OS MEUS DESEJOS PARA TODOS

RecadosOnline.com

domingo, 17 de abril de 2011

DOMINGO DE RAMOS–17 DE ABRIL DE 2011–IGREJA DA COMUNIDADE DE S. PAULO DO VISO

 

Hoje, na Comunidade de S. Paulo do Viso, como aliás, em todas as igrejas e paróquias da Diocese do Porto e de todo o Mundo Católico também, celebra-se a Festividade do Domingo de Ramos ou da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Seguem-se algumas fotos do acontecimento.

Imagem2274Imagem2275Imagem2277Imagem2278

Imagem2280

Imagem2281

Imagem2283

António Fonseca

ANO A - DOMINGO DE RAMOS - 17 de ABRIL de 2011

ANO A
DOMINGO DE RAMOS
Tema do Domingo de Ramos

A liturgia deste último domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor. A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação. Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e concretizou, com teimosa fidelidade, os projectos de Deus. Os primeiros cristãos viram neste “servo” a figura de Jesus. A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo. Ele prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher a obediência ao Pai e o serviço aos homens, até ao dom da vida. É esse mesmo caminho de vida que a Palavra de Deus nos propõe. O Evangelho convida-nos a contemplar a paixão e morte de Jesus: é o momento supremo de uma vida feita dom e serviço, a fim de libertar os homens de tudo aquilo que gera egoísmo e escravidão. Na cruz, revela-se o amor de Deus – esse amor que não guarda nada para si, mas que se faz dom total.
LEITURA I – Is 50,4-7
Leitura do Livro de Isaías
O Senhor deu-me a graça de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar, como escutam os discípulos. O Senhor Deus abriu-me os ouvidos e eu não resisti nem recuei um passo. Apresentei as costas àqueles que me batiam, e a face aos que me arrancavam a barba; não desviei o meu rosto dos que me insultavam e cuspiam. Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio, e, por isso, não fiquei envergonhado; tornei o meu rosto duro como pedra, e sei que não ficarei desiludido.
AMBIENTE
No livro do Deutero-Isaías (Is 40-55), encontramos quatro poemas que se destacam do resto do texto (cf. Is 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12). Apresentam-nos uma figura enigmática de um “servo de Jahwéh”, que recebeu de Deus uma missão. Essa missão tem a ver com a Palavra de Deus e tem carácter universal; concretiza-se no sofrimento, na dor e no abandono incondicional à Palavra e aos projectos de Deus. Apesar de a missão terminar num aparente insucesso, a dor do profeta não foi em vão: ela tem um valor expiatório e redentor; do seu sofrimento resulta o perdão para o pecado do Povo. Deus aprecia o sacrifício do profeta e recompensá-lo-á, elevando-o à vista de todos, fazendo-o triunfar dos seus detractores e adversários. Quem é este profeta? É Jeremias, o paradigma do profeta que sofre por causa da Palavra? É o próprio Deutero-Isaías, chamado a dar testemunho da Palavra no ambiente hostil do Exílio? É um profeta desconhecido? É uma figura colectiva, que representa o Povo exilado, humilhado, esmagado, mas que continua a dar testemunho de Deus, no meio das outras nações? É uma figura representativa, que une a recordação de personagens históricas (patriarcas, Moisés, David, profetas) com figuras míticas, de forma a representar o Povo de Deus na sua totalidade? Não sabemos; no entanto, a figura apresentada nesses poemas vai receber uma outra iluminação à luz de Jesus Cristo, da sua vida, do seu destino. O texto que nos é proposto é parte do terceiro cântico do “servo de Jahwéh”.
MENSAGEM
O texto dá a palavra a um personagem anónimo, que fala do seu chamamento por Deus para a missão. Ele não se intitula “profeta”; porém, narra a sua vocação com os elementos típicos dos relatos proféticos de vocação. Em primeiro lugar, a missão que este “profeta” recebe de Deus tem claramente a ver com o anúncio da Palavra. O profeta é o homem da Palavra, através de quem Deus fala; a proposta de redenção que Deus faz a todos aqueles que necessitam de salvação/libertação ecoa na palavra profética. O profeta é inteiramente modelado por Deus e não opõe resistência nem ao chamamento, nem à Palavra que Deus lhe confia; mas tem de estar, continuamente, numa atitude de escuta de Deus, para que possa depois apresentar – com fidelidade – essa Palavra de Deus para os homens. Em segundo lugar, a missão profética concretiza-se no sofrimento e na dor. É um tema sobejamente conhecido da literatura profética: o anúncio das propostas de Deus provoca resistências que, para o profeta, se consubstanciam, quase sempre, em dor e perseguição. No entanto, o profeta não se demite: a paixão pela Palavra sobrepõe-se ao sofrimento. Em terceiro lugar, vem a expressão de confiança no Senhor, que não abandona aqueles a quem chama. A certeza de que não está só, mas de que tem a força de Deus, torna o profeta mais forte do que a dor, o sofrimento, a perseguição. Por isso, o profeta “não será confundido”.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode tocar os seguintes aspectos:
• Não sabemos, efectivamente, quem é este “servo de Jahwéh”; no entanto, os primeiros cristãos vão utilizar este texto como grelha para interpretar o mistério de Jesus: Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida para trazer a salvação/libertação aos homens… A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e de entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na ressurreição que gera vida nova.
Jesus, o “servo” sofredor, que faz da sua vida um dom por amor, mostra aos seus seguidores o caminho: a vida, quando é posta ao serviço da libertação dos pobres e dos oprimidos, não é perdida mesmo que pareça, em termos humanos, fracassada e sem sentido. Temos a coragem de fazer da nossa vida uma entrega radical ao projecto de Deus e à libertação dos nossos irmãos? O que é que ainda entrava a nossa aceitação de uma opção deste tipo?
Temos consciência de que, ao escolher este caminho, estamos a gerar vida nova, para nós e para os nossos irmãos?
Temos consciência de que a nossa missão profética passa por sermos Palavra viva de Deus?
Nas nossas palavras, nos nossos gestos, no nosso testemunho, a proposta libertadora de Deus alcança o mundo e o coração dos homens?
SALMO RESPONSORIAL – Salmo 21 (22)
Refrão: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?
Todos os que me vêem escarnecem de mim,
estendem os lábios e meneiam a cabeça:
«
Confiou no Senhor, Ele que o livre,
Ele que o salve, se é seu amigo
».
Matilhas de cães me rodearam,
cercou-me um bando de malfeitores.
Trespassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.
Repartiram entre si as minhas vestes
e deitaram sortes sobre a minha túnica.
Mas Vós, Senhor, não Vos afasteis de mim,
sois a minha força, apressai-Vos a socorrer-me.
Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós, que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Jacob,
reverenciai-O, vós todos os filhos de Israel.
LEITURA II – Fil 2,6-11
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses
Cristo Jesus, que era de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus,
mas aniquilou-Se a Si próprio. Assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
AMBIENTE
A cidade de Filipos era uma cidade próspera, com uma população constituída maioritariamente por veteranos romanos do exército. Organizada à maneira de Roma, estava fora da jurisdição dos governantes das províncias locais e dependia directamente do imperador; gozava, por isso, dos mesmos privilégios das cidades de Itália. A comunidade cristã, fundada por Paulo, era uma comunidade entusiasta, generosa, comprometida, sempre atenta às necessidades de Paulo e do resto da Igreja (como no caso da colecta em favor da Igreja de Jerusalém – cf. 2 Cor 8,1-5), por quem Paulo nutria um afecto especial. Apesar destes sinais positivos, não era, no entanto, uma comunidade perfeita… O desprendimento, a humildade e a simplicidade não eram valores demasiado apreciados entre os altivos patrícios que compunham a comunidade. É neste enquadramento que podemos situar o texto que esta leitura nos apresenta. Paulo convida os Filipenses a encarnar os valores que marcaram a trajectória existencial de Cristo; para isso, utiliza um hino pré-paulino, recitado nas celebrações litúrgicas cristãs: nesse hino, ele expõe aos cristãos de Filipos o exemplo de Cristo.
MENSAGEM
Cristo Jesusnomeado no princípio, no meio e no fim – constitui o motivo do hino. Dado que os Filipenses são cristãos – quer dizer, dado que Cristo é o protótipo a cuja imagem estão configurados – têm a iniludível obrigação de comportar-se como Cristo. Como é o exemplo de Cristo? O hino começa por aludir subtilmente ao contraste entre Adão (o homem que reivindicou ser como Deus e Lhe desobedeceu – cf. Gn 3,5.22) e Cristo (o Homem Novo que, ao orgulho e revolta de Adão responde com a humildade e a obediência ao Pai). A atitude de Adão trouxe fracasso e morte; a atitude de Jesus trouxe exaltação e vida. Em traços precisos, o hino define o “despojamento” (“kenosis”) de Cristo: Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-Se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Não deixou de ser Deus; mas aceitou descer até aos homens, fazer-Se servidor dos homens, para garantir vida nova para os homens. Esse “abaixamento” assumiu mesmo foros de escândalo: Jesus aceitou uma morte infamante – a morte de cruz – para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical, da entrega total da vida. No entanto, essa entrega completa ao plano do Pai não foi uma perda nem um fracasso: a obediência e entrega de Cristo aos projectos do Pai resultaram em ressurreição e glória. Em consequência da sua obediência, do seu amor, da sua entrega, Deus fez d’Ele o “Kyrios” (“Senhor” – nome que, no Antigo Testamento, substituía o nome impronunciável de Deus); e a humanidade inteira (“os céus, a terra e os infernos”) reconhece Jesus como “o Senhor” que reina sobre toda a terra e que preside à história. É óbvio o apelo à humildade, ao desprendimento, ao dom da vida, que Paulo aqui faz aos Filipenses e a todos os crentes: o cristão deve ter como exemplo esse Cristo, servo sofredor e humilde, que fez da sua vida um dom a todos. Esse caminho não levará ao aniquilamento, mas à glória, à vida plena.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir dos seguintes desenvolvimentos:
• Os valores que marcaram a existência de Cristo continuam a não ser demasiado apreciados no séc. XXI. De acordo com os critérios que presidem à construção do nosso mundo, os grandes “ganhadores” não são os que põem a sua vida ao serviço dos outros, com humildade e simplicidade, mas são os que enfrentam o mundo com agressividade, com auto-suficiência e fazem por ser os melhores, mesmo que isso signifique não olhar a meios para passar à frente dos outros.
Como pode um cristão (obrigado a viver inserido neste mundo e a ser competitivo) conviver com estes valores?
Paulo tem consciência de que está a pedir aos seus cristãos algo realmente difícil; mas é algo que é fundamental, à luz do exemplo de Cristo. Também a nós é pedido, nestes últimos dias antes da Páscoa, um passo em frente neste difícil caminho da humildade, do serviço, do amor: será possível que, também aqui, sejamos as testemunhas da lógica de Deus?
• Os acontecimentos que, nesta semana, vamos celebrar, garantem-nos que o caminho do dom da vida não é um caminho de “perdedores” e fracassados: o caminho do dom da vida conduz ao sepulcro vazio da manhã de Páscoa, à ressurreição. É um caminho que garante a vitória e a vida plena.

