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sábado, 9 de março de 2013

Nº 1579-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (77) - 5 de Março de 2013

Nº 1579 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)

segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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MARTINHO V

Martinho V

Martinho V

(1417-1431)

Ainda cardeal, abandonou a Cúria de Gregório XII e no Concílio de Pisa tomou parte na eleição dos antipapas Alexandre V e João XXIII.

Com os problemas do pontificado anterior, verificou-se uma sede vacante de quase dois anos e meio, até que no Concílio de Constança, composto de 23 cardeais, da Alemanha, França, Itália, Espanha e Inglaterra, até então em litígio, elegeram em 11 de Novembro de 1417 o diácono Oddone Colonna, que tomou o nome de Martinho V, um papa, indiscutivelmente legitimo, que punha fim ao cisma que durara 40 anos e que permitia que a Igreja tivesse novamente uma cabeça quase universalmente reconhecida.

Ao ser eleito, não era mais do que subdiácono com o título honorífico de cardeal, pelo que foi ordenado diácono, sacerdote, consagrado bispo e coroado papa, no palácio episcopal de Constança.

Martinho V, que não se destacava por dotes de ciência ou de letras, logo mostrou o acerto da sua eleição.

Era um homem modesto e conciliador, mas também enérgico e realizador.

Um dos primeiros atos do seu pontificado, ainda no decorrer do Concilio de Constança, foi a publicação duma bula em que condenava os erros de Wiclef (1320-1384), já condenados por Gregório XI, e os erros de Jan Huss (1364-1415). No prosseguimento do concílio, confirmou as penas canónicas contra a simonia e proibiu a acumulação de benefícios. Martinho V deu por encerrado o concílio em 22 de Abril de 1418 e determinou que o próximo se realizaria em 1423, em Pavia.

Decretou também a proibição de se apelar para o concílio contra o papa, rejeitando assim a superioridade do concílio sobre o papa, votada em Constança.

Como Roma continuava agitada e ocupada pelos Napolitanos, o papa permaneceu em Constança, até que em Maio de 1418 se dirigiu para Milão. Daí passou a Florença, onde recebeu a retratação do arrependido João XXIII e os embaixadores de Constantinopla, procurando a união das duas igrejas.

Finalmente, com Roma pacificada, ali entrou em 30 de Setembro de 1420, encontrando a cidade completamente arruinada e por isso começou, imediatamente, por criar uma polícia especial contra os bandidos e os vadios.

Procurou consolidar os Estados Pontifícios, dando coesão aos municípios e províncias e reduzindo o predomínio das famílias principais, que se consideravam superiores às próprias leis.

No campo espiritual, publicou, em 1423, a celebração dum jubileu pregado por São Bernardino de Sena e procurou incrementar a devoção à eucaristia e ao culto dos santos.

Dando seguimento às determinações do Concilio de Constança, o concílio indicado para Pavia teve de ser transferido para Siena, onde se iniciou em 23 de Março de 1423. O concílio foi de escassa importância, limitando-se a condenar novamente as heresias de Huss e a excomungar os ainda seguidores de Bento XIII. Foi ainda determinado que o próximo se realizaria em 1431, em Basileia, a que o papa já não assistiu, pois faleceu em Roma, aos 63 anos de idade, vítima de apoplexia.

No dizer dos historiadores da época, o povo chorou-o como se tivesse perdido o melhor dos pais e o epitáfio do seu sepulcro exalta-o com temporum suorum felicitas.

No que respeita a Portugal, Martinho V interveio nos confrontos entre a autoridade real e a Igreja e sabendo dos vexames que D. João I infligia ao clero, expediu uma bula aos metropolitas de Braga e Lisboa, na qual, depois de se referir ao abusos perpetrados pelo rei, mandava que lhe fossem enviadas a Roma pessoas idóneas para tratarem com  ele do assunto.

D. João I receoso, apressou-se a reparar os agravos, firmando com os bispos reunidos em Santarém, em 30 de Agosto de 1427, uma concordata com 94 artigos para sanar os diferendos.

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BENTO XIV - ANTIPAPA

Bento XIV

(1425-1430)

Pouco se conhece da vida deste antipapa, sabendo-se que foi um dos que surgiram da jura feita a Bento XIII à hora da morte, pelos cardeais que lhe eram fiéis.

 

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EUGÉNIO IV

Eugenio IV

Eugénio IV

(1431-1447)

Gabriele Condulmaro ficou rico ainda muito jovem e decidiu doar 20 000 ducados aos pobres e entrar no mosteiro dos monges agostinhos.

Antigo eremita de Santo Agostinho, o cardeal Gabriele Condulmaro impôs-se ao concílio pela sua virtude e austeridade, vindo a ser eleito papa, com o nome de Eugénio IV, em 3 de Março de 1431, e coroado em Roma a 11 do mesmo mês.

Por uma bula publicada após a eleição comprometeu-se a reunir um concílio para reforma da igreja e a não tomar nenhuma decisão importante sem consultar o Colégio Cardinalício.

Entretanto, outros parentes de Gregório XII fazem-lhe oposição, porque depois de saquearem o tesouro da Santa Sé pretendiam conservar a propriedade do Castelo de Santo Ângelo e outras localidades, o que obrigou Eugénio IV a lançar sobre eles a excomunhão.

Para prosseguir e concretizar a reforma convocou o concílio de Basileia, que teve pouca concorrência devido à guerra entre a França e a Inglaterra. Declara o concílio encerrado, transferindo-o para Bolonha.  A bula da dissolução foi mal recebida pelos prelados e pelos doutores, que, sob  a proteção do imperador Segismundo, reafirmaram a autoridade do concílio superior à do papa. Da Universidade de Paris chegou também uma mensagem violenta contra o papa.

Temendo o pior, Eugénio IV mostra-se disposto a reabrir o Concilio de Basileia, mas, entretanto, Segismundo dirige-se a Itália, sendo coroado em São Pedro, em 31 de maio de 1433. De regresso à Alemanha passa por Basileia procurando solucionar o conflito pendente e Eugénio IV faz promessas mais amplas, exigindo apenas que o concílio anulasse os decretos que colidiam com o poder papal.

