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segunda-feira, 6 de abril de 2009

LEITURA Nº 49 - UM ANO A CAMINHAR COM SÃO PAULO

49

“DEUS, POR MEIO DE JESUS, CONDUZIRÁ, COM ELE, OS QUE ADORMECERAM”

A morte é um mistério. Por um lado, ela faz parte da vida. Ou melhor: vista realisticamente, é a negação da vida. Daí que, por outro lado, a vida consista na luta contra morte e tudo o que a ela pode levar. Não é isso que nos traz de pé? Mas que sentido tem empenhar a vida por uma causa que, previamente, se sabe perdida?

Por ser um enigma que o ultrapassa, desde a sua origem o homem procura uma solução fora de si. A morte é a questão, por excelência, de todas as religiões. E até muitos dos que se têm por ateus ou agnósticos e rejeitam a imortalidade, até esses manifestam um respeito para com os mortos que, por vezes, tem expressões quase cultuais e nos faz duvidar das suas convicções.

O Cristianismo é a única religião fundada no efectivo triunfo de Deus sobre a morte. Mas é um triunfo na morte e pela morte. Por isso, também ele é um mistério. Ainda hoje se procuram explicações racionais para a ressurreição de Cristo que, não raramente, levam à sua negação. É que, a razão última, se de razão se pode falar, que nos leva a aceitar a vitória definitiva de Cristo sobre a morte é a fé. E a verdade que esta se baseia em testemunhos, localizáveis no tempo e no espaço. Mas são testemunhos de fé. Daí que nem todos se deixem convencer.

De entre eles, destaca-se o de Paulo, quer pelos efeitos radicais do encontro com Cristo ressuscitado na sua vida, quer, na sequência disso Ele ser, a todos os níveis, o conteúdo central e centralizador da sua pregação. Não há tema nenhum das suas cartas sem uma referência directa ou indirecta a Cristo glorioso.

É o caso de 1 Ts 4, 13-18, onde fala do destino dos cristãos depois da morte. Não se sabe ao certo a origem da dúvida: talvez, por Paulo, na fundação da comunidade uns meses antes, ter manifestado a convicção de que a última vinda de Cristo estaria para breve. Nesse caso, que acontece com os cristãos entretanto falecidos? Independentemente destas circunstâncias, a pergunta é de todos os tempos. Porque, na prática, é a morte que está em questão. Ou melhor: a vida que todos tanto amamos.

1 TS 4, 13-18

Mas não queremos, irmãos, deixar-vos na ignorância a respeito dos que adormeceram, para não andardes tristes como os outros que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, por meio de Jesus, conduzirá, com Ele, os que adormeceram.

Isto, com efeito, vos dizemos com uma palavra do Senhor: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, não precederemos os que adormeceram; pois o próprio Senhor, à ordem dada, à voz do arcanjo e à trombeta de Deus, descerá do Céu, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Em seguida, nós, os vivos, os que ficamos, seremos arrebatados juntamente com eles sobre as nuvens, para irmos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.

Consola-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.

Confirma-se que Paulo não fala da morte, mas dos mortos, e só de cristãos. Usa um eufemismo ainda hoje ouvido: por ser tão cruel, preferimos falar de adormecer, até porque o sono é o estado mais parecido com a morte. Mas será só por isso? Ou será também, porque por detrás disso se esconde o desejo de que tudo não passe de um sono e de que, assim, a maior causa de tristeza resulte na de maior alegria?

Paulo distingue-nos dos que não têm esperança (v. 1). Pressupõe-se que não é uma como a nossa. É que também noutros, sobretudo os judeus, acreditavam que a vida não termina com a morte. Desde o século II aC., era quase comum entre eles a convicção de que Deus, nos tempos finais da história, ressuscitaria os mortos que se lhe tinham mantido fiéis até ao fim, mormente os que tinham pago a fé com a vida: os mártires, por rejeitarem normas éticas e cultuais a que eram forçados com a helenização da Palestina, imposta por Antíoco IV (cfr 2 Mac e Dn). Na base desta convicção está a relação entre Deus e a vida. Se Ele, como havia mostrado na história do seu povo, é mesmo o Autor e Senhor da vida, como poderá agora abandonar à morte quem para Ele sempre vivera?

O que para eles era uma esperança, fundada no ser e na acção de Deus e numa prática de vida coerente com a fé, tornou-se realidade histórica em Jesus Cristo. No fundo, pelas mesmas razões: porque Ele, o maior justo, se manteve em comunhão com Deus. Mais: porque enfrentou a ignomínia da Cruz como a prova máxima da sua fidelidade a Deus e aos homens, fazendo da morte a doação da vida, num amor incondicional, por isso a sua morte foi o definitivo triunfo sobre a morte e tudo o que a ela conduz.

