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segunda-feira, 9 de março de 2009

III DOMINGO DA QUARESMA - 14/15 Março

III DOMINGO DA QUARESMA Leitura do Livro do Êxodo Ex 20, 1-17
Naqueles dias, Deus pronunciou todas estas palavras. «Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, dessa casas da escravidão. Não terás outros deuses perante Mim. Não farás para ti qualquer imagem esculpida, nem figura do que existe lá no alto dos céus ou cá em baixo na terra ou nas águas debaixo da terra. Não adorarás outros deuses nem lhes prestarás culto. Eu, o Senhor teu Deus, sou um Deus cioso: castigo a ofensa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que Me ofendem; mas uso de misericórdia até à milésima geração para com aqueles que Me amam e guardam os meus mandamentos. Não invocarás em vão o nome do Senhor teu Deus, porque o Senhor não deixa sem castigo aquele que invoca o seu nome em vão. Lembrar-te-ás do dia de sábado, para o santificares. Durante seis dias trabalharás e levarás a cabo todas as tuas tarefas. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem os teus animais domésticos, nem o estrangeiro que vive na tua cidade. Porque em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso, o Senhor abençoou e consagrou o dia de sábado. Honra pai e mãe, a fim, de prolongares os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te vai dar. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não desejarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo nem a sua serva, o seu boi ou o seu jumento nem coisa alguma que lhe pertença».
Palavra do Senhor. Salmo Responsorial Salmo 18 (19) Senhor, Vós tendes palavras de vida eterna.
A Lei do Senhor é perfeita, Ela reconforta a minha alma; As ordens do Senhor são firmes, Dão sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor são rectos E alegram o coração Os mandamentos do Senhor são claros E iluminam os olhos. O temor do Senhor é puro E permanece para sempre; Os juízos do Senhor são verdadeiros, Todos eles são rectos. São mais preciosos que o ouro, O ouro mais fino; São mais doces que o mel, O puro mel dos favos.
Leitura da 1ª Epístola do Apóstolo São Paulo aos Coríntios 1 Cor 1, 22-25
Irmãos: Os judeus pedem milagres e os gregos procuram sabedoria. Quanto a nós, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios; mas para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder e sabedoria de Deus. Pois o que é loucura de Deus é mais sábio do que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
Palavra do Senhor. Glória a Vós, Jesus Cristo, sabedoria do Pai.
Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito: quem acredita n’Ele tem a vida eterna.
Glória a Vós, Jesus Cristo, sabedoria do Pai. (cf. Lec. P’ 429)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João Jo 3, 13-25
Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados às bancas. Fez então um chicote de cordas e expulsou-os a todos do templo, com as ovelhas e os bois: deitou por terra o dinheiro dos cambistas e derrubou-lhes as mesas; e disse aos que vendiam pombas: «Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai casa de comércio». Os discípulos recordaram-se do que estava escrito: «Devora-me o zelo pela tua casa». Então os judeus tomaram a palavra e perguntaram-lhe: «Que sinal nos dás de que podes proceder deste modo?» Jesus respondeu-lhes: «destruí este templo e em três dias o levantarei». Disseram os judeus: «Foram precisos quarenta e seis anos para se construir este templo e Tu vais levantá-lo em três dias?» Jesus, porém, falava do templo do seu corpo. Por isso, quando Ele ressuscitou dos mortos, os discípulos lembraram-se do que tinha dito e acreditaram na Escritura e nas palavras que Jesus dissera. Enquanto Jesus permaneceu em Jerusalém pela festa da Páscoa, muitos, ao verem os milagres que fazia, acreditaram no seu nome. Mas Jesus não se fiava deles, porquê os conhecia a todos e não precisava de que Lhe dessem informações sobre ninguém: Ele bem sabia o que há no homem.
