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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PAULO DE TARSO

Paulo de Tarso
Paulo de Tarso, o "apóstolo das gentes", é uma figura absolutamente incontornável da história do cristianismo. Com ele, o cristianismo saltou os limites estreitos das fronteiras religiosas e étnicas do mundo judaico, atingindo o coração do mundo helénico. Humanamente falando, foi Paulo quem fez com que o movimento de Jesus de Nazaré ultrapassasse o simples estatuto de uma seita desgarrada da ortodoxia judaica de Jerusalém, para se tornar uma proposta verdadeiramente universal, capaz de interessar e de cativar todos os homens e mulheres, de todas as raças e culturas.
Missionário por vocação
No ponto de partida dessa espantosa aventura missionária que vai levar o Evangelho à conquista do mundo greco-romano, está o encontro de Paulo com Cristo, na estrada de Damasco (cf. Act 9,1-18; 22,5-11; 26,12-18).
O próprio Paulo sugere que esse encontro foi um acontecimento repentino, inesperado, que resultou da acção livre, gratuita e soberana de Deus (cf. Gal 1,13-17; 1 Cor 9,1; 15,8; Flp 3,12), na linha das histórias proféticas de vocação. Em qualquer caso, esse encontro com Jesus de Nazaré, vivo e ressuscitado, levou Paulo a alterar a sua existência, fê-lo repensar o seu caminho e tomar consciência da sua vocação. Ao encontrar Jesus Cristo, Paulo apaixona-se por ele; ao apaixonar-se por ele, descobre a força libertadora do seu projecto; e a descoberta do projecto salvador de Deus apresentado em Jesus, gera em Paulo a urgência de uma missão evangelizadora que é imprescindível concretizar: "ai de mim, se eu não evangelizar!" (1 Cor 9,16).
Este "ai" - que lembra os "ais" proféticos - traduz o sentimento de um homem que tem a consciência absoluta de que não pode demitir-se de testemunhar Jesus ressuscitado, porque senão toda a sua vida, tudo aquilo que ele é, tudo aquilo que dá sentido e forma à sua existência, se desmorona completamente. A sua vocação fundamental é "anunciar o Evangelho de Deus" (Rom 1,1; cf. 1 Cor 1,1): só dessa forma a sua vida fará sentido.
Os caminhos do anúncio do Evangelho
O imperativo da evangelização traduz-se, para Paulo, em sucessivas viagens missionárias, que o levam a percorrer, ao serviço de Cristo e do Evangelho, toda a Ásia Menor e Grécia, ao longo de mais de uma dezena de anos. Logo no ano 45, Paulo parte de Antioquia da Síria para uma primeira grande viagem missionária, que se prolonga até ao ano 48 e que o vai levar, por Chipre, até ao sul da Ásia Menor.
Acompanhado de Barnabé, Paulo prega nas sinagogas de Antioquia da Pisídia, Icónio, Listra e Derbe (cf. Act 13,3- 14,28); mas rapidamente a Boa Nova levada pelos dois missionários salta os muros da sinagoga e desafia os homens e as mulheres de cultura helénica. O Evangelho começa, então, a ser uma proposta com dimensão universal. Entre os anos 49 e 52, Paulo - acompanhado por Silas - percorre toda a Ásia Menor (Cilícia, Frígia, Galácia, Mísia), passando depois para a Macedónia e descendo para o sul da Grécia, até Atenas e Corinto, antes de regressar a Antioquia da Síria (cf. Act 15,35-18,22). É durante esta viagem que o Evangelho de Jesus se instala, decididamente, no mundo grego e aí cria raízes fortes e definitivas em cidades como Filipos, Tessalónica ou Corinto.
De 53 a 58, Paulo volta a percorrer a Galácia, a Frígia, a Macedónia e a Grécia (cf. Act 18,23-21,26), numa viagem que não é tanto de criação de novas comunidades, mas que é, sobretudo, de confirmação na fé e de consolidação das Igrejas já existentes. Éfeso tornar-se-á, durante este período, a "base de acção" de Paulo.
Ao olharmos para o mapa físico das viagens missionárias de Paulo ficamos, naturalmente, impressionados pela imensidão dos espaços percorridos, numa época e num contexto em que as deslocações não tinham a facilidade, a comodidade e a tranquilidade que os viajantes do nosso tempo encontram e conhecem. Paulo percorreu, ao serviço do Evangelho, muitos milhares de quilómetros (há quem fale em cerca de 20 000 km), em viagens longas, incómodas e arriscadas…
No entanto, para além da frieza dos números que nos são dados pelos mapas, no que diz respeito a distâncias percorridas, somos naturalmente levados a pensar num "caminho" muito mais complexo, marcado por fadigas sem conta, sofrimentos indizíveis e riscos de toda a espécie. Na segunda carta aos Coríntios (cf. 2 Cor 11,24-28), respondendo àqueles que punham em causa o seu direito a usar o título de apóstolo, Paulo recorda os trabalhos, as prisões, todos os perigos e riscos que teve de enfrentar por causa do Evangelho.
A descrição que Paulo aí apresenta não desenha, nem de perto nem de longe, o quadro completo de tudo o que ele viveu, sofreu e arriscou; mas tem, em pano de fundo, a convicção profunda, a decisão irrevogável e a força impressionante de um homem que deu toda a sua vida à missão que recebeu e que não hesitou diante de nenhum risco a fim de levar Jesus ao encontro do mundo.
Um tesouro transportado em vasos de argila
O que move o "apóstolo das gentes" em todo este afã missionário, não são interesses humanos ou projectos pessoais (cf. 2 Cor 10,2), mas um mandato recebido de Deus. Paulo não se prega a si mesmo, mas a Cristo Jesus. É para levar Cristo Jesus ao encontro dos homens e mulheres de todas as raças que Paulo se fez servo de todos (cf. 2 Cor 4,5). Diante daqueles que põem em causa a validade do seu ministério, Paulo reconhece que é um homem frágil, marcado pela debilidade da condição humana; mas isso não impede que ele tenha sido escolhido para "embaixador" de Deus (2 Cor 5,20) ou "ministro da Nova Aliança" (2 Cor 3,6).
"Trazemos - diz ele - este tesouro em vasos de argila, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso" (2 Cor 4,7). Assim, aconteça o que acontecer e sejam quais foram as oposições que tiver de enfrentar, ele não pode desistir do seu ministério.
As tribulações, as fadigas, as incompreensões, os sofrimentos físicos suportados pelo caminho não são, para Paulo, um obstáculo intransponível; mas são, até, um modo de ele se identificar, cada vez mais, com esse Cristo cujo projecto se concretizou na "loucura da cruz", no dom total de si, e que Paulo, apesar dos seus limites bem humanos, foi chamado a levar a todas as gentes.
Pe. Joaquim Garrido Mendes, SCJ http://ecclesia.pt/anopaulino António Fonseca

