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Imagens e Frases de Natal Religioso

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nº 1161 - 20 DE OUTUBRO DE 2010 – SANTOS DO DIA

 

SANTA MARIA BERTILA BOSCARDIN

Religiosa (1888-1922)

María Bertila, Santa

María Bertila, Santa

Outubro 20

Maria Bertila Boscardin, batizada simplesmente com o nome de Ana, foi beatificada em 1952 por Pio XII e canonizada por João XXIII em 1961. Era a mais velha de três filhos duma família de pobres lavradores que habitavam em Brendola, na província de Vicenza, Itália. Nascida em Outubro de 1888, instruída pela mãe, cuja doçura devia compensar a violência do marido, aliás bom homem. Aninhas gostava de rezar muito tempo de joelhos diante dum quadro de Nossa Senhora que se encontrava dependurado na cozinha. Isto desde a idade dos cinco anos. Ajudava a mãe nos cuidados da casa e o pai nos trabalhos do campo. Sendo tão piedosa, conseguiu, coisa não fácil nessa altura, fazer a primeira comunhão com a idade de nove anos. Aos treze, fez voto de castidade. Muito tímida, com inteligência lenta e fraca memória, era chamada na aldeia a ignorante e a pata, mas ela não se ofendia. Es estava sempre cheia de boa vontade. Quando manifestou ao pároco o desejo secreto de entrar na vida religiosa, este respondeu-lhe: «Aninhas, tu não serves para nada. Quaisquer religiosas não saberiam que fazer duma aldeã ignorante como tu és». Ela afastou-se, muito desgostosa. Mas o padre surpreendeu o olhar entristecido da rapariga, arrependeu-se da sua recusa e no dia seguinte, de manhã, chamou-a. A 8 de Abril de 1905, Aninhas saiu da casa paterna para entrar nas religiosas de Santa Doroteia (não nas de Santa Paula Frassinetti). Tomou entre elas o nome de Maria Bertila. Sã e robusta, foram-lhe entregues os trabalhos mais custosos, o forno e a lavandaria. Fez o segundo ano de noviciado no hospital de Treviso. A Superiora Geral destinava-a para o cargo de enfermeira. Mas a superiora do hospital, Irmã Margarida, pensou diferentemente; que esperar de bom dessa noviça tímida, com rosto pastoso e inexpressivo? Pô-la na cozinha como ajudante duma freira idosa e enferma, encarregada de a vigiar e formar. A 8 de Dezembro de 1907, foi a profissão solene da jovem religiosa, com a presença dos pais na casa-mãe de Vicenza. A Superiora Geral decidiu pela segunda vez que ela seria enfermeira e mandou-a de novo para o hospital de Treviso. «Tu de novo aqui? – exclamou ao vê-la a Irmã Margarida. Preciso de enfermeiras para a cirurgia e para as doenças contagiosas, e mandam-me gente desta!» E a boa religiosa voltou às suas panelas. No dia seguinte, por falta de pessoal, foi preciso colocá-la na secção de crianças atacadas de difteria ou garrotilho. Como por encanto, a sua imperícia desapareceu. Dum momento para o outro, manifestou-se enfermeira diligente e hábil. Impunha respeito e inspirava confiança. Embora não tivesse em seu favor senão três anos de escola primária, preparou exames que superou com brilho. A primeira guerra mundial forneceu a Irmã Bertila outras ocasiões para se dedicar como enfermeira aos soldados feridos. Mas foi preciso sair de Treviso, que se encontrava na frente das operações militares. Muito teve de sofrer nessa altura, devido à incompreensão duma nova superiora. Mas aceitou esta prova como as precedentes. A esta humilhações juntou-se o cansaço dum velar contínuo. A saúde ressentiu-se. Voltando ao hospital de Treviso, sujeitou-se a uma operação cirúrgica. Mas a recuperação não veio. Morreu no dia 20 de Outubro de 1922, depois de converter, com a sua agonia resignada e serena, o médico-chefe do hospital. E a 11 de Maio de 1961, festa da Ascensão de Nosso Senhor, não chegavam as proporções gigantescas da Basílica de S. Pedro do Vaticano; não chegavam luzes, nem galas, nem cerimónias da liturgia papal, para que João XXIII proclamasse infalivelmente, ao mundo inteiro, a santidade de vida de Soror Maria Bertila Boscardin, que morreu tão simples como tinha vivido. Roma falou, a Roma sagrada, e por entre a perturbação que produzem os grandes contrastes, é exaltada uma mulher simplicíssima cuja vida, sem história aparente, decorre numa penumbra humilde. E esta vida sem brilho transforma-se agora numa luz no candelabro, numa tocha que ilumina a verdade de tantas vidas semelhantes à sua. Ana Boscardin teve a sorte de ter uma mãe extraordinária. Ante a pobreza que sempre rondou o seu lar, ante a iracúndia do marido, ante o mal-estar ambiente, ante as dificuldades de toda a vida, Maria Teresa Benetti cala-se, tem paciência, reza muito e os filhos veem tudo isto. Veem e escutam dos seus lábios palavras sempre suaves, que lhes falam das fé, de Deus, do céu e da paciência.

