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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Andre Rieu - Ave Maria (Maastricht 2008) DIGITAL TV


António Fonseca

Andre Rieu - Il Silenzio (Maastricht 2008) DIGITAL TV


António Fonseca

Andre Rieu - Radetzkymarsch 2006


António Fonseca

De CANÇÃO NOVA (31-Janeiro-2011)

Com a devida vénia, transcrevo a mensagem abaixo, escrita num  Feed de “Canção Nova” por um seminarista

 

ERA ESTRANGEIRO E AJUDASTE-ME

segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011, 14:29:45 | adminIr para o artigo completo

Cada um de nós pode tornar-se testemunha do amor por ter feito em primeira pessoa a experiência de amar e a de ser amado. Todos podemos ter casos em que nos parecemos das aflições do nosso próximo, nos deixámos sensibilizar e fizemos o que estava ao nosso alcance para o ajudar. Quero contar um caso que vivi há mais de trinta anos e nunca mais me esqueceu. Mantenho no coração uma gratidão inesquecível a quem anonimamente me fez bem numa situação difícil.

Era jovem estudante seminarista e fui para a Alemanha nas férias para participar numa experiência de trabalho com uma finalidade solidária, pois o dinheiro que ganhasse destinava-se a ajudar seminaristas de países fora da Europa, em ordem à sua formação espiritual. Fui com mais dois companheiros portugueses. Fizemos a longa viagem de comboio desde Portugal, durante dois dias, e chegamos à última estação, onde supostamente alguém nos deveria esperar ou vir buscar, depois de receber um telefonema nosso a dizer que chegáramos. Era domingo, à hora do almoço, no Verão. Tentamos fazer o telefonema para a casa que nos esperaria, mas do outro lado ninguém atendia. Enquanto comíamos do nosso farnel, íamos correndo para a cabine telefónica, repetindo as tentativas de contacto. Mas sem êxito.

O tempo passava e a inquietação ia-nos invadindo sempre mais. Começava a transformar-se em drama: Se não conseguirmos o contacto, como fazemos? O que vai ser de nós, se temos que voltar já para Portugal, pois não temos bilhete de regresso nem dinheiro? Como podemos resolver este problema? Enquanto assim íamos pensando e conversando entre nós, começando certamente a implorar a ajuda divina, um jovem que por ali andava, não sei a fazer o quê, apercebeu-se que estávamos em dificuldade. Aproximou-se de nós e perguntou-nos se precisávamos de ajuda. Com o pouco de inglês e menos de alemão que sabíamos, lá conseguimos expor o nosso problema e mostrar-lhe o endereço para onde nos deveríamos dirigir.

Para nossa surpresa, o jovem disse-nos que conhecia o local e que podia levar-nos lá no seu carro. Aceitámos com satisfação e na esperança de que o nosso problema estaria a caminho de se resolver. Chegados ao local, tocámos uma, outra e mais outra vez a campainha da casa paroquial, mas ninguém nos atendeu. De novo o nosso drama se avivou. Entretanto, o jovem ainda não nos tinha deixado. Foi então a uma loja da vizinhança perguntar se sabiam onde encontrar o pároco. Obteve então a informação de que o pároco local tinha ido ao Brasil mas ficara a substituí-lo um outro sacerdote italiano, que fora almoçar a casa de uma família e voltaria entretanto.

O jovem nosso amigo deu-nos esta informação e deixou-nos ali à espera que o dito sacerdote chegasse. Ainda ficámos em suspenso bastante tempo, até que chegou quem nos hospedou na casa paroquial e nos acompanhou durante aquela experiência de trabalho. Quanto ao nosso “bom samaritano” nunca mais o vimos nem sabemos nada sobre ele. Fez-nos o bem, ajudou-nos na nossa aflição e partiu incógnito para a sua vida, certamente feliz pelo amor gratuito que praticou em nosso favor. Talvez um dia possa ouvir Jesus a dizer-lhe: “Vem, bendito de meu Pai, participar no reino eterno, pois era estrangeiro e ajudaste-me…”

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Recolha por ANTÓNIO FONSECA

Nº 35 - 4 DE FEVEREIRO DE 2011 - SANTOS DO DIA - 3º ANO

 

