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sábado, 29 de janeiro de 2011

Nº 29 - 29 DE JANEIRO DE 2011 - SANTOS DO DIA - 3º ANO

 

Nº 1261

SANTO JULIÃO e

SANTA BASILISSA

Mártires (304)

Santos com o nome de Julião há nada menos de 43. Poucos nomes, como de Julião, tanto atraíram a santidade. Em contraste com um Julião Apóstata e um Julião Sofista, há 43 Juliões Santos, Santos Confessores, Santos Mártires, Santos Bispos, Santos Eremitas e Santos Monges. Santos, como podemos ver, senhores de castelos e até homicidas. Jácopo da Vorágine, na sua Legenda Áurea, narra as histórias, não de um, mas de cinco Sãos Juliões, reunidos na data de 27 de Janeiro. A história mais famosa, repetidamente contada, e até pintada durante a Idade Média com particularidades sempre novas, foi a de S. Julião assassino da mãe e do pai. Durante uma caçada, um veado predissera-lhe que mataria os pais. Por isso o jovem, aterrorizado, não voltou a casa. Foi para longe, mas teve sorte, pois casou-se com uma castelã, viúva e muito rica. Os pais, todavia, não o vendo regressar, empreenderam, uma viagem para descobrir o filho. Finalmente chegaram cansados ao castelo, onde a mulher de Julião, quando soube que eram os pais do marido, estando ele ausente, hospedou-os no próprio quarto. “Assim aconteceuconta Jácopo de Vorágine - que amanhecendo, a castelã partiu para a Igreja: e Julião, voltando nesse entrementes, entrou no quarto desejando acordar a esposa; mas vendo que dormiam dois juntos, pensou que a mulher estivesse com um adúltero; sem mais, puxou da espada e matou-os a ambos”. A fim de pagar o terrível e involuntário delito, Julião, acompanhado pela fiel esposa, , saiu do castelo e pôs-se a levantar, na margem do rio, um hospital para peregrinos. Mas, vestido mesmo de peregrino, chegou um  ano que lhe disse: “Ó Julião, o Senhor mandou-me ter contigo para dizer-te que aceitou a tua penitência, e que vós ambos dentro em breve dormireis em paz”. É por si evidente que esta figura, popular e pitoresca, não é personagem histórica. O seu perfil foi traçado com as histórias de vários santos, Juliões ou não, e a lenda do Santo parricida e matricida, além do Beato Jácopo de Vorágine, encontrou, entre os seus ilustres propagadores, também Santo Antonino, o grande Arcebispo da Florença quatrocentista. Mas a origem da lenda de São Julião está no Santo venerado hoje,  que viveu no Egipto, no fim  do século III e princípios do IV, e terminou como mártir juntamente com a mulher Basilissa, palavra grega que significa “princesa”. Os esposos, cristãos exemplares, mantiveram-se em perfeita castidade e santificaram-se no exercício das virtudes. O Egito inteiro era, naqueles tempos, viveiro de fé e de caridade, e os nossos dois castos esposos não foram exceção a tal programa. Abriram, de facto, em sua casa um  hospício para os doentes e necessitados. S. Julião dedicava o zelo ao cuidado dos homens; Santa Basilissa ao das mulheres; estas viviam em pavilhão à parte. Mas sobre tais obras de bem e de cristã civilização caiu a espada perseguidora de Diocleciano, que reinou de 248 a 305. Caiu uma espada – como a do S. Julião da lenda, parricida e matricida – porque voltada contra a fé em Deus e contra o amor do próximo, pais de toda a paz terrena e da felicidade eterna. O martírio dos dois foi infligido em Alexandria, pelo ano de 304, e nele receberam a coroa, não só os dois esposos hospitaleiros e cheios de toda a caridade, mas também, um grupo completo de 34 cristãos o Egito – todos fieis e generosos – com o Julião e Basilissa. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt

SÃO CONSTÂNCIO

Bispo, mártir (178)

Constâncio, jovem cristão, notável pelo espírito de mortificação e pela generosidade com os pobres, foi chamado aos trinta anos para governar a Igreja de Perugia, na Itália, e cumpriu todas as obrigações de um pastor zeloso. Sendo Imperador Marco Aurélio, foi preso uma primeira vez por ter recusado sacrificar aos ídolos. Encerrado nas termas, que foram aquecidas até à mais alta temperatura, não se sentiu mal e converteu os seus guardas que lhe deram a liberdade para que pudesse ensinar. Chamado a comparecer de novo, sob acusação de os ter pervertido, foi condenado a andar sobre carvão em brasa; nenhum suplicio o pôde levar a renegar a fé. Mas liberto miraculosamente, foi preso pela terceira vez e, por último, decapitado (pelo ano de 178). No seu túmulo realizaram-se prodígios. Constâncio, considerado um dos primeiros bispos de Perugia, aparece a 29 de Janeiro no martirológio jeronimiano. Admite-se o facto do martírio, mas o que se disse das transladações do corpo fica no campo das conjecturas. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt

SANTO GILDAS, o SÁBIO

Confessor (570)