Do livro SANTOS DE CADA DIA, DE WWW.JESUITAS,PT.

BEATO CONTARDO FERRINI

Leigo (1859-1902)

«A sua fé e vida cristã sempre me pareceram quase milagrosas na sua situação e na nossa época», declarava Mons. Aquiles Ratti, prefeito da Biblioteca ambrosiana de Milão (futuro Pio XI). Na verdade, o nosso Ferrini (1859-1902) nascia na Itália no momento em que este país atravessava uma perigosa crise de crescimento: o zelo pela independência e a unidade misturava-se então con o anticlericalismo. O grande poeta Carducci chamava ao Vaticano «vergonha sem nome», às igrejas «prisões». Na ponte Vítor Manuel, um  grupo patético de pedra esforçava-se por preservar a chama da Liberdade contra o vento que sopra do bairro papal. Em 1881, o corpo de Pio IX, ao ser transferido para S. Lourenço fora dos muros, pouco faltou para que fosse lançado ao rio entre gritos de «Ao Tibre o cadáver!». Todavia, não vamos enegrecer exageradamente o quadro para fazer ressaltar o nosso herói. Rinaldo Ferrini, professor de física geral e tecnologia no Politécnico de Milão, e sua mulher Luísa Buccellati formavam um par profundamente cristão. A 4 de Abril de 1859, um ano exatamente a contar do casamento, tinham um filho que foi batizado com o nome de Contardo nesse mesmo dia. Não lhe ponhamos depressa demais uma auréola. Um dia, Contardinho lembrou-se de lançar um par de chinelos ao fundo dum poço. Grande maroto! Birichino! Aos doze anos, já ajuizado e amadurecido, fez a primeira comunhão. Escrevia um pouco mais tarde a uma irmã mais nova, que se preparava para o mesmo: «Uma combinação eterna, inefável, em que nos comprometemos a não querer senão o bem…, promessa de imperecível amor que nos faça passar através do mundo sem conseguir mesmo compreender como o mal é possível nele; depois disso já não falta senão suspirar pela plenitude da nossa adoração no céu». Contardo era estudante de memória prodigiosa, hábil para versejar e para atingir coisas abstractas. Chamavam-lhe «o Aristóteles». Para apresentar aquele que devia ser um perfeito helenista, seja-nos permitido referir o elogio do jovem Teeteto que Platão atribui a Teodoro: «Aprender com uma facilidade que dificilmente se encontraria noutro, eis o que, por minha parte, eu julgaria impossível, e não vejo disso outro exemplo. Aqueles, na verdade, que têm o espírito penetrante como ele o pensamento pronto e a memória boa, têm em geral também propensão para a ira; dão saltos que os levam como navios sem lastro, e são de temperamento mais impulsivo do que corajoso; aqueles, que pelo contrário, têm mais ponderação lançam-se aos estudos com uma espécie de lentidão e por assim dizer carregados de esquecimento. Mas ele, é com um passo tão igual, tão seguro, e para tão belo resultado, que encara as noções e os problemas com doçura espantosa, como lavra silenciosa uma gota de azeite. Podemos assim admirar-nos de ver uma pessoa tão jovem vencer do modo dito tais dificuldades». E Sócrates, conclui: «A tua descrição é perfeita». Sendo jovem liceísta, Contardo veio pedir a Mons. Ceriani, prefeito da Ambrosiana, lições de hebraico. Depois do hebraico, foi o síriaco. Depois, lições de sânscrito e de copta. Foi estudar Direito em Pavia, em 1876, aos 17 anos. Seu tio, o Padre Buccellati, ensinava lá direito penal. Contardo conheceu, no colégio Borromeu, um internato um tanto análogo aos de Oxford ou Cambridge. Os camaradas viram logo que o recém-chegado era duma pureza escrupulosa. Assim, logo que ele entrava numa sala comum, os patifes começavam com as grandes saídas de obscenidade; e Contardo punha-se a andar. O inverno é frio e húmido em Pavia. O de 1879-1880 foi especialmente rigoroso e só as salas comuns estavam aquecidas. Contardo ficava no seu quarto gelado. «Senhor, escreveu ele, antes a infelicidade que o pecado; melhor uma vida inteira de lágrimas que uma hora de riso inconveniente». A menor alusão ambígua trazia ao seu rosto um trejeito. Nunca olhava para as pessoas de cara. Não ia às festas mundanas, aos serões. Nas carruagens, estar defronte duma senhora levava-o a mudar de lugar. Já na