OS MEUS DESEJOS PARA TODOS

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quinta-feira, 19 de março de 2009

QUARESMA

Permito-me transcrever este tema descrito na mensagem que me foi enviada por Felipe de Urca, coordenador de PEQUENAS SEMILLITAS, e que tive o cuidado de traduzir do espanhol. Espero que não tenha muitos erros ...
Tema do día :
Perguntas frequentes sobre a Quaresma
Estas são as perguntas mais comuns com as respostas que te farão compreender melhor o sentido da Quaresma. — O que é a Quaresma? Chamamos Quaresma ao período de quarenta dias (Quadragésima) reservado à preparação da Páscoa, e assinalado pela última preparação dos catecúmenos que deveriam receber nela o baptismo. — ¿Desde quando se vive na Quaresma?
Desde o século IV manifesta-se a tendência para a constituir no tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e a abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em princípio nas igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais aligeirada no ocidente, mas deve observar-se um espírito penitencial e de conversão.
— ¿Qual é o espírito da Quaresma?
Deve ser como um retiro colectivo de quarenta días, durante os quais a Igreja, propondo aos seus fiéis o exemplo de Cristo no seu retiro no deserto, prepara-se para a celebração das solenidades pascais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.
— O que é a Penitência?
A penitência, tradução latina da palavra grega metanoia que na Biblia significa a conversão (literalmente a troca de espírito) do pecador, designa todo um conjunto de actos interiores e exteriores dirigidos à reparação do pecado cometido, e o estado de coisas que resulta dele para o pecador. Literalmente troca de vida, diz-se, do acto do pecador que volta a Deus depois de ter estado longe d'Ele, ou do incrédulo que alcança a fé.
— Que manifestações tem a Penitência?
"A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oracão, a esmola, que expressam a conversão em relação a sí mesmo, em relação a Deus e em relação aos demais. Junto à purificação radical operada pelo Baptismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação pela salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade "que cobre a multidão de pecados" (1 Pedro, 4,8.)." (Catecismo Igreja Católica, n.1434)
— Estamos obrigados a fazer penitência?
"Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência; sem dúvida, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, fixaram-se os días penitenciais nos que se dediquem aos fieis de maneira especial a oração, realizem obras de piedade e de caridade e se neguem a sí mesmos, cumprindo com maior fidelidade suas próprias obrigações e, sobretudo, observando o jejum e a abstinência." (Código de Direito Canónico, cánon 1249).
— Quais são os días e os tempos penitenciais? "Na Igreja universal, são dias e tempos penitenciais todos as sextas-feiras do ano e o tempo de Quaresma." (Código de Direito Canónico, cánon 1250). — Que se deve fazer em todas as sextas-feiras do ano?
Em recordação do día em que morreu Jesus Cristo na Santa Cruz, "todas as sextas-feiras, a não ser que coincidam com uma solenidade, deve guardar-se a abstinência de carne, ou de outro alimento que haja determinado a Conferência Episcopal; jejum e abstinência fazem-se também em Quarta-feira de Cinzas e em Sexta-feira Santa." (Código de Direito Canónico, cánon 1251).
— Quando é a Quaresma?
A Quaresma começa em Quarta-feira de Cinzas e concluí imediatamente antes da Missa Vespertina ou na Ceia de Domingo (Sábado Santo). Todo este período forma uma unidade, podendo-se distinguir os seguintes elementos: 1) Quarta-feira de Cinzas, 2) Os domingos, agrupados en el binómio, I-II; III, IV e V; e o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, 3) A Missa Crismal e 4) As férias.
— O que é Quarta-feiras de Cinzas?
É o princípio da Quaresma; um día especialmente penitencial, no qual manifestamos nosso desejo pessoal de conversão a Deus. Ao chegarmos aos templos onde nos imponham a cinza, expressamos com humildade e sinceridade de coração, que desejamos converter-nos e a crer de verdade no Evangelho.
— Quándo tem origem a prática da cinza?
A origem da imposição da cinza pertence a estrutura da penitência canónica. Começa a ser obrigatório para toda a comunidade cristã a partir do século X. A liturgia actual, conserva os elementos tradicionais: imposição da cinza e jejum rigoroso.
— Quándo se bendiz e se impõe a cinza?
A bênção e imposição da cinza tem lugar dentro da Missa, depois da homilía; ainda que em circunstâncias especiais, se possa fazer dentro de uma celebração da Palavra. As fórmulas de imposição da cinza inspiram-se na Escritura: Gn, 3, 19 y Mc 1, 15.
— De onde vêm a cinza?
A cinza procede dos ramos benzidos no Domingo da Paixão do Senhor, do ano anterior, seguindo um costume que remonta ao século XII. A fórmula de bênção faz relação à condição pecadora de quem a recebe.