Nº 1267

SÃO JOÃO DE BRITO

Sacerdote e Mártir

Juan de Britto, Santo

Juan de Britto, Santo

Era natural de Lisboa, onde nasceu em 1 de Março de 1647, filho de Salvador Pereira de Brito e D. Brites Pereira. Muito menino ainda, perdeu o pai, que alguns anos depois da restauração de 1640 fora mandado por D. João IV governar o Brasil, onde faleceu. D. Brites Pereira consagrou-se totalmente aos três filhos que o marido lhe deixara. João, o mais novo, foi educado na corte, entre os pajens do Infante D. Pedro. Já desde essa tenra idade começou a cultivar desejos de vida mais perfeita, abrigando aspirações de completo sacrifício e imolação a Deus.Mas nem todos os companheiros lhe sabiam apreciar devidamente a virtude e talentos; e com palavras ofensivas fizeram-lhe pagar às vezes os pequeninos triunfos conquistados. Desde então, começou a corte a dar-lhe o cognome de mártir. Assaltou-o nessa ocasião uma gravíssima doença. Chegaram os médicos a perder a esperança de lhe salvar a vida; não a perdeu porém sua piedosa mãe. E D. Brites fez promessa a S. Francisco Xavier que, se o filho recobrasse pronto a saúde, o traria vestido durante um ano inteiro com a roupeta da Companhia. Despachou Deus favoravelmente a piedosa súplica. Trajando humilde batina negra, acompanhava João o Infante D. Pedro. Começou a ser conhecido na corte pelo nome de Apostolinho, alusão ao nome glorioso de Apóstolos, com que em Portugal eram conhecidos os membros da Companhia de Jesus, graças ao zelo e fervor empregados pelos Padres Simão Rodrigues e S. Francisco Xavier. Ao expirar o prazo da promessa, com grande mágoa sua houve João de largar a batina da Companhia, conservando, porém, muito gravado no coração, o desejo de a poder um dia revestir para não mais a largar. Começados os 14 anos, sem demora se apresentou na casa professa de S. Roque a solicitar ser admitido entre os noviços. Era, porém, necessário vencer antes as dificuldades, que certamente haviam de surgir, tanto da parte dos seus, como, principalmente, do Rei e da corte. Com prudente e sábia destreza, logrou João de Brito declinar as honoríficas seduções. Apresentou-se depois à mãe e expôs-lhe as razões que o moviam a entrar na Companhia. D. Brites, ainda que amasse ternamente o filho, compreendendo que o amor de Deus está acima do amor das criaturas, generosamente concedeu a João a suspirada licença. Aos 17 de Dezembro de 1662 transpunha finalmente João de Brito os umbrais da casa do noviciado de Lisboa. Distinguiu-se muito pela piedade e observância religiosa. Com não menor ardor entrou na carreira dos estudos. Uma ideia o dominava e absorvia. Anelava conquistar almas para Jesus Cristo e sacrificar-se, a exemplo de S. Francisco Xavier, na evangelização da Índia. Implorou esta graça em repetidas cartas ao Geral da Companhia de Jesus. Em 1669 via coroadas de feliz êxito as suas ardentes súplicas. Ao chegar ao conhecimento de D. Brites que seu filho ia partir para a Índia, não houve pedra que não movesse para o conservar no reino. Recorreu primeiramente ao Padre Provincial, dirigiu-se depois ao Rei e ao Núncio. E decerto conseguiria retê-lo se ele não porfiasse em desfazer as tramas excogitadas pelo amor materno. Em Março de 1673, João de Brito, ordenado sacerdote pouco tempo antes, podia enfim sair a barra de Lisboa, em companhia de uma luzida expedição de 17 missionários. Durante os seis meses de travessia, foi apóstolo da tripulação. Nas costas da Guiné houve grande número de enfermidades. Apesar de muito abatido, o P. João de Brito prodigalizou aos enfermos toda a sorte de socorros espirituais e temporais. Mas sendo Deus servido que o mal cessasse dentro em pouco, arribaram felizmente a Goa em Setembro do mesmo ano. Em Goa terminou os estudos de teologia, e os Superiores pensaram encarregá-lo de reger uma cadeira de filosofia. Em Abril de 1674 partia para o colégio de Ambalacate, no qual os missionários se preparavam, no Sul da Índia, com o estudo das línguas nativas. E durante quase vinte anos havia de dar os exemplos mais admiráveis de selo e fortaleza. Destinaram-no os superiores para a missão do Maduré, uma das mais trabalhosas. Oferecia especiais dificuldades a evangelização, tanto por causa do clima ardente, das viagens através de areais, de pântanos, de bosques e de serras aspérrimas, como principalmente pela condição dos hindus e pelas suas ideias a respeito dos europeus. Tinham-nos na conta de pariás por verem que tratavam com estes “fora de castas”, aos quais “os de castas” não consentem morar em suas povoações nem deles se servem para qualquer mister. Neste afastamento os envolvem não só a eles, mas a todos os que com eles tratam. A caridade de Cristo ensinou, porém, aos missionários a maneira de vencer estas dificuldades, à primeira vista insolúveis. Conservando em tudo a pureza da doutrina cristã, procuraram amoldar-se ao carácter dos hindus, adotando os trajes, os costumes e o modo de viver dos brâmanes saniássis, espécie de religiosos letrados.  Que vida levava João de Brito, criado entre os mimos da corte de Lisboa? O seu alimento eram arroz, legumes, algumas ervas e leite, sem jamais tocar em carne ou peixe. Dormia sobre a terra nua ou, quando muito, sobre uma pele de tigre estendida no chão. O calçado reduzia-se a uma espécie de sola de madeira, presa ao pé com um  botão. Os vestidos eram tão pobres que um dos seus biógrafos, que os viu em Portugal, lhes chama andrajos. Tal foi o modo de vida, constantemente observado durante treze anos consecutivos. Depois de atravessar a pé o continente índico, desde Tanar na costa ocidental até Colei na oriental, estando a ponto de perder a vida, percorreu várias vezes toda a missão. os frutos recolhidos não podiam deixar de suscitar peregrinações, especialmente dos brâmanes. Em 1686 esteve a ponto de perder a vida o zeloso missionário, que viera pressuroso a socorrer os cristãos o Maravá, sobre os quais se desencadeara tremenda tempestade. Passaram de dois mil os catecúmenos batizados; administrou além disso os santos sacramentos a todos os cristãos que para lá se dirigiram. Alegre com os frutos consoladores, dirigia-se para as províncias do Norte, em companhia de alguns catequistas, quando se encontrou com o comandante das tropas do Maravá à frente de mais de 1 000 soldados e grande número de gente de corte. Preso, juntamente com os catequistas, fê-los o comandante açoitar crudelissimamente, querendo obrigá-los a invocar um deus dizendo Xivá, Xivá. Por fim, carregando-os de grilhões, amarraram o Padre Brito no meio da praça ao cepo dos pariás, e assim ficou, toda aquela noite e o dia seguinte, até depois do meio-dia, exposto às vaias e chufas. depois levaram-nos a uma fortaleza, usando os gentios de grandíssima crueldade durante o caminho. Chegados aí, quiseram outra vez obrigá-los a dizer Xivá, Xivá; em caso contrário,  condená-los-iam à morte, o que de facto aconteceu. Alegres esperavam o momento de receber a palma do martírio, e para essa hora se