Inesperadamente, o duque de Milão, com outros capitães, dizendo-se mandatados pelo concílio, invadem os territórios pontifícios, chegando às portas de Roma. Eugénio IV, disfarçado de frade, foge para Florença  e envia delegados a Basileia com propostas conciliadoras que não são bem recebidas, o que o leva a declarar o V Concilio trasladado para Ferrara. Enfurecidos, os renitentes de Basileia, em Janeiro de 1438, declaram Eugénio suspenso das suas funções e, em Novembro de 1439, com a presença de um único cardeal e apenas 11 bispos, sete abades e nove canonistas, organizam um conclave que elege papa o duque Amadeu VIII de Saboia. O duque é coroado com o nome de Félix V (o último dos antipapas), durando dez anos esse ridículo pontificado, até que entregou o seu arrependimento a Nicolau V, sucessor de Eugénio IV, que o tratou com benignidade.

Entretanto, Eugénio IV, alheio às bizarrias do antipapa, começa a receber o arrependimento dos príncipes que lhe eram hostis e até de alguns cardeais,. uns e outros a retirarem o apoio dado aos conciliaristas, submetendo-se ao papa.

Eugénio IV, para alcançar uma conciliação com a Igreja do Oriente, convoca o Concilio de Ferrara numa altura em que a peste começa a aparecer naquela cidade. Transfere então o concílio para Florença (1439), onde se chega, finalmente, a acordo, mostrando-se os Gregos convencidos com a argumentação dos Latinos. Feliz com este resultado, Eugénio IV escreve uma bula onde anuncia o acordo a toda a Cristandade. «Alegrai-vos, ó céus, salta de gozo, ó terra, porque é completa a paz na igreja de Cristo». Contudo, a alegria foi curta porque o clero bizantino não recebeu bem os representantes que se tinham deslocado ao Ocidente. manobrou o povo fanatizado pela rivalidade e ódio contra Roma e encarcerou o metropolita Isidoro.

Ao morrer, Eugénio IV exclamou no seu leito de morte: «Muitas tempestades agitaram esta Sede, mas as minhas intenções foram rectas e, neste terrível momento, conforta-me o pensamento de que a misericórdia divina olha mais para a boa vontade do que para aquilo que se consegue».

Durante o seu pontificado, dedicou-se à reconstrução material e artística de Roma, tendo-se rodeado de artistas como Fra Angelico e Donatello.

Ele próprio mandou fazer as portas de bronze que ainda hoje adornam, a entrada de São Pedro, encarregando Fra Angelico de decorar a Capela do Santíssimo Sacramento, no Vaticano.

Também teve influência em Portugal, no conflito entre o clero e D. Duarte, o que motivaria uma bula a lembrar-lhes as suas obrigações. Confirmou, ainda, a Congregação dos Cónegos de São Salvador de Vilar de Frades, mais tardes chamados Frades Lóios, nome derivado de Santo Elói, cujo mosteiro em Lisboa lhes pertencia.

FÉLIX V -   -  O Último ANTIPAPA

Félix V

(1439-1449)

 

O papa Eugénio IV, ao convocar o Concilio de Basileia, transferindo-o depois para Bolonha, provocou a ira dos prelados e dos doutores que o contestavam. Dizendo-se mandatado dos conciliares, o duque de Milão  chega às portas de Roma, o que leva o papa a fugir para Florença, de onde envia novas propostas conciliadoras para Basileia, mas nem assim conseguiu que cedessem. Pelo contrário, em Janeiro de 1438, o Concilio de Basileia declara Eugénio IV suspenso das suas funções e, em 5 de Novembro de 1439, com a presença de um único cardeal e apenas 11 bispos, sete abades e nove canonistas, organizam um conclave que elege, para o substituir, Amadeu, 8º duque de Saboia, uma pessoa de bons costumes, viúvo e que tinha nove filhos, mas que de religião não sabia mais do que o catecismo elementar. Amadeu havia fundado em Ripaille a Ordem dos Santos Maurício e Lázaro, cuja divisa é Serville Deo Regnare Est, deixando o seu castelo de Ripaille, para se tornar no papa Félix V.

Amadeu tinha unificado os domínios da Casa de Saboia, promulgando os respectivos Estatutos, pelo que tomou o título de 8º duque de Saboia, mas como papa foi uma desilusão.

Dele dizia o seu secretário Eneias Sílvio: «Feliz príncipe, se a ambição das dignidades não lhe tivesse manchado a velhice».

Voltaire, a seu respeito, escreveu: «Ó bizarro Amadeu, Amadeu! Tu quiseste ser papa e deixaste de ser ajuizado».

A verdade é que após dez anos de um ridículo pontificado, vendo que ninguém fazia caso dele, em 7 de Abril de 1449 abdicou, mostrando o seu arrependimento a Nicolau V, sucessor de Eugénio IV, que ele nunca suplantara, e o papa tratou-o de forma benigna, pois nomeou-o vigário de Saboia e, mais tarde, cardeal com uma pensão vitalícia e a mais alta posição no Colégio Cardinalício.

Morreu em Genebra, e com ele desapareceu o último antipapa da história do papado, porque tudo começou em 217 quando Santo Hipólito foi considerado antipapa, o primeiro da história da igreja, e foram precisos treze séculos para que este problema terminasse de vez.

 

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 5-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

Nº 1578-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (76) - 4 de Março de 2013

Nº 1578 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)

segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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CLEMENTE VII  -  ANTIPAPA

Clemente VII

(1378-1394)

Depois da morte de Gregório XI, em 1378, enquanto os cardeais deliberavam acerca da eleição do novo papa, o povo romano gritava diante das portas do Vaticano: «Nós queremo-lo romano, senão, matá-los-emos a todos». O conclave acabava de eleger um italiano, quando a multidão invadiu o palácio.

No dia seguinte, os cardeais entronizaram Urbano VI, que era um homem desabrido, que tratava publicamente por patife o cardeal de Amiens e por imbecil o cardeal Orsini, declarando aos cardeais franceses que nada mais tinham que fazer senão calarem-se.

Treze cardeais franceses, alegando terem sido obrigados a votar em Urbano VI, alcançaram em segredo Anagni, onde, sob a proteção de gascões e de navarros, comandados por Du Guesclin, declaram forçada e nula a eleição de Roma e elegeram em 20 de maio de 1378, Roberto de Genebra, como papa, com o nome de Clemente VII. Este foi para Avinhão, levando o cisma a dividir a Cristandade durante 40 anos.