ACLAMAÇÃO ANTES DO EVANGELHO – Filip 2,8-9
Escolher um dos refrães:
Refrão 1: Louvor e glória a Vós, Jesus Cristo, Senhor.
Refrão 2: Glória a Vós, Jesus Cristo, Sabedoria do Pai.
Refrão 3: Glória a Vós, Jesus Cristo, Palavra do Pai.
Refrão 4: Glória a Vós, Senhor, Filho do Deus vivo.
Refrão 5: Louvor a Vós, Jesus Cristo, Rei da eterna glória.
Refrão 6: Grandes e admiráveis são as vossas obras, Senhor.
Refrão 7: A salvação, a glória e o poder a Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Cristo obedeceu até à morte e morte de cruz.
Por isso Deus O exaltou
e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes.

EVANGELHO – Mt 26,14 - 27,66
N Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
N Naquele tempo, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os príncipes dos sacerdotes e disse-lhes:
R «Que estais dispostos a dar-me para vos entregar Jesus?»
N Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. E a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para O entregar. No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe:
R «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?»
N Ele respondeu:
J «Ide à cidade, a casa de tal pessoa, e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo. É em tua casa que eu quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos’».
N Os discípulos fizeram como Jesus lhes tinha mandado, e prepararam a Páscoa.
N Ao cair da noite, sentou-Se à mesa com os Doze. Enquanto comiam, declarou:
J «Em verdade vos digo: Um de vós há-de entregar-Me».
N Profundamente entristecidos, começou cada um a perguntar-Lhe:
R «Serei eu, Senhor?»
N Jesus respondeu:
J «Aquele que meteu comigo a mão no prato é que há-de entregar-Me. O Filho do homem vai partir, como está escrito acerca d’Ele. Mas ai daquele por quem o Filho do homem vai ser entregue! Melhor seria para esse homem não ter nascido».
N Judas, que O ia entregar, tomou a palavra e perguntou:
R «Serei eu, Mestre?»
N Respondeu Jesus:
J «Tu o disseste».
N Enquanto comiam, Jesus tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo:
J «Tomai e comei: Isto é o meu Corpo».
N Tomou em seguida um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo:
J «Bebei dele todos, porque este é o meu Sangue, o Sangue da aliança, derramado pela multidão, para remissão dos pecados. Eu vos digo que não beberei mais deste fruto da videira, até ao dia em que beberei convosco o vinho novo no reino de meu Pai».
N Cantaram os salmos e seguiram para o Monte das Oliveiras.
N Então, Jesus disse-lhes:
J «Todos vós, esta noite, vos escandalizareis por minha causa, como está escrito:
‘Ferirei o pastor e dispersar-se-ão as ovelhas do rebanho’. Mas, depois de ressuscitar,
preceder-vos-ei a caminho da Galileia».
N Pedro interveio, dizendo:
R «Ainda que todos se escandalizem por tua causa, eu não me escandalizarei».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes do galo cantar, Me negarás três vezes».
N Pedro disse-lhe:
R «Ainda que tenha de morrer contigo, não Te negarei».
N E o mesmo disseram todos os discípulos.
N Então, Jesus chegou com eles a uma propriedade, chamada Getsémani e disse aos discípulos:
J «Ficai aqui, enquanto Eu vou além orar».
N E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se. Disse-lhes então:
J «A minha alma está numa tristeza de morte. Ficai aqui e vigiai comigo».
N E adiantando-Se um pouco mais, caiu com o rosto por terra, enquanto orava e dizia:
J «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice. Todavia, não se faça como Eu quero, mas como Tu queres».
N Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro:
J «Nem sequer pudestes vigiar uma hora comigo! Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca».
N De novo Se afastou, pela Segunda vez, e orou, dizendo:
J «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade».
N Voltou novamente e encontrou-os a dormir, pois os seus olhos estavam pesados de sono. Deixou-os e foi de novo orar, pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras.
Veio então ao encontro dos discípulos e disse-lhes:
J «Dormi agora e descansai. Chegou a hora em que o Filho do homem vai ser entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos. Aproxima-se aquele que Me vai entregar».
N Ainda Jesus estava a falar, quando chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma grande multidão, com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes
e pelos anciãos do povo. O traidor tinha-lhes dado este sinal:
R «Aquele que eu beijar, é esse mesmo. Prendei-O».
N Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse-Lhe:
R «Salve, Mestre!».
N E beijou-O. Jesus respondeu-lhe:
J «Amigo, a que vieste?».
N Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-n’O. Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do sumo sacerdote,cortando-lhe uma orelha. Jesus disse-lhe:
J «Mete a tua espada na bainha, pois todos os que puxarem da espada morrerão à espada. Pensas que não posso rogar a meu Pai que ponha já ao meu dispor mais de doze legiões de Anjos? Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim tem de acontecer?».
N Voltando-Se depois para a multidão, Jesus disse:
J «Viestes com espadas e varapaus para Me prender como se fosse um salteador! Eu estava todos os dias sentado no templo a ensinar e não Me prendestes... Mas, tudo isto aconteceu para se cumprirem as Escrituras das profetas».
N Então todos os discípulos O abandonaram e fugiram.
N Os que tinham prendido Jesus levaram-n’O à presença do sumo sacerdote Caifás,
onde os escribas e os anciãos se tinham reunido. Pedro foi-O seguindo de longe, até ao palácio do sumo sacerdote. Aproximando-se, entrou e sentou-se com os guardas, para ver como acabaria tudo aquilo. Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus para O condenarem à morte,
mas não o encontravam, embora se tivessem apresentado muitas testemunhas falsas.
Por fim, apresentaram-se duas que disseram:
R «Este homem afirmou: ‘Posso destruir o templo de Deus e reconstruí-lo em três dias’».
N Então, o sumo sacerdote levantou-se e disse a Jesus:
R «Não respondes nada? Que dizes ao que depõem contra Ti?»
N Mas Jesus continuava calado. Disse-Lhe o sumo sacerdote: «Eu Te conjuro pelo Deus vivo, que nos declares se és Tu o Messias, o Filho de Deus».
N Jesus respondeu-lhe:
J «Tu o disseste. E Eu digo-vos: vereis o Filho do homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu».
N Então, o sumo sacerdote rasgou as vestes, dizendo:
R «Blasfemou. Que necessidade temos de mais testemunhas? Acabais de ouvir a blasfémia. Que vos parece?»
N Eles responderam:
R «É réu de morte».
N Cuspiram-Lhe então no rosto e deram-Lhe punhadas. Outros esbofeteavam-n’O, dizendo:
R «Adivinha, Messias: quem foi que Te bateu?»
N Entretanto, Pedro estava sentado no pátio. Uma criada aproximou-se dele e disse-lhe:
R «Tu também estavas com Jesus, o galileu».
N Mas ele negou diante de todos, dizendo:
R «Não sei o que dizes».
N Dirigindo-se para a porta, foi visto por outra criada que disse aos circunstantes:
R «Este homem estava com Jesus de Nazaré».
N E, de novo, ele negou com juramento:
R «Não conheço tal homem».
N Pouco depois, aproximaram-se os que ali estavam e disseram a Pedro:
R «Com certeza tu és deles, pois até a fala te denuncia».
N Começou então a dizer imprecações e a jurar:
R «Não conheço tal homem».
N E, imediatamente, um galo cantou. Então, Pedro lembrou-se das palavras que Jesus dissera: «Antes do galo cantar, tu Me negarás três vezes». E, saindo, chorou amargamente. Ao romper da manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para Lhe darem a morte. Depois de Lhe atarem as mãos, levaram-n’O e entregaram-n’O ao governador Pilatos. Então Judas, que entregara Jesus, vendo que Ele tinha sido condenado, tocado pelo remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
R «Pequei, entregando sangue inocente».
N Mas eles replicaram:
R «Que nos importa? É lá contigo».
N Então, arremessou as moedas para o santuário, saiu dali e foi-se enforcar. Mas os príncipes dos sacerdotes apanharam as moedas e disseram:
R «Não se podem lançar no tesouro, porque são preço de sangue».
N E, depois de terem deliberado, compraram com elas o Campo do Oleiro. Por este motivo se tem chamado àquele campo, até ao dia de hoje, «Campo de Sangue».
Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta: «Tomaram trinta moedas de prata, preço em que foi avaliado Aquele que os filhos de Israel avaliaram e deram-nas pelo Campo do Oleiro, como o Senhor me tinha ordenado».
N Entretanto, Jesus foi levado à presença do governador, que lhe perguntou:
R «Tu és o Rei dos judeus?»
N Jesus respondeu:
J «É como dizes».
N Mas, ao ser acusado pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu. Disse-Lhe então Pilatos:
R «Não ouves quantas acusações levantam contra Ti?»
N Mas Jesus não respondeu coisa alguma, a ponto de o governador ficar muito admirado. Ora, pela festa da Páscoa, o governador costumava soltar um preso, à escolha do povo. Nessa altura, havia um preso famoso, chamado Barrabás. E, quando eles se reuniram, disse-lhes:
R «Qual quereis que vos solte?» Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?»
N Ele bem sabia que O tinham entregado por inveja. Enquanto estava sentado no tribunal, a mulher mandou-lhe dizer:
R «Não te prendas com a causa desse justo, pois hoje sofri muito em sonhos por causa d’Ele».
N Entretanto, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão a que pedisse Barrabás e fizesse morrer Jesus. O governador tomou a palavra e perguntou-lhes:
R «Qual dos dois quereis que vos solte?»
N Eles responderam:
R «Barrabás».
N Disse-lhes Pilatos:
R «E que hei-de fazer de Jesus, chamado Cristo?»
N Responderam todos:
R «Seja crucificado».
N Pilatos insistiu:
R «Que mal fez Ele?»
N Mas eles gritavam cada vez mais:
R «Seja crucificado».
N Pilatos insistiu:
R «Que mal fez Ele?»
N Mas eles gritavam cada vez mais:
R «Seja crucificado».
N Pilatos, vendo que não conseguia nada e aumentava o tumulto, mandou vir água
e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo:
R «Estou inocente do sangue deste homem. Isso é lá convosco».
N E todo o povo respondeu:
R «O seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos».
N Soltou-lhes então Barrabás.E, depois de ter mandado açoitar Jesus, entregou-lh’O para ser crucificado. Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório
e reuniram à volta d’Ele toda a coorte. Tiraram-Lhe a roupa e envolveram-n’O num manto vermelho. Teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça e colocaram uma cana na sua mão direita. Ajoelhando diante d’Ele, escarneciam-n’O, dizendo:
R «Salve, rei dos judeus!»
N Depois, cuspiam-Lhe no rosto e, pegando na cana, batiam-Lhe com ela na cabeça.
Depois de O terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, vestiram-Lhe as suas roupas e levaram-n’O para ser crucificado.
N Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e requisitaram-no para levar a cruz de Jesus. Chegados a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do Calvário, deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Mas Jesus, depois de o provar, não quis beber. Depois de O terem crucificado, repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, e ficaram ali sentados a guardá-l’O. Por cima da sua cabeça puseram um letreiro, indicando a causa da sua condenação: «Este é Jesus, o rei dos judeus». Foram crucificados com Ele dois salteadores, um à direita e outro à esquerda.
Os que passavam insultavam-n’O e abanavam a cabeça, dizendo:
