a Jerusalém para me encontrar com aqueles que eram Apóstolos antes de mim. Pelo contrário, fui para a Arábia e depois voltei a Damasco. 18Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Pedro e fiquei com ele quinze dias. 19Entretanto, não vi nenhum outro Apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20Deus é testemunha: o que vos escrevo não é mentira. 21Depois fui para as regiões da Síria e da Cilícia, 22de modo que as Igrejas de Cristo na Judeia não me conheciam pessoalmente. 23Elas apenas ouviam dizer: «Aquele que nos perseguia, agora anuncia a fé que antes procurava destruir». 24E louvavam a Deus por minha causa.
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Unidade da Igreja e liberdade cristã
— 1Catorze anos depois, voltei a Jerusalém com Barnabé e levei também Tito comigo. 2Fui lá seguindo uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que anuncio aos pagãos, mas expu-lo reservadamente às pessoas mais notáveis, para não me arriscar a correr ou ter corrido em vão. 3Nem Tito, meu companheiro, que é grego, foi obrigado a circuncidar-se. 4Nem mesmo por causa dos falsos irmãos, os intrusos que se infiltraram para espiar a liberdade que temos em Jesus Cristo, a fim de nos tornar escravos. 5Mas para que a verdade do Evangelho continuasse firme entre vós, em nenhum momento nos submetemos a essas pessoas. 6No que se refere àqueles mais notáveis — pouco me importa o que eles eram então, porque Deus não faz diferença entre as pessoas — esses mesmos notáveis nada mais me impuseram.
7Pelo contrário, viram que a mim fora confiada a evangelização dos não circuncidados, assim como a Pedro fora confiada a evangelização dos circuncidados. 8De facto, Aquele que tinha agido em Pedro para o apostolado entre os circuncidados, também tinha agido em mim a favor dos pagãos. 9Por isso, Tiago, Pedro e João, considerados como colunas, reconheceram a graça que me fora concedida, estenderam a mão a mim e a Barnabé em sinal de comunhão: nós trabalharíamos com os pagãos e eles com os circuncidados. 10Eles recomendaram-nos apenas que nos lembrássemos dos pobres, o que procurei fazer com grande solicitude.
O perigo da hipocrisia
— 11Quando Pedro foi a Antioquia, enfrentei-o em público, porque ele estava claramente errado. 12De facto, antes de chegarem algumas pessoas da parte de Tiago, ele comia com os pagãos; mas, depois que chegaram, Pedro começou a evitar os pagãos e já não se misturava com eles, pois tinha medo dos circuncidados. 13Os outros judeus também começaram a fingir com ele, de modo que até Barnabé se deixou levar pela hipocrisia dele.
14Quando vi que eles não estavam a agir conforme a verdade do Evangelho, disse a Pedro, na frente de todos: «Tu és judeu, mas vives como os pagãos e não como os judeus. Como podes, então, obrigar os pagãos a viverem como judeus?»
Jesus Cristo é o centro da vida
— 15Nós somos judeus de nascimento, e não pagãos pecadores. 16Sabemos, entretanto, que o homem não se torna justo pelas obras da Lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Nós também acreditamos em Jesus Cristo, a fim de nos tornarmos justos pela fé em Cristo e não pela observância da Lei, pois com a observância da Lei ninguém se tornará justo. 17Nós procuramos tornar-nos justos em Cristo; mas também somos pecadores como os outros. Então, será que Cristo estaria ao serviço do pecado? Claro que não! 18De facto, se eu reconstruo o que destruí, eu próprio me torno culpável.
19Quanto a mim, foi através da Lei que eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Fui morto na cruz com Cristo. 20Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim. 21Portanto, não torno inútil a graça de Deus, porque, se a justiça vem através da Lei, então Cristo morreu em vão.
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A experiência dos Gálatas
— 1Gálatas insensatos! Quem vos enfeitiçou, vós que tivestes diante dos próprios olhos uma descrição clara de Jesus Cristo crucificado? 2Respondei-me somente uma coisa: foi por causa da observância da Lei que recebestes o Espírito, ou foi porque ouvistes a mensagem da fé? 3Sois tão insensatos, a ponto de ter começado com o Espírito e agora terminar na carne? 4Foi em vão que fizestes tantas experiências? Se é que foi em vão! 5Aquele que vos dá o Espírito e realiza milagres entre vós, será que Ele o faz por causa da observância da Lei, ou é porque ouvistes a mensagem da fé?
Os verdadeiros filhos de Abraão
— 6Foi assim que Abraão teve fé em Deus, e isso foi-lhe creditado como justiça. 7Sabei, portanto, que somente aqueles que têm fé são filhos de Abraão. 8É por isso que a Escritura, prevendo que Deus tornaria justos os pagãos através da fé, predisse a Abraão esta boa notícia: «Em ti todas as nações serão abençoadas». 9Portanto, aqueles que têm fé são os abençoados juntamente com Abraão, que acreditou. 10Os que observam a Lei, porém, estão todos debaixo do peso da maldição, pois a Escritura diz: «Maldito seja todo aquele que não é fiel a todas as coisas que estão escritas no livro da Lei para serem praticadas». 11Além disso, é evidente que ninguém pode tornar-se justo diante de Deus através da Lei, pois o justo viverá pela fé. 12Ora, a Lei não se baseia sobre a fé, pois diz: «Quem praticar os preceitos da Lei, viverá por meio deles». 13Cristo resgatou-nos da maldição da Lei, tornando-Se Ele próprio maldição por nós, como diz a Escritura: «Maldito seja todo aquele que for suspenso no madeiro». 14Isso aconteceu para que, em Jesus Cristo, a bênção de Abraão se estendesse aos pagãos e para que nós recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido.
A promessa e a Lei
— 15Irmãos, vou fazer uma comparação: ninguém pode invalidar ou modificar um testamento legitimamente feito. 16Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. A Escritura não diz no plural: «e aos descendentes»; mas no singular: «e ao seu descendente », isto é, a Cristo. 17O que eu quero dizer é o seguinte: Deus firmou um testamento de modo legítimo. A Lei, que veio quatrocentos e trinta anos mais tarde, não pode invalidar esse testamento, anulando assim a promessa. 18De facto, se é através da Lei que se recebe a herança, já não é mediante a promessa. Ora, foi por meio de uma promessa que Deus concedeu a sua graça a Abraão.