A França apoiou o papa de Avinhão com o reino de Nápoles e a Escócia. Pelo papa de Roma tomaram partido a Itália do Norte, Alemanha, países escandinavos e da Europa Central.

A Espanha e Portugal tiveram posições divergentes. A Espanha começou por apoiar Urbano VI, mas depois, por pressão da França, passou-se para Clemente VII. Quanto a Portugal, o rei D. Fernando começou por apoiar Clemente VII, mas depois passou a apoiar Urbano VI.

Clemente VII entra em Avinhão em 20 de Setembro de 1379 e o cristianismo passa a ter dois papas.

Este papa jovem, apoiado pelos países mais ricos da Cristandade, retoma a vida faustosa que amava e a corte papal retoma as suas tradições brilhantes.

Pretende mostrar a sua legitimidade, enquanto em Itália, Urbano VI, num ataque de paranoia, faz executar alguns dos seus cardeais.

Entretanto, na corte de Clemente VII, aparece um jovem cardeal, de nome Pierre do Luxemburgo, um homem santo, tão piedoso que a sua morte foi causada, prematuramente, por privações e penitências. O seu túmulo, depois transformado em capela, passou a ser um lugar de recolhimento e de milagres, visitado por muitos peregrinos.

Clemente VII morreu de apoplexia, em Avinhão.

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BENTO XIII  -  ANTIPAPA

Bento XIII

(1394-1423)

Quando Clemente VII morreu, os cardeais elegeram, em 28 de Setembro de 1394, outro antipapa, com o nome de Bento XIII, o espanhol Pedro de Luna, um homem com formação jurídica.

Depois de eleito propôs um encontro pessoal com Bonifácio IX, do qual nada resultou.

Por incumprimento da promessa de terminar com o Cisma do Ocidente e também devido à oposição francesa e a outras circunstâncias, foi deposto em 1398. Como se negasse a entregar a tiara, foi cercado em Avinhão, de onde fugiu para Peniscola, continuando a manter os seus direitos, apesar de ter sido condenado pelo Concilio de Pisa e de Constança (Julho de 1417).

O concílio foi proposto pelo imperador do Sacro Império, Segismundo, para acabar com a heresia hussita, sendo convocado pelo antipapa João XXIII, terminando com o Cisma do Ocidente e a eleição de Martinho V.

Entretanto, viveu ainda mais cinco anos, continuou na Páscoa com os ataques ao rei de Aragão e aos cardeais que o tinham abandonado depois de ter sido deposto pelo Concílio de Constança, em 26 de Julho de 1417.

Antes de morrer, em Peniscola, obrigou três cardeais que lhe eram fiéis a jurar que iriam eleger um seu sucessor. Os cardeais cumpriram a jura e assim apareceu o antipapa Clemente VIII (1423-1429), que abdicou e se submeteu a Roma, e o antipapa Bento XIV (1425-1430).

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ALEXANDRE V  -  ANTIPAPA

Alexandre V

(1409-1410)

O Conciliábulo de Pisa reuniu em Cândia, em 1409, para resolver o problema de dois papas que não desistiam do pontificado: o antipapa Bento XIII e o papa Gregório XII. A 15 de Junho de 1409 ambos foram depostos, depois de serem declarados cismáticos e hereges. Logo a seguir, a 26 desse mesmo mês, elegem novo papa, o arcebispo de Milão, Pietro Filargo, que toma o nome de Alexandre V. Havia então três papas.

Os patriarcas de Alquileia e de Veneza passaram a apoiar a causa de Alexandre V, o que lhe deu força para aprisionar Gregório XII, mas este conseguiu fugir para Gaeta, no reino de Nápoles.

Após a fuga do papa, Alexandre V, auxiliado pelas tropas de Luís de Anjou, apodera-se dos Estados Pontifícios, mas, quando se ia transferir para Roma, foi surpreendido pela morte em 1410, poucos meses depois da sua eleição.

Alexandre V, que pertencia à ordem dos Franciscanos, distinguiu-se pela sua sabedoria e bondade.

JOÃO XXIII  -  ANTIPAPA

João XXIII

(1410-1415)

Depois de eleito papa, Gregório XII enviou cartas ao antipapa Bento XIII, aos cardeais  de Avinhão, à Universidade de Paris e a diversos soberanos, para conseguir uma união na igreja.

O antipapa Bento XIII negou-se a renunciar e o rei de França deu-lhe ordem de prisão, mas Bento conseguiu fugir e refugiar-se em Aragão.

O Concílio de Pisa (25-3-1409) pretende destituir o papa Gregório XII e o antipapa Bento XIII, mas perdeu tempo em discussões inúteis e só em 15 de Junho de 1409, conseguiram destitui-los, elegendo o arcebispo de Milão, Pietro Filargo, que toma o nome de Alexandre V, afinal outro antipapa. Tanto Gregório XII como Bento XIII protestam e não aceitam esta decisão, chegando-se ao cúmulo de haver três papas, sendo dois ilegítimos.

Alexandre V, auxiliado pelas tropas de Louis de Anjou, consegue apoderar-se dos Estados Pontifícios, mas morre poucos meses depois da sua falsa eleição. Surge então novo antipapa, o cardeal napolitano Baltazar da Cossa, eleito em 17 de Maio de 1410, que toma o nome de João XXIII. João era um político enérgico, antigo militar, um homem orgulhoso, que foi logo instalar-se em Roma, auxiliado pelas tropas de Luís de Anjou, obrigando Gregório XII a refugiar-se em Rimini, mas pouco tempo esteve em Roma, sendo expulso pelo rei de Nápoles.

João não desiste, pede ajuda ao imperador Segismundo e este, querendo livrar-se dele, convoca o Concilio de Constança, disposto a destituir os três papas, para eleger outro. O antipapa percebe o que se passa, foge e vai pedir ajuda ao duque Frederico de Áustria. Não conseguiu a ajuda desejada e foi feito prisioneiro, aceitando humildemente a deposição. Quando foi libertado dirigiu-se a Roma para prestar obediência a Martinho V, então papa legitimo; este, condoído, perdoou e restituiu-lhe a dignidade cardinalícia, passando a ser cardeal-bispo de Túsculo.