preparava m, entoando cânticos e rezando a ladainha de Nossa Senhora e outras orações. Foram interrompidos pelos algozes que, levando-os para fora da prisão, novamente os açoitaram. Depois conduziram o Padre Brito a um lugar onde havia uma grande pedra com muitas pontas agudas, e sobre a qual dardejava o sol o dia inteiro. Nela o deitaram e sobre ela o arrastaram, até que, por fim, cansados, o abandonaram com o corpo em chaga viva. No fim de 18 dias, foi intimada ao Padre a sentença em que o Rei o condenava a ser morto e espetado, depois de lhe cortarem os pés e as mãos. Mas alguns dias depois, mandou o régulo que o missionário e os catequistas fossem levados à corte, distante mais de 60 quilómetros.Fizeram o caminho algemados dois a dois e, com os pés vertendo sangue, chegaram em tal estado que até a muitos dos gentios causavam dó. Sustentou o valoroso campeão da fé contínuas disputas com os maiores letrados gentios, admirando e confundindo a todos com a energia e a solidez dos argumentos. Chegando esta noticia ao conhecimento do príncipe, mandou chamar ao palácio o Saniássis estrangeiro e pediu que lhe expusesse a doutrina que explicava aos discípulos. Ficou o gentio tão espantado com o que ouviu, que não pôde deixar de confessar que a lei dos cristãos era justa e santa. E, sem dar ouvidos às queixas do general e dos brâmanes, mandou restituir à liberdade o missionário e os cristãos. Assim se suspendeu o martírio de S. João de Brito, não faltando ele ao martírio mas o martírio a ele. Pouco tempo depois, uma carta do Padre Provincial Manuel Rodrigues, chamava-o à costa da Pescaria, onde recebeu ordem de voltar à Europa, a fim de, em Lisboa e Roma, tratar negócios para o bem das cristandades. A 8 de setembro de 1688 entrava pela barra de Lisboa. Apenas constou na cidade a vinda do heroico missionário, foi extraordinário o concurso de gente para ver e venerar aquele esforçado confessor da fé, que ainda conservava visíveis no corpo as cicatrizes dos tormentos suportados por amor de Cristo. D. Pedro II recebeu-o com a maior benevolência; quis ouvir de sua boca a exposição minuciosa dos trabalhos no Maduré e prometeu acudir com magnificência às necessidades das missões. Alcançada a benevolência do rei, e não lhe sendo possível passar a Roma, quis o Santo missionário percorrer os principais Colégios da Companhia em Portugal, despertando a sua vista santo entusiasmo em toda a parte. Sem esquecer nesta ocasião as obrigações para com a mãe e os irmãos, soube, contudo, dar repetidas mostras de quanto era sobrenatural o seu amor. Já se preparava para se fazer de novo à vela para a Índia, quando surgiu da parte do rei um impedimento inesperado. Queria D. Pedro II retê-lo, a todo o custo,. na corte para o cargo de preceptor do Príncipe e dos infantes. A tudo resistiu e de tudo triunfou a humanidade e constância do servo de Deus, que anelava somente a palma do martírio. Poucos meses depois de chegar à Índia, encontrava-se  de novo evangelizando entre os povos do Maravá; houve dias em que passou de 3 000 o número dos regenerados em Cristo pelo baptismo. Entre os convertidos contava-se um príncipe chamado Tariadevém,. Foi esta conversão a causa última da morte do nosso S. João de Brito. Antes de receber o sagrado baptismo, quebrou o neófito generosamente os laços da poligamia. Entre as mulheres repudiadas, contava-se uma sobrinha do rei de Maravá. Menos se necessitava para enfurecer o tirano. Sob o pretexto de vingar sua sobrinha, não se atrevendo a descarregar a ira sobre o esforçado príncipe, voltou-se contra o Saniássis europeu. Mandou, pois, saquear as igrejas dos cristãos e trazer à sua presença o missionário. Correm os ministros à povoação de Muni; sai-lhes ao encontro o padre João de Brito, manifestando o gozo que experimenta vendo finalmente chegada a hora do martírio. Poucos dias depois, dava entrada nos cárceres do Maravá em companhia dalguns cristãos. Somente 23 dias depois foi com seus companheiros apresentados ao rajá, em cuja presença estiveram mais de duas horas em pé, expostos às injúrias escárnios e vitupérios dos cortesãos. Pouco depois,  assistindo o Padre ao interrogatório de dois dos cristãos presos, advertiu ao bárbaro que, se era crime aqueles jovens serem cristãos, ele era culpado desse crime, pois os instruíra e batizara. Irritados com esta observação, o tirano e os que o assistiam lançaram-se ao missionário e descarregaram sobre ele tantas bofetadas e pancadas, que os circunstantes julgaram que não sairia dali com vida. Ali mesmo esteve para ser morto a tiros de arcabuz, mas, quando tudo estava já preparado para a execução, o régulo, temendo algum motim do povo, apartou o missionário da companhia dos outros cristãos e mandou-o a um seu irmão para que o degolasse. Foi a sentença executada a 4 de fevereiro de 1693, perto de Urgur, sobre um outeiro. Na véspera, dirigindo-se ao Superior da Missão, assim interpretava o martírio que iria sofrer: “ Quando a culpa é virtude, o padecer é glória”. Chegado ao lugar do martírio, ajoelhou-se o missionário para se encomendar pela última vez a Deus, no meio do silêncio da multidão atónita. Vacila o verdugo ao aproximar-se, não se atrevendo a interromper-lhe a fervente oração,. Vozes de indignação e despeito quebram de repente a solenidade daquele silêncio; era o filho do primeiro ministro que vinha correndo a estimular o verdugo à execução da sentença. Hesita, não obstante. Nesse momento, os circunstantes viram assombrados o santo Mártir levantar-se e, abraçando-se ao algoz, dizer-lhe: «Amigo, da minha parte cumpri o meu dever; tu cumpre a ordem que te foi dada». E, de joelhos em terra, espera o golpe. Aparta-lhe o bárbaro os vestidos, mas, ao notar o relicário que lhe pendia ao peito, novamente o invade o terror, julgando ver algum encantamento ou sortilégio. Retrocedendo um pouco, corta dum golpe o cordão, abrindo larga ferida no ombro e peito do Mártir; e com segundo e terceiro golpe lhe desprende inteiramente a cabeça do tronco. Decepadas em seguida também as mãos e os pés, o tronco juntamente com a cabeça foram atados a um poste, levantado no mesmo sítio em que o Mártir estivera em oração. Ficou o local do martírio guardado por soldados, para impedirem os cristãos apoderarem-se das relíquias. Na noite de 4 para 5 de Fevereiro e nos dias seguintes, pairou sobre o postre uma luz misteriosa. Vieram depois as feras, que devoraram quase por completo os despojos sagrados. Algumas poucas relíquias, que a piedade dos cristãos pôde ainda salvar, foram depois conduzidas a Goa e honorificamente guardadas no Colégio de S. Paulo. Pio IX inscreveu João de Brito no catálogo dos Bem-aventurados a 17 de fevereiro de 1852, e Pio XII canonizou-o a 22 de Junho de 1947. Nesta esplêndida glorificação do grande Missionário e Mártir esteve representado também, em bom número, todo o Ultramar Português. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuiitas.pt. Ver também www.es.catholic e www.santiebeati.it