Gildas de Rhuys, Santo

Gildas de Rhuys, Santo

Natural da Escócia e ordenado sacerdote cerca do ano de 518, este grande apóstolo mostrou o seu zelo na Irlanda e na Bretanha. Converteu muitas almas e reformou vários mosteiros. Veem-se ainda as ruínas daquele que fundou na península de Rhuis (Morbihan). Na juventude tinha-se aplicado ao estudo da filosofia e das belas artes. sentindo o fim próximo, retirou-se para a ilha de Houat (Morbihan(), a fim de se preparar para a morte. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt

Fuentes: santiebeati.it
sagradafamilia.devigo.net
mercaba.wordpress.com

SANTO SULPÍCIO SEVERO

Confessor (406 ou 432)

Sulpicio  Severo, Santo

Sulpício Severo, Santo

Nasceu em Agen (França), pelo ano de 353. Com uns 55 anos, abandonou a brilhante situação de advogado e separou-se da mulher para se voltar inteiramente para Deus. Todos o condenaram menos Bássula, a sogra, que lhe fez doação duma propriedadezinha perto de Carcassonne, bem em conformidade com a sua nova vocação. Sulpício passou nela o resto da vida, compondo numerosas obras, correspondendo-se assiduamente com S. Paulino de Nola, S. Jerónimo e outras personagens célebres. A biografia do seu mestre e amigo S. Martinho é o único documento histórico que temos sobre o “convertedor da Gália”. Infelizmente, todos os hagiógrafos o imitaram, acumulando, a seu exemplo, prodígios e milagres. Sulpício morreu com 50 anos ou com 80? Há dúvida. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt. Ver também www.santiebeati.it e www.es.catholic.

BEATA ARCÂNGELA GIRLANI

Religiosa (1495)

Joana Girlani, nascida en Trino, perto de Monferrato, mostrou felizes disposições para a virtude. Admitida no Carmo de Parma, distinguiu-se pela humildade, paciência e amabilidade. Encarregada de fundar também um Carmo em Mântua, nele teve frequentes êxtases e, ao cabo de 3 anos, lá morreu, a 25 de Janeiro de 1495. Os primeiros testemunhos do seu culto desapareceram , mas, feitas, novas investigações, esse culto foi confirmado em 1863. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt

SANTO AQUILINO

Mártir

Em Milão festeja-se Santo Aquilino, a quem os arianos cortaram a cabeça com uma espadeirada. Assim ganhou a coroa do martírio. Aquilino, natural da Baviera, fez os estudos em Colónia, onde o bispo ordenou sacerdote, o elevou a cónego regular e a preboste do cabido da sua catedral. Por morte desse bispo, pôs-se em fuga para não ter de assumir o cargo episcopal. Seguiu para Paris e de lá para Milão, trabalhando sobretudo na conversão dos arianos. Destes, os que se obstinavam no erro, acabaram por lhe dar a morte enquanto ele rezava na igreja ambrosiana. Há quem defenda o seu martírio em 584, mas outros referem 784. Os milaneses veneram-lhe as relíquias na igreja de S. Lourenço. Há talvez alguma confusão entre Aquilino de Colónia e Aquilino de Milão. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt

BEATA BOLESLAVA MARIA LAMENT

Fundadora (1862-1946)