R «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo; Se és Filho de Deus, desce da cruz».
N Os príncipes dos sacerdotes, juntamente com os escribas e os anciãos, também troçavam d’Ele, dizendo:
R «Salvou os outros e não pode salvar-Se a Si mesmo! Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz e acreditaremos n’Ele. Confiou em Deus: Ele que O livre agora, se O ama,
porque disse: ‘Eu sou Filho de Deus’».
N Até os salteadores crucificados com Ele o insultavam. Desde o meio-dia até às três horas da tarde, as trevas envolveram toda a terra. E, pelas três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte:
J «Eli, Eli, lema sabachtani!»,
N que quer dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonastes?» Alguns dos presentes, ouvindo isto, disseram:
R «Está a chamar por Elias».
N Um deles correu a tomar uma esponja, embebeu-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana e deu-Lhe a beber. Mas os outros disseram:
R «Deixa lá. Vejamos se Elias vem salvá-l’O».
N E Jesus, clamando outra vez com voz forte, expirou.
N Então, o véu do templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus,
entraram na cidade santa e apareceram a muitos. Entretanto, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, ao verem o tremor de terra e o que estava a acontecer, ficaram aterrados e disseram:
R «Este era verdadeiramente Filho de Deus».
N Estavam ali, a observar de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, para O servirem. Entre elas encontrava-se Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se tinha tornado discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. E Pilatos ordenou que lho entregassem. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol limpo e depositou-o no seu sepulcro novo
que tinha mandado escavar na rocha. Depois rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro, e retirou-se. Entretanto, estavam ali Maria Madalena e a outra Maria,
sentadas em frente do sepulcro. No dia seguinte, isto é, depois da Preparação, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos e disseram-lhe:
R «Senhor, lembrámo-nos do que aquele impostor disse quando ainda era vivo:
‘Depois de três dias ressuscitarei’. Por isso, manda que o sepulcro seja mantido em segurança até ao terceiro dia, para que não venham os discípulos roubá-lo e dizer ao povo: ‘Ressuscitou dos mortos’. E a última impostura seria pior do que a primeira».
N Pilatos respondeu:
R «Tendes à vossa disposição a guarda: ide e guardai-o como entenderdes».
N Eles foram e guardaram o sepulcro, selando a pedra e pondo a guarda.
AMBIENTE
O Evangelho segundo Mateus começa por apresentar Jesus (cf. Mt 1,1-4,22). Descreve, depois, o anúncio central de Jesus: nas suas palavras e nos seus gestos, Jesus anuncia esse mundo novo a que Ele chama “o Reino dos céus” (cf. Mt 4,23-9,35). Do anúncio do “Reino” nasce a comunidade dos discípulos – isto é, nasce um grupo que assimila as propostas de Jesus (cf. Mt 9,36-12,50). Os discípulos são a “comunidade do Reino”: instruídos por Jesus, formados na mentalidade do “Reino”, os discípulos recebem a missão de testemunhar o “Reino”, após a partida de Jesus (cf. Mt 13,1-17,27). Na parte final do seu Evangelho, Mateus descreve a ruptura final de Jesus com o judaísmo (cf. Mt 18,1-25,46) e o final do caminho de Jesus: a paixão, morte e ressurreição (cf. Mt 26,1-28,15). A leitura que hoje nos é proposta é o relato da paixão de Jesus. Descreve como o anúncio do Reino choca com a mentalidade da opressão e, portanto, conduz à cruz e à morte; no entanto, não podemos dissociar os acontecimentos da paixão daqueles que celebraremos no próximo domingo: a ressurreição é a prova de que Jesus veio de Deus e tinha um mandato do Pai para tornar realidade no mundo o “Reino dos céus”.
MENSAGEM
A morte de Jesus tem de ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus apercebeu-Se de que o Pai O chamava a uma missão: anunciar esse mundo novo, de justiça, de paz e de amor para todos os homens. Para concretizar este projecto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina “fazendo o bem” e anunciando a proximidade de um mundo novo, de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos. Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem mesmo os pecadores; ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos, não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus; ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o “Reino”; e avisou os “ricos” (os poderosos, os instalados), de que o egoísmo, o orgulho, a auto-suficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte. O projecto libertador de Jesus entrou em choque – como era inevitável – com a atmosfera de egoísmo, de má vontade, de opressão que dominava o mundo. As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas com a denúncia de Jesus: não estavam dispostas a renunciar a esses mecanismos que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios; não estavam dispostas a arriscar, a desinstalar-se e a aceitar a conversão proposta por Jesus. Por isso, prenderam Jesus, julgaram-n’O, condenaram-n’O e pregaram-n’O numa cruz. A morte de Jesus é a consequência lógica do anúncio do “Reino”: resultou das tensões e resistências que a proposta do “Reino” provocou entre os que dominavam o mundo. Podemos, também, dizer que a morte de Jesus é o culminar da sua vida; é a afirmação última, porém, mais radical e mais verdadeira (porque marcada com sangue), daquilo que Jesus pregou com palavras e com gestos: o amor, o dom total, o serviço. Na cruz, vemos aparecer o Homem Novo, o protótipo do homem que ama radicalmente e que faz da sua vida um dom para todos. Porque ama, este Homem Novo vai assumir como missão a luta contra o pecado – isto é, contra todas as causas objectivas que geram medo, injustiça, sofrimento, exploração e morte. Assim, a cruz mantém o dinamismo de um mundo novo – o dinamismo do “Reino”. Para além da reflexão geral sobre o sentido da paixão e morte de Jesus, convém ainda notar alguns dados que são exclusivos da versão mateana da paixão.
• Ao longo do relato da paixão, Mateus insiste no facto de os acontecimentos estarem relacionados com o cumprimento das Escrituras (cf. Mt 26,24.30.54.56;27,9). Mesmo quando não refere explicitamente o cumprimento das Escrituras, Mateus liga os acontecimentos da paixão de Jesus com figuras e factos do Antigo Testamento, a fim de demonstrar que a paixão e morte de Jesus faz parte do projecto de Deus, previsto desde sempre. A explicação para esta insistência no cumprimento das Escrituras deve ser buscada no seguinte facto: Mateus escreve para cristãos que vêm do judaísmo; Ele vai, portanto, fazer referência a citações e promessas do Antigo Testamento – conhecidas de cor por todos os judeus – a fim de demonstrar que Jesus era esse Messias anunciado pelos profetas e cujo destino passava pelo dom da vida.
• Também Marcos (cf. Mc 14,47) e Lucas (cf. Lc 22,50-51) contam como, no Getsemani, na altura em que Jesus foi preso, um dos elementos do grupo de Jesus agrediu com uma espada um servo do sumo-sacerdote. No entanto, só Mateus apresenta Jesus a condenar explicitamente o gesto, explicando que o projecto do Pai não passa pela violência, mesmo contra os agressores (cf. Mt 26,51-54). O caminho do Pai passa pelo amor e pelo dom da vida; por isso, os discípulos de Jesus não podem recorrer à violência, mesmo que se trate de defender uma causa justa. Este ensinamento tem, neste contexto, uma força especial: é quando Jesus é vítima inocente da violência que Ele afirma de forma clara a recusa absoluta da violência: o “Reino” de Deus nunca passará por esquemas de violência, de imposição, de poder e de prepotência. Na lógica do “Reino”, os fins nunca justificarão os meios.
• Só no Evangelho segundo Mateus aparece o relato da morte de Judas (cf. Mt 27,3-10. Temos uma outra versão do acontecimento em Act 1,18-19). O episódio deixa clara a iniquidade do processo e a inocência de Jesus. A forma como Mateus sublinha o desespero e o arrependimento de Judas deixa clara a inocência de Jesus, por um lado e, por outro, o desnorte dos responsáveis pelo processo, empenhados em “sacudir a água do capote” e em declinar responsabilidades.
• São exclusivos de Mateus o sonho da mulher de Pilatos (cf. Mt 27,19) e a lavagem das mãos por parte do procurador romano (cf. Mt 27,24). Estes pormenores aparecem aqui com uma dupla finalidade: por um lado, Mateus quer deixar claro que Jesus é inocente e que os próprios romanos reconhecem o facto; por outro, Mateus sugere que não foi o império romano, mas sim o próprio judaísmo que rejeitou Jesus e a sua proposta de “Reino”. Os pagãos reconhecem a inocência de Jesus; mas o seu próprio Povo rejeita-O. A frase que, no contexto do julgamento de Jesus, Mateus atribui ao Povo (“o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos” – Mt 27,25) deve também ser entendida neste enquadramento. Mateus explica dessa forma – aos cristãos que vêm do judaísmo – porque é que o judaísmo como conjunto está fora do “Reino”: o judaísmo rejeitou Jesus e quis eliminar a sua proposta.
• Também é exclusiva de Mateus a descrição dos factos que acompanharam a morte de Jesus: “o véu do Templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo; a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos de santos que tinham morrido ressuscitaram; e, saindo do sepulcro, depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade e apareceram a muitos” (Mt 27,51-53). Através destes elementos, Mateus quer sublinhar a importância do momento. É o tipo de sinais que, segundo a tradição apocalíptica, precederiam a manifestação de Deus, no final dos tempos. Estes sinais mostram que, apesar do aparente fracasso de Jesus, Deus está ali, a manifestar-Se como o salvador e libertador do seu Povo.
• Finalmente, só Mateus narra o episódio da “guarda” do sepulcro (cf. Mt 27,62-66). Provavelmente, o relato de Mateus tem uma finalidade apologética… Para os cristãos, o sepulcro vazio era a evidência de que Jesus tinha ressuscitado; mas alguns grupos judeus puseram a circular o rumor de que o corpo de Jesus tinha sido roubado pelos discípulos. Mateus trata de explicar a origem do rumor e de negá-lo veementemente.
ACTUALIZAÇÃO
A reflexão pode partir dos seguintes dados:
• Celebrar a paixão e a morte de Jesus é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil… Por amor, Ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites e fragilidades, experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai; e, estendido no chão, esmagado contra a terra, atraiçoado, abandonado, incompreendido, continuou a amar. Desse amor resultou vida plena, que Ele quis repartir connosco “até ao fim dos tempos”: esta é a mais espantosa história de amor que é possível contar; ela é a boa notícia que enche de alegria o coração dos crentes.
• Contemplar a cruz, onde se manifesta o amor e a entrega de Jesus, significa assumir a mesma atitude e solidarizar-se com aqueles que são crucificados neste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são excluídos, os que são privados de direitos e de dignidade… Olhar a cruz de Jesus significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor… Viver deste jeito pode conduzir à morte; mas o cristão sabe que amar como Jesus é viver a partir de uma dinâmica que a morte não pode vencer: o amor gera vida nova e introduz na nossa carne os dinamismos da ressurreição.
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
Proposta para
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt – www.ecclesia.pt/dehonianos