SÃO JOSÉ DE LEONISSA (ou LEONESSA)

Confessor (1556-1612)

José de Leonessa, Santo

José de Leonessa, Santo

Martirológio Romano: Em Amatrice, lugar de Abruzo, são José de Leonessa, presbítero da Ordem dos Irmãos Menores Capuchinhos, que em Constantinopla sustentou em sua fé os cristãos cativos , havendo sofrido grandes tribulações por haver pregado o Evangelho inclusive no palácio do Sultão, regressou a sua pátria e se distinguiu por atender aos pobres (1612). Este santo nasceu em 1556 em Leonessa na Umbria, e com a idade de dezoito anos fez sua profissão como frade capuchinho em sua cidade natal, e tomou o nome de José, em lugar de Eufrânio, seu nome de baptismo. Era humilde, obediente e mortificado em grau heróico, e três dias por semana não tomava outro sustento que pão e água. Geralmente pregava com um crucifixo na mão, e o fogo de suas palavras inflamava o coração de seus ouvintes. Em 1587 foi enviado a Turquia como missionário entre os cristãos de Pera, subúrbio de Constantinopla. Ali animava e servia os escravos cristãos das galeras com maravilhosa devoção, especialmente durante uma peste maligna, da qual se contagiou, ainda que depois tenha recobrado a saúde. Converteu a muitos apóstatas, e expôs-se ao rigor da lei turca quando pregava a fé aos muçulmanos. José foi encarcerado duas vezes, e à segunda vez o condenaram a cruel morte. Por meio de garfos afiados que atravessavam uma de suas mãos e um de seus pés foi pendurado de una forca. Sem embargo, depois de haver sido torturado por muitas horas, foi posto em liberdade e foi-lhe comutada sua sentença por desterro. Desembarcou em Veneza e, depois de uma ausência de dois anos, regressou de novo a Leonessa, onde retomou seus trabalhos com extraordinário zelo. No fim da sua vida sofreu muito por causa de um tumor. Para o extirpar, foi submetido a duas operações durante as quais não exalou o menor gemido ou queixa, sustentando todo o tempo um crucifixo sobre o qual tinha fixos os olhos. Quando se sugeriu que antes da operação deveria ser atado, indicou o crucifixo, dizendo: "Este é o laço mais forte; isto me sujeitará melhor que qualquer corda o faria". A operação não teve êxito e São José morreu felizmente em 4 de fevereiro de 1612, na idade de cinquenta e oito anos. Foi canonizado em 1745.

BEATA MARIA DE MATTIAS

Fundadora (1805-1866)

João de Mattias era advogado em Vallecorsa, no limite do Lácio com a Campanha, Itália. Do casamento com Octávia de Angelis teve quatro filhos: a mais velha, Maria, nasceu a 4 de fevereiro de 1805. Apesar das infelicidades da época, ela recebeu educação cristã, devido ao pai, homem honrado e virtuoso, que a instruiu nos mistérios da religião. Como todas as meninas, ela gostava de se enfeitar. Até um dia em que,  ao ver-se ao espelho, ficou tão impressionada contemplando uma imagem de Nossa Senhora dependurada ao lado, que tomou imediatamente a resolução de renunciar ao mundo. Tinha acabado de fazer 17 anos quando S. Gaspar del Búfalo, fundador dos Missionários do Precioso Sangue (28 de Dezembro), veio pregar uma missão na paróquia dela. Fez-lhe grande impressão. Ao confessar-se, entrou plenamente nos projetos do padre, que eram de trabalhar na salvação das almas. Animou-a e, pouco depois, confiou-a a um dos seus melhores discípulos, aquele quem lhe devia suceder, João Merlini. Maria de Mattias conservou-o como diretor durante todo o resto da vida. Imitando os Missionários do Precioso Sangue, Maria de Mattias lançou-se a reunir em sua casa as jovens e até mulheres casadas, para as instruir na doutrina  cristã e as formar na piedade. Conseguiu-o tão bem que provocou tempestades de inveja. Para sossegar os espíritos, o bispo de Ferentino, seu prelado,  que era também administrador da diocese de Anâgni, convidou-a a tomar a seu cargo a escola de Acuto, em 1834. Logo a seguir, resolveu viver mais como religiosa do que na simples qualidade de mestre-escola. Uma grave doença, que ela acabou por vencer, não a afastou dos seus projetos. O prédio escolar bem depressa se mostrou demasiado pequeno e insalubre, o que a levou a transferir-se para uma casa muito mais espaçosa, que pertencia aos bispos de Anâgni. A chegada duma companheira, Ana Farrotti, decidiu-a a fundar, em 1835, uma congregação a corresponder, para o sexo feminino, à de Gaspar del Búfalo. Depressa estendeu esta a sua ação às jovens e às casadas. No fim de 1837, inaugurou os Exercícios Espirituais para as mães de família. O bom resultado provocou , por outro lado,  violentos ataques. O bispo mandou fazer um inquérito. Viu-se que as acusações eram falsas; a Madre Maria de Mattias não pregava na Igreja, o seu modo era calmo e silencioso, ela não era nada tagarela. E, assim o bispo concedeu-lhe aprovação plena. Em 1840, abriu ela outra escola na sua velha casa de família, em Vallecorsa. Seguiram-se rapidamente outras fundações e, entre 1847 e 1851, foram abertas duas casas em Roma, devido ao auxilio duma viúva russa, a princesa Zena Volkonska. O papa Pio IX animou Maria de Mattias. Mas as dificuldades e adversidades não cessaram por isso; a casa de Acuto foi assaltada e superioras houve, demasiado independentes, que, não compreendendo o espírito da fundação, lhe embargaram a atividade; e algumas irmãs, descontentes, difamavam o seu governo. Para manter a observância, tinha ela de visitar com assiduidade, apesar da sua má saúde, casas cujo número sem cessar crescia: criou sessenta. Caiu doente em Roma, e lá morreu a 20 de Agosto de 1866, no momento em que o Padre, que rezava o hino Vexilla regis, chegava à estrofe O Crux , ave spes única. O papa Pio IX quis ajudar a construção do seu túmulo em Agro Verrano, o grande cemitério de Roma. E a fundadora das Irmãs Adoradoras do Preciosíssimo Sangue foi beatificada por Pio XII, no dia 1 de Outubro de 1950. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuiitas.pt.

SANTA CATARINA DE RICCI

Virgem (1522-1589)

Nasceu em Florença, Itália, em 1522, e recebeu no baptismo os nomes de Alexandrina-Lucrécia-Rómula. Muito cedo perdeu a mãe e foi entregue aos cuidados da tia, Luísa de Ricci, religiosa da mesma cidade. O pai não a deixou estar longamente no convento; pensava prepará-la para que se casasse. Mas ela tanto insistiu que chegou a obter licença de seguir o próprio atrativo para a vida religiosa; tomou o véu aos 14 anos e mudou o nome para Catarina, no convento dominicano de Prato. Levou vida angélica e exercitou-se na prática de todas as virtudes. deu grande exemplo de paciência numa enfermidade prolongada e foi de exatidão extraordinária. passados cinco anos, confiaram-lhe o cargo de mestra das noviças e pouco depois o de subprioresa. Aos 25 anos, contra todas as suas resistências fizeram-ma prioresa, cargo que manteve durante 42 anos, até ao fim da vida. Duma sabedoria e prudência consumadas para dirigir as almas, duma dedicação e caridade a toda a prova, desempenhava os cargos mais humildes e tendia a viver na união mais íntima com Deus. Meditava sobretudo a sagrada Paixão, depressa objeto único das suas meditações, que a alheavam de tudo até ao êxtase. Esse estase começou para Catarina em Fevereiro de 1542, e renovou-se cada semana durante doze anos, desde quinta.-feira ao meio-dia até sexta-feira á tarde. Revia sempre a Paixão de Jesus. O corpo parecia suspenso do chão durante horas. Este favor cessou todavia, pois Catarina assim pediu ao Senhor e fez que o pedisse também a comunidade. Todavia o seu zelo não podia limitar-se ao convento; Catarina sentiu-se impelida a imolar-se como hóstia pacifica pela salvação do mundo, a ajudar os pobres distribuindo-lhes as generosidades que lhe vinham de fora, e a impor-se penitências e mortificações extraordinárias. Deusao mesmo tempo que lhe concedia o dom dos milagres, o espírito de profecia e a penetração dos segredos dos corações – sujeitava-o a diversos géneros de provas como as contradições e a fama de santidade que lhe pungia o coração. Catarina correspondia-se com S. Filipe de Néri e, como ambos tinham grande desejo de se ver, Deus concedeu-lhes este contentamento por uma visão durante a qual os dois falaram juntos; Filipe de Néri confirmou o facto. Do mesmo modo, Catarina e Maria Madalena de Pazzi estiveram em presença uma da outra. Tinha 66 anos de idade e 48 de profissão quando foi atacada de doença mortal. depois de óptimos conselhos as suas religiosas, entregou a alma a Deus entre cânticos angélicos que foram ouvidos pelos presentes. faleceu a 2 de fevereiro de 1589. Foi beatificada em 1732 e canonizada em 1746. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuiitas.pt.