No local da sua morte, em Florença, foi erigido em sua memória um belo monumento.

Só passados mais de 500 anos, o patriarca de Veneza, Ângelo Roncalli, ao ser eleito papa e ao adoptar o nome de João XXIII, relegou definitivamente o outro João para o rol dos antipapas e usurpadores.

CLEMENTE VIII - ANTIPAPA

Clemente VIII

(1423-1429)

 

Os cardeais que tinham jurado a Bento XIII que elegeriam um seu sucessor cumpriram o prometido e, em 10 de Junho de 1423, elegeram um homem sem importância e quase desconhecido como antipapa, com o nome de Clemente VIII.

O antipapa, cujo percurso se desconhece, prenunciou em 26 de Julho de 1429, já quando Martinho V era o papa legítimo.

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 4-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

Nº 1577-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (75) - 3 de Março de 2013

Nº 1577 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)

segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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BONIFÁCIO IX

Bonifacio IX

Bonifácio IX

(1389-1404)

A eleição do sucessor de Urbano VI podia ter acabado com o Cisma do Ocidente, se os cardeais eleitores tivessem optado pelo antipapa Clemente VII, tornando-o legítimo, mas os cardeais, fiéis a Roma, escolheram, em 2 de Outubro de 1389, o cardeal Pietro Tomacelli, que tomou o nome de Bonifácio IX.

Apesar de jovem (tinha 35 anos), sem grande saber teológico, era uma pessoa que se impunha pelas suas qualidades de carácter: afável e compreensivo.

Logo que foi eleito esforçou-se pela pacificação, estabelecimento da ordem e pelo fomento das diversas obras públicas dos Estados Pontifícios.

No intuito de acabar com o cisma, não responde a Clemente VII quando este o excomungou e, pelo contrário, fez-lhe saber que o único caminho para a reconciliação seria a completa submissão ao único pontífice, o residente em Roma. Bonifácio IX prometia tratá-lo com  clemência e fazê-lo seu representante em França.

É então que a Universidade de Paris propõe um concílio ecuménico como solução: tanto Clemente VII como Bonifácio IX deviam abdicar. Os cardeais de Avinhão concordam, mas, entretanto, Clemente VII morre de apoplexia.

Em 1394, os cardeais de Avinhão, esquecendo todos os pedidos, elegem um novo antipapa, o cardeal de Aragão, Pedro de Luna, que tomou o nome de Bento XIII e que, logo que foi eleito, recusou a abdicação.

O rei Carlos VI, de França e a Universidade de Paris, pedem às cortes europeias para fazerem pressão para que as duas partes litigantes permitam uma nova eleição com legitimidade assegurada. A Universidade de Oxford, porém, não admitia dúvidas, pois estava com Bonifácio IX.

Em Maio e Junho de 1398, reúne-se em Paris uma assembleia de bispos, clero e doutores, que, após longos debates, toma a resolução de negar obediência a Bento XIII, tratando-o como perjuro, pois antes de ser eleito era favorável à renúncia de ambos os papas para se fazer nova eleição e agora se negava a abdicar.

O povo continuava desnorteado, até pelas profecias de que o fim do mundo viria com o fim do século.

Depois de muitas opressões, do rei de França e da Universidade de Paris, o antipapa Bento XIII envia uma embaixada a Roma, a propor um encontro conciliador, mas tal não foi possível porque Bonifácio faleceu em 1 de Outubro de 1404.

Segundo o abade de Cedovim, Joaquim de Azevedo, foi Bonifácio IX que «erigiu em arcebispado a metrópole de Lisboa».

 

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INOCÊNCIO VII

Inocencio VII

Inocêncio VII

(1404-1406)

Com a morte de Bonifácio IX e com o antipapa Bento XIII a prometer que iria renunciar aos seus supostos direitos, os cardeais eleitores, de Avinhão e de Roma, esperavam eleger um papa inteiramente legítimo e acabar com o cisma, mas os legados de Bento XIII mostraram-se evasivos, não dando garantias seguras sobre a prometida renúncia, pelo que o conclave elegeu, em 12 de Outubro de 1404, o cardeal Cósimo Migliorati, que tomou o nome de Inocêncio VII.

Após a eleição, Bento XIII fingindo querer resolver o problema, dirige-se para Génova acompanhado de forte escolta armada e propõe um encontro com Inocêncio VII. O papa, informado dos verdadeiros intentos do antipapa, negou-se a ir ao seu encontro.

O rei de Nápoles instiga tumultos em Roma e Inocêncio VII foi obrigado a fugir para Viterbo, de onde só regressou no principio de 1406.

Durante o pouco tempo calmo que teve em Roma, dedicou-se à reforma da Universidade de Roma, criando novas cadeiras de Medicina, Filosofia, Lógica, Retórica e de Língua e Literatura Grega e levando para ali ensinar dois grandes humanistas: Poggio Bracciolini e Leonardo Bruni.

Morreu em Roma, sendo sepultado em São Pedro.

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GREGÓRIO XII

Gregorio XII

Gregório XII

(1406-1415)

Os 14 cardeais fiéis a Roma comprometeram-se a renunciar ao pontificado, se algum deles fosse eleito, com a condição de Bento XIII também renunciar, muito embora semelhante compromisso fosse canonicamente irregular.

A eleição deu-se, em 30 de Novembro de 1406, e foi escolhido o cardeal Ângelo Corrario, que tomou o nome de Gregório XII.

Logo que foi eleito, enviou cartas a Bento XIII, aos cardeais de Avinhão, à Universidade de Paris e aos soberanos cristãos, mostrando-se disposto a renunciar, se Bento XIII fizesse o mesmo, com vista a acabar com o cisma e a promover a desejada união.

Bento XIII recusa-se a renunciar e o rei de França manda prender o antipapa, mas ele consegue fugir para Aragão.

Por sugestão do rei de França, os cardeais de Avinhão abandonam, Gregório XII e resolvem convocar um concílio para Pisa, onde a 25 de março de 1409 pretendem depor Gregório XII e Bento XIII e eleger um novo papa. Em 5 de Junho de 1409 ambos os papas foram depostos como favorecedores do cisma, hereges e perjuros.

