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domingo, 8 de março de 2009

A NOVA VIA-SACRA - Proposta de João Paulo II

A NOVA VIA-SACRA

Uma proposta de João Paulo II (1991)

Sexta-Feira Santa de 1991 será possivelmente uma data para recordar, quando se analisarem os valores permanentes da piedade popular e as principais mudanças introduzidas nela depois do Vaticano II. Neste dia, o Papa João Paulo II estreou uma nova “Via-Sacra” no Coliseu de Roma e deu-a a conhecer ao mundo através da televisão.

A Via-Sacra é talvez a mais bela e antiga das devoções que brotou do coração do povo no seu afã de reproduzir os mistérios da paixão e morte do Redentor. Os cristãos sempre quiseram meditar e acompanhar espiritualmente a Cristo, com devoto recolhimento, no seu caminho da cruz, caminho doloroso, caminho amargo.

Com a descoberta da verdadeira Cruz de Cristo no século IV, os peregrinos que chegavam a Jerusalém encontravam uma tradição estabelecida que ligava a determinados lugares os acontecimentos mais importantes da paixão do Senhor. O peregrino fazia este percurso para recordar piedosamente os factos principais aí acontecidos. As “estações” (que na antiga linguagem da Igreja significavam “paragens”) de Jesus no seu caminho para a crucifixão pela “via dolorosa” impressionavam e exerciam um forte impacto nos peregrinos.

Mais tarde, surgiu a ideia de reproduzir as ditas “estações” e colocá-las nas igrejas, para facilitar esta prática de devoção a todos os fiéis que não podiam peregrinar à Terra Santa. Os Franciscanos foram os que fizeram maiores esforços para divulgar a Via-Sacra, prática que, pouco a pouco, foi entrando no povo cristão nas sextas-feiras, dia que comemora a paixão do Senhor, e sobretudo na Sexta-feira da Quaresma (ou Sexta-feira Santa).

A “Via-Sacra” tem sido e é um meio eficaz de centrar a espiritualidade do povo cristão em torno do caminho essencialmente pascal. Com uma linguagem próxima do povo cristão e com o simbolismo do caminhar fisicamente, exprimia-se espiritualmente o acompanhamento de Cristo no caminho da cruz. Esta prática piedosa reúne imagem e ideia, acção externa e disposição interior, verdade e criação do espírito de fé.

A par das estações da “Via-Sacra” que têm base nos relatos evangélicos, surgiram outras que não se deduzem directamente da Sagrada Escritura, mas que eram expressão veemente e sincera do amor e da fé dos cristãos. E aqui vale a pena respeitar e valorizar as afirmações da piedade popular, quando dá livre curso à sua imaginação e à sua intuição espiritual, livre e profunda, reverente e confiante, sempre repassada de ternura para com o Crucificado.

A reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II quer que todas as expressões de oração se baseiem cada vez mais na Sagrada Escritura, para evitar possíveis subjectivismos. Desde há anos, existiam já novos formulários da “Via-Sacra”, com novas estações. Optou-se pela supressão duma linguagem sentimentalista e procuraram-se textos simples e directos.

Por isso, não é de estranhar que o Papa João Paulo II, para a “Via-Sacra” a que presidiu, em Roma, na noite de Sexta-feira Santa de 1991, tenha utilizado um formulário em que todas as estações têm um fundamento evangélico, quer dizer, em que se recordam os episódios que foram recolhidos por algum dos quatro evangelistas. Em concreto, as catorze estações deste novo modelo de “Via-Sacra” são as seguintes:

1ª – Jesus no horto das oliveiras (nova)

2ª – Jesus atraiçoado por Judas e preso (nova)

3ª – Jesus é condenado pelo sinédrio (nova)

4ª – Jesus é negado por Pedro (nova)

5ª – Jesus é julgado por Pilatos (antes 1ª)

6ª – Jesus é flagelado e coroado de espinhos (nova)

7ª – Jesus carrega com a cruz (antes a 2ª)

8ª – Jesus é ajudado pelo cireneu (antes a 5ª)

9ª – Jesus encontra as mulheres de Jerusalém (antes a 8ª)

10ª – Jesus é crucificado (antes a 11ª)

11ª – Jesus promete o seu reino ao bom ladrão (nova)

12ª – Jesus crucificado, a Mãe e o discípulo (nova)

13ª – Jesus morre na cruz (antes a 12ª)

14ª – Jesus é depositado no sepulcro (como antes).