juventude usava o cilício e confessava-se todos os dias. Tinha-se «a impressão de alguma coisa verdadeiramente delicada no capitulo da virtude e de verdadeiramente virginal, que emanava de toda a sua pessoa», notava Mons. Ratti. Com o tempo, estabeleceu-se a paz nesta alma um pouco tensa e inquieta. Por outro lado, não queria ser melancólico. Ouvia-se cantar, desafinado, e foi visto dançar um pouco, no campo, com a irmã. Sorria. A respeito do sorriso escreveu: «É muitas vezes acto de heroísmo, o cúmulo da abnegação, um maravilhoso acto de fé. Essas almas sorridentes são, de verdade, as flores do jardim de Deus; têm o perfume de Cristo. Ele recebeu a unção do óleo da alegria (Sl 44, 8); desta alegria podemos nós participar: ela será tanto maior quanto maior for a caridade». No verão de 1881, fez voto de castidade, com  a aprovação do seu diretor de consciência. Apesar disso ofereceram-lhe raparigas interessantes, boas escolhas. Uma vez diziam-lhe que escolhesse entre duas irmãs; respondeu que se reservava para a terceira: ainda por nascer. Em Junho de 1880 defendeu brilhantemente tese em Pavia; uma dissertação latina sobre a importância de Homero e de Hesíodo para a história do direito penal. Rendeu-lhe uma bolsa de estudos. Foi a Berlim. Lá apreciou muito o catolicismo sério, corajoso, dos militantes aguerridos por causa do Kulturkampf bismarkiano. Aproveitou muito do ensino de grandes juristas, que reconheceram imediatamente o valor excepcional deste jovem italiano. Ferrini era um sábio com gostos de ermitão contemplativo, «santamente tímido». A ciência foi a sua dama. Com muito desinteresse, não procurou no estudo um meio de subir a algum posto lucrativo e agradável. O professorado foi para ele uma espécie de sacerdócio; procurava a verdade para o ensino. Não se especializou nas matérias de êxito fácil, com publicidade assegurada; escolheu o direito penal romano e o direito bizantino. Para esta última disciplina, foi quase um iniciador na Itália. Em 1881, lançou-se a uma edição crítica da paráfrase grega das Institutas de Justiniano, atribuídas a Teófilo, e teve de procurar os manuscritos em grandes arquivos europeus. Em Outubro de 1883, aos vinte e quatro anos, foi encarregado em Pavia dum curso de história do direito penal romano. Depois deram-lhe uma cátedra, criada por ele, de exegese das fontes do direito romano. Concorreu à cátedra de Bolonha, mas foi preferido por um partidário do divórcio. Em 1887 veio ensinar em Messina, e em 1890 em Módena. Em 1894, voltou à faculdade – ao Ateneu – de Pavia. Foi sempre um mestre compenetrado da seriedade do seu ofício e do respeito devido ao auditório. Nuns vinte anos, este homem laborioso redigiu uns 200 trabalhos. Pio XI evocava assim em 1931 a sua obra de sábio: «O trabalho! Trabalho científico no mais alto grau, trabalho de investigação, reflexão e ensino. trabalho que Ferrini realizava com um zelo apaixonado, mas que bem se pode classificar entre os mais áridos, desenvolvendo-se quase integralmente sobre textos antigos, escritas difíceis de decifrar e ainda mais difíceis de compreender. Vimo-la em exercício, mais que uma vez, essa inteligência soberana. Lia à primeira vista textos embrulhados, escondidos em escritas indecifráveis dos séculos antigos: do latim, do grego, do síriaco; pois ele passava com a maior facilidade duma língua à outra. Lia os textos, e ao mesmo tempo captava-lhes o sentido, e, ao correr da pena, apresentava logo a tradução latina ou italiana. Labor muito fatigante, essencialmente difícil e árduo, e que só pode apreciar quem ele tem experiência, labor que se parecer a verdadeiro e longo cilício, trazido a vida inteira». Em vista duma síntese futura sobre Cristo e o direito romano, estudou o pensamento jurídico de Arnóbio, Lactâncio, Minúcio Félix e de Santo Ambrósio. «É necessária, escrevia ele, minuciosa e pacientíssima comparação entre os escritos dos juristas e as obras dos escritores cristãos». Este homem de escritório e biblioteca soube ser um carácter. Afirmou-se, impôs-se com doçura humilde. Em política, era conservador. A