— Qual é o simbolismo da cinza? O simbolismo da cinza é o seguinte: a) Condição débil e caduca do homem, que caminha até à morte; b) Situação pecadora do homem; c) Oração e súplica ardente para que o Senhor acuda em sua ajuda; d) Ressurreição, já que o homem está destinado a participar no triunfo de Cristo. — A que nos convida a Igreja na Quaresma?
A Igreja persiste em convidar-nos a fazer deste tempo como um retiro espiritual en que o esforço de meditação e de oração deve estar sustentado por um esforço de mortificação pessoal cuja medida, a partir deste mínimo, é deixada à liberdade e generosidade de cada um.
— O que se deve vivir na Quaresma?
Se se vive bem a Quaresma, deverá obter-se uma auténtica e profunda conversão pessoal, preparando-nos, deste modo, para a festa maior do ano: o Domingo de Ressurreição do Senhor.
— O que é a conversão?
Converter-se e reconciliar-se com Deus, separar-se do mal, para estabelecer a amizade com o Criador. Supõe e inclui deixar o arrependimento e a confissão de todos e cada um dos nossos pecados. Uma vez em graça (sem consciência de pecado mortal), temos de nos propôr trocar desde dentro (em atitudes) tudo aquilo que não agrada a Deus.
— Porque se diz que a Quaresma é um “Tempo Forte” e um “Tempo Penitencial”? "Os tempos e os días de penitência ao longo do ano litúrgico (o tempo de Quaresma, cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as litúrgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola, a comunicação cristã de bens (obras caritativas e missionárias)." (Catecismo Igreja Católica, n. 1438)
— Como concretizar o meu desejo de conversão? De diversas maneiras, mas sempre realizando obras de conversão, como são, por exemplo: 1. Aceder ao Sacramento da Reconciliação (Sacramento da Penitência ou Confissão) e fazer uma boa confissão: clara, concisa, concreta e completa. 2. Superar as divisões, perdoando e crescer em espírito fraterno. 3. Praticando as Obras de Misericórdia.
— Quais são as Obras de Misericórdia?
As Obras de Misericórdia espirituais são: - Ensinar a quem não sabe. - Dar bom conselho a quem o necessita. - Corrigir a quem erra. - Perdoar as injúrias. - Consolar o triste. - Sofrer com paciência as adversidades e fraquezas do próximo. - Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos As Obras de Misericórdia corporais são: - Visitar o enfermo. - Dar de comer a quem tem fome. - Dar de beber a quem tem sede. - Socorrer ao preso. - Vestir o nú. - Dar pousada ao peregrino. - Enterrar os mortos. — Que obrigações tem um cristão na Quaresma? Há que cumprir com o preceito do jejum e abstinência, assim como a Confissão e Comunhão anual anual. — Em que consiste o jejum? O jejum consiste em fazer uma só refeição ao dia, ainda que se possa comer algo menos do que é costume, pela manhã e à noite. Não se deve comer nada entre os alimentos principais, salvo caso de enfermidade. — Quem é obrigado a jejuar? São obrigados a viver na lei do jejum, todos os maiores de idade, até que tenham cumprido cinquenta e nove anos de idade. (cfr. CIC, c. 1252). — O que é a abstinência? Chama-se abstinência, privar-se de comer carne (vermelha ou branca e seus derivados). — Quem é obrigado à abstinência? A lei da abstinência obriga a quem tenha mais de catorze anos (cfr. CIC, c. 1252). —Pode trocar-se a prática de jejum e abstinência? "A Conferência Episcopal de cada País pode determinar com mais detalhe o modo de observar o jejum e a abstinência, assim como substitui-los em todo ou em parte por outras formas de penitência, sobretudo por obras de caridade e práticas de piedade." (Código de Direito Canónico, cánon 1253). — O que é importante do jejum e da abstinência? Deve cuidar-se e não viver o jejum ou a abstinência como o mínimo, mas sim como uma maneira concreta com que a nossa Santa Madre Igreja nos ajuda a crescer no verdadeiro espírito de penitência. — Que aspectos pastorais convém recolher na Quaresma? O tempo de Quaresma é um tempo litúrgico forte, no qual toda a Igreja se prepara para a celebração das festas pascais. A Páscoa do Senhor, o Baptismo e o convite à reconciliação, mediante o Sacramento da Penitência, são as suas grandes coordenadas. Sugere-se utilizar como meios de acção pastoral: 1) A catequese do Mistério Pascal e dos sacramentos. 2) A exposição e celebração abundante da Palavra de Deus, como o aconselha vivamente o cánon. 767, & 3, 3). 3) A participação, de ser possível diária, na liturgia quaresmal, nas celebrações penitenciais e, sobretudo, na recepção do sacramento da penitência: "são momentos fortes na prática penitencial da Igreja" (CEC, n. 1438), fazendo notar que "junto às consequências sociais do pecado, detesta o mesmo pecado em quanto é ofensa a Deus"; e, 4) O fomento dos exercícios espirituais, as peregrinações, como sinal de penitência, as privações voluntárias como o jejum e a esmola e as obras caritativas e de missão.
Fuente: http://mx.geocities.com/corosanmarcos/especialcuaresma/tiempocuaresmal.htm http:www.peque-semillitas.blogspot.com António Fonseca