O papel da Lei
— 19Então, porque é que foi dada a Lei? Ela foi acrescentada para mostrar as transgressões, até à chegada do descendente, em vista do qual foi feita a promessa. A Lei foi promulgada pelos anjos, e um homem serviu de intermediário. 20Ora, esse intermediário não representa uma pessoa só, e Deus é um só. 21Então, a Lei estará contra as promessas de Deus? Claro que não! Se tivesse sido dada uma lei capaz de comunicar a vida, então sim, realmente a justiça viria da Lei.
22A Escritura, porém, colocou tudo sob o domínio do pecado, a fim de que a promessa fosse concedida aos que acreditam, mediante a fé em Jesus Cristo. 23Antes que chegasse a fé, a Lei tomava conta de nós, à espera da fé que devia ser revelada. 24A Lei, portanto, é para nós como um pedagogo que nos conduziu a Cristo, para que nos tornássemos justos mediante a fé.
A chegada da fé
— 25Chegada a fé, já não estamos sob os cuidados de um pedagogo. 26De facto, todos vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, 27pois todos vós, que fostes baptizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. 28Já não há diferença entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vós sois um só em Jesus Cristo. 29E se pertenceis a Cristo, então sois de facto a descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa.
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Adultos em Cristo
— 1Vou dar-vos outro exemplo: durante todo o tempo em que o herdeiro é criança, embora seja dono de tudo, é como se fosse um escravo. 2Até chegar à data fixada pelo pai, ele fica sob tutores e pessoas que administram os seus negócios. 3O mesmo aconteceu connosco: éramos como crianças e andávamos como escravos, submetidos aos elementos do mundo.
4Quando, porém, chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho. Ele nasceu de uma mulher, submetido à Lei 5para resgatar aqueles que estavam submetidos à Lei, a fim de que fôssemos adoptados como filhos. 6A prova de que sois filhos é o facto de que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que clama: Abba, Pai! 7Portanto, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro por vontade de Deus. 8No passado, quando não conhecíeis a Deus, éreis escravos de deuses, que na realidade não são deuses. 9Agora, porém, conheceis a Deus, ou melhor, agora Deus conhece-vos. Então, como é que quereis voltar de novo àqueles elementos fracos e sem valor? Porque quereis novamente ficar escravos deles? 10Vós observais cuidadosamente os dias, os meses, as estações e os anos! 11Receio ter-me cansado inutilmente por vós.
Apelo pessoal de Paulo
— 12Irmãos, peço-vos que sejais como eu, porque eu também me tornei como vós. Não me ofendestes em nada. 13E sabei que foi por causa de uma doença física que eu vos evangelizei na primeira vez. 14E vós não me desprezastes nem me rejeitastes, apesar do meu físico ser para vós uma provação. Pelo contrário, acolhestes-me como a um anjo de Deus ou até como a Jesus Cristo.
15Onde está a alegria que experimentastes então? Pois eu dou testemunho de que, se fosse possível, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar. 16E agora, será que me tornei inimigo, só porque vos disse a verdade? 17Esses homens mostram grande interesse por vós, mas a intenção deles não é boa; o que eles querem é separar-vos de mim, para que vos interesseis por eles. 18Seria bom que vos interessásseis sempre pelo bem, e não só quando estou presente entre vós. 19Meus filhos, sofro novamente como que dores de parto, até que Cristo esteja formado em vós. 20Gostaria de estar junto de vós neste momento, e de mudar o tom da minha voz, porque já não sei que atitude tomar convosco.
Escravidão e liberdade
— 21Vós que quereis ficar submetidos à Lei, dizei-me uma coisa: será que não ouvis o que diz a Lei? 22De facto, nela está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da mulher livre. 23O filho da escrava nasceu de modo natural, enquanto o filho da mulher livre nasceu por causa da promessa. Simbolicamente 24isso quer dizer o seguinte: as duas mulheres representam as duas alianças. Uma, a do monte Sinai, gera para a escravidão e é representada por Agar 25(pois o monte Sinai está na Arábia, que é o país de Agar). E Agar corresponde à Jerusalém actual, que é escrava juntamente com os seus filhos. 26Mas a Jerusalém do alto é livre, e é a nossa mãe. 27Porque está na Escritura: «Alegra-te, estéril, tu que não davas à luz! Grita de alegria, tu que não conheceste as dores do parto, porque os filhos da abandonada são mais numerosos do que os filhos daquela que tem marido».
28Vós, irmãos, sois filhos da promessa, como Isaac.
29Acontece agora como acontecia naquele tempo: o que nasceu de modo natural persegue aquele que nasceu segundo o Espírito. 30Mas o que é que diz a Escritura? «Expulsa a escrava e o filho dela, porque o filho da escrava não receberá a herança juntamente com o filho da mulher livre». 31Portanto, irmãos, nós não somos filhos da escrava, mas da mulher livre.
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A liberdade cristã
— 1Cristo libertou-nos para que sejamos verdadeiramente livres. Portanto, permanecei firmes e não vos submetais de novo ao jugo da escravidão.
2Eu, Paulo, declaro-vos: se vos fazeis circuncidar, Cristo de nada adiantará para vós. 3E a todo o homem que se faz circuncidar, eu declaro: agora está obrigado a observar toda a Lei. 4Vós que procurais a justiça na Lei desligastes-vos de Cristo e separastes-vos da graça. 5Nós, de facto, aguardamos no Espírito a esperança de nos tornarmos justos através da fé, 6porque, em Jesus Cristo, o que conta não é a circuncisão ou a não circuncisão, mas a fé que age por meio do amor. 7Vós corríeis bem. Quem vos impediu de obedecer à verdade? 8Tal influência não vem d’Aquele que vos chama. 9Um pouco de fermento basta para levedar toda a massa! 10Confio no Senhor que vós estais de acordo com isto. Aquele, porém, que vos perturba, seja ele quem for, sofrerá a condenação. 11Quanto a mim, irmãos, se é verdade que ainda prego a circuncisão, porque sou então perseguido? Nesse caso, o escândalo da cruz estaria anulado! 12Oxalá aqueles que vos perturbam se mutilem de uma vez por todas!