sua docilidade às diretrizes pontifícias foi incensurável. Em 1895, era vereador da Câmara de Milão e mostrou-se excelente neste cargo. Um homem que pelo pensamento vivia nos séculos antigos, lutou valentemente pelas boas causas do seu tempo; contra o divórcio; para salvar a infância abandonada. Na família, este sábio mantinha-se como empregadinho, disposto para os deveres enfadonhos que lhe impunha a mãe. Deixava os Digestos para pôr a mesa ou descer à adega, abandonava os livros para recolher lenha. Tinha para com o pai o respeito antigo devido ao paterfamílias. Foi julgada excessiva a sua modéstia. Se recebia um cumprimento por um artigo, um livro, respondia sorridentemente: «Não tem importância!». Tinha o sentido da liturgia, sabia dar honra à sua Missa quotidiana. Diante do tabernáculo, a sua oração parecia-se às vezes com  êxtase: podia-se-lhe pegar no chapéu ou no casaco, sem ele reagir. Em Agosto de 1898, foi visto estar horas em adoração num santuário de montanha. Porque ele era, durante as férias, robusto alpinista. «Faça como se eu fosse um penedo», dizia a quem se apoiava nele durante uma excursão. Levou-o rapidamente desta vida uma febre tifoide em Suana (Novara), a 17 de Outubro de 1902. Pio XI assim o pintou: «De estatura média, forte, harmoniosa, elegante nas linhas; o passo rápido, mas firme, o passo dum caminhante a isso habituado, e que sabe para onde vai; a pena sempre pronta e sábia, a palavra fácil e persuasiva; no rosto um ar de alegria sempre igual, que o não deixou nunca até à véspera da sua morte; mas, sobretudo, neste rosto, uma irradiação de pureza e de amável juventude. O seu olhar tinha todas as doçuras da bondade do coração excelente; os seus olhos e a sua testa vasta tinham o encantador reflexo duma inteligência verdadeiramente soberana». Era terceiro franciscano desde 1886. Citemos algumas passagens do seu regulamento de vida: «… Procurarei ser modelo de mansidão, de doçura, de caridade e humildade. Repararei cada falta redobrando a atenção e procurando sempre as ocasiões de praticar essas virtudes… Quanto ao café, manter-me-ei indiferente e, se possível, não lhe deitarei açúcar. resistirei a desejar gulodices, mesmo parecendo-me precisar delas. Durante o dia farei uma visita a Jesus no Santíssimo Sacramento, recordando-me do Seu amor, da Sua ternura e da Sua doçura inefáveis: irei ter com Ele com espírito de afectuosa confiança e humildade. Conservar-me-ei em união com Ele o dia inteiro com frequentes aspirações e grande pureza de intenção… A caridade espiritual para com os outros será o meu primeiro cuidado: tornar-me-ei humilde e afável. Falando aos outros de Deus, pedir-Lhe-ei que dê fruto ao que digo pela sua ação inefável…» O espírito de pobreza de Contardo era real. Emprestara todas as suas economias, 30 000 francos-ouro, a um amigo que os dissipou num mau negócio. Ferrini não se queixou nem o mínimo. Não tentou recuperar a quantia nem sequer em parte. Sendo professor em Pavia, morava com a irmã numa quinta a 3 quilómetros da cidade. Levantar às cinco e meia, ou 6; voltava ao quarto só às 22 horas. Depois de se entregar às suas devoções em Pavia, almoçava num alojamento que tinha o cunhado na cidade. dava o curso vestindo casaco escuro e usando luvas pretas,. Os professores gostavam de se encontrar no café; Ferrini preferia a biblioteca ou a igreja. Visitava o bispo. Depois de receber os estudantes que lhe desejavam falar, voltava a pé para casa da irmã. Depois do jantar, algumas vezes jogava uma partida de cartas. O dia terminava com o terço rezado em família. A uma pergunta, que um  dia faziam ao porteiro, este respondeu da seguinte maneira: «Nos dias de festa, o professor não é fácil de encontrar. está sempre na igreja, onde tem  muitas coisas para fazer». Ferrini, falecido aos 43 anos, faz pensar no francês Ozanam, falecido aos quarenta anos, em 1853. Ambos mostraram pelo exemplo que a ciência é compatível com o Cristianismo. Ozanam com uma vida mais ativa. Ferrini de maneira mais oculta. Contardo Ferrini foi beatificado em 1947 pelo Papa Pio XII.