A “Via-Sacra”, na sua forma antiga ou na sua expressão mais actual, há-de ser sempre escola de arrependimento e conversão, escola para superar a dor, escola de vida em que esteja reflectida a nossa existência diária, escola de meditação, escola de oração em comum. A “Via-Sacra” ajudar-nos-á sempre a concentrar-nos no mistério da paixão salvadora de Cristo e a solidarizar-nos com a dor dos homens.

Com o desejo de prestar um serviço às comunidades e fiéis que desejem orar acompanhando a Cristo no seu Caminho da cruz, apresentamos o seguinte formulário, que tem como base as citações evangélicas escolhidas pelo Papa para esta prática devocional, que nos faz sentir vivamente a paixão do Senhor.

Madrid, 29 de Março de 1991, Sexta-feira Santa. (André Pardo)

Via-Sacra

Oração Inicial

V/ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

R/ Ámen.

Na morte de Cristo descobrimos a prova definitiva do amor infinito do Pai para com o mundo. Por meio da paixão do Filho de Deus alcançámos a salvação.

Meditar com devoto recolhimento e piedade os mistérios da paixão e morte de Nosso Senhor é um compromisso sincero para alcançar uma profunda e contínua conversão interior.

OREMOS Deus Nosso Pai, que a luz da Vossa graça ilumine a contemplação e oração, ao percorrermos as estações do caminho da cruz de Vosso Filho; concedei-nos fortaleza para sabermos avançar sempre pelos passos de Jesus Cristo, que é Deus conVosco na unidade do Espírito Santo.

R/ Ámen.

1ª Estação

Jesus no horto das oliveiras

V. Nós vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que remistes o mundo pela vossa Santa Cruz.

Do Evangelho segundo São Marcos (14, 32-36)

Foram a um horto chamado Getsémani. Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João e disse-lhes: “A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai”. E adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. E disse: “Abbá”, Pai, tudo Te é possível, afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres”.

Meditação

Getsémani é o horto das oliveiras, o horto da angústia, o horto da soledade, o horto do sono dos discípulos...

No Getsémani, Jesus experimenta quanto é difícil a obediência, a aceitação da vontade do Pai.

No Getsémani, os discípulos dormem enquanto Jesus ora. Os discípulos são incapazes de velar e acompanhar a agonia de Jesus, a sua solidão, a sua aceitação do cálice amargo da paixão.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, que assumis a dor, aceitais o sofrimento, e superais a última tristeza, concedei-nos sensibilidade e vigilância para acompanhar-Vos sempre nos irmãos que sofrem ou estão tristes e abandonados; dai-nos a fortaleza necessária para beber, seguindo o vosso exemplo, o cálice da vontade divina.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo.

R/ Ámen

2ª Estação

Jesus, atraiçoado por Judas é preso

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que remistes o mundo pela Vossa Santa Cruz.

Do Evangelho segundo São Marcos (14, 43 e 45-46)

Jesus estava ainda a falar quando apareceu Judas, um dois doze, e com ele uma grande multidão com espadas e varapaus, da parte dos príncipes dos sacerdotes, dos escribas e dos anciãos. Aproximou-se d’Ele e disse: “Rabbi” (Mestre), e beijou-O . Os outros deitaram-lhe as mãos e prenderam-No.

Meditação

É terrível sentir-se atraiçoado, vendido por um amigo. Nunca se poderá justificar a primazia do dinheiro sobre o amor.

Judas esteve na ceia com Cristo e em companhia dos apóstolos; ninguém adivinhava o que ia fazer. E saiu para a noite negra da traição.

Judas deu um falso beijo para entregar o Mestre, prostituindo o sinal nobre do amor. Beijou para atraiçoar.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, a vossa agonia debaixo da oliveira, árvore da paz, termina com o barulho e o tumulto da traição, e a prisão; nós Vos pedimos fidelidade no amor, constância no bem e verdade na palavra. Livrai-nos sempre da traição e do engano.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

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3ª Estação

Jesus é condenado pelo Sinédrio

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que remistes o mundo pela Vossa Santa Cruz.