Em 26 de Junho de 1409 elegem um novo papa, Pietro Filargo, que tomou o nome de Alexandre V.

Deu-se então, uma incrível situação, inédita na história da Igreja. Como os dois papas depostos não aceitavam essa determinação e tinha sido eleito um novo papa, existiam três papas e o cisma, em vez de terminar, agravava-se.

Os patriarcas de Alquileia e Veneza, adeptos da causa de Alexandre V, tentam um golpe para se apoderarem de Gregório XII, mas este conseguiu fugir para Gaeta, no reino de Nápoles, ao mesmo tempo que Alexandre V, auxiliado pelas tropas de Louis de Anjou, se apoderava dos Estados Pontifícios. Pouco depois, quando seguia para Roma, Alexandre V foi surpreendido pela morte.

Os cardeais que o apoiavam não desistem nem perdem tempo e elegem, rapidamente, novo antipapa, desta vez Baltazar de Cossas, que toma o nome de João XXIII e que se instala em Roma, enquanto Gregório XII foge para Rimini, mas por pouco tempo, pois o rei de Nápoles consegue expulsá-lo.

Gregório XII acolhe-se à proteção de Segismundo, imperador germânico, e este, aproveitando-se dele, convoca o Concilio de Constança.

João XXIII aceita o concílio, pensando que ia ganhar, mas quando percebeu que a ideia era depor os três papas, consegue fugir, indo pedir proteção ao duque Frederico da Áustria.

Depois de alguma perturbação, o concílio continuou e João XXIII, prisioneiro do imperador, aceita humildemente a sua deposição e Gregório XII, através dos seus legados, abdicou nesse concílio, em 4 de Julho de 1415. Estrela

Restava Bento XIII, que continuava renitente, e o mesmo concílio acabou por destitui-lo em 26 de Julho de 1417, proibindo os fiéis, com severas penas, de lhe prestarem obediência.

Gregório XII, depois de renunciar, morreu passados dois anos, em Recanati, vinte dias antes da eleição do novo papa, Martinho V, este indiscutivelmente, o legitimo sumo pontífice.

Estrela  Como se verifica este papa foi o 2º (realmente eleito) que abdicou do Pontificado – embora tenha sido deposto conciliarmente e em condições absolutamente inéditas – conforme está expresso neste texto, (em que durante cerca de 9 anos, chegou a haver 4 papas, embora só 3 o tivessem sido ao mesmo tempo, e com  exceção deste (Gregório XII), todos os outros foram antipapas) 

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 3-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

Nº 1576-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (74) - 2 de Março de 2013

Nº 1576 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)

segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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BEATO URBANO V

Beato Urbano V

Beato Urbano V

(1334-1342)

Os cardeais eleitores pretendiam mais uma vez eleger um papa francês, e perante a recusa do cardeal Hugo Roger, irmão de Clemente VI, escolheram, em 28 de Setembro de 1362, o Abade de São Vítor, Guilherme de Grimoard, que tomou o nome de Urbano V, dizendo que o fazia porque «todos os papas que levaram este nome, foram santos».

Logo que foi eleito deu nova dinâmica à Cúria, exigindo mais brevidade no despacho dos assuntos e dando ele próprio o exemplo de atividade.

O seu pontificado ficou assinalado pelo envio de missionários para as Índias, China e Lituânia, pela pregação de uma nova cruzada, pelo apoio que deu aos estudos eclesiásticos e por diversas reformas que levou a efeito na administração da Igreja.

Depois de renovar a excomunhão de Inocêncio VI contra Pedro IV, rei de Castela, assassino de sua mulher e polígamo, autorizou Henrique de Trastâmara, seu irmão, a destroná-lo.

Em 1367, Urbano V achou que era a altura de voltar a Roma. Em 30 de Abril põe.-se a caminho de Marselha e em 19 de Maio embarca, acompanhado de 60 galeras que as principais cidades marítimas italianas tinham enviado ao seu encontro. Em 3 de Junho desembarcou em Corneto e em 16 de Outubro fez a sua entrada triunfal em Roma.

Os monarcas começaram a chegar à Cidade Eterna em sinal de cortesia. A rainha de Nápoles, o rei de Chipre, o imperador Carlos IV e, principalmente, João Paleólogo, imperador bizantino, fazendo uma solene abjuração do Cisma do Oriente, proclamando a sua fé católica e o firme desejo de se empenhar na união das duas igrejas. Infelizmente a desejada união não se deu, pois os Bizantinos não secundaram a ideia e os monarcas ocidentais não reagiram favoravelmente para debelar o perigo turco, que se verificou quando tomaram Constantinopla, as possessões de Veneza, bem como a Bulgária, a Sérvia e a Roménia, enquanto os ocidentais olhavam mais os seus interesses económicos do que as questões da fé.

A agravar a situação, a França e a Inglaterra, depois de uma curta paz, voltaram a envolver-se em guerra, pelo que, em 26 de Dezembro  de 1370 o papa regressou a Avinhão. Aí, mudou-se para casa do irmão, por não desejar acabar a vida num palácio e por sua ordem as portas de casa estavam sempre abertas para que todos pudessem entrar livremente  e ver «como morre um papa».

Faleceu num pobre leito, vestido com o seu modesto hábito monacal.

Urbano V foi um papa piedoso e austero, tendo-se empenhado em reformas necessárias e em acabar com os abusos na acumulação de benefícios e no absentismo de muitos prelados que, vivendo fora das dioceses, usufruíam as regalias do título sem se preocuparem com os problemas da sua função.

A ele se deve a instituição da festa da Visitação de Santíssima Virgem.

Distinguiu-se como patrocinador da cultura, auxiliando e defendeu com estatutos muitas universidades do seu tempo.

 

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GREGÓRIO XI

Gregorio XI

Gregório XI

(1370-1378)

Com exceção de dois italianos e um inglês, todos os cardeais eleitores eram franceses e a escolha, em 30 de Dezembro de 1370, recaiu num francês, o cardeal Pierre Roger de Beaufort, um diácono de 40 anos, de saúde precária, que foi entronizado a 5 de Janeiro de 1371 e tomou o nome de Gregório XI.