Do livro SANTOS DE CADA DIA, DE WWW.JESUITAS,PT.

SANTA IRIA

Mártir (em 653)

Venerada em Espanha e sobretudo em Portugal, esta santa tem uma história romanesca que se conta assim. No reinado de Recesvinto, vivia em Nabância (hoje Tomar), na Lusitânia (Portugal), uma donzela chamada Iria, filha de Ermígio e Eugénia, pessoas de sangue ilustre. Eugénia tinha um irmão, chamado Célio, abade dum mosteiro daquela região. Vendo este a vivacidade e boa disposição da sobrinha, encarregou o monge Remígio, homem douto e religioso, de a instruir nas letras e bons costumes. A menina vivia retirada do mundo em companhia de Casta e Júlia, irmãs de seu pai. Todas costumavam, uma só vez por ano, em dia de S. Pedro, visitar a igreja dedicada a este Apóstolo, que se erguia junto ao palácio de Castinaldo, governador daquelas terras. Também este acudia devotamente à Igreja com a sua família e um filho único, chamado Britaldo, que, ao ver a donzela numa dessas festas, ficou enamorado da sua formosura. Não se atreveu, porém, a manifestar-lhe o seu amor, porque o conteve o amor de Deus e o respeito devido aos pais de Iria e ao abade Célio. Essa paixão reprimida ia-o consumindo dia a dia, sem que nada valesse o carinho da família e o auxílio da medicina. Sabendo do estado do enfermo por divina revelação, Iria decidiu-se a ir visitá-lo, para lhe dizer que a doença não era mortal e que Deus lhe restituiria a saúde, se ele afastasse o mau afecto a que os olhos o tinham inclinado. Alentado com as exortações da santa, o doente tranquilizou-se. Como ela lhe prometesse que não casaria com outro, Britaldo em breve se restabeleceu, e seus pais ficaram a ter maior devoção pelo mosteiro onde Iria estava recolhida, dando-lhe muitas esmolas e privilégios. Passados dois anos, entrou o demónio no coração do monge Remígio, inspirando-lhe um amor impuro pela discípula. Como a santa recusasse as suas solicitações e o repreendesse, o monge ministrou-lhe ocultamente uma beberagem que lhe deu o aspecto de mulher grávida. Britaldo acreditou nos rumores a respeito do mau procedimento de Iria e, julgando que ela tinha faltado à promessa, encarregou um soldado de a matar. Estava ela uma noite a rezar junto do rio Nabão, quando sobreveio o soldado e a degolou, atirando depois o cadáver para a corrente. De manhã, como ela não aparecesse, correu a fama de que tinha fugido com um amante. Conhecendo, porém, a verdade por divina revelação, o abade Célio divulgou o acontecimento e todos começaram a procurar o cadáver pelo Nabão e pelo Zêzere até ao Tejo. Encontraram-no, enfim, junto à cidade de Scálabis. As águas do Tejo afastaram-se da margem e deixaram em seco o sepulcro de mármore dentro do qual estava encerrado o corpo da virgem. Não houve forças humanas que o pudessem removê-lo. espraiou-se outra vez o Tejo e cobriu-o com as suas águas. Por memória, a cidade ficou a chamar-se de Santa Irene, e daí vem o nome de Santarém.

Concluindo esta biografia, a edição portuguesa das Vidas dos Santos, 1955, apresenta esta nota: «Retocamos a lenda apresentada pelo Autor, de harmonia com as lições «próprias» de Lisboa. O caso é atribuído ao ano de 653 e anda contado de modo diverso, num conhecido romance popular». E Santos de Portugal, diz nas páginas 21 e 22: «Com semelhante associação de ideias, e ainda outras mais arrojadas, se adensaram, sobre Santa Iria, a lenda e até o romance tão maravilhosamente que, no seu sermão, o Padre Vieira começou por exclamar, desde o exórdio: «Ó Iria, Virgem entre todas, e em tudo, singularíssima! Singular na vida,  singular na morte, singular na sepultura, e com singularidade, nem antes nem depois de vós, comunicada a outrem, verdadeiramente única!”». Nabância, diz o Ano Cristão, vol. X, p. 270, é o nome antigo de Tomar.

. Do livro SANTOS DE CADA DIA, DE WWW.JESUITAS,PT. Ver também www.es.catholic e, ainda, www.santiebeati.it. Comentários a P. Felipe Santos: fsantossdb@hotmail.com

 

SÃO CAPRÁSIO

Mártir

Mártir em Agem, França, depois de presenciar os tormentos que sofreu a virgem Santa Fé. Celebra-se a 20 de Outubro. Outro Caprásio foi ermitão dos Vosgos, França, o qual, em união com Santo Honorato, fundou o mosteiro de Letrins. Foi bispo de Arles e morreu pelo ano de 430. É celebrado no dia 1 de Junho. Do livro SANTOS DE CADA DIA, DE WWW.JESUITAS,PT.