• Juana (Joana) de Valois, Santa
  Rainha de França

Juana de Valois, Santa

Juana de Valois, Santa

Rainha de França
Fundadora da Ordem
da Santíssima Anunciação da Santa Virgem María

Martirológio Romano: Em Bourges, de Aquitânia, santa Juana de Valois, que sendo rainha de França, ao ser declarado nulo seu matrimónio com Luis XII se dedicou a servir a Deus, cultivando uma especial piedade para com a Santa Cruz e fundando a Ordem da Santíssima Anunciação da Santa Virgem Maria (1505). Não por ser filha do rei de França ia passando muito bem em sua vida; melhor se pode assegurar todo o contrário. O conjunto de sua existência foi uma mistura dos sofrimentos mais amargos aos que pode estar avocada uma pessoa. Nem querida, nem rica, nem agasalhada - como sucede com os príncipes e princesas-  nem galas, nem festas de palácio.Melhor tudo o contrário. Foi desprezada por seu pai o rei por desencanto ao esperar um filho varão e nascer-lhe uma fêmea. Pior assunto quando se descobre que a sua condição de mulher se acrescenta a fealdade de rosto e, por si fosse pouco, há que acrescentar o incipiente coxear. «Uma coisa assim» há que a tirar da Corte dos Valois. Será o castelo de Linières seu sitio para aprender a bordar. Ali passará uma vida monótona e solitária sem voltar a ver a sua mãe, Carlota de Sabóia, desde os cinco anos. Luis XI é, ainda que Valois, um tirano, dono de vidas e fazendas. Há querido casar a sua filha Juana com Luis de Orleães porque isso sim entra dentro de seu jogo e engrenagem política. Já o em todo disposto. Os Orleães se negam a aparentar com a feia, coxa e malquerida Juana; mas as ameaças de morte por parte do enojadiço rei são coisa séria e o matrimónio se celebra em 8 de Setembro de 1476 na capela de Montrichard, ainda que o noivo nem fale nem veja a noiva. A partir deste acontecimento, só há visitas do esposo à malquerida mulher quando o manda o rei. O duque Luis de Orleães - o esposo de palha - é levantisco; dá com seus ossos na cadeia por rebeldia e a boa esposa desprezada intercede por ele ante seu irmão, o novo rei Carlos VIII. Inesperadamente sobe ao trono francês o duque de Orleães por morte repentina de Carlos. Agora é o rei Luis XII e precipitadamente consegue a anulação do matrimónio.  Já Juana não é rainha, só duquesa de Berry. Retirada em Bourges funda a Ordem da Anunciação que honre à Virgem Maria, aprenda dela as virtudes e se desvela pelos pobres. É o ano 1504 quando ela faz sua própria profissão para morrer em santidade no ano 1505. A canonização solene será no Pentecostes de 1950. Com acrescento de matizes e divergências se pensa se a verdade desta vida é susceptível de ser narrada como uma real versão de «científica». Há reis, príncipes e palácios; abundam os desprezos mais que duradoiros, notáveis e bem sofridos; o final é feliz em ambos, se bem o do conto termina aqui enquanto que o verdadeiro é mais radiante; uma fada madrinha -com varita mágica- fez um papel fugaz entanto que a Virgem María prestou sua ajuda eficaz.