Boleslava María Lament, Beata

Boleslava María Lament, Beata

Fundadora da Congregação
de Irmãs da Sagrada Família

"”Não nos cansemos de praticar o bem, pois, a seu tempo, colheremos, se não tivermos desfalecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé” (Gál 6, 9-10). A perseverança em fazer o bem foi uma das características da Serva de Deus, Boleslava Maria Lament, que veio ao mundo em Lowicz (Polónia), a 3 de Julho de 1862. Depois dos estudos secundários na sua terra, foi para Varsóvia especializar-se em costura. Munida de diploma, voltou para Lowicz e abriu uma casa de confecções. Todavia, movida pelo Espírito Santo, sentiu-se chamada a consagrar-se plenamente a Deus na vida religiosa. E assim, em 1884, com uma sua irmã mais nova, entrou na Congregação da Família de Maria, que, por razões políticas do tempo, funcionava na clandestinidade. Findo o noviciado, fez os votos temporários e ocupou-se de diversas obras em algumas casas do Instituto. Contudo, depois de alguns anos, sentiu que essa não era a sua vocação e, por conselho do confessor, saiu com  a intenção de ingressar num convento de clausura. Mas os planos de Deus eram outros e, aconselhada por outros Padres, acabou por dedicar-se a cuidar de crianças e jovens em perigo de perder a fé nos bairros degradados de Varsóvia. Nesses anos juntou-se à Ordem Terceira de S. Francisco e cooperou com o Beato Honorato de Baiala Podlaska, seu diretor espiritual. Em Outubro de 1905, com  a cooperação do P. Félix Wiercinski, S.J., fundou na Bielo-Rússia a Congregação das Irmãs Missionárias da Sagrada Família, que se dedicam especialmente à obra em prol da unidade das Igreja Ortodoxa com a Igreja Católica e ao apostolado educativo e caritativo junto dos mais pobres. João Paulo II, no dia 5 de Junho de 1991, na homilia que proferiu no ato da beatificação, dá-nos uma síntese da vida e obra desta religiosas extraordinária: «Há 45 anos, aqui em Bialystok, morreu a Serva de Deus Boleslava Lament (…) de beneficência educativos e outros centros de assistência espiritual na longínqua Petroburgo, em Mohylew, em Zytomiers, e – depois da primeira guerra mundial – especialmente na terra de Pinsk, de Bialistoque e de Vílnio. Levava avante a sua obra entre contrariedades constantes: por duas vezes viveu a perda total do património da Congregação por ela fundada; muitas vezes coube-lhe, a ela e às suas Irmãs de hábito, trabalhar sofrendo fome e sem um a casa própria. Naqueles momentos costumava confortar-se com o conhecido lema da espiritualidade inaciana: “tudo para a maior glória de Deus”. Os últimos cinco anos de vida, ela transcorreu-os paralisada – com grande paciência e imersa na oração. Durante toda a sua vida distinguiu-se por uma particular sensibilidade à miséria humana, interessando-se  especialmente pela sorte dos marginalizados, das pessoas postas, como se diz, à margem da vida, ou até mesmo levadas ao mundo do crime. No profundo sentido de responsabilidade para toda a Igreja, Boleslava viveu dolorosamente a laceração da unidade da Igreja. Ela própria experimentou múltiplas divisões, e até os ódios nacionais e confessionais, que se tornaram ainda mais profundos por causa das relações politicas da época. Por este motivo, o objetivo principal da sua vida e da Congregação por ela fundada era e é ainda a unidade da Igreja, aquela unidade pela qual Cristo orou na Quinta-feira Santa, no Cenáculo: ‘Pai santo, guarda em Teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um, assim como Nós’ (Jo 17, 11)» Antes da sua morte, que ocorreu a 29 de Janeiro de 1946. o Instituto estava bem consolidado, tendo até uma casa na cidade de Roma. AAS 83 (1991) 620-3; L’OSS. ROM. 16.6.1991.Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt

Afraates, (Santiago) Santo

  Escritor Anacoreta

Afraates, Santo

Afraates, (Santiago) Santo

  • Martirológio Romano: Perto de Antioquia de Síria (hoje na Turquia), santo Afraates, anacoreta, que, nascido e formado entre os persas, seguindo as pegadas dos magos se converteu ao Senhor em Belém e se retirou a Edessa, vivendo numa pequena casa fora das muralhas. Mais tarde, com sua pregação e seus escritos defendeu a fé católica contra os arianos (c. 378). Etimologicamente: Afraates = Aquele que veio de África, é de origem latina.