DIA DO PAI - 19 de MARÇO

Espaço Literário on-line

- Todos os Textos presentes neste blog são da autoria de Padre Mário Salgueirinho

Sunday, March 15, 2009

Padre Mário Salgueirinho

Dia do Pai

Os tempos que correm são duros e frios, de ingratidão e de indiferença generalizada para com os pais, sobretudo para com o progenitor. Do mesmo modo que se dedicam um dia às mães, também a dinâmica comercial criou o “dia do pai.” Pelo que tenho observado nestes últimos anos, o dia do pai está moribundo pelo desinteresse a que está votado pela maior parte dos filhos. Há pais e pais. Há aqueles que amam, e se entregam desveladamente aos filhos, até ao sacrifício, para fazê-los felizes. São aqueles que vêem nos filhos uma bênção de Deus, que os perpetuam em ramificações de alegria, de honestidade e de expressões de amor. Vivem vigilantes sobre a trajectória dos filhos, ajudando-os a vencer tentações e perigos no caminho de Deus. Outros não têm consciência do valor do seu contributo para a sociedade, especialmente para o seu país. São pais por acaso, sem amor, sem interesse pela educação física e moral de seus filhos. Perante a ingratidão cruel, a violência horrorosa e o desinteresse de alguns filhos para com seus pais, muitos casais têm medo de gerar filhos. Algumas vezes tenho ouvido este comentário: Pelo que se vê, qual a felicidade em ter filhos? O “dia do pai” é uma pedra no charco, apelando aos filhos a manifestar carinho e gratidão para com seu pai, reconhecendo o sacrifício por ele assumido e correspondendo com um comportamento digno e reconfortante. Se há pais desleixados, desinteressados pelos filhos, há tantos heróis que se privam de muita coisa para que o pão e a educação não faltem aos seus. A todos lembro esta palavra de Alphonse Daudet: ”Se soubésseis, quando deixamos de ter os nossos pais, até que ponto lamentamos não lhes havermos dado mais do nosso tempo.” E do nosso amor…
posted by Maia @ 5:28 PM 0 comments In blogue: www.padremariosalguerinho.blogspot.com www.voz-portucalense.pt retirado do Tema Vivo - Vitral, de 18-Março-2009, com a devida vénia e os meus agradecimentos António Fonseca