Honório, Santo
Outubro 20 Abade

Honorio, Santo

Honório, Santo

Abade

Fregenal de la Sierra (Badajoz) remonta suas origines ao ano 580 antes de Cristo, quando a povoaram os celtas da Lusitânia, chamando-a Nertóbriga.
Inscrições romanas confirmam a presença do Novo Imperio de Lácio. Foi sede episcopal, que no reinado de Wamba já havia sido extinta. Depois foi vila dos templários com seu castelo como praça forte e com as encomendas de Higuera e Bodonal.
Um dos quatro santos que figuram na sua história cristã foi santo Honório, abade. Numa lápida achada na ermida de São Miguel lê-se a seguinte inscrição: "In nomine Domini respicis augustum praeciosa rupe supulcrum. Hospitium Beatissimi Honorii abbatis caelestia tenentis regna. In saecula saeculorum amen. Hic tumullus Honorii abbatis".
Assim, sabemos de sua vida exemplar, de suas orações e penitências, do testemunho ante os cristãos da primeira época. Nos fica o desejo de dar a Deus, seguindo seus passos, o melhor de nosso tempo.

Leopardo, Santo
Outubro 20 bispo,

Leopardo, Santo

Leopardo, Santo

Outubro 20  - bispo

Etimologicamente significa “ leão atrevido”. Vem da língua alemã.
Jesús disse: “Pedi e se vos dará; buscai e achareis; chamai e se vos abrirá”.
Leopardo foi bispo no
século V.
Há dois santos com o nome de Leopardo e outro com o de Leopardino.
O primeiro Leopardo importante foi aquele que esteve relacionado com a cidade encantadora de Aquisgrán, capital de Carlomagno e em que foi coroado.
O segundo Leopardo é o patrono da cidade de Osimo, e a ele está dedicada a catedral, românica ainda que com reminiscências antigas do
século VII.
É provável que a catedral ocupe agora o lugar que antes ocupava o Capitólio da Antiga Auximium romana com as termas e o templo dedicados a Igea e Esculápio, as duas divindades pagãs encarregadas da saúde dos habitantes.
O culto a santo Leopardo de Osimo é antigo. Remonta ao menos ao ano mil.
Viveu no século V em tempos do Papa Inocêncio I e dos imperadores Valentiniano e Teodósio.
Ainda que hoje seja muito raro este nome e ninguém, na prática, o leve, sem embargo, naqueles tempos era a coisa mais normal do mundo que se pusesse aos filhos na região de Osimo, Itália.
¡Felicidades a quem leve este nome!

Jerzy Popieluszko, Beato
Outubro 20 Sacerdote e Mártir,

Jerzy Popieluszko, Beato

Jerzy Popieluszko, Beato

Sacerdote e Mártir

Nos arredores de Wloclawek (Polónia), Beato Jerzy Popieluszko, sacerdote diocesano assassinado por ódio à fé. ( 1984)
Data de beatificação: 6 de junho de 2010 durante o pontificado de Bento XVI.

Jerzy Popiełuszko nasceu em 14 de setembro de 1947 em Okopy perto de Suchowola (Polónia), foi um sacerdote católico, associado com o sindicato Solidariedade. Foi assassinado pela agência de inteligência interna comunista operada pelos soviéticos, a Służba Bezpieczeństwa.
Jerzy Popiełuszko era um sacerdote carismático que foi primeiro enviado aos grevistas na fábrica de aço de Varsóvia. Logo, se associou com trabalhadores e sindicalistas do movimento Solidariedade, que se opunham ao regime comunista polaco. Era um acérrimo anticomunista e, em seus sermões, intercalava exortações espirituais com mensagens políticas que criticavam o sistema comunista e motivavam as pessoas a protestar. Durante o período de vigência da lei marcial, a Igreja Católica foi a única força que pôde ter uma voz de protesto comparativamente aberta, com a celebração regular de missas que apresentavam oportunidades para as reuniões públicas nas igrejas.
Os sermões de Popiełuszko eram normalmente transmitidos por Rádio Free Europe, com a qual se viu famoso ao longo de toda Polónia por sua postura intransigente contra o regime. A Służba Bezpieczeństwa tratou de o silenciar ou intimidá-lo. Quando estas técnicas não funcionaram, fabricaram evidência contra ele. Assim, foi preso em 1983, mas cedo foi libertado pela intervenção do clero e perdoado por uma amnistia.
Encenou-se um acidente automobilístico para assassinar a Jerzy Popiełuszko em 13 de Outubro de 1984, mas conseguiu escapar com vida. O plano alternativo era sequestrá-lo e foi levado a cabo em 19 de Outubro de 1984. O sacerdote foi golpeado e assassinado por três oficiais da policia de segurança. Logo, seu corpo foi lançado ao interior do Reservatório do rio Vístula, perto de Włocławek, onde foi recuperado em 30 de Outubro de 1984.
As notícias do assassinato político causaram uma comoção em toda Polónia e os assassinos e um de seus superiores foram condenados pelo crime. Mais de 250.000 pessoas assistiram ao funeral do sacerdote, incluindo a Lech Wałęsa, em 3 de novembro de 1984. Apesar do assassinato e de suas repercussões, o regime comunista permaneceu no poder até 1989. Em 1997, a Igreja Católica começou o processo para sua beatificação; para o ano 2008 já se encontrava com o estatuto de Servo de Deus.
O conhecido compositor polaco Andrzej Panufnik escreveu seu Bassoon Concerto (1985) em memória de Popiełuszko. O documental de Ronald Harwood A morte deliberada de um sacerdote polaco foi estreado no teatro Almeida em Londres em Outubro de 1985, como um cenário do julgamento aos assassinos de Popieluszko.