VIAGENS DE S. PAULO

AS TRÊS LONGAS VIAGENS
As etapas da grande aventura missionária de Paulo são conhecidas graças aos testemunhos dos Actos dos Apóstolos, e das Cartas que o Apóstolo escreveu às comunidades por ele fundadas, nas suas três longas viagens, para acompanharem e completarem a sua pregação oral. As três viagens começam e terminam em Antioquia.
Paulo, acompanhado de Barnabé e Marcos, parte para Chipre, cidades de Salamina e Pafos, depois Perga da Panfília (onde Marcos os deixa), Antioquia da Pisídia, Icónio, Listra e Derbe (na actual Turquia). Voltam a Antioquia e depois vão a Jerusalém.
Paulo, acompanhado por Silvano, passa por Derbe, Listra (onde se lhes junta o jovem Timóteo), Icónio e Antioquia. Chegam à Galácia, Tróade (onde se lhes junta Lucas), Neapolis, Filipos, Tessalónica, Bereia, Atenas e Corinto, onde permaneceram dois anos e conheceram o proconsul Galião, no ano 52 d. C. tendo depois voltado a Antioquia.
Paulo partiu de Antioquia com Tito e Timóteo e talvez também com os macedónios Gaio e Aristarco (Act 19,29). Seguiram para Éfeso onde Paulo permaneceu durante três anos (Act 18,23; 21,16), pregando na escola do reitor Tirano em Éfeso. De Éfeso seguem para Laodiceia, Colossos, Gerápoles, Tróade, Macedónia, Antioquia e depois para Jerusalém. (Act 20,3; 21,16).
No fim desta 3.ª viagem, logo que Paulo entra em Jerusalém os seus adversários voltam ao ataque: Paulo é preso (Act 21,27s), comparece diante do Sinédrio e para escapar a uma agressão dos judeus é transferido para Cesareia pelas autoridades romanas. Aqui compareceu diante do procurador Félix. Passados dois anos Paulo apelou para o imperador César (Act 25,11). No Outono do ano 60, Paulo, acompanhado por Lucas, parte para Roma, preso e guardado por um centurião. Depois de terem naufragado em Malta, onde passaram o Inverno, chegaram a Roma na Primavera do ano 61.
António Fonseca