O mais antigo dos Padres da Igreja de Síria, é Santo Afraates, chamado "o Sábio persa" pelos escritores sírios posteriores. Muito pouco é o que conhecemos sobre sua vida, De seus escritos podemos concluir que nasceu no paganismo e que, ao converter-se, abraçou a vida religiosa ou de asceta. Pouco tempo depois aparece já como figura prócere dentro da Igreja de Síria. Afraates mudou seu nome pelo de Santiago. Ignoramos se isto aconteceu ao batizar-se, ou se teve lugar apenas ao ser consagrado bispo, conforme um costume oriental, e não precisamente ao iniciar-se nas ordens sagradas. O nome de Santiago explicaria satisfatoriamente o que tanto Genádio como o tradutor das obras de Afraates para arménio o confundissem com Santiago de Nísibe.
Sobre a duração de sua vida e a data de sua morte não temos dado algum preciso. Sem embargo, atendo-nos à ciência de que ele faz alarde, a sua experiência, o conhecimento da Sagrada Escritura, é verosímil admitir que era de idade avançada quando, em 340, iniciava na Pérsia o rei Sapor a perseguição contra os cristãos. Por outro lado, Bar-Hebraeus nos apresenta o escritor sírio como contemporâneo do bispo de Seleucia-Ctesifón, Papas. Ora Papas, promotor de tantos distúrbios na Igreja de Mesopotâmia, morria, segundo a cronologia de Bar-Hebraeus, em 335. Estes dados concordam com os que o mesmo Afraates nos tem transmitido em suas obras. Apoiados em tais pormenores nos permitimos propor duas datas que encerram a vida do escritor sírio: 280?-350?  Afraates é autor unicamente de 23 tratados ou demonstrações, chamados erroneamente por alguns escritores homilias. Cada um destes tratados começa por uma letra do alfabeto siríaco, segundo a ordem própria do alfabeto. As compôs na Pérsia sob o reinado de Sapor. A forma e vivacidade de seu estilo nos urge a pensar, qual lugar de redação, naquelas províncias iranianas fronteiriças com o Império romano. Esta obra, dada a conhecer por W. Cureton em 1855, tem o grande mérito de ser o escrito mais antigo que possuímos integramente em siríaco (ou sírio). Abarca diversos temas de carácter teológico, ascético e disciplinar. Vários tratados são de controvérsia. Polemiza com os judeus, que possuíam na Pérsia e Mesopotâmia grandes e célebres escolas desde o tempo do cativeiro. Afraates finge como interlocutor um "doutor judeu" cujos argumentos vai refutando com brilhantismo. Das 23 demonstrações nove as escreveu contra a estirpe israelita, tocando nelas aqueles temas que mais caracterizam a religiosidade do povo escolhido: circuncisão, Páscoa, o sábado, alimentos legais, vocação dos gentios, Cristo filho de Deus, virgindade, perseguição e restauração da nação judia. Outras dez são de carácter ascético-moral e expõe temas tão sugestivos como o da fé, caridade, jejum, ascetas, penitentes, humildade, etc. Dois são circunstanciais, exortando numa delas ao clero e povo de Seleucia e Ctesifón, e na outra sermoneia sobre as guerras. Outras duas, por fim, são de sabor dogmático, discutindo com os hereges em torno à ressurreição, a morte e os últimos acontecimentos do fim do mundo. Compôs as dez primeiras demonstrações em 336-337; as doze seguintes em 343-344 e a última em Agosto de 345. Realmente a obra de Afraates é uma síntese de toda a doutrina cristã. Desde o ponto de vista da teologia o labor do escritor sírio é pobre, sobretudo se se a compara com a de seus contemporâneos gregos e latinos. Sem embargo, tem a seu favor a grande valia de ser o testemunho mais antigo da fé de seu país. É indiscutível também que sobre as matérias por ele tratadas sua autoridade é considerável, porque vivia afastado do mundo romano e das controvérsias doutrinais que surgiram a consequência do concílio de Nicea. Afastado da contenda, Santo Afraates, cumprindo a missão do bom pastor, se esforça por viver sua fé e por fazê-la  viver em todos os que o rodeiam. Seus comentários à Escritura são simples, mas eficazes e penetrantes. A obra de Afraates não está isenta de erros doutrinais, mas não é mancha nenhuma; seus pontos de vista foram logo compartilhados por Santo Efrém e outros escritores da época. Pese a estes insignificantes desacertos dogmáticos Afraates é um grande defensor da ortodoxia e o conhecimento de seus escritos presta o teólogo uma boa ajuda. Fala com bastante segurança acerca de Deus, Santíssima Trindade, Jesus Cristo, sacramentos e alma. A Santíssima Virgem dedica poucas linhas, como, em geral, todos os escritores sírios, mas nos oferece um precioso testemunho quando confessa sua perpétua virgindade e maternidade divina. Maria, nos diz Santo Afraates, agradou mais a Deus que todos os justos. Outro grande pilar sobre o que se levanta a grandeza de Maria é sua humildade. Os anjos, mensageiros de Deus, lhe servem, lhe apresentam as orações dos homens, guardam aos indivíduos e aos povos e conduzem a humanidade ao juízo. Afraates é um defensor vigoroso da divindade de Jesús e de sua filiação divina; sustenta também, com não menor pujança, a divindade do Espírito Santo. Ainda que com terminologia imprecisa sua doutrina é abertamente conforme aos cânones de Nicea. Esplêndido é mesmo assim o testemunho sobre o primado de São Pedro. Santiago e São João, nos diz, são as colunas da Igreja, mas São Pedro é o fundamento. Um segundo aspecto que não pode olvidar-se na obra de Santo Afraates é o interesse que oferece ao filólogo e ao historiador. Nos escritos do primeiro dos Padres sírios o filólogo tem em suas mãos a obra mais antiga da literatura siríaca; lhe há-de interessar necessariamente a gramática e o léxico como ponto de partida da tradição manuscrita deste país; outras obras, a Bíblia por exemplo, não são mais que traduções e não obras originais.  O historiador profano advertirá na obra de nosso Santo as controvérsias com os gnósticos e judeus, e não poucas alusões aos acontecimentos da época. O historiador eclesiástico encontrará em Santo Afraates as origens do monacato oriental, vestígios da hierarquia e organização da comunidade cristã desta época, clericado, sacramentos, festas e culto. Outra faceta do Santo, a mais descuidada pelos escritores, é o considerá-lo como um grande mestre de vida espiritual. Suas demonstrações sobre a fé, caridade, penitência, jejum, oração, humildade. etc., resumem simplicidade e unção e despedem fogo. Tem um sentido tão maravilhoso da mesura e da bondade que recorda a doçura de São Francisco de Sales. E a doutrina espiritual de Santo Afraates se faz ainda mais importante porque tem um carácter exclusivamente cristão; nosso Santo não há sido influenciado por nenhuma filosofia, um acontecimento raro entre gregos e sírios. Santo Afraates é modelo e um exemplar bem alto do sacerdote consagrado a seu ministério. Viveu intensamente a vida de santidade, ensinou a fé, la pregou e polemizou por defendê-la. Se entregou sem reserva a evangelizar a seu País. Feito todo para todos, com justiça a Igreja o inclui entre seus santos e com orgulho sua pátria o venera entre seus heróis.