A vida segundo o Espírito
— 13Irmãos, fostes chamados para serdes livres. Que essa liberdade, porém, não se torne desculpa para viverdes satisfazendo os instintos egoístas. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros através do amor. 14Pois toda a Lei encontra a sua plenitude num só mandamento: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». 15Mas, se vos mordeis e vos devorais uns aos outros, tomai cuidado! Podereis acabar por vos destruirdes uns aos outros.
16Por isso é que vos digo: vivei segundo o Espírito, e já não fareis o que os instintos egoístas desejam. 17Porque os instintos egoístas têm desejos que estão contra o Espírito, e o Espírito contra os instintos egoístas; os dois estão em conflito, de modo que não fazeis o que quereis. 18Mas, se fordes conduzidos pelo Espírito, já não estareis submetidos à Lei. 19Além disso, as obras dos instintos egoístas são bem conhecidas: fornicação, impureza, libertinagem, 20idolatria, feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, 21inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes. Repito o que já disse: os que fazem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. 22Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, 23mansidão e domínio de si. Contra essas coisas não existe lei. 24Os que pertencem a Cristo crucificaram os instintos egoístas juntamente com as suas paixões e desejos. 25Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também sob o impulso do Espírito. 26Não sejamos ambiciosos de glória, provocando-nos mutuamente e tendo inveja uns dos outros.
6
A lei de Cristo
— 1Irmãos, se alguém for apanhado em alguma falta, vós que sois espirituais, admoestai com mansidão essa pessoa. E cada um cuide de si mesmo, para não ser também tentado.
2Levai os fardos uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. 3Se alguém pensa que é importante, quando de facto não o é, está-se enganando a si mesmo. 4Cada um examine a sua conduta, e então achará motivo de satisfação na sua própria pessoa, e não por comparação com os outros, 5porque cada um deve levar a sua própria carga.
6Aquele que recebe o ensinamento da Palavra deve repartir todos os bens com o catequista. 7Não vos iludais, pois com Deus não se brinca: cada um colherá aquilo que tiver semeado. 8Quem semeia nos instintos egoístas, dos instintos egoístas colherá corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. 9Não nos cansemos de fazer o bem; se não desanimarmos, quando chegar o tempo, colheremos. 10Portanto, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, especialmente aos que pertencem à nossa família na fé.
Gloriar-se na cruz de Cristo
— 11Vede com que letras grandes vos escrevo de meu próprio punho. 12Os que querem impor-vos a circuncisão, são aqueles que estão preocupados em fazer boa figura. Fazem isso para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. 13De facto, nem mesmo os próprios circuncidados observam a Lei. Eles querem que vos circuncideis, apenas para eles se gloriarem de terem marcado o vosso corpo. 14Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim e eu para o mundo. 15O que importa não é a circuncisão ou a não circuncisão, mas sim a nova criação. 16Que a paz e a misericórdia estejam sobre todos os que seguirem esta norma, assim como sobre todo o Israel de Deus.
17De agora em diante ninguém mais me moleste, pois trago no meu corpo as marcas de Jesus.
Saudação final
— 18Irmãos, que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com o vosso espírito. Ámen.
«««««««««««««««««««««««««««««««««««REFLEXÃO»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»
[1]1,1-5: Dizendo-se Apóstolo, Paulo reivindica para si a mesma autoridade que os Doze. O Evangelho que ele prega é o Evangelho da salvação, obtida pela fé em Jesus Cristo e não pela observância da Lei.
6-10: Os Gálatas convertidos à fé cristã eram de origem pagã e nunca haviam praticado a religião judaica. Paulo anunciara-lhes que o Evangelho é, antes de tudo, a própria pessoa de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e nos trazer a salvação através da fé. Todavia, alguns judeus convertidos anunciavam «outro evangelho». Segundo eles, para a salvação era também necessário ser circuncidado e observar a Lei judaica.
11-24: Os judeo-cristãos criticam a autoridade de Paulo, dizendo que ele não é Apóstolo como aqueles que Jesus tinha escolhido. E Paulo defende-se, contando a história da sua vocação (cf. Act 9), nascida de uma experiência directa de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Tal experiência transformou-o profundamente: de perseguidor, tornou-se Apóstolo. Na origem da sua missão, portanto, não há nenhuma interferência humana. Quando Paulo vai a Jerusalém, é simplesmente para conhecer Pedro e Tiago (cf. Act 9,23-30).
2,1-10: Na segunda vez que vai a Jerusalém (cf. Act 15), Paulo tem duas preocupações: fazer um acordo com Pedro, Tiago e João, para manter a unidade das Igrejas; e, ao mesmo tempo, assegurar que os pagãos convertidos não precisem de observar a religião judaica. A viagem tem dois resultados importantes: as autoridades da Igreja de Jerusalém reconhecem o Evangelho, tal como Paulo e Barnabé o pregam aos pagãos; é feito um acordo prático, delimitando os campos de apostolado de Pedro e de Paulo. O sinal visível desse acordo é a preocupação e o auxílio aos pobres (cf. 2Cor 8-9).
11-14: Um judeu não podia comer ao lado de um pagão, pois ficaria impuro, violando a Lei. Contudo, no encontro em Jerusalém, ficara resolvido que os pagãos convertidos ao cristianismo não precisavam de observar a Lei judaica. A atitude de Pedro é hipócrita: por medo de ser criticado pelos judeo-cristãos, evita comer com os pagãos convertidos. O facto é grave, pois o comportamento hipócrita de um chefe da Igreja causa divisões, esvazia o trabalho da evangelização, chegando até mesmo a desviar a comunidade do verdadeiro Evangelho.