• Isidoro de Pelúsio, Santo
  Abade

Isidoro de Pelusio, Santo

Isidoro de Pelusio, Santo

Martirológio Romano: Em Pelusio, no Egipto, santo Isidoro, presbítero, homem de profunda doutrina, que, desprezando o mundo e as riquezas, tratou de imitar a vida de são Juan Bautista no deserto, vestindo o hábito monástico (c. 449). Etimologia: Isidoro = Dom de Ísis, é de origem grega. Nasceu em Alexandria na segunda metade do século IV, morreu não mais tarde de 449-50. Em ocasiões se o designa por erro como Isidoro de Damieta. Deixou sua família e propriedades, se retirou a uma perto da cidade de Pelusio, cujo nome se conectou logo ao dele, e abraçou a vida religiosa no mosteiro de Licnos, onde cedo foi famoso por sua exatidão na observância da regra e por sua austeridade. Uma passajem em sua volumosa correspondência oferece razões para crer que exercia o oficio de abade. Facundo e Suidas se referem a ele como sacerdote, ainda que nenhum destes escritores nos informam a que igreja pertencia; pode ser que não tivesse posto clerical, senão que só fosse sacerdote de um mosteiro. Sua correspondência nos dá uma ideia sobre sua atividade. O mostram pelejando contra clérigos indignos cuja elevação ao sacerdócio e ao diaconato era um sério perigo e escândalo para os fieis. Ele se queixava de que muitos laicos deixavam de receber os sacramentos para evitar contacto com estes homens desonrosos.  Sua veneração por São João Crisóstomo o fez propor a São Cirilo de Alexandria que fizesse completa justiça à memória do grande doutor. Se opôs aos nestorianos e durante o conflito que surgiu no fim do Concílio de Éfeso entre São Cirilo e João de Antioquia, ele pensou que São Cirilo estava muito obstinado. Portanto escreveu a este último em termos insistentes suplicando-lhe, como um filho a seu pai, que pusesse fim à divisão e não pusesse uma ofensa privada como um pretexto para uma ruptura eterna. Santo Isidoro ainda estava vivo quando a heresia de Eutiques começou a estender-se no Egipto; muitas de suas cartas lo descrevem como opondo-se à afirmação de uma só natureza em Jesus Cristo. Parece que sua vida não se prolongou mais além de 449, porque em suas cartas não se menciona o Concílio ladrão de Éfeso (agosto de 449) nem o Concílio de Calcedónia (451). Segundo Evagrio del Ponto, Santo Isidoro foi o autor de um grande número de escritos, mas o historiador não nos diz nada mais, excepto que um destes ia dirigido a Cirilo, inclusive deixando-nos na dúvida de se esta pessoa era o famoso bispo de Alexandria ou um homónimo. Isidoro mesmo diz incidentalmente que ele compôs um tratado “Adversus Gentiles” mas que se perdeu. Outra obra “De Fato”, da qual seu autor nos diz que teve certo grau de êxito, também se perdeu. As únicas obras existentes de Santo Isidoro são sua considerável correspondência, que compreendem cerca de duas mil cartas. Ainda este número parece ser pequeno comparado com a grande quantidade escrita, pois Santo Nicéforo fala de 10,000. Destas existem 2,182 divididas em cinco livros que contém respectivamente 590, 380, 413, 230 e 569 cartas. Estas cartas de Santo Isidoro podem ser divididas em três classes, de acordo ao tema tratado: as que tratam sobre o dogma e a Bíblia, sobre a disciplina eclesiástica e monástica e sobre a moralidade prática para guia dos laicos de todas classes e condições. Muitas destas cartas, como é natural, têm uma importância secundária, muitas são meras notas. Neste artigo se porá enfâse nas principais. Entre estas está a carta a Teológio contra os nestorianos, na qual Isidoro assinala que há uma grande diferença entre a mãe dos deuses nas fábulas e a Mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus, pois a primeira, segundo reconhecido pelos pagãos, concebiam e pariam os frutos da libertinagem, enquanto que María concebeu sem haver tido relação sexual com nenhum homem, como é reconhecido por todas as nações do mundo. Sua carta a Hierax defende a legitimidade da veneração das relíquias; a carta a Tuba mostra que era considerado impróprio para um soldado carregar uma espada na cidade em tempos de paz e aparecer em público com armas e uniforme militar. Suas cartas a pessoas na vida religiosa trazem muitas pistas importantes que nos permitem ter uma ideia bastante exata das normas intelectuais que existiam nos centros monásticos egípcios. Isidoro reprova ao monge Taleleo em estar interessado em ler a historiadores e poetas pagãos cujos escritos estavam cheios de fábulas, mentiras e obscenidades capazes de abrir feridas já sanadas e de chamar ao espírito da impureza à casa de onde havia sido deixado. Seu conselho a respeito aos que abraçavam o estado monástico era que ao principio não se fizesse sentir todo o rigor da austeridade da regra para que não lhes tomassem repulsão, e que não se lhes devia deixar ociosos e isentos das tarefas ordinárias para que não fossem a adquirir o hábito da preguiça, mas que se lhes devia guiar passo a passo à perfeição. As grandes abstinências não servem um grande propósito se não vão acompanhadas da mortificação dos sentidos. Num grande número das cartas de Santo Isidoro respeito ao estado monástico se deve notar que ele afirma que consiste principalmente no retiro e na obediência; que o retiro inclui olvidar todas as coisas que se hão deixado atrás e a renúncia a velhos hábitos, enquanto que a obediência se obtém mediante a mortificação da carne. O monge de um hábito deve ser de couro, e sua comida deve consistir de ervas, a menos que a debilidade corporal requeira algo mais, em cujo caso deve ser guiado pelo juízo de seu superior, pois ele não se deve governar a si mesmo, mas de acordo com a vontade dos que crescem na prática da vida religiosa. Ainda que a maioria sejam muito breves, a maioria das cartas de Isidoro contêm muita instrução, a qual a miúdo se expõe com elegância, ocasionalmente com uma certa arte literária. Seu estilo é natural, sem afectação, ainda que não carece de refinamento. A correspondência se caracteriza por uma imperturbável equanimidade de temperamento; já seja que esteja explicando ou reganhando, disputando ou elogiando, sempre há a mesma moderação, os mesmos sentimentos de sinceridade, o mesmo gosto sóbrio. Na explicação das Escrituras o santo não dissimula sua preferência pelo sentido moral e espiritual, o qual julga más útil para aqueles que o consultam. Por querer que se veja o que pratica e ensinava aos outros, quer dizer que sua vida correspondia com suas palavras (coerência), que  deve praticar o que ensina, e que não é suficiente indicar o que se deve fazer, se não se traduz suas palavras em ação.

• Gilberto de Sempringham, Santo
Fundador

Gilberto de Sempringham, Santo

Gilberto de Sempringham, Santo

Martirológio Romano: Em Sempringham, em Inglaterra, são Gilberto, presbítero, que fundou, com a aprovação do papa Eugénio III, uma Ordem monástica, em que impôs uma dupla disciplina: a Regra de são Bento para as monjas e a de santo Agostinho para os clérigos (1189). Etimologia: Gilberto = Aquele que é um famoso arqueiro, é de origem germânica. São Gilberto nasceu em Sempringham de Lincolnshire. Depois de sua ordenação sacerdotal, ensinou algum tempo numa escola gratuita; mas seu pai, que estava encarregado de repartir os benefícios eclesiásticos de Sempringham e Terrington, o elegeu para um deles em 1123. O santo distribuía as rendas aos pobres e só reservava uma mínima parte para cobrir suas necessidades.  Com seu exemplo, arrastou à santidade a muitos de seus paroquianos. Redigiu as regras para sete jovens que viviam em estrita clausura numa casa anexa desenvolveu rapidamente e, São Gilberto se viu obrigado a empregar irmãs e irmãos leigos nas terras da fundação. Em 1147, foi a Citeaux a pedir ao abade que tomasse a direção da comunidade; mas como os cistercienses não pudessem fazê-lo o Papa Eugénio III animou a São Gilberto a dirigi-la por si mesmo. São Gilberto completou a obra, acrescentando um grupo de canónicos regulares que exerciam as funções de capelães das religiosas. Tais foram as origens das Gilbertinas, a única ordem religiosa medieval que produziu Inglaterra. Sem embargo, excepto uma casa na Escócia, a fundação não se estendeu nunca mais além das fronteiras de Inglaterra, e se extinguiu na época da dissolução dos mosteiros, quando contava com vinte e seis conventos. As religiosas tinham as regras de São Bento, e os canónicos as de Santo Agostinho. Os conventos eram duplos, mas a ordem era principalmente feminina, ainda que o superior geral era um canónico. A disciplina era muito severa, com certa influência cisterciense. O desejo de simplicidade no  ornato das igrejas e no culto em geral chegou até a impor que o oficio se recitasse em tom simples, como mostra de humildade.  São Gilberto desempenhou por algum tempo o cargo de superior geral, mas renunciou a ele, pouco antes de sua morte, pois a perda da vista o impedia cumprir perfeitamente suas obrigações. Era tão abstinente, que seus contemporâneos se maravilhavam de que pudesse manter-se em vida, comendo tão pouco. Em sua mesa havia sempre o que ele chamava "o prato do Senhor Jesus", em que separava para os pobres o melhor da comida. Vestia uma camisa de cerdas, dormia sentado, e passava grande parte da noite em oração. Durante o desterro de Santo Tomás de Canterbury, foi acusado, junto com outros superiores de sua ordem, de lhe ter prestado ajuda. A acusação era falsa; mas São Gilberto preferiu a prisão e expor-se à supressão de sua ordem, antes que defender-se, para evitar a impressão de que condenava uma coisa boa e justa. Quando era já nonagenário, teve que suportar as calúnias de alguns irmãos leigos que se haviam rebelado.  São Gilberto morreu em 1189, aos 106 anos de idade, e foi canonizado em 1202. Se diz que o rei Luis VIII levou suas relíquias a Toulouse, onde se encontram provavelmente ainda, na igreja de São Sernín. As dioceses de Northampton e Nottíngham celebram a festa de São Gilberto no dia 3; os Canónicos de Latrão a celebram em 4 de Fevereiro, dia en que o comemora o Martirológio Romano.
Foi canonizado em 1202.