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O DOMINGO DE RAMOS
(adaptadas de “Signes d’aujourd’hui”)
1. A PALAVRA MEDITADA AO LONGO DA SEMANA.
Ao longo dos dias da semana anterior ao Domingo de Ramos, procurar meditar a Palavra de Deus deste domingo. Meditá-la pessoalmente, uma leitura em cada dia, por exemplo… Escolher um dia da semana para a meditação comunitária da Palavra: num grupo da paróquia, num grupo de padres, num grupo de movimentos eclesiais, numa comunidade religiosa… Aproveitar, sobretudo, a semana para viver em pleno a Palavra de Deus.
2. FAZER UMA VERDADEIRA PROCISSÃO.
Preparar com cuidado a aclamação com os ramos (durante a liturgia dos ramos e, depois, cantando “Hossana” após o prefácio). Se possível, fazer uma verdadeira procissão de entrada, pois a procissão dos Ramos celebra Jesus que, pela primeira vez, se apresenta à multidão como Rei-Messias! Ao entrar na igreja atrás da cruz e do presidente da assembleia, esta caminha com Cristo e deixa-se introduzir na celebração do mistério da sua Paixão, da sua morte e da sua Ressurreição. No final da celebração, recordemos aos fiéis que os ramos benzidos são um símbolo de vitória e de vida, e permanecerão, ao longo do ano, como um sinal de esperança.
3. A PAIXÃO POR EPISÓDIOS.
Para a leitura da Paixão, pode-se escolher vários leitores para as várias personagens, que devem preparar muito bem a leitura. Ou pode-se mudar de leitor ao longo da paixão.
4. BILHETE DE EVANGELHO.
A vida é paixão. Nunca ficamos insensíveis diante de um apaixonado. Ou irrita ou seduz… De qualquer modo, ele provoca. Jesus foi apaixonado de Deus seu Pai. Uma só coisa contava para Ele: fazer a sua vontade. Ora, a vontade de Deus não era que seu Filho morresse, mas que fosse até ao fim do amor. Com o risco de dar a sua vida… e foi o que Ele fez. Jesus foi um apaixonado dos homens seus irmãos. Uma só coisa contava para Ele: salvar a humanidade, arrancando-a do egoísmo, da violência, do orgulho, da riqueza, da idolatria, de tudo o que leva à morte e à infelicidade… para lhe propor o serviço, o acolhimento, o perdão, a pobreza, tudo o que leva à vida e à felicidade, e que tem um nome: o Amor. Durante toda esta Semana Santa, ergamos os olhos para Cristo na sua Paixão por Deus seu Pai, na paixão pelos homens seus irmãos. Para que nós também sejamos apaixonados!
5. ORAÇÃO NA LECTIO DIVINA.
Na meditação da Palavra de Deus (lectio divina), pode-se prolongar o acolhimento das leituras com a oração.
No final da primeira leitura:
Nós Te damos graças pelo testemunho de não-violência dado e ensinado pelos Profetas e, sobretudo, pelo teu Filho Jesus.
Nós Te pedimos. Vem em nosso auxílio, revela-nos cada manhã a escuta da tua Palavra, instrui-nos pelo teu Espírito de paciência. Que nós saibamos, da nossa parte, reconfortar aqueles que não podem mais.
No final da segunda leitura:
Cristo Jesus, nós Te adoramos e bendizemos: Tu que és de condição divina, Tu que Te tornaste servo. Pai, nós Te glorificamos, porque o teu Filho humilhado até ao extremo pelos homens, Tu O revelaste acima de todos.
Nós Te pedimos pela nossa humanidade que continua a sofrer e a fazer sofrer: que se deixe transformar e curar pelo teu Espírito de ressurreição.
No final do Evangelho:
Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Nós Te bendizemos, Senhor Jesus, e confessamo-lo: verdadeiramente, Tu és o Filho de Deus.
Perdão pelas nossas negações, as nossas traições, as nossas faltas de fé, que semeiam a morte nas nossas existências e no nosso mundo. Nós sabemo-lo: Tu nunca nos abandonas. Pela tua cruz, livra-nos do mal.
6. ORAÇÃO EUCARÍSTICA.
Pode-se escolher a Oração Eucarística II da Assembleia com Crianças.
7. PALAVRA PARA O CAMINHO.
Um Rei-Servidor… Mudança radical de valores! Numa sociedade que só acredita no seu poder, no seu dinheiro, nas suas conquistas, eis o nosso Rei que vem até nós na humildade, no serviço, no sofrimento, vulnerável até morrer. Discípulos deste Messias-Servidor, onde se situam os nossos valores de referência: do lado do Evangelho? Do lado do mundo? Não há meio termo…
UNIDOS PELA PALAVRA DE DEUS
Proposta para
ESCUTAR, PARTILHAR, VIVER E ANUNCIAR A PALAVRA NAS COMUNIDADES DEHONIANAS
Grupo Dinamizador:
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
Rua Cidade de Tete, 10 – 1800-129 LISBOA – Portugal
Tel. 218540900 – Fax: 218540909
scj.lu@netcabo.pt –
www.ecclesia.pt/dehonianos