ANO PAULINO - Leitura Nº 45 - "Um Ano a Caminhar com S. Paulo"

45

“QUE TODA A PESSOA SE SUBORDINE ÀS AUTORIDADES PÚBLICAS”

Fala-se muito dos direitos que cabem aos cidadãos por parte do Estado. Talvez se fale menos dos correspondentes deveres. Mas pior ainda é se os não cumprem. Para nós, cristãos, por razões que vão além do circuito jurídico de direitos e deveres.

Paulo adverte-nos para isso em Rm 13, 1-10, em termos, no entanto, nada fáceis de interpretar. As suas palavras foram usadas, ao longo da história, designadamente para sancionar medidas expressivas de um absolutismo estatal, contrário ao bem do homem e à mensagem cristã.

Se, porém, as lermos no seu contexto histórico e literário, apercebemo-nos de que Paulo, com elas, não expõe qualquer teoria sobre o sistema estatal, mas apenas se dirige às comunidades cristãs de Roma, para as ajudar a viver e sobreviver, nos condicionalismos a que estavam sujeitas; além do reduzido número dos seus membros, encontravam-se em pleno processo de autonomização, após após a separação do berço onde tinham nascido, as sinagogas judaicas.

Mas, fora disto, os princípios por que Paulo se orienta são perfeitamente aplicáveis e até necessários nos nossos dias.

Rm 13, 1-10

Que toda a pessoa se subordine às autoridades públicas, pois não existe autoridade que não venha de Deus e as que existem foram por Deus estabelecidas. Por isso quem resiste à autoridade, opõe-se à ordem querida por Deus, e os que se opõem receberão a condenação. É que os detentores do poder não são temidos por quem pratica o bem, mas por quem pratica o mal. Não queres ter medo da autoridade? Faz o bem e receberás os seus elogios. De facto, ela está ao serviço de Deus para te incitar ao bem. Mas, se fazes o mal, então deves ter medo, pois para alguma coisa ela traz a espada. De facto, ela está ao serviço de Deus, para castigar aquele que pratica o mal. É por isso que é necessário subordinar-se, não só por causa do castigo, mas também por causa da consciência.

É também por essa razão que pagais impostos; aqueles que têm de se ocupar disso são funcionários de Deus. Dai a cada um o que lhe é devido; o imposto, a quem se deve o imposto; a taxa, a quem se deve a taxa; o respeito, a quem se deve o respeito; a honra, a quem se deve a honra.

Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros. Pois quem ama o outro cumpre a Lei. De facto, «não cometerás adultério, não matarás, não furtarás, não cobiçarás», bem como qualquer outro mandamento, estão resumidos nesta palavra: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». A caridade não faz mal ao próximo. Portanto, é na caridade que está o cumprimento da lei.

Do verbo sub-ordinar-se (v. 1 e 5) faz parte o termo ordem (v. 2). E como sem ordem não há sociedade que sobreviva, por isso, além de um dever, é um bem para cada cidadão subordinar-se às normas e instâncias que garantem a sua ordem. Mas uma subordinação que seja activa: em que eu e cada um, cumprindo o que me compete, contribuo realmente para o bem comum. Só assim estou em condições convincentes, para reivindicar os meus direitos e criticar e corrigir quem não faz o que deve... e, ainda, para compreender o fundamento teológico das exortações de Paulo.