15-21: Para Paulo, nenhuma força humana, nem mesmo a Lei dos judeus tem o poder de arrancar o homem da situação de pecado em que vive. Só um acto de Deus pode realizá-lo, concedendo gratuitamente uma amnistia. E Deus concedeu-a através de Jesus Cristo, que morreu pelos nossos pecados. Essa amnistia proclamada na cruz chega até mim no momento em que eu acredito que, em Jesus Cristo, Deus realizou esse dom. Acreditar em Jesus Cristo é colocá-l’O no centro da vida, a ponto de poder dizer: «Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim».
3,1-5: Os Gálatas ouviram a pregação do Evangelho, converteram-se a Jesus Cristo e foram baptizados. A partir da fé, puderam experimentar na sua vida o dom do Espírito, que reúne os homens e os faz colaborar entre si para o crescimento de todos. Até esse momento, os Gálatas não conheciam a Lei judaica. Para que serve agora circuncidar-se e observar tal Lei? O que poderiam dela receber a mais? A sua atitude mostra apenas que estão a voltar para trás.
6-14: Os pregadores judeo-cristãos certamente diziam aos Gálatas que Jesus era judeu e filho de Abraão; por isso os Gálatas deviam ser circuncidados e observar a Lei judaica, para serem filhos de Abraão e fiéis a Jesus. Contudo, Paulo salienta que, desde Abraão, a fé nas promessas é que dá a vida. Quem tem fé torna-se filho e herdeiro de Abraão. Quanto à Lei, em vez de tornar justo o homem, traz a maldição para os que não a cumprem. A promessa dirigia-se a Cristo (v. 16): submetendo-Se à maldição da Lei pela morte de cruz, Ele resgatou-nos pela fé e estendeu a todos os povos a bênção prometida a Abraão.
15-18: O testamento ou aliança de Deus, no qual estão contidas as promessas feitas a Abraão e ao seu descendente, não pode ser anulado pela Lei, pois esta veio depois das promessas. O «descendente» de que fala a Escritura é uma só pessoa e, para Paulo, essa pessoa só pode ser Cristo. Em Cristo, portanto, nós somos herdeiros de uma promessa que foi feita directamente a Abraão, e não através da Lei.
19-24: No mundo greco-romano, o pedagogo era um escravo severo, que tinha como tarefa vigiar, admoestar e castigar o comportamento das crianças de uma família. Esse foi o papel da Lei: mostrar a incapacidade de o homem se salvar, dar-lhe consciência dos seus pecados e mantê-lo na expectativa da realização da promessa, a fim de ser liberto da própria Lei.
25-29: O papel da Lei terminou com a chegada de Cristo. Pela fé n’Ele e pelo baptismo, os homens revestem-se de Cristo, isto é, são transformados para se tornarem imagem d’Ele (cf. Cl 3,11). Em Cristo, portanto, os homens ficam libertos de qualquer lei e de qualquer diferença que possa privilegiar uns e marginalizar outros.
4,1-11: Paulo coloca no mesmo plano os ritos religiosos pagãos e os ritos judaicos. Se os Gálatas se submeterem aos costumes judaicos, estarão a viver a mesma vida pagã de outrora, submissos e escravos de outras criaturas. O homem de fé deve depender unicamente do seu Criador, de quem se tornou filho, graças a Cristo. Cf. nota em Rm 8,14-17.
12-20: Paulo interrompe o raciocínio e, emocionado, relembra o entusiasmo inicial dos Gálatas, que o trataram com carinho e como enviado de Deus, apesar da sua enfermidade. Fala com ironia dos intrusos que os querem escravizar com as suas concepções. Por fim, mostra que está gerando os Gálatas em novo parto. O primeiro foi quando os gerou para a fé; agora, sofre até que Cristo esteja de tal forma presente nas suas vidas, a ponto de não precisarem de recorrer a qualquer outra coisa.
21-31: Paulo serve-se das histórias de Agar e Sara (cf. Gn 16,1-16; 21,8-21) para fazer a comparação entre a antiga e a nova Aliança. O filho que Abraão teve de Agar, «de modo natural», é escravo e simboliza os que estão sob a Lei. O filho que Abraão teve de Sara, «por causa da promessa», é livre como aqueles que nasceram do Espírito através da fé em Jesus.
5,1-12: Cristo libertou-nos, mas podemos tornar-nos escravos outra vez. Precisamos de permanecer vigilantes, a fim de mantermos a liberdade e nela crescer. Os vv. 5-6 apresentam a estrutura da vida cristã: o cristão é aquele que, pela fé, acolhe a acção do Espírito e a comunica através do amor; e é do Espírito que ele espera a ressurreição, a vida no Reino de Deus. A fé, o amor e a esperança são, portanto, as atitudes características do cristão, a estrutura da vida nova.
13-15: A vida cristã é um chamamento à liberdade. Esta, porém, não deve ser confundida com libertinagem, que é buscar e colocar tudo ao serviço de si mesmo. A verdadeira liberdade leva o homem a crescer no amor e no dom de si, para se pôr ao serviço dos outros. Como os sinópticos (cf. Mc 12,31), Paulo resume a Lei no mandamento de Lv 19,18: quem ama o próximo, realiza a vontade de Deus.
16-18: As expressões «segundo o Espírito» e «segundo os instintos egoístas» (lit.: carne) não designam duas partes do homem, mas duas orientações diferentes de comportamento: «segundo o Espírito» é a orientação do amor, que leva o homem a servir o outro; «segundo os instintos egoístas» é a orientação do egoísmo, que leva o homem a servir-se a si mesmo.
19-21: Paulo certamente não pretende fazer uma lista completa dos vícios do homem egoísta. Os que são enumerados aqui podem ser divididos em quatro categorias; a impureza, que perverte o amor humano; a idolatria e a feitiçaria, que pervertem a relação com Deus, único absoluto; as divisões, que pervertem as relações sociais; os excessos da mesa, que revelam a perda da dignidade humana. que leva o homem a servir o outro; «segundo os instintos egoístas» é a orientação do egoísmo, que leva o homem a servir-se a si mesmo.