• Radegunda de Treviño, Santa
Virgem

Radegunda de Treviño, Santa

Radegunda de Treviño, Santa

Se desconhece tudo o que se refere a seu nascimento. O martirológio romano a chama Radegundis e é uma das gloriosas virgens que há dado Espanha. Aparece como a última religiosa do mosteiro de são Paulo, em Burgos, que pertenceu à Ordem Premostratense. A extrema pobreza levou à extinção deste mosteiro que ficou anexado ao de são Miguel de Treviño. Levada por seus desejos tem contra si a pouca saúde que desfruta e os poucos meios de que dispõe para tão longo, perigoso e custosa viagem; mas  o fervor pode mais que os medos. Saciada e cheia de agradecimento ao Senhor, animada pelos beijos postos nas ruas que pisaram os mártires, venerados os monumentos, regressa com numerosas relíquias. Agora só quer solidão e retiro. Junto ao mosteiro de São Miguel habita numa pobre e mísera habitação que tem uma pequeníssima janela por onde pode presenciar os santos ofícios da igreja. Não mudaria aquele sitio pelo melhor palácio. Só pensa em ser agradável a seu Divino Esposo. Vive como os antigos anacoretas do deserto e a gente do povo comenta com assombro suas penitências, jejum e oração. Morre em 29 de Janeiro do ano 1152, quando reina em Castela Alfonso VI e é papa Eugénio III.  É sepultada na igreja de São Miguel de Treviño onde suas relíquias são veneradas através dos séculos.

• Pedro Nolasco, Santo
Presbítero e Fundador

Pedro Nolasco, Santo

Pedro Nolasco, Santo

Presbítero e Fundador da Ordem da Bem-aventurada Maria de la Merced

Martirológio Romano: Em Barcelona, em Espanha, são Pedro Nolasco, presbítero, que com são Ramón de Penhafort e o rei Jaime I de Aragão fundou, segundo se crê, a ordem da Bem-aventurada Maria de la Merced, para a redenção dos cativos. Se entregou ardentemente com trabalho e esforço a procurar a paz e a libertar do jugo da escravidão os cristãos, no tempo dos infiéis (1258). Nasce em Barcelona, Espanha, 1189. Aos 15 anos sofre a morte de seu pai e se dispõe a repartir santamente seus muitos bens ao que sua mãe assenta. Anos mais tarde, estando em idade de se casar, peregrina a Monserrate. Ali, aos pés da Virgem, pôde compreender melhor o vazio das vaidades mundanas e o tesouro que é a vida eterna. Prometeu então à Virgem manter-se puro e dedicar-se a seu serviço. Eram tempos em que os muçulmanos saqueavam as costas e levavam os cristãos como escravos para África. A horrenda condição destas vítimas era indescritível. Muitos por isso perdiam a fé pensando que Deus os havia abandonado. Pedro Nolasco era comerciante. Decidiu dedicar sua fortuna à libertação do maior número possível de escravos. Recordava a frase do evangelho: "Não armazena sua fortuna nesta terra onde os ladrões a roubam e a poeira a devora e o mofo a corrói. Armazena sua fortuna no céu, onde não há ladrões que roubem, nem poeira que devore nem óxido que as danifique" Mt 6,20. Em 1203 o laico São Pedro Nolasco iniciava em Valência a credenciou de cativos, redimindo com seu próprio património a 300 cativos. Forma um grupo disposto a pôr em comum seus bens e organiza expedições para negociar redenções. Sua condição de comerciantes lhes facilita a obra. Comerciavam para resgatar escravos. Quando se lhes acabou o dinheiro formam grupos –confrarias - para recolher a "esmola para os cativos". Mas chega um momento em que a ajuda se esgota. Pedro Nolasco planeia entrar em alguma ordem religiosa ou retirar-se ao deserto. Entra numa etapa de reflexão e oração profunda. A noite de 1 para 2 de Agosto do ano 1218, a Virgem apareceu a Pedro Nolasco. Segundo uma tradição duvidosa, também apareceu a Virgem a São Raimundo de Peñafort, e ao rei Jaime I de Aragão, e lhes comunicou aos três em separado seu desejo de fundar uma ordem para redimir cativos.  O facto é que a Virgem Maria moveu profundamente o coração de Pedro Nolasco para fundar a ordem da Merced e formalizar o trabalho que ele e seus companheiros faziam já por 15 anos. Em 10 de Agosto de 1218 no altar maior da Catedral de Barcelona, em presença do rei Jaime I de Aragão e do bispo Berenguer de Palou, se cria a nova instituição. Pedro e seus companheiros vestiram o hábito e receberam o escudo com as quatro barras vermelhas sobre um fundo amarelo da coroa de Aragão e la cruz branca sobre fundo vermelho, titular da catedral de Barcelona. Pedro Nolasco reconheceu sempre a Maria Santíssima como a autêntica fundadora da ordem mercedária. Sua padroeira é a Virgem da Merced. "Merced" significa "misericórdia".(Mais sobre a Virgem de la Merced e São Nolasco).  A nova ordem foi laica nos primeiros tempos. Sua primeira localização foi o hospital de Santa Eulália, junto ao palácio real. Ali recolhiam a indigentes e a cativos que regressavam de terras de mouros e não tinham para onde ir. Seguiam o trabalho que já antes faziam de criar consciência sobre os cativos e recolher dinheiro para os libertar. Eram acompanhados com frequência de ex-cativos, já que, quando um era resgatado, tinha obrigação de participar durante algum tempo neste serviço. Normalmente iam cada ano em expedições redentoras. São Pedro continuou suas viagens pessoalmente em busca de escravos cristãos. Na Argélia, África, o fizeram prisioneiro mas conseguiu sua liberdade. Aproveitando seus dons de comerciante, organizou com êxito por muitas cidades colectas para os escravos. Os frades faziam, além dos três votos da vida religiosa, pobreza, castidade e obediência, um quarto: dedicar sua vida a libertar escravos. Ao entrar na ordem os membros se comprometiam a ficar em lugar de algum cativo que estivesse em perigo de perder a fé, em caso que o dinheiro não alcançasse a pagar sua redenção. Entre os que ficaram como escravos está São Pedro Ermengol, um nobre que entrou na ordem após uma juventude dissoluta. Este quarto voto distinguiu a nova comunidade de mercedários.  O Papa Gregório Nono aprovou a comunidade e São Pedro Nolasco foi nomeado Superior Geral.  O rei Jaime dizia que se havia logrado conquistar a cidade de Valência, isso se devia às orações de Pedro Nolasco. Cada vez que obtinha algum triunfo o atribuía às orações deste santo. Antes de morrer, aos 77 anos (em 25 de Dezembro de 1258), pronunciou o Salmo 76: "Tu, oh Deus, fazendo maravilhas, mostraste teu poder aos povos e com teu braço hás resgatado aos que estavam cativos e escravizados". Sua intercessão logrou muitos milagres e o Papa Urbano VIII o declarou santo em 1628. A missão redentora a continua hoje a família mercedária através de seus institutos religiosos e associações de laicos. É também a missão de todo bom cristão.