 

Transcrição para este blogue por

António Fonseca

Nº 892-2 - (105) - 17 DE ABRIL DE 2011 - SANTOS DO DIA - 3º ANO

 

176 Santos e Beatos

Nº 892-2

SANTO ANICETO

Papa, mártir (166)

Aniceto, Santo

Aniceto, Santo

Aniceto, segundo o Liber Pontificalis, nasceu na Síria e foi papa depois de S. Pio, entre 154 e 165. Durante este pontificado, encontramos em Roma numerosos orientais ilustres, como S. Justino, Taciano e Hesegipo. Todos acorreram a Roma como a centro da unidade cristã. Hegesipo diz-nos expressamente que foi a Roma beber, na sua fonte mesma, a pureza da doutrina apostólica. O mais célebre de todos os orientais chegados a Roma nesta época foi S. Policarpo, Bispo de Esmirna e discípulo imediato de S. João Apóstolo. Na sua velhice empreendeu tão longa viagem para tratar com o sucessor de S. Pedro diversos assuntos relacionados com a fé e os costumes cristãos. Sobre a data em que devia celebrar-se a Páscoa não conseguiram entender-se. S. Policarpo defendia, apoiado na prática do oriente e no magistério de S. João, que devia ser a 14 da lua de Março. Santo Aniceto, pelo contrário, seguindo a tradição de Roma e da África, e alegando o exemplo de S. Pedro, estava pelo domingo a seguir à lua cheia da Primavera. Esta divergência de critério não entibiou o amor mútuo que ambos professavam. O Papa ofereceu a S. Policarpo presidir à celebração da liturgia eucarística na sua própria igreja, os dois despediram-se com lágrimas nos olhos e deram entre si o beijo da paz. A afluência de tantos orientais em Roma mostra-nos o prestígio da sua Cátedra no meio da Igreja Universal, pois todos reconheciam nos bispos de Roma os sucessores dos Apóstolos. Os hereges também tomavam Roma como centro das suas propagandas. Aqui vieram o gnóstico Valentim, Marcelino e o heresiarca Marcião. Santo Ireneu narra-nos o trabalho de S. Policarpo com estas ovelhas desgarradas enquanto este estava em Roma; muitas voltaram ao redil do Bom Pastor graças ao seu zelo e prudência. O mesmo Ireneu conta o seguinte episódio sobre o encontro de S. Policarpo com Marcião, que formou uma igreja à parte. Este, encontrando-se com S. Policarpo, saudou-o com estas palavras: - “Não me conheces?Sim, respondeu o Santo Bispo de Esmirna, conheço o primogénito de Satanás”. E não quis conversar com este inimigo da verdade, que tantas almas ia levando para o inferno. O Liber Pontificalis atribui a Santo Aniceto um decreto proibindo aos clérigos usar o cabelo comprido. provavelmente trata-se da atribuição duma lei historicamente posterior. Em geral, julga-se que Santo Aniceto foi mártir. Morreu um mês depois do imperador Antonino Pio. Ao luto universal que provocou a morte deste imperador somaram-se os gritos de ódio e vingança contra os cristãos, tidos como ímpios e ateus, cuja vida sacrílega excitava a ira dos deuses. Santo Aniceto foi sacrificado ao furor do povo. O corpo recebeu sepultura no Vaticano, mas foi trasladado mais tarde para a cripta papal de S. Calixto. Do livro SANTOS DE CADA DIA, DE WWW.JESUITAS.PT. VER TAMBÉM WWW.ES.CATHOLIC E WWW.SANTIEBEATI.IT.

BEATA MARIA ANA DE JESUS
Religiosa Mercedária, Virgem (1565-1624)

Mariana de Jesús Navarro, Beata

Mariana de Jesús Navarro, Beata

Maria Ana, nascida em Madrid em 1565, teve como pai Luis Navarra de Guevara, e como mãe Joana Romero. Consagrou-se a Deus desde a mais tenra idade e teve de resistir às instâncias do pai que desejava que ela se casasse. Teve mesmo de suportar maus tratos da parte dele e da mulher a quem tomara como segunda esposa. Manteve-se porém inamovível no seu generoso propósito. Para escapar a injustos rigores, procurava entrar num mosteiro, mas encontrava em toda a parte recusa, com temor de ressentimento vindo da própria família. Obrigada a manter-se na casa paterna, passou lá uma vida de retiro e de rigorosas austeridades. Deus encheu-a, porém, de favores extraordinários. Por fim, com a idade de 42 anos, obteve do pai licença para entrar na Ordem de Nossa Senhora das Mercês: nela recebeu o hábito, com o nome de Maria Ana de Jesus.  Em 1614, pronunciou os votos solenes de religião, ao mesmo tempo que uma santa jovem que tomou o nome de Maria de Jesus. As duas formaram o núcleo dum novo instituto quer tomou o nome de Religiosas Descalças de Nossa Senhora das Mercês. Maria Ana, que visitava muitas vezes a rainha, edificava a corte inteira com a sua modéstia. Às três classes de desafortunados - pecadores, almas do purgatório e cristãos cativos na África – aplicava todas as suas orações e mortificações. Atacada por uma doença que lhe exercitava a paciência e a submissão à vontade de Deus, morreu a 17 de Abril de 1624. Milagres realizados no seu túmulo levaram a que fosse beatificada por Pio VI em 1783. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt. Ver também www.es.catholic e www.santiebeati.it

• Estevão Harding, Santo
Abade

Esteban Harding, Santo

Esteban Harding, Santo

Martirológio Romano: No mosteiro de Cister, em Borgonha (hoje França), santo Esteban Harding, abade, que junto com outros monges veio de Molesmes e, mais tarde, esteve à frente deste célebre cenóbio, onde instituiu os irmãos conversos, recebeu a santo Bernardo com trinta companheiros e fundou doze mosteiros, que uniu com o vínculo da Carta de Caridade, para que não houvesse discórdia alguma entre eles, mas que os monges atuassem com unidade de amor, de Regra e com costumes similares (1134). Etimologicamente: Esteban = Aquele que é laureado e vitorioso, é de origem grega. Nasceu em Sherborne em Dorsetshire, Inglaterra, a meados do século XI; morreu em 28 de Março de 1134. Recebeu sua primeira educação no mosteiro de Sherborne e mais tarde estudou em París e Roma. No regresso desta última cidade, se deteve no mosteiro de Molesme e, ficou tão impressionado da santidade de Roberto, o abade, que decidiu unir-se a essa comunidade. Aqui praticou grandes austeridades, chegou a ser um dos principais partidários de São Roberto e foi um dos 21 monges que, pela autoridade de Hugo, nesse lugar. Quando São Roberto foi chamado novamente a Molesme (1099), Esteban chegou a ser prior de Cîteaux sob Alberico, o novo abade. À morte de Alberico (1110), Esteban, que estava ausente do mosteiro nesse momento, foi eleito abade. O número de monges se havia reduzido muito, dado que não haviam ingressado novos membros para substituir os que haviam falecido. Esteban, sem embargo, insistiu em reter a estrita observância instituída originalmente e, havendo ofendido ao Duque de Borgonha, grande promotor de Cîteaux, ao proibir a ele e a sua familia penetrar no claustro, se viu inclusive forçado a pedir esmola de porta em porta. Parecia que a fundação estava  se uniu à comunidade. Isto resultou ser o inicio de uma extraordinária prosperidade. No ano seguinte Esteban fundou sua primeira colónia em La Ferté, e até antes de sua morte havia estabelecido um total de treze Mosteiros. Seus talentos como organizador eram excepcionais, instituiu o sistema de capítulos gerais e visitas regulares para assegurar a uniformidade em todas suas fundações, redigiu a famosa “Constituição ou Carta da Caridade”, uma coleção de estatutos para o governo de todos os mosteiros unidos a Cîteaux, que foi aprovada pelo Papa Calixto II em 1119. Em 1133 Esteban, agora ancião, enfermo e quase cego, renunciou ao posto de abade, designando como seu sucessor a Roberto de Monte, que foi consequentemente eleito pelos monges. A eleição do santo, sem embargo, resultou desafortunada e o novo abade reteve o posto só dois anos.Além da “Constituição ou Carta da Caridade”, comummente se lhe atribui a autoria do “Exordium Cisterciencis Cenobii” que, sem embargo, poderá não ser seu. Se conservam dois de seus sermões e também duas cartas (Nº 45 e 49) em “Epp. S. Bernardi”. Esteban foi sepultado na tumba de Alberico, seu predecessor, no claustro de Cîteaux. A celebração de San Esteban há sido movida de data com o tempo, de 17 de abril a 16 de julho, logo a 26 de Janeiro, festa dos santos Fundadores da Ordem Cisterciense: São Roberto, o beato Alberico e santo Estevão. Finalmente, a recente edição do "Martirológio romano" mostra sua celebração em 28 março, como ocasião do dia de sua morte.