É este acontecimento salvífico que está resumido na afirmação de que Jesus morreu e ressuscitou (v. 14a), o conteúdo do Evangelho anunciado por Paulo e acolhido pelos cristãos de Tessalónica. A frase é precedida por acreditamos, um verbo que, conforme o correspondente hebraico, indica uma entrega total a Deus, uma entrega a quem todo se entregou, e que, por isso, se torna presente e actuante naqueles que a Ele se entregam, fazendo deles novas criaturas (2 Cor 5, 14-17). De tal modo que, diz-nos Paulo, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito que habita em vós (Rm 8, 11).

É o mesmo que dizer: assim também Deus, por meio de Jesus, conduzirá, com Ele, os que adormeceram (v. 14b). A diferença está, praticamente, só no verbo conduzir, aplicado na Bíblia a intervenções de Deus, como o êxodo do Egipto, também ele uma condução da morte à vida.

É possível que Paulo o tenha escolhido, por ter já em vista a descrição seguinte da ressurreição dos que vivem e morrem em união com Jesus ressuscitado, servindo-se de uma palavra do Senhor que cita (v. 15) e explica (vv. 16). É uma das palavras de Jesus que os evangelhos não recolheram da tradição oral. O mais importante é a sua autoridade. A linguagem é metafórica, a única possível para exprimir realidades transcendentais, como são as teofanias. Neste caso, são termos indicativos da luta vitoriosa na guerra contra o maior inimigo do homem, uma vitória celebrada no culto: a trombeta convoca para a batalha e a celebração cultual; o arrebatamento exprime a libertação dos prisioneiros da morte; as nuvens aparecem nas teofanias, para, simultaneamente, Revelar e encobrir um Deus que está para além dois ares, que separam o terreno do transcendente.

Esta é, pois, a nossa esperança: os defuntos cristãos, uma vez ressuscitados, participarão, tal como os vivos, até à vinda gloriosa de Cristo, da eterna comunhão de amor com Ele. Um amor de que já vive e se exprime também na consolação dos que sofrem por causa da morte... para consolo, presente e futuro, dosa que o fazem (v. 18).

In:Um Ano a caminhar com São Paulo

De: D. Anacleto de OliveiraBispo Auxiliar de Lisboa

Compilado por: António Fonseca - 06-04-2009

TRÍDUO PASCAL - 5ª Feira Santa

SAGRADO TRÍDUO PASCAL

O Tríduo Pascal inicia-se na Missa da Ceia do Senhor e atinge o ponto alto na Vigília Pascal, terminando com as I Vésperas do Domingo da Ressurreição. Na tarde de Sexta-Feira Santa, celebra-se a Paixão do Senhor. A Vigília Pascal deve realizar-se na noite de sábado e terminar nas primeiras horas da manhã de Domingo. A cor litúrgica é branca, excepto na Sexta-Feira Santa que é vermelha.

QUINTA-FEIRA SANTA (Missa da Ceia do Senhor)

Leitura do Livro do Êxodo Ex 12, 1-8. 11-14

Naqueles dias, o Senhor disse Moisés e a Aarão na terra do Egipto: «Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada cada. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito».

«Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. O sangue será para vós, um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial Salmo 115 (116)

O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo

Como agradecerei ao Senhor

Tudo quanto Ele me deu?

Elevarei o cálice da salvação,

Invocando o nome do Senhor.

É preciosa aos olhos do Senhor

A morte dos seus fiéis.

Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:

Quebrastes as minhas cadeias.

Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,

Invocando, Senhor, o vosso nome.

Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,

Na presença de todo o povo.

Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios 1 Cor 11, 23-26

Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.

Palavra do Senhor.

Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.

Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.

(cf. Lec. P’ 429)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João Jo 13, 1-15

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?» Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés.» Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: “Aquele que está lavado não precisa de se lavar de novo: todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia que havia de O entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-se de novo à mesa. Então disse-lhes: Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

Palavra de salvação.