Bronislao Boaventura Markiewicz, Beato

Bronislao Buenaventura Markiewicz, Beato

Bronislao Buenaventura Markiewicz, Beato

Fundador da
Congregação de São Miguel Arcanjo

Data de beatificação: 19 de junho de 2005 pelo Cardeal Jozef Glemp em representação do Papa Bento XVI. Bronislao Markiewicz nasceu em 13 de julho de 1842 em Pruchnik, Polónia, na atual arquidiocese de Przemyśl da Igreja latina, sexto de onze filhos de Juan Markiewicz, burgomestre da cidade, e Mariana Gryziecka. Recebeu em sua família uma sólida formação religiosa. Mais tarde, durante seus estudos clássicos em Przemyśl, experimentou uma certa vacilação na fé devido, em grande parte, o ambiente fortemente antirreligioso que reinava na escola. Logrou, sem embargo, superar cedo recobrando serenidade e paz interior. O jovem Bronislao, conseguido o diploma de licenciatura e sentindo-se chamado por Deus ao sacerdócio, em 1863, entrou no Seminário Maior de Przemyśl. Ao acabar os estudos, foi ordenado sacerdote em 15 de setembro de 1867. Depois de seis anos de trabalho pastoral, na qualidade de vigário, na paróquia de Harta e na Catedral de Przemyśl, com o desejo de se preparar ainda mais para trabalhar com a juventude, estudou durante dois anos pedagogia, filosofia e história na Universidade de Leópolis e de Cracóvia. Em 1875 foi nomeado pároco em Gac e em 1877 em Blazowa. Em 1882 lhe foi confiado o ensino de teologia pastoral no Seminário Maior de Przemyśl.
Sentindo-se chamado também à vida religiosa, no mês de novembro de 1885, partiu para Itália e entrou nos Salesianos, onde teve a alegria de encontrar a São João Bosco, em cujas mãos fez os votos religiosos em 25 de março de 1887. Como salesiano desenvolveu diversos cargos confiados por seus Superiores e tratou de os realizar com dedicação e zelo. Devido à austeridade de vida e à diversidade do clima, em 1889 P. Bronislao adoeceu gravemente de tisica, estando à beira da morte. Recuperado da enfermidade, decorreu a convalescença, sempre em Itália,até que, em 23 de março de 1892, com a permissão de seus Superiores, regressou a Polónia onde assume o cargo de pároco de Miejsce Piastowe, na diocese de origem Przemyśl. Além da atividade paroquial ordinária, Padre Bronislao Markiewicz dedicou-se no espírito de São João Bosco, à formação da juventude pobre e órfã. Para ela abriu em Miejsce Piastowe um Instituto, em que oferecia a seus educandos tanto ajuda material como espiritual, preparando-os para a vida com a formação profissional nas escolas abertas no mesmo Instituto. Em 1897 decide fundar, com tal objetivo, duas novas Congregações religiosas baseadas na espiritualidade de São João Bosco, adaptando suas regras ao específico do próprio carisma. Recebido novamente entre o clero da diocese de Przemyśl Padre Markiewicz continuou a atividade de pároco e de diretor do Instituto (Sociedade) ao que pôs por nome Templanza y trabajo (erigido em 1898), tratando de obter sua aprovação como Congregação religiosa, sob a proteção de São Miguel Arcanjo, com um ramo masculina e outro feminino. A aprovação foi concedida só algum ano depois de sua morte: em 1921 o ramo masculino e em 1928 o feminino. Padre Bronislao continuou, sempre com a aprovação e a bênção do bispo, são José Sebastián Pelczar, sua atividade de formador dos jovens e de rapazes órfãos e abandonados, servindo-se da ajuda de colaboradores a cuja preparação e formação contribuiu ele mesmo constantemente. Já em Miejsce Piastowe havia oferecido casa e formação a centenas de rapazes dando-se a eles inteiramente. Desejoso de fazer ainda mais em seu favor, no mês de agosto de 1903, P. Markiewicz abriu uma nova casa em Pawlikowice, perto de Cracóvia, onde encontraram casa e possibilidades de formação espiritual e profissional mais de 400 órfãos. A dedicação total aos rapazes, a abnegação heroica de si mesmo, o trabalho enorme por realizar, chegaram a consumir bem cedo as forças de Padre Markiewicz minando sua saúde, já muito comprometida elas moléstias sofridas em Itália. Tudo isso o conduziu rapidamente ao fim de sua peregrinação terrena, em 29 de Janeiro de 1912. Antes e depois de sua morte, foi considerado um homem fora do comum. Crescendo cada vez mais a fama de santidade de padre Bronislao, os Superiores dos dois Institutos religiosos de São Miguel Arcanjo, fundados por ele, pediram ao bispo de Przemyśl formalizar o processo de beatificação de seu Fundador que teve inicio em 1958. Acabado o item da Causa, em 2 de julho de 1994, em presença do Santo Padre João Paulo II, foi promulgado o decreto de heroicidade das virtudes de Padre Bronislao Markiewicz e dez anos depois, precisamente em 20 de dezembro de 2004, o decreto sobre o milagre obrado por Deus por intercessão de Padre Bronislao. Abria-se assim o caminho para sua beatificação.