Aurora, Santa
Outubro 20 Biografia,

Outubro 20

Etimologicamente significa “ “brilhante”. Vem da língua latina e tem origem indo-europeia.
Muitas vezes é importante buscar a vida dos santos. Quando se está en sintonia com eles e elas, os projetos de nossa vida adquirem um matiz novo e até um belo encanto.
Eles não são seres longínquos, mas sim de muito perto. Com o exemplo de suas virtudes nos animam cada dia a prosseguir nosso caminho pela conquista da santidade que, ao fim e ao cabo, é a melhor carta de identidade, a melhor credencial para se presentar ante Deus, quando no fim de nossa existência, ele nos julgue pelo amor e a entrega.
É justamente a festa de santa Aurora ou Orora se celebra no dia 20 de Outubro segundo consta nos diversos santorais que consultei. Um mês belo do outono en que talvez o brilho do sol adquire uma beleza distinta.
A data e ou a origem desta santa permanece desconhecida.
O que se sabe é que é muito venerada na preciosa Ilha de Man ( no sul de Inglaterra).
É uma pena que sua história se haja perdido por causa das invasões e guerras..
Não obstante, o que há de certo é que o bispo Mark de Sodor celebrou um sínodo na igreja de são Bradan e Aurora no ano 1291.
Mais tarde, no século XVI, os beneditinos escreveram notas acerca da bela igreja situada na sem par Ilha de Man, com o fim de que todo el mundo soubesse algo da história desta jovem e da grande devoção que por ela sentiam os habitantes desse lugar paradisíaco.
¡Felicidades a quem leve o nome de Aurora!
“Todo o humano, se não avança, deve retroceder” ( Gibbon).

Jacobo de Strepa, Beato
Outubro 20 bispo,

Jacobo de Strepa, Beato

Jacobo de Strepa, Beato

Bispo da Primeira Ordem

Jacobo de Strepa, de nobre família polaca, nasceu em 1340. Muito jovem ingressou na Ordem dos Irmãos Menores. Por muitos anos exerceu o ministério na Rússia, foi vigário geral daquela missão e trabalhou ativamente pela unidade dos cristãos. Eleito bispo de Halicz, cuja sede metropolitana foi logo mudada a Leópoli.
Como obispo y pastor de almas, Jacobo de Strepa se consagró por entero a las necesidades de la diócesis y se mostró modelo perfecto del pastor de almas. En muchos distritos el número de las iglesias era insuficiente para las necesidades de la población, para remediarlo, hizo construir nuevas iglesias, erigió nuevas parroquias y colocó allí sacerdotes de probado celo. Fundó también casas religiosas para multiplicar los medios de santificación, edificó hospitales, proveyó a los pobres con largueza y generosidad. Las rentas de su obispado eran enteramente destinadas al mantenimiento de los lugares de culto y a la caridad y beneficencia para con los pobres y necesitados.
El celoso pastor se esforzó por infundir la fe en los fieles con prácticas de devoción que produjeron frutos abundantes de santidad. Amó con tierno y filial afecto a la Santísima Virgen. En su escudo episcopal colocó la imagen de la Madre de Dios que también había hecho esculpir en su anillo pastoral. Difundió ampliamente el culto a la Santísima Virgen. Todas las tardes el pueblo se reunía en las iglesias para rezar el Rosario y otras oraciones a la Virgen. La Eucaristía fue el centro irradiador de toda su vida. En Leópoli instituyó la adoración perpetua. Tuvo la alegría de ver reflorecer en su diócesis la piedad y la moral.
Recorrió su extensa diócesis a pie, vestido con el hábito franciscano, sembrando en su camino la palabra de Dios, uniendo a su apostolado activo una vida de austeridad y de penitencia. Nombrado senador en el consejo de su patria, dio sabios consejos e hizo tomar importantes y útiles decisiones. Por su interés se frenaron en el territorio polaco las incursiones de los bárbaros, los enemigos fueron rechazados. Después de 19 años de dinámico episcopado el Beato Jaime fue a recibir el premio de sus trabajos. Murió el 20 de octubre de 1409. Por sus excepcionales méritos civiles fue proclamado defensor y custodio de su patria. Fue sepultado en la iglesia de los franciscanos de Leópoli, vestido con el hábito religioso y con las insignias pontificales. En su tumba se produjeron milagros. Su culto se difundió en Polonia, Lituania y Rusia, de donde en un tiempo venían numerosos peregrinos para invocar su protección. En su exhumación realizada en 1419, su cuerpo fue encontrado incorrupto.
Su culto fue aprobado por Pio VI el 11 de septiembre de 1790