ANO PAULINO - JUBILEU

JUBILEU Papa anuncia Ano Paulino

Foi a 28 de Junho de 2007 que Bento XVI anunciou a celebração de um ano jubilar dedicado ao Apóstolo São Paulo:
“É para mim uma felicidade anunciar oficialmente que ao Apóstolo Paulo dedicaremos um especial Ano jubilar, desde 28 de Junho de 2008 até 29 de Junho de 2009, por ocasião do bimilenário do seu nascimento, inserido pelos historiadores entre os anos 7 e 10 d.C. Este ‘Ano Paulino’ poderá desenvolver-se de modo privilegiado em Roma, onde desde há vinte séculos se conserva sob o altar papal desta Basílica o sarcófago, que segundo o parecer unânime dos peritos e pela incontestada tradição, contém os restos mortais do Apóstolo Paulo.
Na Basílica Papal e na adjacente e homónima Abadia Beneditina, portanto, poderá ter lugar uma série de eventos litúrgicos, culturais e ecuménicos, como também várias iniciativas pastorais e sociais, todas elas inspiradas na espiritualidade paulina.
Além disso, uma especial atenção poderá ser prestada às peregrinações, que de várias partes virão de forma penitencial ao túmulo do Apóstolo para encontrar a renovação espiritual.
Também serão promovidos Congressos de estudos e especiais publicações sobre os textos paulinos, a fim de fazer conhecer cada vez mais a imensa riqueza do ensinamento contido neles, verdadeiro património da humanidade redimida por Cristo.
No mundo inteiro, iniciativas semelhantes poderão ser realizadas nas Dioceses, nos Santuários, nos lugares de culto por parte de Instituições religiosas, de estudo ou de assistência, que têm o nome de São Paulo ou que se inspiram na sua figura e no seu ensinamento.
Enfim, há um aspecto especial que deverá ser cuidado com particular atenção, durante a celebração dos vários momentos do bimilenário paulino: refiro-me à dimensão ecuménica.
O Apóstolo das Nações, particularmente comprometido em levar a Boa Nova a todos os povos, prodigalizou-se totalmente pela unidade e pela concórdia de todos os cristãos. Queira ele guiar-nos e proteger-nos nesta celebração bimilenária, ajudando-nos a progredir na busca humilde e sincera da unidade plena de todos os membros do Corpo místico de Cristo”.
Jubileu
A palavra Jubileu vem do hebraico yobel que significa o carneiro-guia do rebanho; passa depois a indicar o corno do carneiro, o som do corno que anunciava a proximidade de algum acontecimento solene e a festa prevista no livro do Levítico, cap. 25.
Apoiada na tradição bíblica, a Igreja por meio de Bonifácio VIII institui o Jubileu, em 1300.
No século XX, os papas Leão XIII celebra o de 1 900, Pio XI o de 1925 (no final surge a Festa de Cristo Rei), Pio XII o de 1950 e faz a solene proclamação do (dogma da Assunção de Nossa Senhora), Paulo VI o de 1975 para revigorar a Igreja nos caminhos da renovação e da reconciliação preconizados, (dez anos, pelo Vaticano II), e João Paulo II o do Ano 2000 para assinalar o aniversário do nascimento de Jesus Cristo e a passagem do Milénio.
A mensagem do Ano Jubilar torna-se mais acessível por meio dos símbolos que a expressam: a peregrinação ao santuário (expressão da condição humana que busca o Infinito de Deus), a porta de acesso a este santuário onde nos encontramos com Deus (Eu sou a porta - diz Jesus), a bula da indulgência (símbolo do perdão de Deus à humanidade pecadora), a purificação da memória onde se 'arquivam' factos que constituem um contra senso para o cristianismo (e fazem parte do livro da história da Igreja), a caridade que abre o coração às carências dos pobres e marginalizados, a memória dos mártires que, também no século XX, pagaram com o seu sangue a adesão incondicional a Cristo e à Igreja.
Referência especial se deve a Maria, a Mãe de Jesus, que generosamente nos oferece seu Filho para a redenção da humanidade. Daí que se recorra a ela e se visitem os santuários que lhe são especialmente dedicados.
António Fonseca