• Nicolás Estudita, Santo
Fevereiro 4   -  Monge

Nicolás Estudita, Santo

Nicolás Estudita, Santo

Martirológio Romano: Em Constantinopla, são Nicolás Estudita, monge, que foi exilado repetidas vezes por defender o culto das santas imagens e terminou seus dias como hegúmeno do mosteiro de Estudion (868). Etimologia: Nicolás = Aquele que é vencedor do povo ou da multidão, é de origem grega. Este Nicolás nasceu em Sidónia (ahora Canea) em Creta, de pais acomodados que o levaram aos dez anos de idade a Constantinopla com seu tio Teofanes, ao mosteiro de Studius. O abade ficou muito bem impressionado com o jovenzito e permitiu-lhe entrar na escola do mosteiro, onde cedo se distinguiu por sua docilidade e afinco para aprender. Na idade de 18 anos, se fez monge e se notou que a obediência à regra não representava nenhum obstáculo para ele, pois já havia chegado ao domínio de si mesmo.  Não estava destinado Nicolás para levar uma vida pacífica naqueles tumultuosos tempos. Os sarracenos saquearam seu lar em Creta, enquanto que em Constantinopla e Grécia a Igreja era cruelmente perseguida pelos imperadores iconoclastas. Não passou muito tempo sem que fossem desterrados Nicolás, o patriarca São Nicéforo, o abade São Teodoro e outros, e Nicolás fez tudo o que pôde para ajudar a seus companheiros e aliviar seus sofrimentos. Depois do assassinato de Leão V o arménio, a perseguição foi diminuindo e se permitiu aos expatriados voltar, mas em tais condições que nem todos aceitavam. Quando São Teodoro morreu, San Nicolás que havia sido um discípulo modelo para os demais, se converteu em seu guia e mestre. A perseguição durou até à morte do imperador Teófilo, em 842, quando sua viúva, Teodora, fez voltar aos servos de Deus desterrados e restituiu as imagens que se veneravam nas igrejas. Entre os que regressaram, estava o novo abade dos estuditas, a quem depois sucedeu São Nicolás.  Em dezembro de 858, começou uma tremenda disputa de grande transcendência, quando se destituiu a Santo Ignácio da sede patriarcal de Constantinopla e puseram a Photius, nomeado pelo imperador Miguel III. São Nicolás não quis ter nenhum trato com ele e se desterrou voluntariamente, negando-se a voltar à amizade de Miguel, que então nomeou outro abade. Por vários anos o santo andava errante, mas ao cabo foi preso e enviado de volta a seu mosteiro, onde foi posto em completo isolamento. Por esse motivo, não pôde obedecer o chamamento do Papa São Nicolás I, que desejava examiná-lo como testemunha em favor de Ignácio. Em 867, mataram a Miguel e seu sucessor, o imperador Basilio, não só restituiu a Santo Ignácio, mas que também desejou restabelecer o abade Nicolás, que, sem embargo, se escusou por sua avançada idade. Morreu entre seus monges e foi sepultado junto a São Teodoro, seu grande predecessor.