Do Evangelho de S. Marcos (14, 55.60-61.62.64)

Os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus, para Lhe dar a morte, mas não o encontravam. O sumo-sacerdote ergueu-se e interrogou-O perguntando-lhe: “És tu o Messias, o Filho de Deus bendito?” Jesus respondeu-lhe: “Sou”. E todos O declararam réu de morte.

Meditação

O Sinédrio, o Grande Conselho de anciãos, sacerdotes e escribas, reunido em assembleia extraordinária, num lugar onde não era costume e a uma hora não habitual, decide a morte de Jesus.

Um tribunal, sinal de justiça, actua injustamente condenando o Justo. A inocência é declarada culpada.

Querer condenar à morte, falsear testemunhos, fazer calar o que interpela pela sua coerência e pureza de vida, tem sido e é atitude frequente.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, calado diante do Tribunal, condenado à morte, esbofeteado e cuspido: que grande lição de silêncio e de humildade nos dais a nós que falamos tanto e julgamos negativamente! Concedei-nos a graça de viver em perdão, de nunca condenar ninguém e de não nos escandalizarmos falsamente.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

4ª Estação

Jesus é negado por Pedro.

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo.

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Do Evangelho segundo São Marcos (14, 72)

E imediatamente o galo cantou. Pedro recordou-se, então, do que Jesus lhe tinha dito: “Antes do galo cantar duas vezes, ter-me-ás negado três vezes”. E desatou a chorar.

Meditação

Na noite da paixão, diante de um tribunal de mulheres e soldados, cheio de medo e suor, Pedro negou publicamente a sua ligação com o Nazareno.

Pedro, tu que ouviste o canto do galo, tu que choraste a a negação, não ouves os gritos dos cobardes, dos que negam para não serem condenados? Não vês os negadores de sempre, a quem a alma treme no corpo?

Pedro recordou-se do que lhe tinha dito Jesus, arrependeu-se e começou a chorar amargamente.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, a luz serena e bondosa dos vossos olhos penetrou na noite; os vossos olhos luminosos cruzaram-se com os olhos envergonhados de Pedro; concedei-nos que sejamos sinceros e fortes na debilidade das nossas lágrimas, e que saibamos chorar a nossa cobardia, para podermos voltar a ver o vosso rosto.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

5ª Estação

Jesus é julgado por Pilatos

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo

Do Evangelho segundo São Marcos (15, 14-15)

Mas eles gritavam ainda mais: “Crucifica-O”! Pilatos, desejoso de agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás e, depois de mandar açoitar Jesus, entregou-O para ser crucificado.

Meditação

Pilatos quis manter a ordem no meio de um povo desordeiro, e quis também salvar um inocente. As duas coisas eram opostas. Os gritos da multidão impressionavam-no. E embora lavasse as mãos diante do povo, acabou por ser culpado do assassinato de um inocente.

Pilatos, curioso por saber o que é a verdade, não a descobre diante de Cristo que Se cala...

Pilatos, quis agradar ao povo libertando um homicida e condenando quem tinha vindo

para dar a vida por todos.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, que do tribunal religioso fostes levado à presença da autoridade política para serdes condenado; Vós que passastes pela vida fazendo o bem e pregando a Boa Nova da salvação, sois entregue aos invejosos para serdes crucificado. Livrai-nos da hipocrisia de lavarmos as mãos perante a injustiça; que seguindo o vosso exemplo em todas as circunstâncias, sempre salvemos e nunca condenemos.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

6ª Estação

Jesus é flagelado e coroado de espinhos.

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que remistes o mundo pela Vossa Santa Cruz

Do Evangelho segundo São Marcos (15, 17-19)

Os soldados cingiram-Lhe uma coroa de espinhos que haviam tecido. Depois começaram a saudá-Lo: “Salvé, ó rei dos Judeus!” Batiam-Lhe na cabeça com uma cana e cuspiam-Lhe.

Meditação

Refinadíssima tortura a que padeceu Cristo: tortura da flagelação e da comédia sangrenta. Os açoites terminam em coroação de espinhos.

Que infâmia esta a da soldadesca! Que escárnio de falsas homenagens! A comédia das genuflexões, os golpes na cabeça e os escarros no rosto. À dor moral une-se a dor física.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, Cristo das injúrias, flagelado, ultrajado, escarnecido, coroado de espinhos. Quanta paciência temos para aprender diante da vossa imagem preso à coluna, e perante a comédia dos que não têm compaixão! Iluminai-nos com o vosso amor para que nunca flagelemos ninguém nem coroemos de espinhos, nem façamos pouco dos débeis nem exerçamos a violência física.