Mesmo sendo uma pessoa de bondade natural, mostrou-se enérgico ao declarar, logo após a eleição, que iria regressar a Roma. Não o conseguiu logo, pois só seis anos depois isso lhe foi possível.

Os estados Pontifícios, governados por franceses, revoltaram-se e Gregório XI atuou energicamente, lançando excomunhões e até mandando contra Florença um exército, por ele recrutado entre aventureiros e salteadores, que, à margem das suas ordens e ideias, cometeram desmandos e atrocidades terríveis.

Por essa altura, secundando as insistências de Santa Brígida da Suécia, deu-se a intervenção de uma jovem camponesa, a dominicana Catarina de Sena, a insistir com o papa para regressar a Roma: «Em nome de Jesus Cristo crucificado e da doce Virgem Maria, Reverendíssimo e diletíssimo pai em Cristo Jesus: a vossa indigna e pobre filha Catarina, serva e escrava dos servos de Jesus Cristo no seu precioso sangue, vos escreve com desejo de vos ver como árvore cheia de doces e suaves frutos plantada em terra frutífera. Oh paizinho meu (babbo mio), doce Cristo na terra!… Peço-vos que procedais virilmente, seguindo a Cristo como vigário seu».

Mesmo conhecendo a santidade da jovem camponesa, os extraordinários dos místicos que Deus lhe concedera e aceitando com veneração e humildade as suas filiais advertências e exortações, Gregório XI não se decidiu a ir para Roma, pelo que Catarina de Sena resolve ir a Avinhão para lhe falar.

Depois de examinada a sua ortodoxia e virtude, foi recebida por Gregório XI, que, influenciado ou não pela jovem dominicana e pela sua veemência, resolve finalmente regressar a Roma e três meses depois, em 13 de Setembro de 1376, põe-se a caminho acompanhado de 13 cardeais e uma frota de várias fragatas de diversas cidades italianas. Em 17 de Janeiro de 1377 chega triunfalmente ao Vaticano e nesse mesmo mês concluiu-se a transferência completa da Cúria.

O regresso, contudo, não foi feliz, porque, a poucos dias depois, Roma começa a discutir a autoridade pontifícia e Florença, ainda com as queixas dos ataques sofridos, não quer sujeitar-se à Santa Sé.

Santa Catarina de Sena resolve ir àquela cidade para conseguir a paz, mas o povo enfurece-se e ameaça queimá-la viva. Catarina não se intimida, persiste e consegue o entendimento entre Florença e Roma, onde, entretanto. Gregório XI tinha piorado de saúde. Na tentativa de melhorar, na época de Verão, muda-se para Anagni, mas, meses depois, regressa a Roma ainda mais doente, falecendo aos 47 anos de idade.

Desaparecia o último papa francês, o pontífice que tirou o papado de Avinhão, depois de 67 anos e sete papas, terminando aquilo que os cronistas da época designaram por «cativeiro da Babilónia».

No que respeita a Portugal, ao suspeitar-se de que se tinham introduzido no país alguns erros de doutrina, Gregório XI emite, em 1376, uma bula para Agapito Colonna, bispo de Lisboa,  em que o «encarregava, visto não haver inquisidores neste país, de escolher um  franciscano, dotado dos requisitos necessários para o mister de inquisidor para que verificasse a existência de heresias e zelosamente as perseguisse e as extirpasse». Frei Martim Vasques foi o escolhido e é ele o primeiro reconhecido para este cargo em Portugal.

No fim do século XIV a Inquisição era quase nula em Portugal, sendo no século XV apenas uma questão fradesca, até ser estabelecida em definitivo.

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URBANO VI

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Urbano VI

(1378-1389)

Depois de quase 70 anos de papas em Avinhão e no regresso a Roma, a eleição do novo pontífice era importante, mas os Romanos recusavam um papa francês, pelo que a eleição foi tumultuosa e acabou por dar origem a uma das questões mais discutidas da história da Igreja: o Cisma do Ocidente.

O conclave teve início em 8 de Abril de 1378, mas logo no primeiro dia foi invadido por homens armados, dificilmente expulsos, que continuaram pelas ruas gritando: «romano lo volemo» (queremo-lo romano).

Os cardeais eleitores, pressionados pelos Romanos, não perderam tempo e no dia seguinte optaram pelo arcebispo de Bari, um napolitano chamado Bartolomeo Prignani, que escolheu o nome de Urbano VI e que foi sagrado no dia 18 do mesmo mês.

Os tumultos continuaram e houve quem sugerisse a Urbano VI que renunciasse, mas ele mostrou-se firme, respondendo: «nem que visse mil espadas contra mim não renunciaria».

A verdade é que havia dúvidas quanto à legalidade da eleição, pois os cardeais podiam ter votado coagidos pelo medo, mas depois de interrogados, 12 dos 16 cardeais eleitores declararam ter votado de livre vontade. Mesmo os cardeais que tinham ficado em Avinhão, não comparecendo ao conclave, ao serem notificados da eleição, enviaram saudações e a sua adesão a Urbano VI, o que prova a validade da eleição.

Existe um documento de grande valor a confirmar a validade. Uma carta enviada de Roma, com data de 8 de Maio de 1378, dirigida ao nosso rei D. Fernando (como terá sido dirigida a todos os monarcas europeus), assinada por todos os cardeais eleitores a comunicar a eleição do arcebispo de Bari como papa. Diz assim : «(…) Por esta razão, nos pareceu informar-vos de que nestes dias se obrou na Santa Igreja Romana, para que não deis crédito a outras coisas, se acaso vo-las escreverem e disserem: e também para que a vossa consciência, informada por esta nossa atestação, sossegue e descanse sabendo a verdade (…)

Ilustrados, como plenamente cremos, por aquele Divino Luzeiro que não conhece ocaso, demos livremente beneplácito ao arcebispo de Bari (…) e o elegemos concordemente para o alto da grandeza apostólica (…)»

O certo é que esta eleição de Urbano VI deu origem, e muito por sua culpa, ao Cisma do Ocidente, pois Urbano VI, uma vez entronizado, mostrou-se intransigente, intratável, cruel e até vingativo. Com fúrias de renovador, começou por indispor a Cúria e os cardeais que o tinham elegido, para os quais teve atitudes irascíveis e palavras duras.