19-21: Paulo certamente não pretende fazer uma lista completa dos vícios do homem egoísta. Os que são enumerados aqui podem ser divididos em quatro categorias; a impureza, que perverte o amor humano; a idolatria e a feitiçaria, que pervertem a relação com Deus, único absoluto; as divisões, que pervertem as relações sociais; os excessos da mesa, que revelam a perda da dignidade humana.
22-26: Os cristãos são chamados a viver de acordo com Jesus Cristo, isto é, deixando-se guiar pelo Espírito de Cristo, vivendo o amor. Como no caso dos vícios, aqui também não há a pretensão de fazer uma lista completa das virtudes. O que Paulo enumera são as condições em que nasce e se desenvolve o amor (fé, mansidão, domínio de si), os sinais da presença do amor (alegria e paz) e as manifestações activas do amor (paciência, bondade, benevolência).
6,1-6: A lei de Cristo não é um legalismo cristão que substitui o judaico. Equivale à «lei do Espírito, que dá a vida em Jesus Cristo» (Rm 8,2). A única lei que Jesus Cristo deixou aos cristãos, e que Ele próprio viveu, é a lei do amor (5,14). Obedecer à lei de Cristo é viver o amor como Jesus o viveu. O amor activo nasce da liberdade e empenha a totalidade do homem em tarefas concretas frente às situações da vida, levando-o a realizar muito mais do que qualquer lei poderia exigir.
7-10: O juízo final nada mais é do que a conclusão natural de uma escolha de vida. Porque, viver segundo os instintos egoístas leva à corrupção, à morte; e viver segundo o Espírito ou segundo o amor conduz à vida eterna.
11-18: Paulo acusa os pregadores judaizantes de orgulho, covardia e falsidade. De facto, eles visam a glória pessoal, fogem da perseguição e, embora preguem a Lei, eles próprios não a praticam. Paulo, porém, mesmo perseguido, gloria-se apenas na cruz de Cristo, porque é dela que nasceu a nova Criação, diante da qual ser ou não ser circuncidado é algo que já não tem importância.
LOUVADO SEJA DEUS,
NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
E SUA MÃE MARIA SANTÍSSIMA
POR TODOS OS SÉCULOS DOS SÉCULOS.
AMÉN.
============================= ============================
Caros amigos e Irmãos em Cristo;
Com a publicação da Carta aos Gálatas, termino hoje a transcrição que decidi levar a cabo, das Cartas de S. Paulo (não exactamente pela ordem em que estão editadas no site da http://ecclesia.pt) - mas creio que não é por isso que virá mal ao Mundo .... o que interessa de facto, quanto a mim - é que as consegui transcrever todas, apesar das dificuldades que tive por apenas estar a utilizar um dedo da mão direita, por ter o braço esquerdo engessado.
Estou satisfeito por ter completado esta tarefa e agora vou tentar transcrever mais coisas sobre S. Paulo, do mesmo modo que fiz até hoje, através do mesmo site acima referenciado, isto pelo menos até ao próximo dia 27, altura em que julgo ser possível retirar o gesso, queira Deus.
Desculpem-me qualquer coisinha ... obrigado e bem hajam.
António Fonseca

CARTA AOS FILIPENSES - S. PAULO

Cartas de São Paulo
Carta aos Filipenses
O VERDADEIRO EVANGELHO
Introdução
Filipos foi a primeira cidade europeia a receber a mensagem cristã (Act 16,6-40). Paulo chegou lá na Primavera do ano 50, durante a segunda viagem missionária.
O primeiro núcleo da comunidade por ele fundada formou-se através de reuniões em casa de Lídia, uma negociante de púrpura, que acolhera Paulo por ocasião da sua visita. O Apóstolo voltou a Filipos outras vezes, durante as suas várias passagens pela Macedónia.
Os cristãos de Filipos foram sempre os mais ligados ao Apóstolo e diversas vezes o socorreram com auxílio material (Fl 4,16; 2Cor 11,9).
A carta aos Filipenses foi escrita na prisão, provavelmente em Éfeso, entre os anos 55-57 (Act 19). Paulo está incerto sobre o rumo que a sua situação vai tomar: poderá ser morto ou posto em liberdade. Mas espera ser libertado e poder visitar de novo, pessoalmente, a comunidade de Filipos.
Vários motivos levam Paulo a escrever esta carta:
— deseja agradecer o auxílio enviado pela comunidade (2,25; 4,10-20); — anuncia a visita de Timóteo a Filipos e explica a razão do regresso imprevisto de Epafrodito (2,19- 30); — adverte a comunidade sobre a divisão causada pelo espírito de competição e egoísmo de alguns (2,1-4); — previne a comunidade contra os pregadores judaizantes, que colocam a salvação na circuncisão e na observância da Lei (3,2-11); — relembra aos cristãos de Filipos que a autenticidade do Evangelho, anunciado e vivido, está na cruz de Cristo (2,5-11).
Paulo demonstra afecto e gratidão pela comunidade de Filipos e, por isso, quer vê-la sempre fiel ao Evangelho. Alguns pregadores insistem em que a salvação depende da Lei. O Apóstolo mostra com vigor que a salvação só depende de Jesus Cristo. É Jesus que, feito homem e morto numa cruz, recebeu do Pai o poder de dar aos homens a salvação. E todo aquele que não transmite isto pelo testemunho de vida e pela palavra, será sempre falso transmissor do Evangelho. Esta carta, portanto, fornece o critério para que uma comunidade cristã saiba reconhecer o verdadeiro Evangelho e quais são os pregadores autênticos.
1
Endereço e saudação
[1]Eu, Paulo, e Timóteo, servos de Jesus Cristo, enviamos esta carta a todos os cristãos que moram na cidade de Filipos, assim como aos seus dirigentes e diáconos. 2Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco.