• Rabano "Mauro", Santo
Bispo

Rabano

Rabano "Mauro", Santo

Martirológio Romano: Em Maguncia, da Francónia, na Alemanha, santo Rabano, apelidado “Mauro”, bispo, que, sendo monge de Fulda, foi à sede de Maguncia, e homem douto em ciência e eloquente no falar, nunca deixou de levar a cabo tudo o que pudesse redundar a maior glória de Deus (856). Rabano, que nasceu em 784, provavelmente era nativo de Mainz, ainda que alguns escritores creiam que foi escocês ou irlandês. Seus pais foram seus primeiros mestres, e quem depois o levaram ao mosteiro próximo de Fulda, que São Bonifácio, o apóstolo inglês de Alemanha, havia fundado. A escola do mosteiro que se achava sob a direção do abade Bangulfo era muito famosa, e Rabano correspondeu com muito afinco à instrução.  Cedo chegou a ser a admiração de seus mestres e condiscípulos, por seu grande talento à rapidez com que aprendia. Para completar sua educação, foi enviado com seu amigo Hatto a estudar um ano em Tours, sob o cuidado de outro grande inglês, o douto conselheiro de Carlomagno, Alcuino. Nele encontrou um mestre ideal e um segundo padre. Alcuino lhe teve muito afecto e o apodou de Mauro, pelo discípulo favorito de São Bento, e quando o jovem havia regressado a Fulda, escreveu-lhe cartas comovedoras cheias de conselhos. "Sê um pai para os pobres e necessitados", lhe disse numa delas, "sê humilde a servir aos demais, generoso ao outorgar benefícios e assim descerão sobre ti suas bênçãos".  Em Fulda havia uma magnífica biblioteca fundada por Carlomagno e enriquecida pelo zelo dos amanuenses monásticos. Ali trabalhava Rabano, buscando como compreender e poder explicar as Sagradas Escrituras, sobre as que depois escreveu muitos comentários. Aprendeu o grego, o hebreu, algo de siríaco e estudou os Padres e fez uma sinopse de seus ensinamentos.  Cerca do ano 799, recebeu a ordenação de diácono e foi nomeado diretor  da escola do mosteiro. Por esse mesmo tempo compôs uns versos métricos em forma de acróstico em honra da Santa Cruz. Em 805 os monges, tiveram uma época muito dura, quando a fome seguiu a peste. Mais duro se fez a Rabano abandonar seus amados livros para se dedicar a um trabalho manual, para o qual era bastante inepto. O abade Ratgar havia dado a ordem de que todos os monges trabalhassem na obra de construção. Se ordenou de sacerdote em 815, e sob o abade Egilius, retomou seu labor escolástico como professor. Nunca omitiu nenhuma das práticas prescritas por sua ordem, ainda que seu trabalho de ensinar e de escrever lhe levassem muito tempo.  Em 822, chegou a ser abade e provavelmente foi então quando escreveu a maioria de suas obras, particularmente as sessenta e quatro homilias que hão chegado até nós e que ilustram seu competente método de ensinar, (ainda que se queixasse tristemente de que "é um grande impedimento  procurar que estes jovens tenham o suficiente para comer"). Era tão obediente à Santa Sede, que era chamado "o escravo do Papa", e aborrecia de tal modo a heresia, que para ele todo herege era um anticristo; se baseava na autoridade dos Padres para tudo o referente a assuntos dogmáticos e desconfiava das inovações. Sua fama se havia estendido tanto, que o encontramos continuamente em sínodos e concílios, em diversas cidades. Acabou os edifícios do mosteiro e construiu igrejas e oratórios em todas as quintas que pertenciam a sua casa. Também construiu um ou dois mosteiros. Renunciou a seu cargo em favor de seu amigo Hatto e parece que viveu algum tempo no recolhimento, mas em 847 foi nomeado arcebispo de Mainz, apesar de ter nessas datas já 71 anos de idade.  Daí em diante, Rabano viveu talvez mais ativamente que nunca: jamais suavizou sua antiga regra de vida, não bebia vinho nem comia carne. Três meses depois de haver sido eleito arcebispo, convocou um sínodo, que deu como resultado uma série de resoluções referentes na sua totalidade a uma observância mais estrita das leis da Igreja. Estas regulamentações ganharam adversários ao novo arcebispo; se formou uma conspiração contra sua vida, mas se descobriu, e ele perdoou aos conspiradores magnanimamente. Um segundo sínodo teve lugar em 852 e Rabano contribuiu a que se condenassem as doutrinas do monge Gottschalk, que havia estado difundindo doutrinas heréticas sobre a graça e a predestinação, baseado sobre um exagero dos ensinamentos de Santo Agostinho. Rabano conservou suas energias quase até ao fim. Viajava pela diocese com sacerdotes letrados, ensinando, pregando e reconciliando aos pecadores com Deus. Certa vez que houve fome na região, alimentou diariamente a 300 pobres em sua casa e continuou em seus trabalhos e seus escritos até que sua saúde se quebrou por completo. Pouco antes de sua morte, em 856, teve que guardar cama. O beato Rabano foi um dos homens mais ilustres de sua época.

 

• Fileas e Filoromo, Santos
Mártires,

Fileas y Filoromo, Santos

Fileas y Filoromo, Santos

Martirológio Romano: En Alexandria, no Egipto, paixão dos santos mártires Fileas, bispo de Thmuis, e Filoromo, tribuno militar, que durante a perseguição sob o imperador Diocleciano, não podendo ser persuadidos pelos amigos a pensar em si mesmos, obtiveram do Senhor a palma do martírio ao ser degolados (c. 306).  Fileas pertencia a uma das famílias mais nobres e mais antigas do baixo Egipto. Era originário de Thmuis, ocupou altos cargos, desempenhou funções públicas e possuía amplos conhecimentos filosóficos. Provavelmente se converteu ao cristianismo em idade madura, sendo logo eleito bispo de sua cidade natal. Paralelamente, Filoromo ocupava um alto posto administrativo em Alexandria, e também ele se converteu ao cristianismo tardiamente. Ambos foram feitos prisioneiros ao mesmo tempo e sem dúvida estiveram na masmorra os últimos meses do ano 306. Neste lapso, Fileas dirigiu uma carta aos fiéis de sua diocese exortando-os a seguir firme na fé a Cristo ainda depois de sua iminente morte. Posteriormente, os dois mártires foram interrogados por Culciano, prefeito de Egipto e ao manterem-se firmes á sua adesão a Jesús, foram condenados a ser decapitados.

 

•Outros Santos e Beatos
  Completando o santoral deste dia

Santo Eutíquio, mártir

Em Roma, nas catacumbas da via Ápia, santo Eutiquio, mártir, que durante muito tempo foi castigado com insónias e fome e, finalmente, atirado a uma profunda cavidade. Com sua fé em Cristo venceu a crueldade do tirano (s. inc.).

Santos Papías, Diodoro e Claudiano, mártires

Em Perge, de Pamfilia, santos Papías, Diodoro e Claudiano, mártires (s. III).

São João Speed, mártir

Em Durham, em Inglaterra, beato Juan Speed, mártir, que, durante o reinado de Isabel I, por haver auxiliado a uns sacerdotes alcançou a palma do martírio ao ser degolado (1594).

Santo Aventino, bispo

Em Châteaudun perto de Chartres, na Gália, trânsito de santo Aventino, bispo, que havia ocupado a mencionada sede de Chartres (c. 511).

Santo Aventino, laico

Em Troyes, na Gália Lugdunense, santo Aventino, que foi servidor de santo Lupo, bispo (c. 537).

SAN AVENTINO DE TROYES

93976 > Beati Alfonso de Meneses e Dionisio de Vilaregut Mercedari 
91880 > Santa Ammonisia Vergine e martire Prima domenica di febbraio
93512 > Sant' Aventino di Chartres Vescovo  MR
92200 > Sant' Aventino di Troyes  MR
39510 > Sant' Eutichio di Roma Martire MR
39530 > Santi Filea e Filoromo Martiri  MR
39500 > San Gilberto di Limerick Vescovo 
39550 > San Gilberto di Sempringham  MR
39600 > Santa Giovanna di Valois Regina di Francia, religiosa MR
39625 > San Giovanni de Britto Martire  MR
39580 > Beato Giovanni Speed Martire  MR
90380 > San Giuseppe (Desideri) da Leonessa  MR
90236 > Sant' Imerio di Bosto Pellegrino e martire 
39540 > Sant' Isidoro di Pelusio Abate  MR
92278 > Beati Martiri Gesuiti in Giappone 
39570 > San Nicola Studita Abate  MR
39520 > Santi Papia, Diodoro e Claudiano Martiri  MR
91530 > San Rabano Mauro Abate di Fulda 4 MR

http://es.catholic.net/santoralwww.santiebeati.itwww.jesuitas.pt

Recolha, transcrição e tradução de espanhol para português por

 António Fonseca