Que a ordem na sociedade é, desde sempre, querida por Deus (v. 2), é óbvio. Basta ler os relatos da criação do mundo (Gn 1-2) e do povo de Israel (Ex 20ss). Que dessa ordem faça parte a existência de autoridades públicas que, ao serviço de Deus, promovam o bem dos cidadãos, incitando os que o praticam e castigando os prevaricadores (vv. 3s), está igualmente fora de questão. O regime monárquico em Israel foi aprovado por Deus, ainda que travando os seus abusos, por meio dos profetas. Que cada cidadão contribua para os cofres do estado, pagando os devidos impostos e taxas (v. 6s), faz parte do mandamento do Decálogo que manda não furtar. Que não existe autoridade que não venha de Deus (v. 1), era já convicção corrente nos escritos sapienciais (Pr 8, 15s; Sir 17, 17; Sb 6, 3s; Dn 2, 21). Que os detentores da autoridade tenham consciência dessa dependência, só os beneficiaria, mas não é indispensável. O importante é que pratiquem o bem, conforme exige a natureza humana, criada por Deus.

O problema é o não fazem. Como se pode dizer, nesses casos, que as autoridades públicas que existem, foram por Deus estabelecidas (v. 1)? Se ao menos Paulo distinguisse entre fiéis e infiéis à vontade de Deus. Mas não. Também aos infiéis toda a pessoa se deve subordinar (v. 1). Mesmo quando as leis que promulgam são claramente imorais? Ou, pela espada, se recorre à pena de morte para eliminar os prevaricadores (v. 4)? Ou ainda, como era corrente então, o sistema de impostos desrespeitava, no montante e no modo como eram extorquidos, as normas mais básicas da justiça e do respeito pelos bens e a vida das pessoas? Como subordinar-se a quem, com tudo isso, em vez de ordem, era causa de desordem moral?

Que Paulo não apela, sem mais, a uma subordinação cega e resignada, dá-o já a entender, quanto ao medo do castigo, no juízo final, acrescenta razões de consciência (v. 5). Esta é a última e decisiva instância para saber o que devo fazer e como ajuizar a responsabilidade moral dos meus actos: a consciência, iluminada pela fé que actua pela caridade (Gl 5, 6). É nesse sentido que, depois de apelar ao pagamento de todas as dívidas (v. 7), Paulo conclui: Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros (v. 8). É pela caridade, como dever ilimitado, que me tenho de orientar quanto ao cumprimento de todas as leis (v. 9), em duas vertentes:

1. Quem ama o outro cumpre a Lei em toda a sua plenitude (v. 8); os quatro preceitos da segunda parte do Decálogo citados (v. 9) e todos os outros, incluindo o pagamento de impostos e a subordinação às autoridades públicas. Mas cumpre-os, não () por medo do castigo, mas porque assim não faz mal ao próximo (v. 10). E, se o bem dos outros é a medida dos meus actos, então por eles faço até o que não está estipulado por lei. A caridade não tem limites.

2. E, porque não tem limites, quem, ama, pode também ver-se obrigado a não cumprir o que está legislado: ou porque a lei em causa imoral ou porque as circunstâncias assim o exigem. Se, num caso e no outro, cumprir a lei limita ou destrói o bem do próximo, então, por consciência, não devo fazer. Sempre?

Pode também haver situações em que a consciência me obriga a fazer o que não devia, para evitar males maiores. Era o caso das comunidades cristãs de Roma. Nas circunstâncias em que se encontravam, a rebelião contra a ordem pública ser-lhes-ia fatal. Porque a caridade é paciente, ela tudo espera, tudo suporta (1 Cor 13, 4.7), na certeza de que, assim e a seu tempo, o bem triunfará. Não foi assim que Cristo triunfou sobre a morte?

18-03-2009