Perante isto, 13 cardeais alcançaram Anagni em segredo e aí, sob a proteção de gascões e de navarros, declararam ter sido forçada e nula a eleição de Roma e, em 20 de Setembro de 1378, elegeram com o nome de Clemente VII um antipapa que fixou residência em Avinhão.

A Igreja tinha dois papas e o mundo católico ficou algo perturbado. Fiéis a Roma estavam a Inglaterra, os países escandinavos e eslavos, a Itália, Hungria, Polónia e a Flandres. A França, a Escócia e o reino de Nápoles eram a favor de Clemente VII. A Alemanha estava dividida: a Norte com Urbano, o Sul com Clemente. A Espanha começou com Urbano, mas, por pressões da França, passou-se para Clemente, e em Portugal foi o inverso, pois o rei D. Fernando começou com Clemente, aceitando até que transferisse o bispo de Silves para o bispado de Lisboa, mas por pressão dos Ingleses passou a obedecer a Urbano VI, apoiado por vários bispos, tendo à frente o bispo de Braga, D. Lourenço Vicente, que se reuniram no princípio de 1383, em Santarém, para confirmarem esta adesão.

O povo português também, tomou partido e a tal ponto que o bispo D. Martinho o tal transferido pro Clemente VII para Lisboa – , de origem espanhola, foi assassinado pelos populares, atirado do alto duma das torres da Sé e mutilado com o pretexto de ser cismático e de obediente ao antipapa.

Morto D. Fernando e aclamado o Mestre de Avis, todos os prelados assinaram a ata da sua eleição nas Cortes de Coimbra, em 6 de Abril de 1385, declararam obediência a Urbano VI. Esta atitude terá influído no reconhecimento de D. João I por parte de Urbano VI.

O cisma levantava grandes problemas. Havia dois papas e duas cúrias. Cada um dos papas mantinha uma corte que custava dinheiro aos fiéis. cada qual excomungava o outro e os seus adeptos, o que significava que toda a Cristandade estava excomungada.

Havia lutas nos Estados Pontifícios. Numa conjura em Nápoles, envolveram-se vários cardeais, mas a revolta foi sufocada por Urbano VI, que se mostrou cruel. Mandou prendê-los e depois foram mortos no cárcere.

Entretanto, Clemente VII consegue arranjar um exército de aventureiros contra Urbano VI, mas as milícias fiéis ao papa conseguem vencer e Urbano VI pôde fixar residência no Vaticano.

Os últimos anos de vida de Urbano VI foram terríveis. Capturado pelo rei de Nápoles ficou prisioneiro em Nocera, conseguiu evadir-se, mas o seu desequilíbrio mental agravou-se e quando morreu em Roma, mesmo os que lhe reconheciam a legitimidade se sentiram aliviados.

Durante o seu pontificado deu-se o ingresso da Lituânia no seio da Igreja Católica, com a conversão de Ladislau em 1386 e em dieta reunida em Viena, no ano seguinte, o cristianismo, é declarado religião do Estado, recebendo o povo, em massa, o batismo.

 

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 2-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

Nº 1575-3 - A VIDA DOS PAPAS DA IGREJA CATÓLICA - (73) - 1 de Março de 2013

Nº 1575 - (3)

BOM ANO DE 2013

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Caros Amigos:

Desde o passado dia 11-12-12 que venho a transcrever as Vidas do Papas (e Antipapas)

segundo textos do Livro O PAPADO – 2000 Anos de História.

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BENTO XII

Bento XII

Bento XII

(1334-1342)

Jacques Fournier era um homem humilde que estudou na Universidade de Paris, onde se doutorou em Teologia, entrou na Ordem de Cister e foi nomeado Abade, depois Bispo e Cardeal.

Era um teólogo de renome, sendo o escolhido pelos cardeais eleitores em 20 de dezembro de 1334 e sagrado em 28 de Janeiro de 1335. Tomou o nome de Bento XII e ficou a residir em Avinhão, como já acontecia com todos os papas desde 1305.

Uma das suas principais intervenções como papa foi acabar com as disputas sobre a visão beatifica, definindo como dogma de fé a entrada dos fiéis defuntos na posse da visão beatifica depois da purificação no Purgatório, ou logo após a morte, no caso das crianças batizadas ou dos defuntos não carecidos de purificação, sem ser preciso esperar pelo Juízo Final.

Na mesma constituição, Benedictus Deus, de 29 de janeiro de 1336, se define que «almas mortas em pecado mortal vão de imediato para o inferno, onde padecem penas infernais».

Bento XII foi o maior reformador entre os papas de Avinhão, a começar na cúria pontifícia e acabando nas ordens religiosas, revogando todas as concessões feitas pelos seus antecessores e até algumas por ele próprio feitas no início do seu pontificado, para evitar as queixas sobre desigualdades e abusos.

Esta decisão provocou animosidade, mas o exemplo da sua vida austera e piedosa, isenta de qualquer nepotismo, eram a sua defesa e justificação.

Diz-se que pensou no regresso a Roma, tendo mandado fazer reparações na basílica de São Pedro e na de São João de Latrão, mas tal não foi possível, devido às pressões do rei de França, e por isso deu começo à construção do palácio papal de Avinhão.

Com as agitações sociais e politicas eram muitas, o palácio constitui uma autêntica fortaleza, com 133 x 82 metros edificados, em estilo gótico, a condizer com a austeridade monacal de Bento XII, e só ficou concluído no pontificado de Clemente VI.

Esforçou-se por conseguir o reatamento da união com a Igreja do Oriente.

Distinguiu-se pela sua erudição, piedade e inteireza de carácter e até por certa competência diplomática, embora sem se libertar da influencia de Filipe VI, rei de França, rejeitando a aproximação proposta pelo imperador alemão, Luís de Baviera, que acabou por se aliar a Eduardo III, de Inglaterra, contra o monarca francês, dando início à guerra dos Cem anos.

Foi feliz na conciliação de D. Afonso IV, de Portugal, e Afonso XI, de Castela, que tornou possível a vitória de ambos os monarcas contra os mouros de Granada e aliados do Norte de África, na Batalha do Salado, em 3 de Outubro de 1340.

Bento XII morreu, depois de prolongada e dolorosa doença e ficou sepultado na Catedral de Avinhão.