ELEVAREI O CÁLICE DA SALVAÇÃO, INVOCANDO O NOME DO SENHOR

1ª Leitura (Ex 12, 1-8, 11-14): “É a Páscoa do Senhor”

Esta leitura leva-nos a uma festa da Primavera celebrada por pastores, cujo ritual principal consistia na matança de um cordeiro, com cujo sangue tingiam-se as tendas, para afastar os perigos que poderiam causar doenças no rebanho ou, mesmo, destruí-lo. Israel interpretou esta festa pastoril, relacionando-a com um dos factos primordiais da história: o Êxodo ou libertação da escravidão do Egipto. Surge um simbolismo novo: a própria mão de Deus que extermina os egípcios: «Eu é que sou o Senhor», e o sangue na moldura das portas passa a indicar a protecção de Deus, que livra o Seu povo do extermínio e o liberta da opressão. Este ritual faz memória da acção libertadora de Deus. «Os que participam da celebração são convocados a conformarem a sua acção histórica na sociedade ao modo de agir de Deus». (R. Ruijis). A Ceia é celebrada no contexto da Páscoa judaica: Jesus é o Cordeiro que derramou o Seu sangue para salvar todos os homens.

Evangelho (Jo 3, 1-15): “Lavar os pés una aos outros”

São João não descreve propriamente a instituição da Eucaristia, mas apresenta o ponto central da missão de Jesus, de que a Eucaristia é sacramento: o serviço, testemunho supremo do amor de Jesus ( «amou-os» até ao fim). O gesto de Jesus de lavar os pés aos apóstolos expressa o sentido da Sua missão e é um ensinamento para os seus seguidores: a autoridade é serviço e só pode ser entendida como despojamento. É o que significa tirar o manto. Simão Pedro resiste porque não entendeu que o amor produz igualdade e fraternidade. A diferença de funções na comunidade é expressão da eficácia do amor mútuo. Na comunidade cristã já não se justifica nenhum tipo de superioridade, mas a relação pessoal de irmãos e amigos. Jesus confirma ser Mestre e Senhor depois que realizou o acto que simbolizava toda a Sua missão, identificando-se com o Servo de Deus: Ele veio para servir e não para ser servido.

2ª Leitura (1 Cor 11, 23-26): “Em memória de Mim”

Este texto é importante para entendermos o modo como Paulo ensina como a Eucaristia foi transmitida. A comunidade de Corinto está dividida e Paulo considera este facto um teste «para que se tornem manifestos entre vós aqueles que são comprovados» (vv. 17-19). E analisa uma causa concreta de como a Eucaristia, símbolo da unidade, se tornara ocasião de discórdia: no “partir o pão” – não havia a partilha do pão.

Paulo coloca os elementos imprescindíveis para que a assembleia celebre e entenda correctamente a Eucaristia: 1. A Eucaristia é a celebração da paixão e morte de Jesus, o Seu supremo gesto de amor: na noite em que foi entregue (v. 23); o pão e o vinho são o corpo e o sangue entregue por vós (vv. 24-25); 2. A Eucaristia é memorial: «Fazei isto em memória de Mim»; 3. A Eucaristia é o gesto de amor de Jesus que deve ser anunciado por todos os cristãos em todos os tempos: «Até que Ele venha» (v. 26). Tal como a comunidade de Corinto, tantas vezes as nossas comunidades actuais deturpam a celebração eucarística porque nelas existem divisões e disparidades sociais.

HOMILIÁRIO PATRÍSTICO

O Cordeiro imolado libertou-nos da morte

Muitas coisas foram preditas pelos Profetas acerca do mistério da Páscoa, que é Cristo, ao qual seja dada glória: pelos séculos dos séculos. Ámen. Desceu dos Céus à terra para curar a enfermidade do homem; revestiu-Se da nossa natureza no seio da Virgem e fez-Se homem; tomou sobre Si os sofrimentos do homem enfermo num corpo sujeito ao sofrimento e destruiu as fraquezas da carne; e com o seu espírito não podia morrer, matou a morte homicida. Foi conduzido à morte como um cordeiro; libertou-nos da sedução do mundo, como outrora os israelitas do Egipto; salvou-nos da escravidão do demónio, como outrora arrancou Israel das mãos do Faraó; imprimiu em nossas almas o sinal do seu Espírito e assinalou os nossos corpos com o Seu Sangue. Foi Ele que venceu a morte e confundiu o demónio, como outrora Moisés ao Faraó. Foi Ele que nos fez passar da escravidão à liberdade, das trevas à luz, da morte à vida, da tirania ao reino perpétuo, e fez de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre. Ele é a Páscoa da nossa salvação.

(Melitão de Sardes, Bispo).