Palavra de salvação. DEVORA-ME O ZELO PELA TUA CASA 1ª Leitura (Êxodo 20, 1-17): “A Lei foi dada por meio de Moisés”
“E falou Deus todas estas palavras dizendo” (Ex 20, 1). Estas palavras constituem o Decálogo, um conjunto de leis que cobrem todo o âmbito da acção moral. Saídas directamente da boca de Deus, estas palavras constituem o alimento de que deve nutrir-se o Povo santo de Deus do Antigo Testamento (Dt 8, 3), mas também o Povo santo dos baptizados (Mt 4, 4) que, à luz da Ressurreição, faz anamnese da vida histórica de Jesus e acredita na Palavra da Escritura (= Antigo Testamento) e do Evangelho. Palavra que há que guardar sábia e amorosamente, pois ela é a nossa vida (Dt 32, 47).
Evangelho (Jo 2, 13-15): “Falava do Templo do seu Corpo”
Este texto mergulha-nos no clima da Quaresma, tempo de preparação para a memória da paixão do Senhor. Embora São João enquadre o episódio da “purificação do templo” no início do ministério onde Jesus, é mais plausível a cronologia dos Sinópticos que o situa no seu final, precisamente após a entrada messiânica em Jerusalém (cf Domingo de Ramos). De todas as versões evangélicas, a de São João é a mais violenta (só ele fala do “chicote de cordas”...), sendo acompanhada de uma controvérsia com os “judeus”. Estes exigem a Jesus que apresente as credenciais de autêntico profeta que legitimem uma conduta tão “subversiva” que fazia lembrar os sinais proféticos de Jeremias. O Evangelista quer sobretudo dizer-nos “Quem é Jesus?”, pelo que a interpretação “moralista” do episódio (como se o que mais importasse fosse denunciar a “negociata” instalada nas imediações do Santuário) é decididamente secundária. Devemos ter em conta que o culto do templo de Jerusalém não seria possível sem o mercado dos animais destinados aos sacrifícios; e que também era indispensável a presença dos cambistas que proporcionassem aos oferentes a troca das moedas com a efígie de César (os Euros da época) por moedas “lícitas” para o culto segundo o Decálogo (sem efígie humana). Portanto, ao expulsar os vendedores e os cambistas, Jesus estava, pura e simplesmente, a tornar impraticável o culto do Templo de Jerusalém. No diálogo com os “Judeus” sobre o “sinal” vislumbra-se o porquê: para Jesus, o Templo de Jerusalém, que andava em obras de reconstrução desde o ano 19 a C. – e o culto que nele se praticava – tinham, esgotado o seu “prazo de validade”. Doravante, o verdadeiro Templo onde adorar o Pai em Espírito e Verdade era o seu próprio Corpo que, destruído pelos Judeus (= alusão à Paixão e Morte), se reergueria definitivamente ao 3º dia (Ressurreição). Na ocasião todos se equivocaram com as palavras paradoxais e aparentemente absurdas de Jesus (há quarenta e seis anos que o templo de Jerusalém andava em obras!). Para os discípulos, será necessário esperar pelo seu cumprimento – a Ressurreição – para, numa leitura retrospectiva, descobrirem o seu sentido profundo e a sua verdade insuperável. Nós, hoje, ao escutar este relato, já beneficiámos desta luz pascal.
2ª Leitura (1 Coríntios 1, 22-25): “Cristo crucificado, poder e sabedoria de Deus”
Enquanto os “judeus” pedem sinais (Jo 2, 18; 1 Cor 1 22) e os “gregos” procuram a sabedoria deste mundo (1 Cor 1, 22), os baptizados/confirmados/chamados continuam de olhos postos no único sinal da Cruz Gloriosa, sem dúvida a mais bela página que Deus escreveu na história dos homens, embora a letra seja ainda ilegível para muita gente!