Villana de Bottis, Beata

Mãe de família, 

Villana de Bottis, Beata

Villana de Bottis, Beata

Martirológio Romano: Em Florença, cidade da Toscana (Itália), beata Villana (Vilana) de Bottis, mãe de família, que, abandonando a vida mundana que levava, vestiu o hábito das Irmãs da Penitência de Santo Domingo e distinguiu-se por sua assídua meditação de Cristo crucificado, pela austeridade de vida e por pedir esmola pela rua em favor dos pobres (1361). Data de beatificação; culto confirmado a 27 de março de 1824 pelo Papa Leão XII.

Nasceu em Florença em 1322; seu pai era um rico e conhecido mercador. Viveu uma adolescência serena e religiosa, mas seu matrimónio com Rosso Benintendi (1351) a pôs em contacto com o faustoso e frívolo ambiente florentino que pareceu tê-la feito esquecer-se de Deus.A portentosa visão do demónio, quando se preparava ante o espelho para participar numa festa mundana, foi o principio de uma conversão exemplar.Acudiu aos frades dominicanos de Santa María Novella, movida pelo arrependimento, a confessar seus pecados, para depois buscar com uma vida humilde e penitente expiar sua vida passada.Tomou o hábito das irmãs da Penitência de santo Domingo e iniciou uma nova vida sob a direção dos frades de santo Domingo, de quem, segundo seu biógrafo frei Jerónimo di Giovanni, era "devotíssima".Se dedicou ao estudo da Sagrada Escritura e a contemplação de Cristo crucificado, a quem Vilana invocava frequentemente como: "Cristo Jesús, amor meu crucificado".Sua austeridade de vida influiu entre as demais mulheres de seu ambiente e muitas decidiram a imitá-la. Fervorosa com Deus e generosa com os necessitados, distribuiu todos seus bens para os pobres e pediu esmola para eles pelas ruas de Florença.Adornada de méritos morreu com 20 anos somente em 29 de Janeiro de 1361. Seu corpo foi exposto à veneração pública durante muitos dias na igreja dominicana de Santa María Novella e ali foi sepultada, amortalhada segundo sua vontade com o hábito dominicano, num formoso sepulcro marmóreo.