SUGESTÕES LITÚRGICAS

1. São proibidas neste dia todas as Missas sem participação do Povo. De tarde, a hora conveniente, celebra-se a Missa da Ceia do Senhor, com participação de toda comunidade local. Os sacerdotes que concelebrarem na Missa crismal, ou tiverem celebrado para utilidade dos fiéis, podem concelebrar nesta Missa.

2. A comunhão só pode ser distribuída dentro da Missa, mas pode levar-se aios doentes.

3. Nesta Missa consagra-se pão suficiente para a Comunhão de amanhã (sexta-feira santa) do clero e dos fiéis.

4. Enquanto se canta o GLÓRIA tocam-se os sinos. Será de evitar tocar dentro da Igreja as campainhas (do compasso) de forma a não perturbar o canto (e as pessoas).

5. Nesta Missa não se diz o Credo.

SUGESTÃO DE CÂNTICOS

Missa da Ceia do Senhor

Entrada:

Toda a nossa glória, F. Lapa, BML 115, 50;

Toda a nossa glória, M. Luís, NCT, 124;

A nossa glória, F. Santos, BML 20, 13;

Salmo responsorial

O cálice da bênção, F. Santos, BML 51,10; M. Luís, NCT 125;

Aclamação ao Evangelho

Dou-vos um mandamento, F. Santos, BML 51, 14; NCT 126;

Lava-pés

Recebemos do Senhor, M. Luís, BML 30, 11 – NCT 127;

Vós sereis meus amigos, M. Luís, BML 30, 13 – NCT 128

Ofertório

Onde há caridade, M. Luís, NCT 129;

Ubi Caritas, c. Gregoriano, NCT 172

Comunhão:

Anunciamos, Senhor a vossa morte, F. Santos, BML 5, 13;

Isto é o meu corpo, F. Santos, 95/96, 52

O Filho do Homem, F. Santos, BML 45, 16;

O cálice da bênção, F. Silva, NCT 131

Procissão Eucarística

Celebremos o mistério, F. Santos, BML 25, 11-23; 21, 14; NCT 134

In: Cadernos Litúrgicos – Voz Portucalense

António Fonseca

LEITURA Nº 48 - UM ANO A CAMINHAR COM SÃO PAULO

QUINTA PARTE

PAULO FALA-NOS DA VIDA QUE NOS ESPERA

48

“A ESPERANÇA NÃO ENGANA, PORQUE O AMOR DE DEUS FOI DERRAMADO NOS NOSSOS CORAÇÕES”

“Enquanto há vida, há esperança”. Esta frase tem ajudado muita gente a não se resignar. Perante contrariedades próprias ou de outros, fazendo mesmo despertar nelas energias, expressivas do desejo de que a vida seja mesmo vida, isto é, livre de tudo o que a limite. A esperança está assim arreigada na nossa natureza humana.

Mas a frase mostra também os seus limites. Se é só enquanto há vida que há esperança, e depois? Que fazer, quando a morte é mais que certa? Ou, simplesmente, quando a luta pela vida se reduz a adiar o seu fim? Em tais situações, não soará a frase a um cinismo, que pode produzir o efeito oposto: o desânimo ou até o desespero?

Um cristão não deveria dizer: “Enquanto há vida”, mas sim: “porque há vida, há esperança”. Aquela vida de que Paulo nos fala em Rm 5, 1-11, como fundamento da esperança cristã. Trata-se da vida nova que Deus cria naqueles que a Ele aderem pela fé na graça, oferecida na morte e ressurreição de Cristo (3, 21-4,25). Uma transformação que, todavia, não nos liberta das dificuldades, fragilidades e limitações comuns a qualquer mortal. Pelo contrário: quantas vezes, uma vida cristã coerente dá origem a mais sofrimento... e ao abandono da fé. Mas também acontece o oposto: é nessas situações que a convicção de fé sai mais fortalecida... na esperança.

Rm 5, 1-11

Uma vez, pois, que fomos justificados pela fé, estamos em paz com Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo. Por Ele tivemos acesso, na fé, a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos, na esperança da glória de Deus. Mas não só: gloriamo-nos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência, a paciência a provação, e a provação a esperança. Ora a esperança não engana, porque o amor de Deus está derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

De facto, quando ainda éramos fracos, a seu tempo é que Cristo morreu pelos ímpios. Dificilmente alguém morrerá por um justo; porém uma pessoa boa talvez alguém se atreva a morrer. Mas é assim que Deus demonstra o seu amor: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós. E agora que fomos justificados pelo seu sangue, com muito mais razão havemos de ser salvos da ira, por meio dele. Se, de facto, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela morte de seu Filho, com muito mais razão, uma vez reconciliados, havemos de ser salvos pela sua vida. Mas não só: gloriamo-nos também em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem agora recebemos a reconciliação.