• Clara Gambacorti, Beata
Abadessa Dominicana

Clara Gambacorti, Beata

Clara Gambacorti, Beata

Martirológio Romano: Em Pisa, da Toscana, beata Clara Gambacorti, que, ao perder ainda muito jovem a seu esposo, aconselhada por santa Catalina de Siena fundou o mosteiro de santo Domingo sob uma austera Regra e dirigiu com prudência e caridade as irmãs, distinguindo-se por haver perdoado ao assassino de seu pai e de seus irmãos (1419).Etimologicamente: Clara = Aquela que está limpa de pecado, é de origem latina. A Beata Clara era filha de Pedro Gambacorti (o Gambacorta), que chegou a ser praticamente o amo da República de Pisa. Clara nasceu em 1362; seu irmão, o Beato Pedro de Pisa, era sete anos mais velho que ela. Pensando no futuro de sua filhinha, a que a familia chamava Dora, apócope de Teodora, seu pai a comprometeu a casar-se com Simón de Massa, que era um rico herdeiro, ainda que a menina só tinha sete anos. Não obstante sua curta idade, Dora costumava tirar, durante a missa, o anel de esponsais e murmurava: "Senhor, Tu sabes que o único amor que eu quero é o teu".  Quando seus pais a enviaram, aos doze anos de idade, para casa de seu esposo, já havia começado a jovem sua vida de mortificação. Sua sogra se mostrou amável com ela; mas, quando viu que era demasiado generosa com os pobres, lhe proibiu a entrada na despensa da casa. Desejosa de praticar de algum modo a caridade, Dora se uniu a um grupo de senhoras que assistiam aos enfermos e tomou a seu cargo a uma pobre mulher cancerosa. A vida de matrimónio de Dora durou muito pouco tempo; tanto ela como seu esposo foram vítimas de uma epidemia, em que seu marido perdeu a vida. Como a beata era todavia muito jovem, seus parentes tentaram casá-la de novo, mas ela se opôs com toda a energia de seus quinze anos. Uma carta de Santa Catalina de Siena, a quem havia conhecido em Pisa, a animou em sua resolução. Dora  cortou os cabelos e distribuiu entre os pobres seus ricos vestidos, coisa que provocou a indignação de sua sogra e de suas cunhadas. Depois, com a ajuda de uma de suas criadas, arranjou-as para tramitar em segredo sua entrada na Ordem das Clarissas Pobres. Quando tudo estava a ponto, fugiu de sua casa para o convento, onde recebeu imediatamente o hábito e tomou o nome de Clara. No dia seguinte, seus irmãos se apresentaram no convento a buscá-la; as religiosas, muito assustadas, desceram-na  pelo muro até aos braços de seus irmãos, os quais a conduziram a sua casa. Aí esteve Clara prisioneira durante seis meses, mas nem a fome, nem as ameaças conseguiram fazê-la mudar a resolução. Finalmente, Pedro Gambacorti se deu por vencido e não só permitiu a sua filha ingressar no convento dominicano da Santa Cruz, mas prometeu construir um novo convento. Aí conheceu Clara a María Mancini, que era também viúva e ia a alcançar um dia a honra dos altares. Os escritos de Santa Catalina de Siena exerceram profunda influência nas duas religiosas, as quais, no novo convento, fundado por Gambacorti em 1382, conseguiram estabelecer a regra em todo o fervor da primitiva observância. A Beata Clara foi primeiro sub prioresa e logo prioresa do convento, de que partiram sucessivamente muitas das santas religiosas destinadas a difundir o movimento de reforma em outras cidades de Itália. Até ao dia de hoje, se chama em Itália as religiosas de clausura de Santo Domingo "As irmãs de Pisa". No convento da beata reinavam a oração, o trabalho manual e o estudo. O diretor espiritual de Clara costumava repetir às religiosas: "Não olvideis nunca que em nossa ordem há muito poucos santos que não hajam sido também sábiosClara teve que fazer frente, durante toda sua vida, às dificuldades económicas, pois o convento exigia constantemente alterações e novos edifícios. Apesar de isso, numa ocasião em que chegou a suas mãos uma valiosa soma de dinheiro que podia ter empregado no convento, preferiu foram, sem dúvida, o sentido do dever e o espírito de perdão, que praticou em grau heroico. Giacomo Appiano, a quem Gambacorti havia ajudado sempre e em quem havia posto toda sua confiança, assassinou-o à traição, quando este se esforçava por manter a paz na cidade. Dois de seus filhos morreram também a mãos dos partidários do traidor. Outro dos irmãos de Clara, que conseguiu escapar, chegou a pedir refúgio no convento da beata, seguido de perto pelo inimigo; mas Clara, consciente de que seu primeiro dever consistia em proteger a suas filhas contra a turba, se negou a introduzi-lo na clausura. Seu irmão morreu assassinado frente à porta do convento, e a impressão fez com que Clara adoecesse gravemente. Sem embargo, a beata perdoou tão de coração a Appiano, que pediu que lhe enviasse um prato a sua mesa para selar o perdão, compartilhando sua comida. Anos mais tarde, quando a viúva e as filhas de Appiano se achavam na miséria, Clara as recebeu no convento. A beata sofreu muito até ao fim de sua vida. Recostada em seu leito de morte, com os braços estendidos, murmurava: "Jesús meu, eis-me aqui na cruz". Pouco antes de morrer, um radiante sorriso iluminou seu rosto, e a beata bendisse a suas filhas presentes e ausentes. Tinha, ao morrer, cinquenta e sete anos. Era em 17 de abril de 1420. Seu culto foi confirmado em 1830 pelo Papa Pío VIII.

• Robert de Chaise-Dieu, Santo
Abade

Robert de Chaise-Dieu, Santo

Robert de Chaise-Dieu, Santo

Martirológio Romano: No mosteiro de Chaise-Dieu, de Alvernia, em França, san Roberto, abade que, havendo-se retirado a este lugar para viver como solitário, se lhe juntaram muitos irmãos, e com sua pregação e exemplo de vida reuniu a um bom número deles (1067). Etimologicamente: Roberto = Aquele que brilha por sua fama, é de origem germânica. Fundador da Abadía de Chaise-Dieu em Alvernia; nasceu em Aurilac, Auvergne, aproximadamente no ano 1000; morreu. Pelo lado de ascendência de seu pai, pertenceu à familia dos Condes de Aurilac, de quem se havia originado São Geraud.  Estudou em Brioude perto da basílica de São Julián, numa escola aberta para a nobreza de Auvergne, estabelecida pelos cânones da cidade. Havendo entrado na comunidade, e havendo sido ordenado sacerdote, Roberto se distinguiu por sua piedade, caridade, zelo apostólico, eloquentes discursos e o dom dos milagres. Durante perto de quarenta anos, permaneceu em Cluny para viver sob a norma de seu compatriota também santo, Abbé Odilo. Foi forçado a regressar a Brioude, e ali começou um novo projeto, para o qual foi a Roma, para consultar com o Papa. Bento IX o animou a retirar-se junto cone dois companheiros para o vale boscoso do sudeste de Auvergne. Ali construiu uma ermida, sob o nome de Chaise-Die (Casa de Deus). Teve muito renome em suas virtudes e atraiu a um grande número de discípulos, foi obrigado então a construir um mosteiro, o qual foi colocado sob a norma de São Bento (1050). Leão IX construiu a Abadía de Chaise-Dieu, na qual chegou a ser um dos emblemas do florescente cristianismo. À morte de Roberto, se havia cerca de 300 monges e tinha-se enviado multidões ao centro de França. Roberto também fundou uma comunidade para mulheres em Lavadieu perto de Brioude. Por meio da elevação do monge de Chaise-Dieu, Pierre Roger, ao sólio pontifício, sob o nome de Clemente IV, a abadia alcançou o pináculo de sua glória. O corpo de São Roberto se preservava ali, foi queimado pelos huguenotes durante as guerras religiosas. Seu trabalho foi destruído pela Revolução Francesa, mas há restos que ficam para admiração dos turistas, tais como a igreja devastada, a tumba de Clemente VI, e a torre clementina.