Vós, o paciente, que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen

7ª Estação

Jesus carrega com a cruz

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que remistes o mundo pela Vossa Santa Cruz

Do Evangelho de S. Marcos (15, 20)

Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto de púrpura e vestiram-Lhe as Suas roupas. Levaram-nO então para O crucificarem.

Meditação

Sobre os ombros de Jesus colocaram, colocámos todos, a cruz. O seu peso é duro, mas é-o sobretudo pelo seu fim. O Filho de Deus caminha com a cruz às costas para salvar os filhos dos homens. A cruz de Cristo é bem diferente das cruzes de adorno, de poder e de honra, que nós, homens, colocámos uns aos outros. A árvore seca do patíbulo converte-se em árvore verde da vida.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, Mestre no alto da Cruz, sacerdote do único sacrifício, ensinai-nos a sermos vossos discípulos, a saber tomar a nossa própria cruz, a seguir-Vos sempre. Dai-nos a verdadeira sabedoria para sabermos aceitar e entender a cruz como caminho necessário para a glória.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

8ª Estação

Jesus é ajudado pelo Cireneu a levar a cruz.

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Jesus!

R. Que remistes o mundo pela Vossa Santa Cruz

Do Evangelho segundo São Marcos (15, 21)

Requisitaram para Lhe levar a cruz, um homem que passava, vindo do campo, Simão de Cirene.

Meditação

Ninguém queria ajudar Jesus, não houve voluntários. O Cireneu é obrigado pelos soldados a levar a cruz de um condenado à morte.

Há muitos “cireneus” forçados, que se compram ou alugam, mas não o fazem por compaixão.

Ser “cireneu” é não recusar a cruz do irmão, é entender o Evangelho do sofrimento, e ser

solidário com o homem humilhado.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, ao carregardes com a cruz de todos os homens, tivestes que ser ajudado pelo Cireneu, no vosso caminho para o Calvário, dai-nos entranhas de misericórdia, ensinai-nos a levar a cruz e fazei que nunca deixemos abandonados à beira do caminho da vida os homens com as suas cruzes.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

9ª Estação

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo

Do Evangelho segundo São Lucas (23, 27-28)

Seguiam-nO uma grande multidão de povo e umas mulheres que se lamentavam e choravam por Ele, Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos”.

Meditação

Choravam as mulheres de Jerusalém e Jesus repreendeu as suas lágrimas com estranhas palavras de advertência. Não precisam de chorar com lamentos estéreis, aqueles que não aliviam nenhuma dor do mundo.

Todos somos convidados a chorar com realismo sobre nós mesmos, e nunca a ser carpideiras dos outros.

O pranto cristão deve ser o arrependimento, a justa penitência, a conversão. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. “Os que semeiam com lágrimas recolherão os frutos com alegria”.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, que nos olhais com amor e Vos compadeceis de todos; perdoai os nossos falsos lamentos. Fazei que saibamos chorar a secura das nossas vidas egoístas, para florescermos com frutos de amor sincero.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

10ª Estação

Jesus é crucificado

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo

Do Evangelho segundo São Marcos (15, 24)

Depois crucificaram-nO e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte para ver o que levava cada um.

Meditação

Chegou a hora da crucifixão; Jesus é pregado na Cruz e é levantado ao alto.

Os seus braços estendidos entre o céu e a terra traçam o sinal indelével da aliança. A árvore seca da cruz tinge-se de púrpura do sangue divino.

Sempre é difícil entender a loucura da cruz, absurda para o mundo e salvação para o cristão. Doce árvore onde começa a vida com um peso tão doce no seu exterior.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, crucificado pelos nossos crimes, exaltado no Calvário do mundo para redimir a todos: na cruz nós Vos reconhecemos como nosso Salvador. Nós Vos bendizemos e adoramos no patíbulo da cruz, sinal de vitória e de triunfo. Concedei-nos que saibamos aceitar as nossas cruzes de cada dia.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

11ª Estação

Jesus promete o Seu Reino ao bom ladrão

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo

Do Evangelho segundo São Lucas (23, 39-40, 42)

Um dos malfeitores crucificados com Ele insultava-O Mas o outro repreendeu-o: “Nem sequer tu temes a Deus?” E dizia: “Jesus, lembrai-Vos de mim quando estiverdes no vosso reino”.