HOMILIÁRIO PATRÍSTICO Aquele templo era uma sombra
Adoremos a Deus, de quem somos templos. Só a Deus podemos fazer um templo, seja de madeira ou de pedra. Se fôssemos pagãos, levantaríamos templos aos deuses; mas a deuses falsos, como os que são erigidos pelos povos infiéis, afastados de Deus. Salomão, pelo contrário, sendo profeta de Deus, construiu um templo de madeira e de pedra, mas a Deus. A Deus, não a um ídolo, nem a um anjo, nem ao solo, nem à lua. Ao Deus que fez o céu e a terra e permanece no céu. Salomão fez um templo na terra. E Deus, não só não se desagradou por isso, mas antes mandou que se fizesse. Porque razão mandou Deus que se Lhe erigisse um templo? Acaso não tinha onde residir? Escutai o que disse o bem-aventurado Estêvão no momento da sua paixão: “Salomão edificou-Lhe uma casa, mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mão de homem” (Act 7, 47-48). Porquê, então, quis fazer um templo ou que um templo fosse edificado? Para que prefigurasse o Corpo de Cristo. Aquele templo era uma sombra: chegou a luz e afugentou a sombra. Procura agora o templo que Salomão edificou, e encontrarás uma ruína. Por que motivo o templo se converteu em ruínas? Porque se cumpriu o que ele simbolizava. Até o próprio templo que é o Corpo do Senhor ruiu, mas Ressuscitou; e de tal modo ressuscitou que de modo algum poderá jamais voltar a ruir.
(S. Agostinho, Sermão 217, 4) SUGESTÕES LITÚRGICAS
1. Depois do dilúvio e da provação de Abraão, a 1ª Leitura coloca-nos perante a etapa crucial do êxodo, propondo-nos o texto central do Decálogo (Êx 20). No Evangelho, que interrompe a leitura de São Marcos para privilegiar a de São João, vemos Jesus projectado para a sua paixão desde o início do seu ministério público no “sinal” que preanuncia a substituição do templo pelo seu corpo sacrificado. Nesta fraqueza da cruz manifesta-se o poder de Deus (2ª Leitura). 2. Depois dos dois primeiros Domingos da Quaresma em que se antecipam as duas dimensões do mistério pascal, segue-se o “templo”: no Ano B, os 3º., 4º e 5º Domingos centram-se precisamente na revelação da profundidade deste mistério nas suas vertentes crística e eclesial. Continua a ser à volta do Evangelho que se aglutinam todos os temas: hoje sublinha-se que na Páscoa – morte e ressurreição – se manifesta o verdadeiro Templo, o Corpo de Cristo. Como é sabido – e o Leccionário recorda – podem proclamar-se sempre as leituras próprias do Ano A. Se na comunidade houver catecúmenos “eleitos” para a celebração dos Sacramentos da Iniciação na próxima Páscoa, é essa a opção indicada. Pode justificar-se a mesma opção nas comunidades em que se queira privilegiar a dimensão baptismal da Quaresma. 3. Leitores: 1ª Leitura – O texto apresenta-nos o decálogo (ou as “dez Palavras”). Temos, pois, uma divisão natural do texto que deve aparecer com clareza na leitura. Assim, após a frase introdutória, o primeiro intervalo faz-se depois de “nem lhes prestarás culto”; o segundo, depois de “o seu nome em vão”; o terceiro, depois de “consagrou o dia de Sábado”; os outros (mais sete), são evidentes. 2ª Leitura – Note-se o paralelismo antitético e ressalte-se na proclamação e esta resultará fácil.
SUGESTÃO DE CÂNTICOS Entrada: Os meus olhos estão sempre fixos no Senhor M. Faria, BML 50, 12; Deus, vinde em meu auxílio, F. Silva, NCT 80; Salmo responsorial Senhor, Vós tendes palavras, F. Santos, BML 45, 13; NCT 154; M. Luís, SRAE 194 Aclamação ao Evangelho Deus amou de tal modo o mundo, F. Santos, BML 45, 11 ou 115, 45; Comunhão: Ditosos que Te louvam, F. Santos, BML 21, 10; 75, 53; NCT 109; O Filho do homem, F. Santos, BML 45, 16; Somos o novo Israel, F. Santos, BML 22; NCT 112. http://voz-portucalense.pt Cadernos litúrgicos-2009 António Fonseca