Agradecimento e pedido
— 3Agradeço ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós. 4E sempre, nas minhas orações, rezo por todos com alegria, 5porque cooperastes no anúncio do Evangelho, desde o primeiro dia até agora. 6Tenho a certeza de que Deus, que em vós começou esse bom trabalho, vai continuá-lo até que seja concluído no dia de Jesus Cristo. 7É justo que eu pense assim de todos vós, porque estais no meu coração. De facto participais comigo da graça que recebi, seja nas prisões, seja na defesa e confirmação do Evangelho. 8Deus é testemunha de que eu vos quero bem a todos com a ternura de Jesus Cristo.
9Este é o meu pedido: que o vosso amor cresça cada vez mais em perspicácia e sensibilidade em todas as coisas. 10Deste modo, podereis distinguir o que é melhor, e assim chegar íntegros e inocentes ao dia de Cristo. 11Estareis repletos então dos frutos de justiça obtidos por meio de Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.
Prisão e anúncio do Evangelho
— 12Irmãos, quero que saibais: o que me aconteceu ajudou o Evangelho a progredir. 13Tanto no pretório como em outros lugares, todos ficaram a saber que estou na prisão por causa de Cristo. 14E a maioria dos irmãos, vendo que estou na prisão, têm mais confiança no Senhor, e mais ousadia para anunciar sem medo a Palavra. 15É verdade que alguns proclamam Cristo por inveja e espírito de competição; outros, porém, anunciam com boa intenção. 16Estes proclamam a Cristo por amor, sabendo que a minha missão é defender o Evangelho. 17Os outros não anunciam com sinceridade, mas por competição, pensando que vão aumentar os meus sofrimentos enquanto estou na prisão. 18Mas, que importância anunciado, e eu fico contente com isso e continuarei a alegrar-me.
Viver para Cristo
— 19De facto, sei que tudo isto há-de servir para a minha salvação, através das vossas orações e do Espírito de Jesus Cristo, que me socorre. 20O que desejo e espero é não fracassar, mas, agora como sempre, manifestar com toda a coragem a glória de Cristo no meu corpo, tanto na vida como na morte. 21Pois, para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. 22Mas, se eu ainda continuar a viver, poderei fazer algum trabalho útil. Por isso é que não sei bem o que escolher. 23Fico na indecisão: o meu desejo é partir desta vida e estar com Cristo, o que é muito melhor. 24No entanto, por vossa causa, é mais necessário que eu continue a viver. 25Convencido disso, sei que vou ficar convosco. Sim, vou ficar com todos vós, para vos ajudar a progredir e a ter alegria na fé. 26Assim, quando eu voltar para junto de vós, o vosso orgulho em Jesus Cristo irá aumentar por causa de mim.
Lutar pela fé
— 27Uma só coisa: comportai-vos como pessoas dignas do Evangelho de Cristo. Deste modo, indo ver-vos ou estando longe, que eu oiça dizer que estais firmes num só espírito, lutando juntos numa só alma pela fé do Evangelho, 28e que não temeis os vossos adversários. Para eles, isso é sinal de perdição, mas para vós é sinal de salvação, e isso vem de Deus. 29Pois Deus concedeu-vos não só a graça de acreditar em Cristo, mas também de sofrer por Ele, 30empenhados na mesma luta em que me vistes empenhado, e na qual, como sabeis, ainda agora me empenho.
2
O Evangelho autêntico
— 1Portanto, se há um conforto em Cristo, uma consolação no amor, se existe uma comunhão de espírito, se existe ternura e compaixão, 2completai a minha alegria: tende uma só aspiração, um só amor, uma só alma e um só pensamento. 3Não façais nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo. 4Que cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. 5Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo:
6Ele tinha a condição divina, mas não Se apegou à sua igualdade com Deus. 7Pelo contrário, esvaziou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-Se semelhante aos homens. Assim, apresentando-Se como simples homem, 8humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz! 9Por isso, Deus O exaltou grandemente e Lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome; 10para que, ao Nome de Jesus, se dobre todo o joelho no Céu, na Terra e sob a Terra; 11e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
A tarefa da comunidade cristã
— 12Portanto, meus amados, obedecendo como sempre, não só como no tempo em que eu estava aí presente, mas muito mais agora que estou longe, continuai a trabalhar com temor e tremor, para a vossa salvação. 13De facto, é Deus que desperta em vós a vontade e a acção, conforme a sua benevolência.
14Fazei tudo sem murmurações e sem críticas, 15para serdes inocentes e íntegros, como perfeitos filhos de Deus que vivem no meio de gente pecadora e corrompida, onde brilhais como astros no mundo, 16apegando-vos firmemente à Palavra da vida. Deste modo, no Dia de Cristo, orgulhar-me-ei de não ter corrido nem trabalhado em vão. 17E mesmo que o meu sangue seja derramado sobre o sacrifício e sobre a oferta da vossa fé, fico contente e alegro-me com todos vós. 18Assim, também vós alegrai-vos e congratulai-vos comigo.
Timóteo e Epafrodito: companheiros na luta
— 19Espero no Senhor Jesus enviar-vos brevemente Timóteo, para que também eu me anime com as vossas notícias. 20De facto, ele é o único que sente como eu e se preocupa sinceramente com os vossos problemas. 21Porque todos os outros buscam os próprios interesses, e não os de Jesus Cristo. 22Vós mesmos sabeis como Timóteo deu provas do eu valor: como filho junto do pai, ele colocou-se ao meu lado ao serviço do Evangelho. 23Espero, portanto, enviar-vo-lo logo que eu veja claro como vai ficar a minha situação. 24Além disso, tenho fé no Senhor de que também eu irei ver-vos brevemente. 25Entretanto, achei necessário enviar-vos Epafrodito, este nosso irmão que é também meu companheiro de trabalho e de luta, que me enviastes para me socorrer nas minhas necessidades. 26Ele estava com muita saudade de todos vós, e ficou muito preocupado, porque soubestes que ele estava doente. 27De facto, ele esteve muito doente, e quase morreu. Deus, porém, teve pena dele, e não só dele, mas também de mim, para que eu não ficasse numa tristeza ainda maior. 28Por isso, apressei-me a mandá-lo: assim podereis vê-lo de novo, ficareis contentes, e eu já não ficarei preocupado. 29Recebei Epafrodito no Senhor, com grande alegria. Tende grande estima por pessoas como ele, 30pois quase morreu pela causa de Cristo, arriscando a sua vida para atender às minhas necessidades, em vosso nome.