Meditação

Cristo é crucificado entre malfeitores, a sua última companhia são dois ladrões. Aparente confusão do bem com o mal! O vento do Calvário envolve e fustiga as três cruzes.

As palavras sinceras perante a morte são sempre solenes, e sobretudo o último pedido: “Lembra-te de mim quando estiveres no teu reino”. O bom ladrão descobriu o crucificado na sua própria cruz. E Jesus morre salvando: “Hoje estarás comigo no Paraíso”.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, crucificado em tão estranha companhia, insultado e invocado na agonia, nós Vos pedimos, como o bom ladrão, que nos esqueçais, que não nos abandoneis no fim, que tenhais piedade de nós e nos leveis para a casa do Pai.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

12ª Estação

Jesus crucificado, a Mãe e o discípulo

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo

Do Evangelho segundo São João (19, 26-27)

Ao ver a sua Mãe e junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse a Sua Mãe: “Mulher, eis o teu filho”. Depois, disse ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe”. E, desde daquela hora, o discípulo recebeu-A em sua casa.

Meditação

No alto do Gólgota, junto da Cruz de Jesus, recortam-se as silhuetas da Mãe e do discípulo. Os retábulos das nossas igrejas coroam-se com estas imagens.

Tudo é alto na cruz. Muda e imóvel, junto do patíbulo, está a Mãe Dolorosa, vendo morrer o Filho abandonado.

E desde então remediou-se a soledade da Mãe e a orfandade de todos: nós somos os filhos regenerados, os filhos nascidos na dor.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, que antes de morrer nos fizestes a última grande doação; nós Vos damos graças pela Mãe Dolorosa, que é a nossa melhor consolação e herança. Nós Vos pedimos para estar sempre, como Maria e João, ao pé da cruz, pois só os fortes devem sofrer junto de Deus.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

13ª Estação

Jesus morre na Cruz

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo

Do Evangelho segundo São Marcos (15, 34.36-37)

Jesus exclamou em alta voz: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?” Um deles correu a embeber uma esponja em vinagre e deu-lho a beber. E Jesus, soltando um forte brado, expirou.

Meditação

Todo o moribundo experimenta a sombra da angústia e da solidão, o abandono total. Mas, o Pai poderá abandonar o Filho? O brado de Jesus é um brado misterioso, de sofrimento total, de esperança contra toda a esperança.

Os lábios de Jesus confessam outro mistério; a sede do seu corpo é sede divina.

E Jesus morre diante dos que olham para Ele e diante dos que fazem troça d’Ele. Inclinou a cabeça coroada de espinhos. E perante o pasmo do céu e da terra, fica pendurado e morto o corpo do Filho de Deus.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, Vós morrestes para nos dar a vida; com a vossa morte reconciliastes tudo, na vossa morte aprendemos a lição suprema do amor. Depois da vossa morte, já tem sentido a nossa morte. Tende compaixão de todos os mortos! Ensinai-nos a saber viver para saber morrer como Vós.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

14ª Estação

Jesus é depositado no sepulcro.

V. Nós Vos adoramos e bendizemos, ó Cristo

R. Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo

Do Evangelho segundo São Marcos (15, 46)

José de Arimateia comprou um lençol, desceu o corpo da cruz, envolveu-O nele e depositou-O num sepulcro cravado na rocha.

Meditação

No fim da tragédia, há este remate de ternura e dramatismo: Jesus é sepultado, para que o seu cadáver não ficasse exposto e entregue à noite.

Jesus é despregado e descido da Cruz. O lençol conhece o último contacto da pele, já tranquila, maltratada, de Jesus.

O corpo de Jesus vai estrear um sepulcro. Tudo faz silêncio, terrível silêncio. O silêncio de Deus. E pelas frestas da pedra rolada para a entrada do sepulcro sai o aroma do corpo ungido de Cristo, o aroma da iminente Ressurreição.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, meditámos a vossa paixão, contemplamos a Vossa morte, chegamos ao Vosso sepulcro. Vós que estivestes três dias sepultado, concedei-nos a graça de entender que a nossa vida e a nossa morte é uma espera da ressurreição gloriosa.

Vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo

R/ Ámen.

7 de Março de 2009

António Fonseca