Foi o primeiro papa a usar a mitra de tríplice coroa, símbolo do tríplice poder ou dignidade pontifícia: real, imperial e sacerdotal.

No seu pontificado, a 8 de Abril de 1341. o poeta Petrarca foi coroado no Capitólio de Roma, pelo senador Ursus D’Anguillara, como «Magnum poeta et historicam», perante o povo entusiasmado.

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CLEMENTE VI

Clemente VI

Clemente VI

(1342-1352)

Formado pela Universidade de Paris e eleito cardeal pela sua inteligência e cultura, aliadas a uma grande simplicidade e simpatia, foi amigo íntimo e conselheiro de Filipe VI, rei de França. E foi este cardeal, Pierre Roger, que foi eleito em 7 de Maio de 1342, 13 dias após a morte de Bento XII, tomando o nome de Clemente VI, porque desejava que a clemência fosse a característica do seu pontificado. De facto, os historiadores assim o classificam : «Clemente, clementíssimo, espelho de clemência».

Contudo, a par de se preocupar com os mais desfavorecidos, Clemente VI gostava do luxo e da ostentação, como senhor temporal, e protegia excessivamente os parentes e os amigos, com evidentes sinais de nepotismo.

Por este desejo de ostentação, Avinhão enchia-se de artistas, pintores, poetas, escultores, médicos e até clérigos ávidos de benesses.

Esta tendência de Clemente VI levou-o a comprar a cidade de Avinhão, tornando-a propriedade da Santa Sé. Talvez por isto, Roma não conseguiu o seu desejado regresso, pois o papa sempre o ia adiando, dizendo que era prioritário conseguir a união entre os reinos de França e de Inglaterra.

Entre 1348 e 1350, a peste negra, vinda da China, flagelou a população europeia, matando cerca de 40 milhões de pessoas. Em Avinhão, uma pequena cidade, chegavam a morrer 400 pessoas por dia e, nesta emergência, o papa deu um exemplo da sua tão falada bondade, cuidando o mais possível de todos e não abandonando a cidade. Por ser necessário, comprou, do seu bolso, um terreno para um cemitério, pagando a médicos e a coveiros.

Depois da calamidade, surgiu na Alemanha, um movimento de penitentes que percorriam as ruas, seminus, flagelando-se e cometendo desmandos contra o clero que pretendiam dissuadi-los e contra os judeus, que acusavam de terem lançado malefícios e serem causadores de todos os males.

Clemente VI foi enérgico defendeu os judeus, que eram, queimados aos milhares na Alemanha e na França, ameaçou de excomunhão quem os molestasse e decretou a prisão para os responsáveis, tanto mais que o fanatismo degenerava em heresia.

Impressionado com a desolação que a epidemia provocara na Cristandade, Clemente VI proclama o jubileu do Ano Santo em 1350, encurtando o período dos 100 anos que Bonifácio VIII estabelecera.

A Europa deslocou-se a Roma e o túmulo dos apóstolos foi o mais visitado, mas nem assim o papa deixou Avinhão.

Clemente VI nomeou 25 cardeais, sendo que apenas quatro não eram franceses e, entre eles, um sobrinho que seria, mais tarde, o papa Gregório XI.Com a sua ideia de vida faustosa, desbaratou parte dos tesouros de arte papais , dai resultando a desorganização financeira, que depois da sua morte onerou a Igreja.

 

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INOCÊNCIO VI

Inocencio VI

Inocêncio VI

(1352-1362)

Os 26 cardeais eleitores reunidos em conclave quiseram eleger o geral dos Cartuxos, João Birel, tido como pessoa austera que evitaria a vida faustosa de Clemente VI, mas, ou porque ele não aceitou, ou por temerem que se parecessem com Celestino V, que se mostrou incapaz politicamente, elegeram em 18 de Dezembro de 1352, o cardeal francês Étienne Aubert, que tomou o nome de Inocêncio VI.

A eleição sugeria um pacto: o novo papa teria de admitir que o seu poder temporal e espiritual ficava limitado em beneficio do Sacro Colégio Cardinalício. Qualquer nomeação, castigo ou destituição de cardeais, a investidura dos fundos, a anexação dos bens eclesiásticos e a provisão nos cargos nos domínios pontifícios não se fariam sem a anuência do Sacro Colégio, mas o futuro papa só assinaria este pacto – se ele estivesse conforme ao direito».

Logo após a tomada de posse, Inocêncio VI declarou que não estaria sujeito a tal pacto, o que o tornava nulo, pois, além de ser uma espécie de coação, limitava os poderes absolutos conferidos por Cristo aos seus representantes.

Como homem de costumes simples e piedosos, não enveredou pelo fausto e ostentação e procurou introduzir reformas de austeridade na corte pontifícia, reduzindo o número de empregados parasitas, colocando nos cargos de responsabilidade pessoas de comprovada competência e aboliu privilégios e acumulação de benefícios, obrigando a residirem nas suas dioceses os prelados que pretendiam governá-las.

No aspecto político não foi hábil e apenas conseguiu algumas tréguas na guerra entre a França e a Inglaterra.

Em 1360, com Avinhão e toda a Provença ameaçada por hordas de bandoleiros provenientes de Itália, o papa pregou uma cruzada, sendo auxiliado por D. João Fernandes de Herédia, que acorreu com 1600 soldados recrutados em Aragão, mas a ameaça só foi afastada com a entrega de 14 000 florins aos assaltantes.

Perante isto, Inocêncio VI pensou regressar a Roma, apesar da anarquia que reinava nos Estados Pontifícios, e, para tal, enviou o cardeal espanhol Gil Alvarez de Albornoz, arcebispo de Toledo, para lhes restituir a paz. Se o papa tem regressado logo a Roma, seria recebido em  triunfo, mas não o fez por receio e opor doença e a oportunidade perdeu-se.

Morreu em Avinhão e ali foi sepultado.

O seu amor à literatura levou-o a convidar Petrarca para seu secretários, mas o poeta, cioso da sua independência, não aceitou o cargo.

Um senão deste pontificado foi o de Inocêncio VI ter elevado vários parentes a dignidades eclesiásticas das quais eram indignos.

 

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Continua:…

Este Post era para ser colocado em 1-3-2013 – 10H30

ANTÓNIO FONSECA

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