3
O caminho da salvação
— 1Quanto ao resto, meus irmãos, alegrai-vos no Senhor. Escrever-vos sempre as mesmas coisas não é penoso para mim, e é útil para vós. 2Cuidado com os cães, cuidado com os maus operários, cuidado com os falsos circuncidados. 3Os verdadeiros circuncidados somos nós, que prestamos culto, movidos pelo Espírito de Deus. Nós colocamos a nossa glória em Jesus Cristo e não confiamos na carne. 4Eu, aliás, até poderia confiar na carne. Se alguém acha que pode confiar na carne, eu mais ainda: 5fui circuncidado ao oitavo dia, sou israelita de nascimento, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreus. Quanto à Lei judaica, fariseu; 6quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que se alcança pela observância da Lei, sem reprovação. 7Por causa de Cristo, porém, tudo o que eu considerava como lucro, agora considero-o como perda. 8E mais ainda: considero tudo uma perda, diante do bem superior que é o conhecimento do meu Senhor Jesus Cristo. Por causa d’Ele perdi tudo, e considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo, 9e estar com Ele. E isso, não mediante uma justiça minha, vinda da Lei, mas com a justiça que vem através da fé em Cristo, aquela justiça que vem de Deus e se apoia sobre a fé. 10Quero, assim, conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição e a comunhão nos seus sofrimentos, para me tornar semelhante a Ele na sua morte, 11a fim de alcançar, se possível, a ressurreição dos mortos. 12Não que eu já tenha conquistado o prémio ou que já tenha chegado à perfeição; apenas continuo a correr para o conquistar, porque eu também fui conquistado por Jesus Cristo. 13Irmãos, não acho já ter alcançado o prémio, mas uma coisa faço: esqueço-me do que fica para trás e avanço para o que está adiante. 14Lanço-me em direcção à meta, em vista do prémio do alto, que Deus nos chama a receber em Jesus Cristo.
A maturidade cristã
— 15Portanto, todos nós que somos perfeitos, devemos ter este sentimento. E, se em alguma coisa pensais de maneira diferente, Deus vos esclarecerá. 16Entretanto, qualquer que seja o ponto a que chegámos, caminhemos na mesma direcção.
17Irmãos, sede meus imitadores e observai os que vivem de acordo com o modelo que tendes em nós. 18Já vos disse muitas vezes, e agora repito-o com lágrimas: há muitos que são inimigos da cruz de Cristo. 19O seu fim é a perdição; o seu Deus é o ventre, a sua glória está no que é vergonhoso, e os seus pensamentos em coisas da terra.
20A nossa cidadania, porém, está no Céu, de onde esperamos ansiosamente o Senhor Jesus Cristo como Salvador. 21Ele vai transformar o nosso corpo miserável, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, graças ao poder que Ele possui de submeter a Si todas as coisas.
4
Recomendações
— 1Assim, meus queridos e saudosos irmãos, minha alegria e minha coroa, continuai firmes no Senhor, ó amados. 2Peço a Evódia e a Síntique que façam as pazes no Senhor. 3E a ti, Sízigo, meu fiel companheiro, peço que as ajudes, porque elas me ajudaram na luta pelo Evangelho, com Clemente e os meus outros colaboradores. Os seus nomes estão no livro da vida. 4Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos! 5Que a vossa bondade seja notada por todos. O Senhor está próximo. 6Não vos inquieteis com nada. Apresentai a Deus todas as vossas necessidades através da oração e da súplica, em acção de graças. 7Então a paz de Deus, que ultrapassa toda a compreensão, guardará em Jesus Cristo os vossos corações e os vossos pensamentos.
8Finalmente, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso, ou que de algum modo mereça louvor. 9Praticai tudo o que aprendestes e recebestes como herança, o que ouvistes e observastes em mim. Então o Deus da paz estará convosco.
Gratidão pela oferta da comunidade
— 10Foi grande a minha alegria no Senhor, porque finalmente vi florescer de novo o vosso interesse por mim. Na verdade, já tínheis esse interesse antes, mas faltava oportunidade para o demonstrar. 11Não digo isto por estar a passar privações, pois aprendi a arranjar-me em qualquer situação. 12Aprendi a viver na necessidade e na abundância; estou acostumado a toda e qualquer situação: viver saciado e passar fome, ter abundância e passar necessidade. 13Tudo posso n’Aquele que me fortalece. 14Entretanto, fizestes bem, tomando parte na minha aflição. 15Vós bem sabeis, filipenses, que no início da pregação do Evangelho, quando parti da Macedónia, nenhuma outra Igreja, senão vós, teve contacto comigo em questão de dar e receber. 16Já em Tessalónica me enviastes ajuda por mais de uma vez, para aliviar as minhas necessidades. 17Não que eu espere presentes. Pelo contrário, quero ver mais lucro na vossa conta. 18De momento, tenho tudo em a bundância; tenho até de sobra, especialmente agora que Epafrodito me trouxe aquilo que me enviastes. É como um perfume de suave odor, sacrifício agradável que Deus aceita. 19O meu Deus, por sua vez, atenderá com grandeza a todas as vossas necessidades, conforme a sua riqueza em Jesus Cristo. 20Ao nosso Deus e Pai seja dada a glória para sempre. Ámen.
Saudações finais
— 21Saudai a todos os cristãos. Os irmãos que estão comigo vos saúdam. 22Todos os cristãos vos saúdam, especialmente os da casa de César.
=============================reflexão ««««««««««««««««««««««««««««
[1]1,1-2: A carta é dirigida a toda a comunidade. Os dirigentes (em grego: epíscopos) não são exactamente os bispos; trata-se de um grupo, cuja função é zelar pelo bom andamento da comunidade. Os diáconos são os encarregados de atender às necessidades materiais da comunidade e, talvez, também de pregar.