Serrano (Astúrio Anulino), Santo

Serrano (Asturio Anulino), Santo

Serrano (Asturio Anulino), Santo

As primeiras noticias sobre Astúrio -o Astúrico Anulino- são proporcionadas por Santo Ildefonso de Toledo na sua obra "De viris illustribus", composta nos anos de seu episcopado (657-667). Ali reúne as biografias de catorze antecessores seus na cadeira toledana, onde assinala a Astúrio o nono lugar na sucessão dos bispos de Toledo, em cuja sede sucedeu a Audencio. Em qualquer caso, o texto de Santo Ildefonso tem sido mal interpretado geralmente pelos historiadores de Alcalá.. Disse assim o bispo toledano: "Foi (Astúrio) bem-aventurado em seu episcopado e digno de um milagre, porque mereceu encontrar em seu sepulcro terreno os corpos daqueles a quem ia a unir-se no céu. Com efeito, quando desempenhava o bispado de sua sede, se conta que foi advertido por revelação divina para que indagasse sobre uns mártires sepultados no município complutense que está situado a quase sessenta milhas de sua cidade. Acudiu rapidamente e encontrou ocultos, sob o peso do túmulo e esquecido do tempo, aqueles que mereciam a luz e a glória de ser conhecidos na terra. Uma vez descobertos, não quis voltar a sua sede. Dedicado ao serviço e devoção dos santos, terminou seus dias. Não obstante, enquanto viveu ninguém ocupou sua sede. Por isso, segundo a tradição, é considerado como o nono bispo de Toledo e primeiro de Complutum". Uma leitura detida do relato clarifica bastante as confusões acumuladas ao longo do tempo pelos distintos tratadistas do tema. A intervenção sobrenatural aparece muito matizada por Santo Ildefonso e reduzida á sua condição de tradição oral quando diz "...se conta que...".Também deixa muito claro Santo Ildefonso o lugar onde se achavam os restos dos mártires, "em seu sepulcro...", e "...ocultos sob o peso do túmulo" com o que devem descartar-se todas as interpretações posteriores sobre uma busca e achado por sorte ou casual. Estas mesmas palavras revelam a existência em tempos de Astúrio da "cella martyris" ou seus patentes restos. Finalmente, a respeito ao lugar ocupado por Astúrio nos episcopológios toledano e complutense, já adverte Santo Ildefonso que esse nono lugar na cadeira toledana e o primeiro na complutense eram considerados "segundo a tradição", evitando assim qualquer afirmação categórica. Deve advertir-se que situar a Astúrio como primeiro bispo de Complutum constitui um erro, pois o Concílio I de Zaragoza, celebrado em 380, recolhe em suas Atas a firma de "Ampélio, bispo complutense", enquanto que a firma de Astúrio não se documenta até ao Concílio I de Toledo do ano 397, lo que indica que em Cómpluto houve bispos anteriores a Astúrio. Em troca, se deve ser este último considerado como renovador e impulsionador do culto aos santos Justo e Pastor, pois seguindo o texto de Santo Ildefonso as relíquias dos mártires estavam ocultas "sob o peso do túmulo e esquecimento do tempo...", o que revela uma decadência na sua veneração pública. E ainda que em nenhum lugar do texto menciona expressamente Santo Ildefonso os nomes de Justo e Pastor, todos os autores admitem que o santo se refere a eles por não existir referência alguma a nenhum outro mártir complutense nesta época. Pode-se documentar a Astúrio como bispo de Toledo no ano 397 e, seguindo a Santo Ildefonso, sua à sede de Toledo e sua passagem à Complutense teve lugar num data difícil de determinar, ainda que distintos autores, segundo os Anais Complutenses, o situem nos anos 398 e 400 ou 402. Mas não deve esquecer-se que os Anais tomam como fonte frequente para este período aos Falsos Cronicones. Geralmente se aceita o ano 412 como ano da trasladação de Astúrio para Cómpluto. Por sua parte, Ambrósio de Morales afirma que o achado dos restos dos Santos Meninos teve lugar entre 407 e 414, o que resulta muito mais verosímil se aceitamos a ocultação das relíquias e destruição da "cella martyris"por volta das invasões de 409. Ambrósio de Morales completa o relato dizendo que Astúrio, depois de encontrar os corpos já não quis regressar a Toledo e ficou em Complutum como bispo. Deixou as relíquias no lugar original de seu enterramento e mandou construir para elas uma arca de jaspe de 12 pés de largura por 4 de altura que, no seu tempo (1568), se encontrava bastante deteriorada. Com todas as reservas que as fontes nos oferecem, e atendendo à lógica na cronologia dos factos, não resulta estranho pensar que Astúrio ordenasse a construção de um novo templo em honra dos mártires no lugar onde em origem foram mortos e sepultados. Talvez em 1 de novembro de 424 - morria em Complutum, Astúrio Anulino, sendo enterrado no templo que havia mandado construir sobre o lugar do martírio dos Santos Meninos (Justo e Pastor). Quatro séculos depois seu corpo, junto com o do bispo de Toledo São Julião, foi levado para Oviedo, onde recebeu culto sob o nome de Santo Astúrio Serrano ou São Serrano. Assim seguiu o mesmo caminho que muitas relíquias de santos e mártires que foram levadas para o norte durante a perseguição a os moçárabes de Abd-el Rhamán II. Seguramente pela toponímia Astúrio foi levado para as Astúrias.

• Outros Santos e Beatos
Completando o santoral deste dia

Santos Sarbélio, presbítero, e Bebaia, mártires

Na cidade de Edessa, em Osroene (hoje Turquia), santos mártires Sarbélio, presbítero, e Bebaia, sua irmã, que, batizados pelo santo bispo Barsimeo, por Cristo padeceram o martírio (c. 250).

Santos Papías e Mauro, mártires

Em Roma, no cemitério Maior da via Nomentana, santos mártires Papías e Mauro, soldados (c. s. III).

São Constâncio, bispo

Na cidade de Perusa, na Umbría (hoje Itália), são Constâncio, bispo (c. s. III).

Santos Juventino e Maximino, mártires

Em Antioquia de Síria (hoje na Turquia), santos Juventino e Maximino, mártires, que foram coroados com o martírio em tempo do imperador Juliano o Apóstata (363).

São Valério, bispo

Em Tréveris, cidade da Gália Bélgica (hoje Luxemburgo), são Valério, segundo bispo que governou esta sede (s. III ex.).

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ANTÓNIO FONSECA