Jakob Kern, Beato
Outubro 20 Sacerdote,

Jakob Kern, Beato

Jakob Kern, Beato

Francisco Alejandro Kern, nasceu em Viena, Áustria, em 11 de abril de 1897, provinha de uma modesta família vienense de operários. A primeira guerra mundial o impediu bruscamente prosseguir seus estudos no seminário menor de Hollabrunn.
Uma grave ferida de guerra converteu-se num calvário, como ele mesmo dizia, sua breve existência terrena no seminário maior e no mosteiro de Geras.
Por amor a Cristo não se aferrou à vida, mas ofereceu-a conscientemente pelos demais. Num primeiro momento queria ser sacerdote diocesano. Mas um acontecimento o fez mudar de caminho. Quando um religioso premonstratense abandonou o convento, filiando-se na Igreja nacional checa que se havia formado após a recente separação de Roma, Jakob Kern descobriu sua vocação neste triste evento. Quis reparar a ação daquele religioso. Jakob Kern ocupou seu lugar no mosteiro de Geras.
Su enfermedad, sin embargo, progresó cruelmente. Durante la estación de Pascua de 1923 contrajo influenza, sus heridas de guerra descargaban pus. Como una consecuencia una costilla debió ser extraida. Debido a su condición debilitada los doctores tenían que operar sin anestesia. El paciente soportó el dolor con conciencia llena y incluso se disculpó al cirujano por causar tanto problema.
Pareció recuperarse después de una corta estancia en Meran, pero sus pulmones se deterioraron rápidamente. Su profesión solemne estaba fijada pra el 20 de octubre de 1924, pero una nueva cirugía se programó para ese mismo día. Al recibir la sagrada comunión el día preiva a su operación dijo: "Mañana será mi última sagrada comunión. Yo celebraré mi profesión solemne en cielo". Él murió durante la cirugía y fue enterrado en Geras cinco días despues.
El beato Jakob Kern se nos presenta como testigo de la fidelidad al sacerdocio. Al inicio era un deseo de infancia que se expresaba imitando al sacerdote en el altar. Sucesivamente, el deseo maduró. A través de la purificación del dolor, apareció el profundo significado de su vocación sacerdotal: unir su vida al sacrificio de Cristo en la cruz y ofrecerla en sustitución por la salvación de los demás.
Fue beatificado por Su Santidad, Juan Pablo II, el 21 de Junio de 1998

 

74465 > Sant' Adelina di Mortain Badessa MR
74460 > Sant' Alderaldo di Troyes Arcidiacono MR
74455 > Sant' Andrea in Crisi (o il Calibita) Monaco  MR
94757 > Beato Berengario Aleman de Pellpuig Mercedario
74440 > San Caprasio di Agen Martire  MR
91032 > San Cornelio il centurione  MR
94759 > Beato Diego de Cervantes Mercedario 
90373 > Beato Giacomo degli Strepa (Strepar o Strzemie) MR
74450 > Sant' Irene del Portogallo Martire 
91195 > Beato Jakob Kern Sacerdote premostratense  MR
90484 > San Leopardo di Osimo Vescovo 
35100 > Santa Maria Bertilla Boscardin Vergine MR
94760 > Beata Maria di Gesù Vergine mercedaria 
74445 > San Sindulfo (Sindolfo) Eremita  MR
74451 > San Vitale di Salisburgo Vescovo  MR

 

 

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António Fonseca