• Kateri (Catalina) Tekakwitha, Beata
Indígena Americana

Kateri (Catalina) Tekakwitha, Beata

Kateri (Catalina) Tekakwitha, Beata

Eis como João Paulo II descreveu a vida desta bem-aventurada no rito da beatificação, a 22 de Junho de 1980: “Catarina Tekakwitha, o ‘Lírio dos Mohawks ’, a donzela iroquesa, que na América do Norte do século XVII foi a primeira a renovar as maravilhas de santidade de Santa Escolástica, santa Gertrudes, santa Catarina de Sena, Santa Angela Merici e Santa Rosa de Lima, precedendo, no sofrimento do Amor, a sua grande irmã espiritual, Teresa do Menino Jesus. “Gastou a sua curta vida, em parte, na região que é agora o Estado de Nova Iorque e, em parte, no Canadá. É amável, gentil e diligente pessoa, empregando o tempo a trabalhar, rezar e meditar. Na idade de 20 anos recebe o Baptismo. Mesmo quando seguia a sua tribo nas estações de caça, continua as suas devoções, diante de uma rugosa cruz talhada por ela mesma na floresta. Quando a família insiste para que se case, ela responde muito serena e calmamente que tem Jesus como único esposo. Esta decisão, atendendo ás condições sociais das mulheres nas tribos índias naquele tempo, expõe Catarina ao risco de viver como fora da casta e na pobreza. É gesto corajoso, desusado e profético: a 25 de Março de 1679, com a idade de 23 anos, consentindo o seu diretor espiritual, Catarina fez voto de perpétua virgindade. Quanto sabemos, é a primeira vez que tal voto é feito entre Índios da América do Norte. Os últimos meses da sua vida são ainda mais pura manifestação de fé sólida, decidida humildade, calma resignação e radiante alegria, embora no meio de terríveis sofrimentos. As suas últimas palavras, simples e sublimes, sussurradas no momento da morte, resumem, como nobre hino, uma vida da mais pura caridade: ‘Jesus, eu amo-vos…’ “. Do livro SANTOS DE CADA DIA, de www.jesuitas.pt. Ver também www.es.catholic e www.santiebeati.it - L’OSS.ROM. 29.6.1980

• Roberto de Molesmes, Santo
Abade

Roberto de Molesmes, Santo

Roberto de Molesmes, Santo

Martirológio Romano: No mosteiro de Molesmes, em França, são Roberto, abade, o qual, desejoso de uma vida monástica mais simples e mais estrita, já fundador de mosteiros e superior esforçado, já diretor de ermitãos e restaurador exímio da disciplina monástica, fundou o mosteiro de Cister, que regeu como primeiro abade, e chamado de novo como abade a Molesmes, ali descansou em paz (1111). Etimologicamente: Roberto = Aquele que brilha por sua fama, é de origem germânica. Foi um dos fundadores da ordem Cisterciense em França. Aos 15 anos ingressou na abadia de Montier-la-Celle, de que chegou a ser o prior. No ano 1060 foi nomeado abade de Saint Michel-de-Tonnerre, mas não foi capaz de reformar a abadia, que se havia relaxado muito, pelo que regressou a Montier-la-Celle. Alguns eremitas que viviam no bosque de Colan, pediram-lhe que dirigisse um novo mosteiro. Obteve a autorização do Papa Gregório VII para fundar um mosteiro em Molesmes no ano 1075.  A construção consistia inicialmente de umas simples choças feitas com ramos, que rodeavam uma capela dedicada à Santíssima Trindade. Esta comunidade se fez rapidamente conhecida por sua piedade e santidade.  A comunidade cresceu e começou a aumentar sua riqueza, o que atraiu a monges pouco piedosos que dividiram os irmãos. Roberto quis afastar-se de Molesmes duas vezes, mas o Papa lhe ordenou voltar.  Sem embargo, no ano 1098, Roberto e alguns de seus monges deixaram Molesmes com a intenção de não voltar jamais e fundaram o mosteiro de Cîteaux (Císter). Sem embargo, em 1100 os monges de Molesmes pediram a Roberto que voltasse, resolvendo obedecer à Regra de São Bento. Ele voltou e dirigi o mosteiro, que sob sua tutela chegou a ser um dos maiores centros da Ordem Beneditina. O mosteiro de Citeaux, sob a direção de Alberico foi um dos lugares de origem da nova Ordem Cisterciense, que chegaria a ser famosa no século XII com Bernardo de Claraval. Roberto morreu em 17 de abril de 1111. O Papa Honório III o canonizou em 1220. A festa foi fixada inicialmente em 17 de Abril, mas logo foi transferida para 29 de Abril.

• Acácio de Melitene
Bispo

Acacio de Melitene

Acácio de Melitene

Martirológio Romano: Em Melitene, na Arménia, santo Acácio, bispo, que interveio no Concilio de Éfeso contra Nestório para defender a fé católica, e depois foi deposto injustamente de sua sede (c. 435). Etimologicamente: Acácio = Aquele que não tem malícia, é de origem grega  - As datas de nascimento de Acácio e de sua morte não se podem fixar com segurança, parece que morreu depois do ano 435. Viveu na época da perseguição de Décio no século III. O citaram antes do tribunal de Marciano para comprovar sua fé. O condenaram à morte, mas não está seguro que a sentença foi executada. Aparentemente o imperador romano o libertou da prisão depois de que tinha experimentado um sofrimento considerável.  Acácio era famoso para seu brilhante ensino doutrinal. Além disso realizou alguns milagres.  Havia outro bispo em Melitene com o mesmo nome, ainda que de idade menor, que se destacou como adversário de Nestório em 431 no Concilio de Éfeso. Não se pode acrescentar com segurança à lista dos santos.

• Enrique Heath, Beato
Presbítero E Mártir

Enrique Heath, Beato

Enrique Heath, Beato

Martirológio Romano: Em Londres, em Inglaterra, beato Enrique Heath, presbítero da Orden dos Irmãos Menores e mártir, que sob o rei Carlos I, só pela razão de seu sacerdócio, foi entregue ao verdugo em Tyburn. ( 1643)  Também é conhecido como: Beato Pablo de Santa Magdalena. Data de beatificação: 22 de novembro de 1987 pelo Papa João Paulo II, junto a outros 84 mártires de Inglaterra e Gales. O Beato Enrique nasceu em 1599 em Peterborough, Inglaterra. Seu pai foi John Heath cabeça de uma familia anglicana, foi batizado na local igreja de São João em 16 de dezembro de 1599. Estudou no Corpus Christi College, em Cambridge, recebendo a licenciatura em 1621 e foi nomeado bibliotecário da universidade. Aqui teve acesso a livros relativos à controvérsia anglicano-católica, lendo-os chegou ao convencimento de que a verdade estava de parte do catolicismo, iniciando assim seu processo de conversão. Em 1622 foi recebido na Igreja Católica Romana por George Muscott, e, depois de uma curta estância no Colégio Inglês de Douai, entrou no convento franciscano de São Boaventura que em 1625, tomando o nome de Paulo de Santa Magdalena. A princípios de 1643, com muito trabalho obteve permissão para ir de missão a Inglaterra e cruzou de Dunquerque (França) a Dover (Inglaterra) disfarçado de marinheiro. Um cavaleiro alemão pagou sua passagem e ofereceu-lhe mais dinheiro para a viagem, mas seguindo o espírito de São Francisco, Heath se negou e preferiu ir a pé de Dover a Londres. Na mesma noite de sua chegada, quando ele descansava no umbral de uma porta, o dono da casa o denunciou como ladrão. Alguns documentos encontrados na gorra delatavam sua religião e foi levado à prisão de Compter. No dia seguinte foi levado ante o alcaide, e, confessando que era sacerdote, foi enviado a Newgate. Pouco depois foi examinado por uma comissão parlamentária, e voltou a confessar seu sacerdócio. Fue acusado finalmente no marco a "Lei contra os jesuítas, sacerdotes de seminário e outras similares pessoas desobedientes" de 1585, por ser sacerdote católico e se apresentar no reino da rainha Isabel. Durante sua reclusão exercia o ministério da reconciliação a ponto que no mesmo carro que o trasladou ao lugar de execução em Tyburn há reconciliado a um dos criminosos que foram executados junto a ele. Foi pendurado até morrer.

• Simeón Bar Sabas, Ustazades eunuco da sala real, e os sacerdotes Abdhaykla e Hananyae e o oficial real Pusayk. com mais de 100 companheiros, Santos
Mártires