3-11: A oração de Paulo mostra o seu afecto particular pela comunidade de Filipos. De facto, esta comunidade desde o início coopera e participa activamente no trabalho da evangelização, seja colaborando no anúncio, defesa e confirmação do Evangelho, seja pela ajuda material oferecida ao Apóstolo. Paulo só pede uma coisa: o crescimento no amor. Vivendo o amor, a comunidade será sempre capaz de distinguir o que mais favorece a prática da justiça.
12-18: Paulo está no pretório ou caserna dos guardas do governador da província. A sua prisão foi vantajosa para o Evangelho, pois todos ficaram a saber que ele está preso por causa de Cristo. Com isto, muitos cristãos sentem-se fortalecidos para anunciar o Evangelho com amor e espírito de colaboração. Outros aproveitam-se da prisão de Paulo e, com espírito de competição e inveja, querem assumir a chefia.
19-26: Paulo provavelmente tem meios para ser solto da prisão e escapar à morte. Mas encontra-se num dilema: viver ou morrer? No contexto da sua fé, as duas coisas equivalem-se: viver é estar em função de Cristo, ou seja, da evangelização; e morrer é lucro, pois leva a estar com Cristo. Paulo resolve o dilema, não levando em conta o seu próprio interesse, mas o que é melhor para a comunidade: continuar vivo, para ajudar os Filipenses a crescer e a realizar--se plenamente na fé.
27-30: Os adversários são talvez os pregadores judaizantes, que anunciam um evangelho sem cruz e sem necessidade da graça de Deus. Paulo espera que a comunidade se mantenha firme e unida, testemunhando o Evangelho autêntico. Não se trata apenas de acreditar em Cristo, mas de empenhar-se de facto com Cristo numa luta que pode trazer perseguição e sofrimento, assim como levou Paulo à prisão.
2,1-4: Paulo convida a comunidade a evitar as divisões causadas pelo espírito de competição, pelo desejo de receber elogios e pela busca dos próprios interesses. Tais vícios denotam o fechamento egoísta e a autopromoção à custa dos outros. A comunidade deve zelar pela harmonia interna e, para isso, é necessário que haja humildade, cada um considerando os outros superiores a si, e que o empenho tenha sempre em vista o bem comum.
5-11: Citando um hino conhecido, Paulo mostra qual é o Evangelho da cruz, o Evangelho autêntico, e apresenta em Cristo o modelo da humildade. Embora tivesse a mesma condição de Deus, Jesus apresentou-Se entre os homens como simples homem. E mais: abriu mão de qualquer privilégio, tornando-Se apenas homem que obedece a Deus e serve os homens. Como se isso não bastasse, Jesus serviu até ao fim, perdendo a honra ao morrer na cruz, como se fosse criminoso. Por isso Deus O ressuscitou e O colocou no posto mais elevado que possa existir, como Senhor do Universo e da História. Os cristãos são convidados a fazer o mesmo: abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para se colocarem ao serviço dos outros, até ao fim.
12-18: A vida da comunidade não deve depender da presença dos seus dirigentes e chefes, mas da obediência a Deus, a exemplo de Cristo (2,8). Inserida na sociedade, a tarefa da comunidade cristã é ser a família de Deus que se torna luz do mundo, através do testemunho do Evangelho, «Palavra de vida».
19-30: Paulo não se preocupa apenas em doutrinar a comunidade. Ele também é sensível às necessidades humanas: amizade, afecto, gratidão, auxílio mútuo, problemas pessoais, bom acolhimento. Timóteo, cujo nome aparece vinte e quatro vezes no NT, é o maior colaborador do Apóstolo. Epafrodito, talvez jovem, fora enviado pela comunidade para atender às necessidades de Paulo na prisão. 3,1-14: Paulo adverte a comunidade contra os pregadores judaizantes, chamando-lhes «cães», apelido que os judeus davam aos pagãos. Para os judaizantes, a salvação e a justiça dependem da circuncisão (carne) e da observância da Lei: a circuncisão permite entrar para o povo de Deus; a Lei leva o homem a ser justo. Paulo frisa que nenhum ritual ou lei pode salvar ou justificar o homem. Pois a salvação e a justiça são dons de Deus e dependem da fé em Jesus e de uma vida movida pelo Espírito. A fé leva o cristão a participar na morte e ressurreição de Jesus. Essa participação, porém, não é automática; supõe que o cristão se deixe guiar pelo Espírito, dando o testemunho que provoca perseguições, sofrimentos, e até mesmo a morte.
15-21: A perfeição é a maturidade cristã que coloca a cruz e a ressurreição como centro da vida.
Paulo, que deixou tudo em troca da fé em Cristo, apresenta-se como modelo para a comunidade, alertando-a de novo quanto aos «inimigos da cruz de Cristo», isto é, aos judaizantes do v. 2. Em vez de colocar a salvação em ritos, através da vinda de Jesus, como Salvador e Senhor que renova todas as coisas.
4,1-9: Nada sabemos sobre as pessoas nomeadas nos vv. 2-3, a não ser que devem estar profundamente comprometidas com o trabalho de evangelização. Paulo parece jogar com o significado dos nomes (Evódia = «caminho fácil»; Síntique = «encontro»; Sízigo = «companheiro de canga»). A alegria cristã baseia-se na salvação obtida por Cristo, e é testemunhada sobretudo pela bondade que se irradia para todos e pela tranquila confiança em Deus. Os cristãos devem ser fiéis ao que aprenderam com os seus evangelizadores, mas também precisam de estar abertos a todas as coisas sadias que encontram na sociedade.
10-20: Paulo agradece o auxílio que os filipenses lhe enviaram através de Epafrodito. Alegra-se não tanto pelo auxílio material recebido, mas pelo afecto e crescimento espiritual que a comunidade demonstra através da oferta.
21-23: «Os da casa de César» são todos aqueles que trabalham para o imperador e se encontram nas diversas cidades. A saudação final tem forma litúrgica, pois Paulo sabe que a carta vai ser lida numa reunião da comunidade.
LOUVADO SEJA DEUS, NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
E SUA MÃE MARIA SANTISSIMA, PARA TODO O SEMPRE.
AMÉN
António Fonseca