O específico da esperança cristã está concentrado no v. 5: é uma esperança que não engana, não nos deixa frustrados, na luta por uma vida para além da morte, porque o amor de Deus está derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (v. 5). Antes (vv. 1-4), Paulo mostra-nos como o amor de Deus nos transformou e, no presente, nos anima, desde o centro vital que são os nossos corações. Depois (vv. 6-11), descreve-nos em que consiste esse amor e como ele nos garante a salvação eterna. Comecemos por aqui: por nos deixarmos deslumbrar por um amor que ultrapassa todas as medidas humanamente imagináveis.

De facto, dar a vida por um justo respeitável e sobretudo por alguém de cuja bondade usufruímos (v. 7), era, na época, um ideal da ética helenista da amizade. Se é mais do que um ideal até disso Paulo duvida, e com razão. Os amigos são para as ocasiões... mas, quantas vezes, só as que lhes são favoráveis.

Agora vejamos o que se passou com Deus: Quando ainda éramos fracos, quando ainda éramos pecadores, quando éramos inimigos de Deus (vv. 6.8.10), foi então que Cristo morreu pelos ímpios, morreu por nós (vv. 6.8). Ele que não havia conhecido pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos n’Ele justiça de Deus (2 Cor 5, 21). Na sua morte, assumiu a morte a que está destinado todo o homem que rompe com Deus. Derramou o seu sangue por causa dos nossos pecados, no nosso lugar e em nosso favor. E, com Ele, o próprio Deus. Não é Ele o seu Filho (v. 10)? E que sente um pai a quem morre um filho? Mas haverá algum pai que entregue o filho, para morrer por um inimigo, por alguém que atenta contra a sua vida?

Pois bem, se é assim que Deus nos ama, poderá Ele abandonar-nos, designadamente quando, no fim da nossa vida terrena, formos por Ele julgados? De facto, se fomos reconciliados com Ele pela morte de seu Filho, com muito mais razão, uma vez reconciliados, havemos de ser salvos pela sua vida (v. 10), salvos da ira, por meio dele (v. 9). Isto quer dizer também que a salvação eterna não se obtém sem nós: sem a nossa aceitação do amor de Deus e sem uma prática de vida coerente com Ele. Na medida em que Deus nos ama, responsabiliza-nos. De que modo?

Dando-nos, Ele próprio, os meios para estar à altura das nossas responsabilidades (vv. 1-5). É Ele quem, através do Evangelho, nos conquista para a fé. Pela qual nos justifica, libertando-nos do pecado que dele nos separa, para vivermos em paz com Ele (v. 1). Foi então que o seu amor foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, para habitar em nós (v. 5). Um estado de graça, na qual estamos firmes, porque fortalecidos por um amor que, pela sua inesgotável gratuidade, nos capacita para irmos infinitamente além do que as nossas forças humanas permitem.

Assim, é essa firmeza que, desde já, nos permite gloriar-nos, na esperança da glória de Deus, cuja plenitude ainda está para se revelar, mas da qual já participamos. E porque se trata de uma glória alcançada no amor, não é de nós que nos gloriamos, mas do que Deus realiza em nós. Daí o aviso de Paulo: Que tens tu que não hajas recebido? E, se o recebestes, porque te glorias, como se não o tivesses recebido (1 Cor 4, 7)?

É essa firmeza que até nos permite gloriarmo-nos também nas provações, sabendo que a tribulação produz a paciência, a paciência a comprovação, a comprovação a esperança (vv. 3s). Uma espiral virtuosa que, mais do que um efeito pedagógico do sofrimento, é a transformação deste em caridade, em doação da vida.

Dos inumeráveis exemplos da história do cristianismo, há dois a destacar. Antes de mais o de Paulo: Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (...) Mas, em tudo isto, saímos vencedores, graças àquele que nos amou; o Deus que está em Cristo Jesus Senhor Nosso (Rm 8, 35.37.39).

É por isso que Paulo envolve as palavras, em que nos fala da esperança, numa expressão ainda hoje usada no final das nossas orações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo (vv. 1.11). É nele que está a fonte da nossa esperança, porque ninguém a viveu como Ele. Glória a Ele para sempre!

In:Um Ano a caminhar com São Paulo

De: D. Anacleto de OliveiraBispo Auxiliar de Lisboa

Compilado por: António Fonseca - 6-04-2009