Simeón Bar Sabas, Ustazades y compañeros, Santos

Simeón Bar Sabas, Ustazades e companheiros, Santos

Martirológio Romano: Na Pérsia, paixão de são Simeão Bar Sabas, bispo de Selêucia e Ctesifonte, que, por ordem do rei persa Sapor II, foi detido e carregado de cadeias por negar-se a adorar o sol e seguir proclamando a Jesus Cristo livre e valentemente. Encarcerado junto com mais de cem cristãos, bispos, presbíteros e de outras ordens eclesiásticas, foi submetido a torturas, e em Sexta feira Santa da Paixão do Senhor, ante seus olhos e quando os exortava, todos seus companheiros oram decapitados, como ele próprio o foi em último lugar. ( 341) Martirológio Romano: Também comemoração de muitos mártires que, após a morte de são Simeón, em todo o território da Pérsia, e igualmente sob o rei Sapor II, foram degolados por causa do nome de Cristo, entre eles santo Ustazades, eunuco do palácio real e padrinho do mesmo rei, que durante o primeiro ímpeto da perseguição sofreu o martírio no palácio de Artajerjes (Artaxerxes), irmão de Sapor, na provincia de Adiabena. ( 341). San Simeón, chamado "Bar Sabas" que significa "filho do batanero", foi nomeado bispo (Catholicos) de Seleucia-Ctesifonte, em Pérsia, a raiz da sede do bispo anterior em 324. Simeón, sem embargo, cedo foi relegado á função de assistente, devido á falta de confirmação da sentença de destituição, se desconhece começou a exercer realmente como bispo titular. Quando em 340 o rei persa Sapor II restabeleceu a feroz perseguição contra os cristãos, não duvidou em elevar os impostos ao dobro e declarar o encerramento de todos os lugares de culto. Tomando nota da pobreza da maioria da gente, Simeón se negou a recolher o dinheiro requerido, pelo que foi detido.  Conduzido logo ante o rei, se negou a prostrar-se ante ele ou adorar ao deus sol, isto foi um pretexto para que as autoridades o encarcerassem, e junto a ele a uma centena de pessoas. Simeón logrou reconquistar a fé cristã a Ustazades, eunuco da sala real além de educador do próprio soberano, que logo também padeceu o martírio. Simeón, junto com a centena de companheiros (bispos, sacerdotes y membros de diversas ordens religiosas), estiveram largo tempo na prisão, até que finalmente, depois de ver degolar ante seus olhos a todos seus irmãos na fé e na prisão, a que animava com grande ardor — foi decapitado.  Em edições anteriores de Martirologio Romano se mencionavam explicitamente os nomes de alguns dos companheiros no martírio de Simeón: os sacerdotes Abdhaykla e Hananya, e o oficial real Pusayk. Simeón é posto como cabeça do grupo de mártires no Breviário Sírio do ano 412, assim como no novo Martirologio Romano que põe sua memória em 17 de abril.  Na mesma data de calendário católico dedica uma menção especial a Ustazades, que com muitos outros cristãos em todas as regiões de Pérsia sofreram o martírio por ordem do rei Sapor II. Tal sorte tocou ao santo preceptor na habitação de Artaxerxes, irmão do mesmo soberano, na provincia de Abiadena, quando começou o primeiro frenesim da perseguição. Reproduzido com autorização de Santiebeati.it - responsável da tradução para espanhol: Xavier Villalta

• Elías, Pablo e Isidoro, Santos
Mártires

Elías, Pablo e Isidoro, Santos

Elías, Pablo e Isidoro, Santos

Martirologio Romano: Em Córdova, na região hispânica de Andaluzia, santos mártires Elías, presbítero, já ancião, e Paulo e Isidoro, monges jovens, que por sua fé cristã pereceram na perseguição levada a cabo pelos sarracenos. ( 856) Santo Elías natural da provincia de Lusitânia (hoje Portugal), homem temeroso de Deus pelo que se dedicou ao serviço da Igreja e no fim veio a ser sacerdote. Vivia em Córdova no tempo que a tirania sarracena enchia de santos o céu e a cidade: de honra com tão altos intercessores. Determinou entregar sua vida ao Criador defendendo sua doutrina, e a tal fim concertou tão notabilíssima empresa com dois jovens de santa vida e louváveis costumes, monges ambos chamados Paulo e Isidoro, com os quais se apresentou ao juiz, que ouvida sua profissão de fé, os mandou no momento decapitar no lugar costumeiro, junto às portas do Palácio no dia 17 de abril do ano 856. Seus corpos foram primeiro cravados em patíbulos para escarmento dos cristãos e depois arrojados ao rio, de onde os fieis com grande diligência tiraram algumas relíquias que repartiram segundo costume, pelas diversas Igrejas da cidade.

• Outros Santos e Beatos
Completando o santoral deste dia

Otros Santos y Beatos

Outros Santos e Beatos

Santos Pedro, diácono, e Hermógenes, mártires

Em Melitene, na Arménia, santos mártires Pedro, diácono, e Hermógenes, seu coadjutor (c. s. IV).

Santo Inocêncio, bispo

Em Tortona, da Ligúria, santo Inocêncio, bispo (s. IV).

São Pantagato, bispo

Em Vienne, em Burgundia, são Pantagato, bispo (540).

Santos Donnan, abade, junto com 52 monges, e mártires

Na ilha de Eigg, nas Hébridas interiores, frente a Escócia, são Donnan, abade, junto com 52 monges, que durante as celebrações pascais foram degolados ou queimados por uns piratas (617).

Beato Jacobo de Cerqueto, monge eremita presbítero

Em Perugia, da Umbría, beato Jacobo de Cerqueto, presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, que deu exemplo assumindo com alegria a enfermidade que o atacava(1367).

93003 > Sant’ Acacio di Militene Vescovo MR
90765 > Beata Chiara Gambacorti Domenicana  MR
20254 > Domenica delle Palme  (celebrazione mobile) - Solennità MR
49830 > San Donnano e compagni Martiri  MR
49840 > Santi Elia, Paolo e Isidoro Martiri  MR
49870 > Beato Enrico Heath (Paolo di Santa Maddalena) Sacerdote e martire  MR
49860 > Beato Giacomo da Cerqueto  MR
91520 > Sant' Innocenzo di Tortona Vescovo  MR
49325 > Beata Kateri (Caterina) Tekakwitha  MR
94431 > San Landerico Abate 
91295 > Beata Maria Anna di Gesù (Navarro) Mercedaria  MR
49820 > San Pantagato di Vienne Vescovo  MR
49810 > Santi Pietro ed Ermogene Martiri MR
49850 > San Roberto di La Chaise-Dieu Abate  MR
51350 > San Roberto di Molesme Abate di Citeaux MR
90856 > Beato Rodolfo di Berna Martire 
92746 > Santi Simeone Bar Sabba’e, Usthazade e compagni Martiri in Persia MR
91262 > San Wando (Vandone) Abate

 

 

http://es.catholic.net/santoral  -  www.santiebeati.it  -  www.jesuitas.pt - livros@snao.pt e www.jesuitas.pt

Recolha, transcrição e tradução de parte de algumas biografias, de espanhol para português, por António Fonseca

Nº 892-3 - A RELIGIÃO DE JESUS - DOMINGO DE RAMOS - 17 DE ABRIL DE 2011

 

892-3

Do livro A Religião de Jesus, de José Mª CastilloComentário ao Evangelho do diaCiclo A (2010-2011)Edição de Desclée De BrouwerHenao, 648009 Bilbaowww.edesclee.cominfo@edesclee.com: tradução de espanhol para português, por António Fonseca

17 de Abril - DOMINGO DE RAMOS

Mt 21, 1-11

Naquele tempo estando Jesus já próximo de Jerusalém, chegaram a Betfagé, junto ao monte das Oliveiras. Jesus enviou dois discípulos dizendo-lhes: «Ide à aldeia que está em frente de vós e logo encontrareis, presa, uma jumenta e com  ela um jumentinho. Soltai-os e trazei-mos. E se alguém vos disser alguma coisa, respondereis: O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá». Isto sucedeu para se cumprir que fora anunciado pelo profeta. «Dizei à filha de Sião: Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho, filho duma jumenta». Foram os discípulos e fizeram como Jesus lhes ordenara. Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima as suas capas e Jesus sentou-Se sobre elas. Numerosa multidão estendia as suas capas pelo caminho; outros cortavam ramos de árvores e espalhavam-nos pelo caminho. Toda esta multidão, tanto a que O precedia como a que O seguia, dizia em altos brados: «Hossana ao Filho de David! Bendito seja Aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas». Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou alvoroçada. «Quem é este?» perguntavam. E a multidão respondia: «É Jesus o profeta de Nazaré, da Galileia».

1. Para compreender o ensinamento deste episódio, convém ter em conta que uma coisa é o “facto histórico”, que aqui se relata; e outra coisa é a “interpretação religiosa”, que lhe dá o autor do IV Evangelho. O facto histórico é patente: Jesus entra na cidade Santa, em que (segundo a mentalidade judia) habita Yahvé, desde que a arca foi mudada para o Templo (2 Sam 6,7; 1 Re 6-8). Era o centro da religião e da espiritualidade (X. Léon-Dufour). A solenidade do momento encena-se mediante uma manifestação popular de enorme entusiasmo.

2. Mas a este facto dá-se uma interpretação inesperada, para o que então se pensava. Em Jesus, a gente viu o Rei de Israel, o sucessor de David, como indicam os textos do Antigo Testamento que são citados (Is 62, 11; Zac. 9, 9). Mas resulta que este grande Rei entra montado num burrico com sua asna, rodeado pelo povo simples e a gente ignorante que o aclama. E, para cúmulo, o “Filho de David” é identificado com “o profeta de Nazaré da Galileia”, o sítio precisamente de que “não podia sair nada bom” (Jo 1, 46) e do qual “não saiam profetas” (Jo 7, 52; 7, 41 b). A nós custa muito compreender a subversão que tudo isto representava naquele momento. Era pôr as coisas ao contrário. A máxima grandeza política realizou-se na mais profunda humildade social.

3. Reconheçamos honestamente que, neste ponto capital, a Igreja se equivocou. Porque se afastou das suas origens. Jesus não subiu nada mais que a um burrico, quando os seus representantes na terra, sobem em, carroças, altares, tronos e aparatosos meios de transporte. Isto não é secundário. Nem é acidental. Nossas torpes vaidades anularam a humildade a que Jesus deu tanta importância, para nos dizer quem era Ele e o que queria.

Compilação por

António Fonseca